29 julho 2007

Boa Sorte

Pela primeira vez partilho um video plasmado do YouTube. Visito alguns blogues que usam e abusam deste portal para partilharem os seus (maus) gostos com o resto da comunidade. Para mim é um experiência nova e que, por isso, não foi fácil de executar... digámos que só hoje consigo publicar aquilo que queria fazer na passada 5ª feira. Em relação ao video e à música em si, não vou fazer grandes comentários ou grandes elogios. Comecei a ouvir esta música esta semana na Antena 3 e gostei.
No contraditório, afirmo aqui que não gosto de brasileiros(as) a cantar, nem gosto particularmente deste senhor Harper, mas esta "cantiga" soa bem e por isso aqui vai.

26 julho 2007

Idade Outra

Sempre ouvi dizer que é nos filhos que percebemos o tempo a passar. É ao constatarmos o crescimento da nossa prole, que admitimos o nosso (de)crescimento e o peso dos anos a passar. Contudo, nunca até ao dia de hoje, tinha percebido que aquilo que, normalmente, se designa a primeira idade (se aqui englobarmos a infância, a adolescência e a juventude), para mim já passou. É verdade, sim senhor a afirmação inicial, pois a minha descendência tem crescido e bem, o que significa que o tempo não para e, apesar de me considerar "jovem", de facto e na realidade, já não será aí que me encontro...
Recordo agora todos(as) aqueles(as) que já a caminho da 4ª idade, continuam a afirmar que se sentem jovens.... que o que importa é o espirito... a vontade e a disposição...
Como enganados estão, os coitados!
O "clic" que me faltava para o admitir, foi a conversa que hoje mantive com dois médicos que consultei. Por mais que continue a enganar-me, considerando que ainda não cheguei a esse outro estadio do meu processo ontogenético, que será o anterior ao último, o diagnóstico frio e racional com o qual fui confrontado, que anúncia sintomas e hipóteses para quadros clínicos que, pessoalmente, sempre associei às idades maiores, derrotou toda e qualquer atitude narcisica relativa ao mito da eterna juventude.
Entretanto e nas entrelinhas de tais cenários, fiquei também a saber que não sou considerado obeso, não sou hipertenso e tenho vantagens genéticas (seja lá isso o que for...).

23 julho 2007

Estar à Janela

Num qualquer lugar e num qualquer momento, dei comigo a pensar e a reflectir sobre o estado ou condição que é estar à janela. Estranho e, para mim, anormal, pois raramente me encontro em tal circunstância. Pelas avenidas das cidades e localidades, por onde diariamente circulo, tento, em diferentes horas e momentos do dia e noite, apanhar, em flagrante, alguém à janela. Tarefa difícil...

Até há uns anos atrás, num tempo de uma outra vivência e de uma outra mentalidade, a janela era uma instância. Nada acontecia que não fosse à janela. Era um espaço social. Por excelência, alvo de inúmeras odes, em trovadorescas cantigas de amigo e de amor, eruditos elogios e várias prosaicas considerações, a janela faz parte do nosso património imaginário e de uma simbologia nacional de uma existência de antanho. Quem não recorda as famosas estrofes de Vitorino, onde ele encontra à janela a menina com os cabelos ao vento e tem que esperar por uma prenda dela para se poder ir embora...

De facto, hoje em dia e cada vez mais, as janelas perderam a sua função social, ou seja, já não se vai para a janela e por lá se fica... Quem é que, hoje, se põe à janela!?... Ninguém ou quase ninguém...

Ainda assim, e depois de inúmeras observações que testaram esta minha teoria, para confirmar a mesma, indaguei amigos e conhecidos e, salvo (a cada vez mais rara) excepção dos fumadores, que afirmam utilizar as mesmas para não poluírem os ambientes interiores, todos os outros admitem (denotando eu nas suas expressões alguma perplexidade pela constatação) nunca ou quase, irem ou estarem à janela.

Pois é, cada vez mais, as janelas são entendidas como elementos construtivos funcionais, fundamentalmente, como meios de conseguir luz e ar. No dia em que nos apresentarem alternativas sugestivas não acredito que lhe possámos resistir. Num futuro, que desconheço se próximo ou não, concerteza outras soluções surgirão e sem grandes pejos, trocaremos as actuais e inúteis janelas por essas outras formas de vermos e sentirmos o mundo que nos envolve.

Não me lembro de estar à janela. Essa predisposição para ver "quem passa" indicará também um conjunto de atitudes ou estados mentais, tais como: passividade, conformismo, indiferença ou alienação.

