---------"Viajar, ou mesmo viver, sem tirar notas é uma irresponsabilidade..." Franz Kafka (1911)--------- Ouvir, ler e escrever. Falar, contar e descrever. O prazer de viver. Assim partilho minha visão do mundo. [blogue escrito, propositadamente, sem abrigo e contra, declaradamente, o novo Acordo Ortográfico]
29 julho 2007
Boa Sorte
26 julho 2007
Idade Outra
23 julho 2007
Estar à Janela
Num qualquer lugar e num qualquer momento, dei comigo a pensar e a reflectir sobre o estado ou condição que é estar à janela. Estranho e, para mim, anormal, pois raramente me encontro em tal circunstância. Pelas avenidas das cidades e localidades, por onde diariamente circulo, tento, em diferentes horas e momentos do dia e noite, apanhar, em flagrante, alguém à janela. Tarefa difícil...
Até há uns anos atrás, num tempo de uma outra vivência e de uma outra mentalidade, a janela era uma instância. Nada acontecia que não fosse à janela. Era um espaço social. Por excelência, alvo de inúmeras odes, em trovadorescas cantigas de amigo e de amor, eruditos elogios e várias prosaicas considerações, a janela faz parte do nosso património imaginário e de uma simbologia nacional de uma existência de antanho. Quem não recorda as famosas estrofes de Vitorino, onde ele encontra à janela a menina com os cabelos ao vento e tem que esperar por uma prenda dela para se poder ir embora...
De facto, hoje em dia e cada vez mais, as janelas perderam a sua função social, ou seja, já não se vai para a janela e por lá se fica... Quem é que, hoje, se põe à janela!?... Ninguém ou quase ninguém...Ainda assim, e depois de inúmeras observações que testaram esta minha teoria, para confirmar a mesma, indaguei amigos e conhecidos e, salvo (a cada vez mais rara) excepção dos fumadores, que afirmam utilizar as mesmas para não poluírem os ambientes interiores, todos os outros admitem (denotando eu nas suas expressões alguma perplexidade pela constatação) nunca ou quase, irem ou estarem à janela.
Pois é, cada vez mais, as janelas são entendidas como elementos construtivos funcionais, fundamentalmente, como meios de conseguir luz e ar. No dia em que nos apresentarem alternativas sugestivas não acredito que lhe possámos resistir. Num futuro, que desconheço se próximo ou não, concerteza outras soluções surgirão e sem grandes pejos, trocaremos as actuais e inúteis janelas por essas outras formas de vermos e sentirmos o mundo que nos envolve.
Não me lembro de estar à janela. Essa predisposição para ver "quem passa" indicará também um conjunto de atitudes ou estados mentais, tais como: passividade, conformismo, indiferença ou alienação.Eu prefiro continuar a ser quem passa...
20 julho 2007
18 julho 2007
Em Digressão
16 julho 2007
Com o fim à vista
Depois de 1800 páginas divididas em 4 livros e quando me faltam cerca de 20 páginas do epílogo, posso partilhar a satisfação daquilo que, um dia (em Novembro de 2005), obstinadamente decidi fazer. Passado este tempo todo, por entre muitos outros registos, consegui vencer a "guerra" que este clássico me ofereceu e, agora, em "paz" poderei derivar e escolher outro objecto para a minha teimosia em colmatar as graves omissões de um tempo ido, no qual muito e bom me escapou.13 julho 2007
Eu também...
12 julho 2007
O Mercado
11 julho 2007
Dia Mundial da População
Assim escrevia, já em 1950, Miguel Torga acerca das etnográficas clivagens portuguesas. Salvaguardando as devidas evoluções e distâncias, muito provavelmente, hoje, Miguel Torga não alteraria muito do seu texto ao observar a realidade portuguesa.
