19 novembro 2007

Arrastões Bancários

Vivemos um tempo em que, a cada dia que passa, chegam até nós, mediaticamente, notícias de assaltos, ou pelo menos tentativas de assaltos, por vezes mais, por vezes menos violentas e dramáticas, a instituições e/ou equipamentos bancários. Custa-me saber que a prática tem vindo a aumentar, mas mais me custa o mediatismo e o sensacionalismo adoptado por aqueles que tem por função informar, aquando do tratamento deste tipo de notícias; é que de nada nos serve, e principalmente, de nada serve às polícias e demais entidades, os testemunhos ignorantes daqueles que assim, e só assim, conseguem os seus 5 segundos de "fama" e "notoriedade".
Hoje, a propósito de mais uma tentativa frustrada de assalto a uma dependência bancária, houve quem, numa tentativa de justificar esta prática e o seu registo frequente, a associasse à recente alteração do código penal, nomeadamente no que diz respeito à nova lei da prisão preventiva. Dizem estes que, esta onda de assaltos está relacionada com a libertação de vários presos preventivos, consequência da entrada em vigor dessa nova lei.
Isto para além de ser extemporâneo, é especulativo e procura, sem dúvida, retirar proveitos políticos.
Sem conseguir alcançar toda a problemática, dado o desconhecimento em pormenor, podemos, contudo, fazer uma leitura "sensorial" da realidade da sociedade e dizer que, às tantas, esta escalada de acções violentas, cujo propósito é conseguir dinheiro, não é estranha ao deterioramento, também em escalada, da situação social e, principalmente, financeira dos indivíduos e das famílias portuguesas, assim como não será estranha ao permanente aumento do desemprego. Desta hipotética relação não ouvi eu, ainda, os "experts" do quinto poder. Aliás, seria interessante, para além de necessário, estudar este fenómeno social, procurando as reais causas e razões, para depois então encontrar as soluções certas e apropriadas.

15 novembro 2007

Que grande entrevista

Com o pc portátil em cima dos joelhos estou a ver o programa semanal de Júdite de Sousa "Grande Entrevista", que hoje entrevista a Dra. Joaquina Madeira, actual Provedora da Casa Pia. Tudo isto acontece depois das primeiras denúncias da Dra. Catalina Pestana que aqui há umas semanas, ao semanário SOL, afirmou que as agressões e as violentações continuam a existir na Casa Pia.
Esta senhora, responsável máxima desta instituição que (des)cuida de cerca de 500 crianças e jovens em regime de internato, passa ao lado de todas as questões. Por mais que a entrevistadora a questione, ela simplesmente não diz nada de relevante. A razão de ser desta entrevista supostamente era saber da própria provedora da instituição o seu conhecimento da realidade, mas ela persistentemente diz que não tem conhecimento de nada...
Aqui está mais um exemplo de um espaço, supostamente, nobre, porque em prime-time, que acaba por ser um flop.
Frase da noite: (a proposito das declarações da antiga provedora) "talvez não tenha sido a melhor forma e a altura para as fazer.... sabe, a casa precisa de tranquilidade!" - eu pergunto: tranquilidade para os porcos dos pedófilos poderem continuar a sua pérfida rotina!?... até quando!?... o verdadeiro problema é que são os próprios donos do sistema que dominam os meios que lhes permitem manter o status actual e só assim se percebe a indignação desta senhora pelas permanentes denúncias relativas à sua instituição.