Eu prefiro continuar a ser quem passa...

20 julho 2007

Nunca fui para a cama com nenhuma mulher sem lhe pagar, e convenci as poucas que não eram da profissão pela razão ou pela força a que recebessem o dinheiro nem que fosse para o deitar no lixo. Por volta dos meus vinte anos comecei a fazer um registo com o nome, a idade, o lugar, e uma breve memória das circunstâncias e do estilos. Até aos cinquenta anos eram quinhentas e catorze mulheres com as quais tinha estado pelo menos uma vez. Interrompi a lista quando já o corpo não me deu para tantas e podia continuar as contas sem papel. Tinha a minha ética própria.
Gabriel Garcia Márquez in "...das minhas putas tristes"

18 julho 2007

Em Digressão

Servindo-me das maravilhas que são as novas tecnologias e quando o Alfa em que viajo, circula a cerca de 180 kms por hora, algures entre Lisboa e o Porto, aproveito para reflectir sobre esta nova experiência que é fazer apresentações de "algo" por nós criado. Alguns dos meus amigos, quando lhes disse que iria publicar um livro, depressa concluíram que a minha missão nesta vida estaria então finalizada. Nada mais falta cumprir e assim poderei partir descançado...Entretanto, confesso que muito me agradou, não o reconhecimento ou a notoriedade que possa ter advido deste projecto, mas sim o facto de algumas editoras se terem mostrado interessadas em editar o mesmo. Com a devida modéstia posso dizer que pude escolher a editora que mais me interessou. Depois, veio o tempo da partilha e das apresentações, o tempo de agora, em que sou obrigado, por clausulas contratuais, a deslocar-me a outras cidades para aí dar testemunho do meu trabalho. Nada me custa e fui, irei com o maior dos prazeres. Contudo, agora que já o "provei" não poderei deixar de referir, a confusão de sensações experimentadas... Se por um lado me sinto recompensado pelo esforço e dedicação e é agradável perceber a reacção das pessoas que contactam com o livro, por outro lado, a simples partilha que é a publicação do trabalho, significa abdicar daquilo que até aqui era só meu e agora será do "mundo" e de todos. Também significa o meu consentimento e aceitação de um julgamento público e/ou da academia relativo às minhas qualidades, não tanto enquanto escritor, mas fundamentalmente enquanto cientista social e antropologo. Tranquilo e satisfeito com o até aqui conseguido, viajo de regresso a casa. Confidêncio que ver um livro meu, com destaque, exposto e à venda na Fnac não me deixa indiferente (impressões primeiras de um qualquer principiante). No que diz respeito às vendas e ao sucesso comercial do livro, estou perfeitamente a "oriente". Sei que no dia 29 deste mês estaremos na Fnac em Gaia... Até lá.

16 julho 2007

Com o fim à vista

Depois de 1800 páginas divididas em 4 livros e quando me faltam cerca de 20 páginas do epílogo, posso partilhar a satisfação daquilo que, um dia (em Novembro de 2005), obstinadamente decidi fazer. Passado este tempo todo, por entre muitos outros registos, consegui vencer a "guerra" que este clássico me ofereceu e, agora, em "paz" poderei derivar e escolher outro objecto para a minha teimosia em colmatar as graves omissões de um tempo ido, no qual muito e bom me escapou.
Não amamos a quem é bom, mas é bom a quem amamos.
Lev Tolstói

13 julho 2007

Eu também...

Dos 96 mil alunos que fizeram o exame de Matemática do 9.º ano, 24.600 não tiveram mais do que um valor (escala de 1 a 5). No conjunto, 72,8 por cento tiveram negativa na prova. É o pior resultado em três anos de exames. O que aconteceu?
Hoje no Jornal Público

12 julho 2007

O Mercado

A saturação dos ruídos, a confusão dos intensos e frescos aromas anunciam um novo e exótico mundo. Adivinha-se um espaço repleto de estranhas formas e vivas cores. Sinto que nesta aparente anarquia, tudo e todos encontram o seu lugar.
Viver bem e ser feliz são duas coisas diferentes e a segunda, se não houver uma magia qualquer, não me acontecerá certamente. Para isso deveria acontecer qualquer coisa verdadeiramente fora do natural.
Mozart numa carta a Bullinger

11 julho 2007

Foi Notícia






Dia Mundial da População

Não conseguindo contabilizar, nem sequer alcançar a dimensão da população do nosso mundo, mas atento aos pormenores, que aqui e ali, pelas melhores e/ou pelas piores razões, são notícia. Hoje, em qualquer órgão de omunicação social, poderemos encontrar aspectos posítivos e negativos da evolução da população mundial. Mas como não poderia deixar de ser, reflicto sobre a lusitana situação e os seus evidentes desiquilibrios.