Neste momento, recordo também o clássico e fundador trabalho de Thomas Malthus, que em plena Revolução Industrial Inglesa, pensa, analisa e reflecte sobre a demografia e a economia "mundiais". O Ensaio sobre o Princípio da População, publicado em 1798 é uma obra notável pela sua presciência da realidade do planeta nos séculos seguintes e até aos dias de hoje. Um trabalho que deveria ser lido pelos nossos governantes, principalmente por aqueles que pensam e decidem o país e gerem o território.
10 julho 2007
Aquisições
- "A Indústria das Sedas em Trás-os-Montes (1835-1870)" de Fernando de Sousa, Edições Cosmos, 2001;
- "Portugal" de Miguel Torga, Dom Quixote, 2007;
- "A Sagração da Primavera" de Aurélio Lopes, Edições Cosmos, 2007;
- "O Enterro do Galo" de Aurélio Lopes e João Serrano, Edições Cosmos, 2006;
- "O Silêncio dos Livros" de George Steiner, Gradiva, 2006;
08 julho 2007
Sete Maravilhas!?....
As antigas e ainda muito válidas MARAVILHAS:
Pirâmides de Gizé
Jardins Suspensos da Babilônia
Estátua de Zeus em Olímpia
Templo de Ártemis em Éfeso
Mausoléu de Halicarnasso
Colosso de Rodes
Farol de Alexandria
05 julho 2007
Momento Interessante
04 julho 2007
Shopping Brasília
Enquanto faço horas para uma visita de revisão ao médico e porque está um dia chuvoso, decido-me revisitar este lugar mítico da invicta urbe.29 junho 2007
Novos Protagonismos
Luís Vale, presidente desta comissão afirma que a tutela simplesmente atenta contra os direitos dos órgãos autárquicos democraticamente eleitos, e insiste que esta comissão mantém todo o interesse em acompanhar o processo para quando o documento chegar à fase de discussão pública poder dar um parecer devidamente fundamentado. Esta argumentação já foi enviada ao ministro do ambiente, mas mais uma vez a comissão ficou sem respostas: “ uma das últimas comunicações foi feita precisamente ao ministro do ambiente e também não obtivemos qualquer tipo de resposta a esse nosso contacto e daí também a nossa indignação relativamente a isso.”A comissão já teve acesso à proposta do plano de ordenamento, mas recorrendo à câmara municipal representada na comissão técnica de acompanhamento. No dia de Assembleia Municipal, espera-se uma discussão mais aprofundada sobre este tema.
Um momento de uma longa jornada
Gostaria de vos relembrar aquela frase que diz: “cada um só tem aquilo que merece”, o que se aplica na perfeição aos portugueses e a nós aqui também, pois quem tem votado nestes governos não merecerá muito mais do que aquilo que eles serão algum dia capaz de nos dar. Meus Senhores, minhas Senhoras, são já mais de trinta anos do mesmo…
Nas ciências sociais há um princípio metodológico que é frequentemente utilizado, designado holismo, em que para explicar um fenómeno particular ou individual, é sempre preciso analisar esse fenómeno como resultante de um conjunto de acções, de crenças ou de atitudes colectivas. De alguma forma, o holismo metodológico não valoriza o indivíduo na sua dimensão racional e psicológica, situando-o mais como um elemento dentro de uma estrutura social que orienta e explica a sua acção. Explicado de uma outra forma, o holismo privilegia o todo em detrimento das partes que o constituem.
Se utilizarmos este princípio metodológico nesta nossa reflexão, muito facilmente perceberemos que o paradigma actual se baseia nesta visão holista do país, aliás, em retrospectiva, concluímos que a visão dos sucessivos governos democráticos, até hoje, tem sido essa e a mesma, apesar de algumas nuances de protagonismos e pomposas designações.
O defeito desta perspectiva aplicada na administração e gestão do território, é o facto de este todo que é o país ser constituído por inúmeras partes com especificidades e com características próprias e dispares entre si, o que por si só, deveria obrigar a uma atenção e dedicação individual, de forma a garantir o sucesso de todas as partes e assim beneficiar o todo. Mas não, a prática é precisamente a oposta, decide-se para o todo e depois aplica-se indiscriminadamente pelas partes.