13 novembro 2007

Reforma da Europa

Passados alguns dias do famoso acordo do Conselho Europeu, em Lisboa, sobre o Tratado Reformador, houve já tempo para conhecer o documento, perceber as lógicas e as tendências e perscrutar as diferentes reacções e opiniões acerca do mesmo.
De facto, o agora acabado e fechado Tratado (de Lisboa) não serve os interesses da Europa, uma vez que assenta em fundamentos neo-liberais e preconiza uma agenda militarista.
Por agora, e após 6 anos de problemas internos, a União Europeia deveria regressar aos seus verdadeiros deveres. Mas não, as alterações acordadas no Tratado apenas abordam os problemas nalguns aspectos e os próximos desafios de forma superficial. E mais, as futuras competências da União Europeia permanecem em aberto. Por outro lado, confirma o poder autoritário do Banco Central Europeu e o seu único objectivo – o controlo dos preços; consagra as políticas do Pacto de Estabilidade, que atingem a Despesa social e o investimento públicos, fazendo recair sobre os mais pobres as consequências das políticas orçamentais restritivas; e insiste no princípio da “concorrência livre e não falseada”, ao abrigo da qual explodiu a precariedade dos vínculos laborais, a diminuição de direitos e a compressão salarial.
Ao mesmo tempo, é, erradamente, apresentado como um acordo, um diagnóstico sobre os mercados de Trabalho na Europa, que na verdade abre caminho à extensão do conceito de flexi-segurança ao conjunto da União. A coberto deste slogan – “flexi-segurança”, o patronato e a Comissão Europeia apostam na desarticulação da Contratação Colectiva, na liberalização dos despedimentos individuais e na precariedade dos vínculos. A sua preocupação não é a segurança mas a flexibilidade, o que desvirtua e descentraliza o valor do Trabalho na construção do projecto europeu. Assistimos a uma regressão de natureza civilizacional. A Europa não precisa de mais flexibilidade porque já tem precariedade a mais. Precisa é de um novo Contrato para a Solidariedade que alargue aos imigrantes, às mulheres e aos jovens, os direitos e regalias sociais como condição para resolver a diferença entre ricos e pobres, povos e regiões.
Apesar de este Tratado reconhecer a Carta dos Direitos Fundamentais, o que, em si, é positivo, não podemos esquecer as insuficiências e as limitações dessa mesma Carta. Assim como, o facto de o novo Tratado aceitar a sua não universalidade no espaço europeu, ao dar à Polónia e ao Reino Unido o direito de optout.
Sendo um filho do Tratado Constitucional, em matéria de Política Externa reafirmam-se todos os objectivos e procedimentos que impedem a União Europeia de ter, no plano mundial, uma política independente dos Estados Unidos. O Tratado consagra a subordinação da defesa europeia à Nato, uma organização militar ofensiva quando, pelo contrário, deveria sustentar a sua dissolução em nome de um sistema de segurança colectiva sob a égide das Nações Unidas; recomenda o aumento das despesas militares, quando deveria fazer precisamente o contrário; e admite o envolvimento de forças multinacionais europeias nas missões militares em nome da defesa dos “valores”(!?) e “interesses”(!?) da União. É esta a dimensão militarista do novo Tratado e a sua subordinação à lógica imperial num momento em que aumentam exponencialmente os riscos de novas guerras. Não aceito esta lógica e defendo o desarmamento da União Europeia, a redução dos orçamentos da Defesa nos Estados-membros e o abandono deste ambiente belicista, que mesmo sob a ameaça do terrorismo global, só tem servido para atacar e coagir os direitos fundamentais dos cidadãos e dos estados ou nações.
O projecto europeu deveria envolver, cada vez mais, os cidadãos de toda a União, através da informação, do esclarecimento e do conhecimento da realidade agora proposta e, depois, a realização de referendos nacionais como garantia de legitimidade e como condição da ratificação parlamentar. Todo o incómodo e mal-estar que se sente junto dos responsáveis e decisores políticos europeus, quando se adianta a hipótese de referendar o Tratado tem fundamento, pois esses senhores (todo-poderosos) não esqueceram aquilo que os holandeses e os franceses, responsável e democraticamente, decidiram ao enterrar o Tratado Constitucional. Com esta fuga estratégica, deixam perceber a sua consciência do real e efectivo afastamento das populações em relação às políticas e à própria ideia de Europa. Assim, por temerem reacções adversas evitam a todo o custo os referendos nacionais.
É assim que, cada vez mais estou certo de ser já o tempo de aposentar esta União, que ao longo da sua já longa existência nunca foi, minimamente, compreendida e que, provavelmente, nunca convenceu os cidadãos. Apenas essa elite que é a classe política e dirigente, nos centros de decisão e de poder, foram assumindo e acreditando, em nome de todos e ao longo destas décadas, no compromisso da construção europeia.
A seu tempo, acontecerá! … O que a Europa precisa, para além das nomenclaturas, é um novo Tratado refundador dos valores, dos deveres, dos direitos e das regalias sociais que fundaram a diferença do nosso continente no mundo.Por acreditar numa Europa aberta a todos e a todas que nela vivem, considero indispensável a realização, em Portugal, de um referendo que questione os portugueses se aceitam ou não esta solução. Ainda por cima, o actual Primeiro-Ministro português, quando candidato ao lugar, garantiu (evito o termo “prometeu”) que os portugueses seriam chamados a pronunciar-se acerca desta matéria e seriam democraticamente responsabilizados pela decisão política. Aguardemos.
(publicado no Jornal Nordeste no dia 06/11/07)

