08 junho 2011

educação ou a falta dela...

Não vou escrever sobre Antropologia, mas vou referir-me à sala de aulas. Desde 1999 que frequento, ainda que intermitentemente ou a espaços, o ambiente de sala de aulas e, portanto, estou bem ambientado com as diferenças geracionais, naquilo que diz respeito às atitudes e aos modos. Que os alunos me tratem por "stôr" eu posso tolerar, pois afinal são miúdos que ainda agora saíram do Secundário, mas aquilo que me tem custado e muito, é o facto de esses mesmos alunos entrarem e saírem da sala de aulas sem pronunciarem uma única palavra ao seu professor. Claro que há uma ou outra excepção.
Bem sei que com o "formato Bolonha" tornou-se facultativa a assistência às aulas teóricas, mas esta atitude nada tem a ver com Bolonha, é pura e simplesmente uma questão de educação. Mas onde é que eu conseguia entrar e sair de uma sala de aulas sem pedir licença ou pedir para sair!?... Não quero sequer imaginar que os meus filhos possam um dia assim fazer...
Curiosidade e que reforça este meu sentimento, foi a consideração de uma aluna, que num exercício de observação - sobre o facto ou elemento mais estranho observado no intervalo - referiu a atitude do professor, que ao chegar a uma porta, abriu-a e deixou passar todas as alunas à sua frente... Disse ela que achou estranho, pois não está habituada a esse tipo de comportamento (!?).
É, na verdade, uma questão de educação ou da falta dela...

07 junho 2011

dialécticas

As agora denominadas unidades curriculares, que eram no meu tempo reconhecidas como cadeiras ou disciplinas, que lecciono são fortemente constituídas por conceitos e matérias antropológicas, tanto nas aulas teóricas como nas aulas práticas (trabalho de campo), o que faz com que me sinta motivado e entusiasmado para cada uma das aulas, que me entusiasme na conversação e na apresentação dos variados assuntos. No entanto, do ponto de vista dos meus interlocutores, que da Antropologia praticamente nunca ouviram relato, o que mais querem e gostam é distância. E vê-los ali à minha frente a ouvirem-me, cada expressão facial deles é um vazio de desencontro de interesses. Percebo nas suas expressões a estranheza perante alguém que se apresenta como antropocoiso e que fala, entusiasmado, sobre assuntos que jamais eles vão querer saber ou sequer conhecer. A verdade é que me sinto bem, confortável e elogiado perante esse incomodo deles.

este mês mais tarde do que o habitual...

03 junho 2011

declaração de voto

Sendo o último dia em que nos é permitido manifestar o nosso sentido de voto, aqui fica a declaração antecipada ao voto: Vou votar em João Semedo, Catarina Martins e José Soeiro. Para eleger os três, no mínimo.

ideias soltas a propósito da campanha eleitoral

Desde o momento que se soube a data destas eleições legislativas que eu disse que era uma péssima altura para acontecerem. Sei lá, algo me dizia que não era bom irmos para eleições nesta altura. Enfim, aconteceu e agora chegamos ao último dia de campanha. Se correu bem ou não, dependerá sempre da perspectiva, mas em termos gerais, não me parece que tenha sido sequer uma campanha esclarecedora. Falou-se de tudo e não se falou de nada. Pareceu-me um delírio colectivo dos partidos e, principalmente, da comunicação social que insistiu em transmitir momentos de autêntico vazio informativo, reforçando assim, a importância desse devaneio dos principais partidos e seus líderes. Falar das sondagens e dos números apresentados ao longo destes dias é também falar de um estado alterado de consciência, pois não me parece que no dia 5 o resultado das eleições sequer se aproxime de muitas das previsões. Pensar que o PS possa ganhar as eleições é delírio, pensar que o CDS possa chegar aos 15 % ou mais é delírio, pensar que o BE possa ter 4 % ou menos é delírio. O PSD vai ganhar confortavelmente e vai formar governo. Pena tenho que leve consigo o CDS e Paulo Portas, que não fez mais do que andar de pés em bico o tempo todo, dizendo que é sério, é trabalhador e que, acima de tudo, os portugueses devem premiar o mérito. O que é isso do mérito em política!? O que fez ele de meritório a não ser ter contribuido para estarmos como estamos?
Entretanto, as sondagens dão ao meu espaço político não mais de 6 a 7 %. Parece-me pouco, muito pouco. Por outro lado, e não tendo eu praticamente participado na campanha, aquilo que fui apreciando foi um partido sem ânimo, sem grande vivacidade, tão característico em momentos anteriores. Parecem-me derrotados à partida e isso é mau, muito mau. Espero estar enganado, muito enganado, mas temo muito o resultado da noite de Domingo. Gostaria aqui de dizer que espero e conto com um reforço da votação e da representação no parlamento, mas não acredito nisso, nem me parece razoável dizê-lo. Veremos. Foram umas eleições tristes e pouco saudáveis, bem sintomáticas do estado actual da nossa sociedade.

01 junho 2011

prémio príncipe das astúrias das letras

O prémio Príncipe das Astúrias das letras em 2011 foi atribuido ao grande e universal poeta Leonard Cohen, que se estreou em 1956 com o livro "Let us compare mythologies". Muito bem escolhido.