O litoral português devia formar uma província à parte, esguia, fresca e alegre, só de areia e espuma.
(acerca do interior) (...) Um nunca acabar de terra grossa, fragosa, bravia, que tanto se levanta a pino num ímpeto de subir ao céu, como se afunda nuns abismos de angústia, não se sabe por que telúrica contrição. (...) Léguas e léguas de chão raivoso, contorcido, (...) serras sobrepostas a serras. Montanha paralelas a montanhas. (...) Dentro ou fora do seu dólmen (maneira que eu tenho de chamar aos buracos onde vive a maioria) estes homens não têm medo senão da pequenez. Acossados pela necessidade e pelo amor da aventura, aos vinte anos, (...) alguns emigram para as Arábias de além-mar. (...) Deixam um rasto luminoso por onde passam, e voltam mais tarde, aos sessenta, de corrente ao peito... (...) e continuam a comer talhadas de presunto cru.
Os que ficam, cavam a vida inteira. E, quando se cansam, deitam-se no caixão com a serenidade de quem chega honradamente ao fim dum longo e trabalhoso dia.

Assim escrevia, já em 1950, Miguel Torga acerca das etnográficas clivagens portuguesas. Salvaguardando as devidas evoluções e distâncias, muito provavelmente, hoje, Miguel Torga não alteraria muito do seu texto ao observar a realidade portuguesa.

Neste momento, recordo também o clássico e fundador trabalho de Thomas Malthus, que em plena Revolução Industrial Inglesa, pensa, analisa e reflecte sobre a demografia e a economia "mundiais". O Ensaio sobre o Princípio da População, publicado em 1798 é uma obra notável pela sua presciência da realidade do planeta nos séculos seguintes e até aos dias de hoje. Um trabalho que deveria ser lido pelos nossos governantes, principalmente por aqueles que pensam e decidem o país e gerem o território.


10 julho 2007

Aquisições

Referência para as últimas aquisições e ofertas livrescas:

- "A Indústria das Sedas em Trás-os-Montes (1835-1870)" de Fernando de Sousa, Edições Cosmos, 2001;

- "Portugal" de Miguel Torga, Dom Quixote, 2007;

- "A Sagração da Primavera" de Aurélio Lopes, Edições Cosmos, 2007;

- "O Enterro do Galo" de Aurélio Lopes e João Serrano, Edições Cosmos, 2006;

- "O Silêncio dos Livros" de George Steiner, Gradiva, 2006;

08 julho 2007

Sete Maravilhas!?....

Muito hesitei em escrever o que quer que fosse sobre este festival dos monumentos. Mas, por fim, achei conveniente partilhar as seguintes considerações:

Concordo que, passados cerca de 2500 anos sobre a anterior eleição, era já tempo de a "sapiencia" se dedicar à análise e ponderação do que de mais importante e significativo existe no mundo, tendo como principal critério, a valoração enquanto património para a humanidade. Até porque das antigas sete maravilhas só uma resiste e grande parte delas mais do que qualquer valor material, estavam impragnadas de valorizações simbólicas e discursos míticos (por exemplo, os jardins suspensos da Babilónia provavelmente nunca existiram). Esta valorização simbólica transformava-as em maravilhas, resultado do trabalho extraordinário dos antigos e quase inatingíveis ou irrepetíveis.

O que agora aconteceu não foi nada disto. Mesmo concordando genericamente com a lista dos 21 candidatos, o método utilizado não foi o correcto, transformando aquilo que deveria ser uma referência para toda a humanidade, em algo parecido com um festival da canção, ou um Big-Brother... substituindo a sabedoria de um conjunto de individualidades que outrora se reuniu e magnanimamente elegeu as antigas maravilhas, pelo democrático televoto e o moderno netvoto, delegando na sabedoria e nos conhecimentos das massas (ignorantes, iletradas e info-excluídas) a responsabilidade dessa decisão.