10 novembro 2007

a moderna mania da classe média ocidental de que percebe de vinhos. Basta ver certas cenas em restaurantes com reputação de "Boa Garrafeira" - saloios conferenciando gravemente com o escantão e provando o que lhes põem à frente com fervor de peritos.
(Vasco Pulido Valente, hoje no Público)

Da máfia

Os 10 mandamentos para mafiosos e aspirantes a, devidamente anotados (a azul).
Extraídos de papelinhos, conhecidos por "pizzini" encontrados nos bolsos de Salvatore Lo Piccolo, chefe da máfia siciliana, recentemente detido.
1 - Ninguém se pode apresentar por si mesmo a outro dos nossos amigos. Terá de ser uma terceira pessoa a fazê-lo; (quando o eu passa a ele e o ele passa a eu...)
2 - Não cobiçar as mulheres dos amigos; (só a daqueles que não são amigos)
3 - Nunca ser visto com polícias; (senão morre!)
4 - Não frequentar bares; (apenas a Igreja e as casas da família e amigos - leia-se mafiosos)
5 - Estar sempre disponível para a Cosa Nostra; (claro, haverá outra hipótese!?...)
6 - As nomeações devem ser absolutamente respeitadas; (afinal quem manda é o mister... quem joga ou não joga... quem vive ou não vive... quem morre ou não morre...)
7 - As mulheres devem ser tratadas com respeito; (ora aqui está um exemplo vivo do maior dos discursos machistas e chauvinistas)
8 - Quando interrogados, responder sempre com a verdade; (estranho.... então e se for a polícia a interrogar!?... dizem a verdade?)
9 - O dinheiro não pode ser apropriado se pertencer a outros ou a outras famílias; (então a máfia não é uma actividade ilícita de extorsão e de coação!?)
10 - Não é possível ter relações com a polícia; (se tiver bigode e cheire mal dos sovacos...)

06 novembro 2007

José Socrates versus Santana Lopes III

Das restantes intervenções registo as seguintes expressões:
"Tudo sobe acima da inflação" (Jerónimo de Sousa)
"Os Srs. (PCP) nunca querem mudar nada!..." (José Socrates)
"Acabou por ser um momento do canal memória!... Sr. 1º Ministro mude de canal!" (Paulo Portas)
"O Sr. Deputado (Paulo Portas) já merecia que alguém lhe dissesse isto!" (José Socrates)
"Tanta expectativa e afinal... é altura de devolver os bilhetes! Pois afinal só tivemos direito à velha direita." (Francisco Louçã)

José Socrates versus Santana Lopes II

A primeira intervensão de Santana Lopes pareceu-me mais direccionada para a sua própria bancada do que para o 1º Ministro e Governo. Não questiona sequer o orçamento e já depois de o Presidente da AM o ter avisado do fim do seu tempo, lá puxou pelo IVA e IRS... pouco ou nada. José Socrates agradeceu e não perdeu nova oportunidade para fazer comparações.

José Socrates versus Santana Lopes I

Em directo, através da Antena 1, acompanho o debate quinzenal com o 1º ministro. Nesta primeira intervenção introdutória, de realçar a permanente necessidade que o nosso 1º ministro tem de fazer comparações com os 3 anos anteriores ao seu mandato... ou seja, partiu desde logo para o ataque, defendendo assim o seu mandato (sempre se disse que a melhor defesa é o ataque). Segundo dizem, Santana Lopes permanece impávido e sereno, enquanto Paulo Portas não para de escrever...

05 novembro 2007

Feriados, Pontes, Fins-de-Semana e Afins

Lugares por onde andámos nestes últimos sete dias, em género de férias...


02 novembro 2007

Palco

A não perder hoje, bem tarde, no Palco da RTP2 (anunciado para as 2 da manhã), PJ Harvey "On Tour" e Rufus Wainwright "Live at Filmore.

31 outubro 2007

Qualidade

Miguel Vale de Almeida apresentou à poucos dias a sua página de internet, associada ao seu blog "Os Tempos que Correm". Foi a minha mais recente descoberta. Muito bom visual e graficamente. O conteúdo, tal como não poderia deixar de ser, é excelente e reafirma a qualidade do autor. Há muito acompanho a obra do Miguel, mas desconhecia o seu blog e, agora, o seu lugar. Aconselho, fundamentalmente, por uma questão de bom gosto.

29 outubro 2007

Gerundio de Ler

Mesmo antes de chegar a público, já eu o procurava. Acabou por vir até mim através do meu amigo Lourenço. Preciso-o pelo contraditório...