Os senhores do poder e dessa “coisa” superior que é a estratégia nacional, com esta visão holista do território, agarram-se aos números e às estatísticas para fazer e desfazer, sem conhecerem a real dimensão do país e das diferentes regiões e, principalmente, sem pensarem nas pessoas.
Dois exemplos desta prática comum no governo socialista:
1. A lei da mobilidade tem como objectivo eliminar 75 mil postos de trabalho na Administração Pública, que poderão ser substituídos por “tarefas” a realizar por trabalhadores e trabalhadoras sujeitos a vínculos precários (em outsourcing, com contratos individuais de trabalho ou contratos a termo). Os primeiros passos já foram dados no Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, onde a lista de pessoas a dispensar já foi elaborada pelos serviços. Tendo estas pessoas recebido uma carta a informar a sua colocação numa bolsa de emprego público, o que implica a passagem por várias fases, a saber:
- Uma transição de 60 dias, ganhando o mesmo salário;
- Uma requalificação de 10 meses, auferindo 5/6 do salário;
- e uma compensação por tempo indeterminado, ganhando 4/6 do salário;
Esta fase só termina quando o trabalhador reinicia funções num outro organismo público ou privado, se aposenta, se desvincula voluntariamente, ou (vejam bem) sofre uma pena disciplinar que provoque a desvinculação.
O que se pretende com isto e de facto, é desmoralizar as pessoas e levá-las a rescindir os seus contratos. Não se trata de agilizar ou rentabilizar os serviços públicos, mas sim de os fragilizar e privatizar. A obsessão do combate ao défice não é mais do que uma máscara de um processo que coloca trabalhadoras e trabalhadores da função pública em casa com cortes nos salários e deixa os cidadãos à mercê de piores serviços públicos afectando os seus direitos sociais.
2. O relatório da Comissão do Livro Branco das Relações Laborais, que foi esta semana apresentado pelo ministro do Trabalho aos parceiros sociais, propõe mudanças no Código Laboral que incluem a redução das férias para 23 dias, em vez dos 25 a que podem hoje chegar, a admissão de que ocorram despedimentos por alegação de incompetência. Propõe-se também a redução do valor do subsídio de férias, a impossibilidade de anular um despedimento em tribunal só por razões processuais e a liberdade de trabalhadores e empresas gerirem o número de horas de trabalho, através de bancos de horas.
A proposta alarga o número de situações previstas para que a empresa e o trabalhador possam acordar uma diminuição no salário, com o acordo da Inspecção de Trabalho.
Em relação à liberdade negocial, a lei actual diz que empresas e trabalhadores não podem acordar condições menos favoráveis do que as previstas nas convenções colectivas. A comissão admite mudar o artigo, para aumentar o grau de liberdade negocial.
O documento defende, ainda, que a lei não deve fixar um número de horas para a jornada de trabalho, mas referir apenas a duração de trabalho semanal e anual.
Outro elemento que gostaria de trazer para esta reflexão e que em muito tem prejudicado a nossa região é a essa “coisa” mais que pós-moderna da macro ou micro economia, que está na moda nos discursos dos políticos que é a escala. “É preciso adquirir escala!” ou “qualquer projecto tem que ter escala!” são frases que em catadupa saem da boca dos nossos governantes.
Exmos. e Exmas., desculpem-me mas não percebo como é que as pessoas podem ganhar escala. As pessoas não são coisas nem números… e quando falamos da nossa região, segundo eles, é disso que se trata, da falta de escala e dimensão. Por isso, há que centralizar esforços, meios e equipamentos para adquirir essa tal escala e, consequentemente, afastar os serviços das populações.
Aqui, assistimos a uma permanente troca de acusações entre a bancada do PS e a do PSD, no que diz respeito à culpabilidade destas acções. “Eu não, mas tu sim” – afirmam constantemente, sem perceberem que tanto faz, para a região, o governo ser de um partido ou de outro… estamos em perda e assim iremos continuar… até um dia.