Como se o acumular de votos destes anónimos e ignorantes fosse a garantia de qualidade e de excepção desses monumentos!?... vejam o exemplo do Cristo Rei do Rio de Janeiro... como pode alguém considerar aquilo uma maravilha!? Quanto mais ser eleita uma das sete!?.... Então e as Pirâmides de Gizé!?... as únicas que ainda eram (até ontém), hoje foram ultrapassadas e perderam tal estatuto. Como!? Uma palavra também de reconhecimento para os muitos monumentos ou lugares que, edificados pelo homem, teriam aqui lugar e em muito dignificam a nossa condição de humanos e "construtores".

Enfim, mais um momento de consumo imediato, que custou milhões de euros e dolares e que, concerteza, alguns poucos beneficiaram e muito com o mesmo, mas que ninguém racional e inteligente pode aceitar. A propósito, a UNESCO, que é quem se dedica a estes assuntos do mundo, desde sempre se demarcou desta iniciativa...

As antigas e ainda muito válidas MARAVILHAS:
Pirâmides de Gizé
Jardins Suspensos da Babilônia
Estátua de Zeus em Olímpia
Templo de Ártemis em Éfeso
Mausoléu de Halicarnasso
Colosso de Rodes
Farol de Alexandria

05 julho 2007

Momento Interessante

A propósito do seu livro "Foi assim" Zita Seabra foi a convidada desta noite do programa semanal de Judite de Sousa. Confesso que não sou grande (nem pequeno) fã da entrevistada, mas gostei da sua postura seca, do seu discurso frio e racional, da frontalidade e da objectividade com que respondeu às questões, nem sempre agradáveis ou fáceis, da entrevistadora. Servirá a entrevista e, principalmente, o livro como mais um testemunho vivo de parte da "história negra" nacional e mesmo internacional do século XX, protagonizada por essa "superioridade moral" chamada comunismo. Não fazia intensão de o comprar, mas agora, tenho razões para o fazer.

04 julho 2007

"A solidão campestre em que passei os melhores anos da minha juventude, a leitura dos bons livros a que me dediquei por inteiro, fortaleceram as minhas predisposições naturais para os sentimentos afectuosos, e tornaram-me devoto quase à maneira de Fénelon. A meditação em locais retirados, o estudo da natureza, a contemplação do universo, forçam um solitário a voltar-se incessantemente para o autor das coisas e a procurar com suave inquietação a finalidade de tudo o que vê e a causa de tudo o que sente. Quando o meu destino voltou a lançar-me na torrente do mundo, já aí não encontrei nada que pudesse, por um momento que fosse, atrair o meu coração."
Rousseau
bem vindo adeartes. É sempre bom ter por perto a certeza da excelência. Visitem nos atalhos.

Shopping Brasília

Enquanto faço horas para uma visita de revisão ao médico e porque está um dia chuvoso, decido-me revisitar este lugar mítico da invicta urbe.
É um dos espaços que trago nas memórias infantis, vindas dos finais dos anos 70, principios dos 80. Os dias de criança aqui passados foram, sem dúvida, de grande alegria para mim e para o meu irmão Daniel. Concerteza, tínhamos o direito a um gelado ou uma guloseima extraordinária e suplementar.
Nessa época, este centro comercial acabado de inaugurar (outubro de 1976) era o maior exemplo ibérico das novas tendências e modas... apesar de ainda num estado precoce de desenvolvimento, atraía as massas da população que, curiosas e com sede de inovação, podiam aqui experimentar novas sensações. Estava então em expansão e lembro-me perfeitamente da abertura de novas lojas, novas alas e pisos.
Hoje, ao deambular por estes infindáveis e labirinticos corredores, outrora largas e movimentadas avenidas, agora estreitas ruas, dadas as novas e pós-modernas exigências, experimento uma sensação estranha de nostalgia. Talvez não a consiga traduzir aqui, mas ao procurar pontos de referência de então, para me orientar, chego à conclusão que já nada está igual e que as lojas são diferentes. Contudo, consigo identificar uma das lojas que sempre aqui esteve e que sempre me atraiu: Isabel Queiroz do Vale... quem não se lembra dos anúncios da rádio e da tv... para além do "vale".
Depois de aleatoriamente e sem destino percorrer os vários pisos, alguns pormenores ressaltam-me à vista e à razão: num espaço curto de tempo, desde a porta de entrada, três pessoas pediram-me esmola; grande percentagem das lojas estão desocupadas; um número considerável das mesmas, está ocupada por lojistas orientais e indianos, o que demonstra bem a alteração e a substituição dos públicos que incluem nos seus circuitos pendulares citadinos este espaço comercial (aliás, este é um movimento urbano clássico e está por demais estudado - vejam o exemplo do centro comercial Dallas, na Av. da Boavista, onde a substituição dos logistas e consequentemente dos públicos, significou o princípio do fim do mesmo).
Por fim, uma palavra para o conceito e estrutura do próprio centro, que acusa o passar dos anos e que deixa perceber a necessidade de alteração dos percursos da população e públicos, para novos lugares e espaços habitacionais e comerciais, alguns daqui bem perto: cidade do porto e peninsula.
Ao revisitar o Brasília podemos sentir o (des)conforto de há umas décadas atrás, experimentar sensações demodé e em desuso... tudo mais pequeno e com uma lógica em extinção.
Quanto tempo mais aguenterá!?...