26 outubro 2007

Pensamentos de George

Numa breve sessão de perguntas e respostas, depois de uma palestra na Fundação Gulbenkian, Jeorge Steiner vai pensando em voz alta...

Morrem diariamente pessoas à fome e, embora existam meios para o evitar, ninguém faz nada.

Espanta-me que os pobres não se revoltem.

Não percebo como é que ainda não foi assassinado nenhum desses empresários que encerram fábricas e depois se metem nos seus jactos privados para ir passar férias a Barbados.

(na China com a preparação dos Jogos Olímpicos de Pequim) Estão a limpar ruas inteiras e a despejar as pessoas das suas casas.

Se vier a surgir um novo Platão ou um novo Mozart, ele será indiano...

A cultura ocidental está muito, muito cansada. (....) tivemos uns óptimos dois mil anos, agora devemos dar a vez a outros.

(o que vai substituir a religião!?...) Dará com certeza origem a outra coisa qualquer, porque a maior parte das pessoas não conseguiria suportar o vazio.
- Ideias soltas retiradas do P2 do Jornal Público desta Sexta-feira -

22 outubro 2007

O que nos sobrevive?

Sem grandes preocupações mas embalado pela grandiosidade do som da Antena 2, medito sobre esta questão existencial, que os humanos transportam e que perdura no tempo, de geração em geração, como uma verdade absoluta e universal.
Falo, num primeiro momento, da morte, esse derradeiro momento que todos e todas, os vivos, podem encarar como certo. Mais tarde ou mais cedo, através de diferentes processos, mais ou menos dolorosos e penosos, acontece a todos e a cada um. Independentemente da percepção e da atitude perante esse abrupto momento único e intransmissível, pessoalmente, não me assusta ou inquieta a alma. Custa-me antecipar ou antever o sofrimento inerente a tantos e tantos momentos que precedem a morte. O resto, em consciência, não importa... para onde vamos, como vamos, porque vamos?... serão sempre questões menores.
A esta distância, que nunca sabemos se curta ou longa, pergunto-me sobre o que restará de nós!?... Bem sabendo que o mundo e a vida prosseguirão naturalmente o seu percurso e o tempo não parará, tenho para mim que, por muito que vivámos, a nossa existência será sempre pequena e insignificante relativamente ao que há-de vir.
É neste tipo de raciocínio que parto para a segunda parte, motivação deste texto. A questão é aterradoramente simples e, muito provavemente, cada humano, um dia, a colocou... o que irá sobreviver de nós, à nossa morte? Se a pergunta é simples, a resposta de simples nada tem, até porque nunca ninguém o pode afirmar ou confirmar.
O Homem religioso responderia, sem qualquer dúvida, que a mente sobrevive num outro plano e num outro estado. O Homem místico garantíria que haveria algo mais, não precisando, afirmaria outras experiências. O Homem da ciência, tipicamente agnóstico e racional, provaria que tudo não passa de matéria, logo e consequentemente, tudo se transforma em algo.
Para mim, e num esforço eclético, aceito e respeito todas as hipóteses ou possibilidades. No entanto, prefiro a célebre e sábia frase que diz que a missão de cada indivíduo estará completa quando a sua obra contempla: um filho, uma árvore e um livro. Contudo, parece-me que este raciocínio é húmilde e pouco ambicioso, assumindo uma atitude economicista. Acredito que podemos e devemos produzir mais... muito mais somos capazes de atingir e, isso sim, concerteza, perdurará ao nosso tempo.

19 outubro 2007

Como pode ser!?...

Há doentes a aguardar cinco meses por uma consulta no Sistema Nacional de Saúde. (Jornal Público)

17 outubro 2007

Desarranjo

Nunca gostei de fazer os outros esperar por mim, nem nunca gostei de saber que estou a incomodar ou desestabilizar a vida de terceiros. Muito pelo contrário. Ao pôr a hipótese que poderei estar a ser inconveniente e transtornar a vida a alguém, abstenho-me, sequer, de incomodar.
Poderia dar inúmeros exemplos ou situações em que tal sucedeu. Mas que importa!?...
Sei que, sempre que tenho um compromisso, faço os possíveis, e mais, para estar, não a horas, mas sim uns minutos antes, para não fazer esperar quem quer que seja. Esta minha obsessão, sei, irrita e enerva aqueles que me rodeiam, pois estou permanentemente preocupado com os horários a cumprir.
Não gosto das pessoas que abusam da boa vontade dos outros, neste caso de mim. Principalmente quando esse abuso causa evidentes transtornos e nos desarranja o normal desenrolar do quotidiano. Desculpem o desarranjo.