29 junho 2007

Novos Protagonismos

Comissão de acompanhamento do plano de ordenamento do parque natural de Montesinho ignorada

A comissão de acompanhamento do plano de ordenamento do parque natural de Montesinho, constituída no âmbito da assembleia municipal de Bragança denuncia uma total falta de respeito por parte do Instituto da Conservação da Natureza e do próprio ministro do ambiente, para com este órgão representativo das populações. Este organismo foi criado precisamente para defender os interesses do município e particularmente dos residentes na área do parque natural de Montesinho. A comissão, solicitou ao ICN informação sobre o plano de ordenamento mas nunca recebeu resposta.
Luís Vale, presidente desta comissão afirma que a tutela simplesmente atenta contra os direitos dos órgãos autárquicos democraticamente eleitos, e insiste que esta comissão mantém todo o interesse em acompanhar o processo para quando o documento chegar à fase de discussão pública poder dar um parecer devidamente fundamentado. Esta argumentação já foi enviada ao ministro do ambiente, mas mais uma vez a comissão ficou sem respostas: “ uma das últimas comunicações foi feita precisamente ao ministro do ambiente e também não obtivemos qualquer tipo de resposta a esse nosso contacto e daí também a nossa indignação relativamente a isso.”A comissão já teve acesso à proposta do plano de ordenamento, mas recorrendo à câmara municipal representada na comissão técnica de acompanhamento. No dia de Assembleia Municipal, espera-se uma discussão mais aprofundada sobre este tema.

Um momento de uma longa jornada

Consequências para o Concelho de Bragança e para o País, das políticas e opções do Governo na reestruturação dos serviços da Administração Pública.

Serão sempre de salutar iniciativas destas, que promovam a reflexão e a discussão sobre os reflexos e consequências que se sentem no concelho e na região das políticas e estratégias governamentais. Estaremos sempre disponíveis para essa reflexão, aliás, essa reflexão já há muito tempo está feita por nós e são mais do que conhecidas as permanentes consequências negativas para a região dessas estratégias e politicas nacionais. Aquilo que, neste momento, estranhamos é a necessidade, é a vontade do PSD em trazer isso para aqui, pois aquilo que acontece hoje, não difere daquilo que aconteceu ontem, nem será estranho o que acontecerá amanhã. Isto não significará que concordamos com a actual atitude política do governo socialista e não invalida que possámos criticar a sua actuação, que se tem caracterizado por uma obsessão reformista, fundamentada numa pseudo racionalização e contenção de despesas.

Gostaria de vos relembrar aquela frase que diz: “cada um só tem aquilo que merece”, o que se aplica na perfeição aos portugueses e a nós aqui também, pois quem tem votado nestes governos não merecerá muito mais do que aquilo que eles serão algum dia capaz de nos dar. Meus Senhores, minhas Senhoras, são já mais de trinta anos do mesmo…

Nas ciências sociais há um princípio metodológico que é frequentemente utilizado, designado holismo, em que para explicar um fenómeno particular ou individual, é sempre preciso analisar esse fenómeno como resultante de um conjunto de acções, de crenças ou de atitudes colectivas. De alguma forma, o holismo metodológico não valoriza o indivíduo na sua dimensão racional e psicológica, situando-o mais como um elemento dentro de uma estrutura social que orienta e explica a sua acção. Explicado de uma outra forma, o holismo privilegia o todo em detrimento das partes que o constituem.

Se utilizarmos este princípio metodológico nesta nossa reflexão, muito facilmente perceberemos que o paradigma actual se baseia nesta visão holista do país, aliás, em retrospectiva, concluímos que a visão dos sucessivos governos democráticos, até hoje, tem sido essa e a mesma, apesar de algumas nuances de protagonismos e pomposas designações.

O defeito desta perspectiva aplicada na administração e gestão do território, é o facto de este todo que é o país ser constituído por inúmeras partes com especificidades e com características próprias e dispares entre si, o que por si só, deveria obrigar a uma atenção e dedicação individual, de forma a garantir o sucesso de todas as partes e assim beneficiar o todo. Mas não, a prática é precisamente a oposta, decide-se para o todo e depois aplica-se indiscriminadamente pelas partes.

Os senhores do poder e dessa “coisa” superior que é a estratégia nacional, com esta visão holista do território, agarram-se aos números e às estatísticas para fazer e desfazer, sem conhecerem a real dimensão do país e das diferentes regiões e, principalmente, sem pensarem nas pessoas.

Dois exemplos desta prática comum no governo socialista:

1. A lei da mobilidade tem como objectivo eliminar 75 mil postos de trabalho na Administração Pública, que poderão ser substituídos por “tarefas” a realizar por trabalhadores e trabalhadoras sujeitos a vínculos precários (em outsourcing, com contratos individuais de trabalho ou contratos a termo). Os primeiros passos já foram dados no Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, onde a lista de pessoas a dispensar já foi elaborada pelos serviços. Tendo estas pessoas recebido uma carta a informar a sua colocação numa bolsa de emprego público, o que implica a passagem por várias fases, a saber:
- Uma transição de 60 dias, ganhando o mesmo salário;
- Uma requalificação de 10 meses, auferindo 5/6 do salário;
- e uma compensação por tempo indeterminado, ganhando 4/6 do salário;

Esta fase só termina quando o trabalhador reinicia funções num outro organismo público ou privado, se aposenta, se desvincula voluntariamente, ou (vejam bem) sofre uma pena disciplinar que provoque a desvinculação.

O que se pretende com isto e de facto, é desmoralizar as pessoas e levá-las a rescindir os seus contratos. Não se trata de agilizar ou rentabilizar os serviços públicos, mas sim de os fragilizar e privatizar. A obsessão do combate ao défice não é mais do que uma máscara de um processo que coloca trabalhadoras e trabalhadores da função pública em casa com cortes nos salários e deixa os cidadãos à mercê de piores serviços públicos afectando os seus direitos sociais.

2. O relatório da Comissão do Livro Branco das Relações Laborais, que foi esta semana apresentado pelo ministro do Trabalho aos parceiros sociais, propõe mudanças no Código Laboral que incluem a redução das férias para 23 dias, em vez dos 25 a que podem hoje chegar, a admissão de que ocorram despedimentos por alegação de incompetência. Propõe-se também a redução do valor do subsídio de férias, a impossibilidade de anular um despedimento em tribunal só por razões processuais e a liberdade de trabalhadores e empresas gerirem o número de horas de trabalho, através de bancos de horas.
A proposta alarga o número de situações previstas para que a empresa e o trabalhador possam acordar uma diminuição no salário, com o acordo da Inspecção de Trabalho.
Em relação à liberdade negocial, a lei actual diz que empresas e trabalhadores não podem acordar condições menos favoráveis do que as previstas nas convenções colectivas. A comissão admite mudar o artigo, para aumentar o grau de liberdade negocial.
O documento defende, ainda, que a lei não deve fixar um número de horas para a jornada de trabalho, mas referir apenas a duração de trabalho semanal e anual.

Outro elemento que gostaria de trazer para esta reflexão e que em muito tem prejudicado a nossa região é a essa “coisa” mais que pós-moderna da macro ou micro economia, que está na moda nos discursos dos políticos que é a escala. “É preciso adquirir escala!” ou “qualquer projecto tem que ter escala!” são frases que em catadupa saem da boca dos nossos governantes.

Exmos. e Exmas., desculpem-me mas não percebo como é que as pessoas podem ganhar escala. As pessoas não são coisas nem números… e quando falamos da nossa região, segundo eles, é disso que se trata, da falta de escala e dimensão. Por isso, há que centralizar esforços, meios e equipamentos para adquirir essa tal escala e, consequentemente, afastar os serviços das populações.

Aqui, assistimos a uma permanente troca de acusações entre a bancada do PS e a do PSD, no que diz respeito à culpabilidade destas acções. “Eu não, mas tu sim” – afirmam constantemente, sem perceberem que tanto faz, para a região, o governo ser de um partido ou de outro… estamos em perda e assim iremos continuar… até um dia.