16 outubro 2007

Perdoa-me !?

O BCP terá perdoado 15 milhões de euros de juros a empresas controladas por José Goes Ferreira, accionista do BCP. O mesmo banco terá também perdoado uma dívida a Filipe Jardim Gonçalves, filho do presidente do conselho geral do BCP Jardim Gonçalves, no valor de 12 milhões de euros. Dois dos maiores accionistas, Pedro Teixeira Duarte e Joe Berardo, pediram explicações ao presidente da comissão de auditoria do banco. O Banco de Portugal disse que não tem comentários a fazer.
Eu também sou cliente do BCP.
Eu também sou um devedor ao BCP.
Eu também não quero pagar a minha dívida.
Eu também quero ser perdoado.

12 outubro 2007

Prémio Nobel

Foi ontém conhecido o vencedor, neste caso vencedora, do Nobel da Literatura 2007. Trata-se de Doris Lessing, romancista nascida na antiga Pérsia e desde há muitos anos a residir em Londres.
Não me posso pronunciar quanto ao mérito ou justiça desta distinção, pois para mim, esta senhora é uma perfeita desconhecida, assim como o seu trabalho e a sua obra o são e serão.
O que julgo pertinente e interessante, do ponto de vista da observação e análise, é o facto de, a partir de hoje e durante os próximos meses, os seus livros passarem a grandes éxitos comerciais. Curioso comportamento este dos leitores mundiais... afinal em que ficamos!?... É-se distinguido e galardoado com o Nobel da Literatura porque o trabalho produzido tem qualidade superior e é reconhecido, ou só se é reconhecido e passa a ser bom porque se ganhou o Nobel!?...

11 outubro 2007

Fight Club

Nas horas tardias dos serões destes últimos tempos, e porque nada ou pouco me atrai e me prende à televisão, numa atitude que entendo ansiosa, utilizando o comando, vou alternando de canal, consecutivamente e a uma velocidade considerável, na expectativa de encontrar algo bom.
Dos pacotes standartizados que os operadores da televisão por cabo disponibilizam aos clientes, que podem ser até dezenas de canais, eu usufruo de apenas alguns, talvez uns dez. A propósito, gostaria de por à consideração a possibilidade de cada um dos clientes puderem escolher e criarem uma lista personalizada de canais, que seriam pagos individualmente e, assim, ajustar as grelhas às necessidades e aos gostos de cada cliente.
Mas regressando às noites dos tais dias, em que vou saltando de canal em canal, por vezes consigo suster tal ímpeto e movimento no canal EuroSport, que na sua programação, por volta das 22 ou 23 horas, emite torneios de Fight Club. A verdade é que dou comigo perfeitamente hipnotizado pela pré-disposição daqueles individuos para a violência e, principalmente, a disponibilidade para serem violentamente agredidos.
Chegados aqui e depois desta surpreendente revelação (para mim próprio), interessa fazer uma declaração de interesses, pois considero-me um individuo estupidamente pacífico, que recrimina qualquer expressão de violência e que, ao longo do tempo, o meu tempo, se tem esquivado à mais insignificante manifestação de força.
Num esforço introspectivo e, fundamentalmente, retrospectivo até às idades de menino ou petiz, apenas guardo na memória um episódio no qual assumi o papel de protagonista lutador: algures na década de 80, agredi cobardemente (porque de costas), um outro miudo, vizinho e companheiro de brincadeiras. E tudo durante um partida de damas... sei que a dada altura agarrei no tabuleiro das damas, de madeira, e dei-lhe com toda a força nas costas com esse pedaço de madeira, que acabou por se partir em pedaços. Quim era o seu nome.
Para além deste momento, nada mais digno de registo. Portanto, acabou por ser uma descoberta, o facto de conseguir tolerar estas actividades... que alguns consideram desporto. De facto, e apesar da efectiva violência, entre os participantes há lealdade e correcção. Agrada-me, quando comparado com outros desportos, a rapidez dos combates - 3 rounds de 3 minutos cada, o que obriga a uma intensa acção.
Lembro também, agora e aqui, até porque desconfio que quem aqui chegou, quando se deparou com o título adoptado, teve no pensamento o filme homónimo protagonizado pelo grande Edward Norton. Na verdade e por fim, um título para se ter e rever.