30 maio 2011

cidadãos soberanos

Uma noite destas, enquanto preparava aulas, tendo a TV ligada na SICN, pude assistir ao programa 60 minutos da CBS. Uma das reportagens era sobre os "Cidadãos Soberanos" Americanos e eu, não tendo qualquer referência sobre o assunto, fiquei curioso. Afinal o que são esses cidadãos soberanos? Pelo que pude compreender, são indivíduos que se consideram tão ou mais soberanos do que o Estado e seus representantes, ou seja, consideram-se no direito e no dever de andar armados e não respeitar as instituições do Estado, não pagam impostos, nem respeitam os políticos eleitos democraticamente. Aliás, um dos seus objectivos é abater a classe política. Sem qualquer tipo de organização militante, têm lideranças carismáticas por todo o país. Têm programas de rádio, páginas e blogues na internet por onde divulgam e difundem o seu ideário. Fiquei impressionadíssimo com a frieza e a gravidade com que alguns dos líderes entrevistados defendem suas ideias. Fiquei assustado só com a ideia da sua existência. Mesmo sabendo que os EUA são uma sociedade heterogénea e cheia de contrastes e contradições, não posso deixar de manifestar o meu desassossego e inquietação pelo perigo que representam para a nossa civilização estes radicalismos ou anarquismos. Eu que até tolero alguma agitação social, alguma resistência social perante o Estado e seus representantes, como forma de manifestação e, de alguma forma, equilibrio de poder sobre o Estado e suas instituições, não posso deixar de repudiar tais comportamentos e de manifestar o desprezo por tal ignomínia.

27 maio 2011

da feira do livro do porto e de dias anteriores...

- Pinto, Fernão Mendes (2001), Peregrinação (1º volume), Lisboa, Relógio D'Água;
- Pinto, Fernão Mendes (2001), Peregrinação (2º volume), Lisboa, Relógio D'Água;
- Magalhães, Pedro (2011), Sondagens, Eleições e Opinião Pública, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Rensch, Bernhard (1965), Homo Sapiens de animal a semideus, Lisboa, Editorial Presença;
- Trabant, Jürgen (1976), Elementos de Semiótica, Lisboa, Editorial Presença;
- Groethuysen, Bernard (1988), Antropologia Filosófica, Lisboa, Editorial Presença;
- Pitta e Cunha, Tiago (2011), Portugal e o Mar, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Sousa, Luís de (2011), Corrupção, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Marques, Sibila (2011), Discriminação da Terceira Idade, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Bento, Vítor (2011), Economia, Moral e Política, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Fiolhais, Carlos (2011), A Ciência em Portugal, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;  

azeiteiro do futebol

É ele, todo ele transpira azeiteirice.
Esperei pelo final da época futebolística para escrever estas palavras. Bem sabem que não costumo, aqui, dedicar qualquer atenção às coisas da bola. Aliás, não me recordo sequer de o ter feito... Mas faço-o agora também porque não considero que aquilo a que me proponho, se trate propriamente de bola. Quero sim falar desse expoente máximo do futebolês da nossa praça.
Jorge Jesus foi campeão nacional com o Benfica na época anterior (2009/10) e desde então não deixou, a cada oportunidade que teve, de passear e demonstrar a sua condição e o seu carácter, que para já me abstenho de qualificar. Sempre que o vejo e ouço, não me consigo afastar da memória de uma famosa entrevista que deu a um canal de televisão, antes do início desta época, onde afirmava que não duvidava que seria novamente campeão nacional, que iria lutar pela vitória na Liga dos Campeões e que não acreditava na juventude de um tal de André Villasboas. Pois bem.
Sempre considerei que o mundo do futebol era constituído por gente pouco qualificada, ou dito de outra forma, sempre achei que o futebol era um mundo centrífogo para a iliteracia, para a ignorância e para o analfabetismo e, salvo raras excepções, o estereótipo do futeboleiro nacional é mesmo esse. Por outro lado, nunca gostei do futebol enquanto objecto de grande cientificidade, nem dos doutos oportunistas que, percebendo os défices reflexivos, verborreiam toda a pseudo-parafernália acerca disto e daquilo. O futebol é, assim, paixão, irracionalidade, abstracção e desqualificação e, nesta ordem de ideias, consigo enquadrar, consigo perceber o lugar de Jorge Jesus nesse universo.
Quando o vejo, em plena acção - nos treinos e nos jogos, nas conferências de impensa e nas entrevistas rápidas a mascar pastilha-elástica de boca aberta, como se não houvesse amanhã; ou quando o vejo com despeito acenar aos adversários com os dedos no ar, indicando o número de golos marcados por sua equipa, consigo entender de que massa é feita esse "grande estratega da bola"; consigo perceber o nível e a elevação do seu carácter. Sempre que o ouço, pergunto-me: não haverá ninguém da sua confiança ou relação que o aconselhe a falar menos e a utilizar apenas o vocabulário rudimentar que conhece e a não se aventurar por étimos, expressões e construções frásicas por ele jamais experimentadas!? É que chega a dar pena...
Por favor, há instituições próprias e especializadas em qualificar adultos, por exemplo as Novas Oportunidades, onde aliás, ele já está inserido, numa iniciativa de Luís Filipe Vieira para a próxima época... veremos. Na verdade, o que penso é que este futeboleiro nunca imaginou que um dia poderia ser um treinador campeão nacional. No dia em que, por artes mágicas, isso aconteceu, pensou-se no topo do mundo. Desde aí, esse mesmo mundo encarregou-se de lhe fugir e ele, incrédulo, nem sequer percebeu o que lhe sucedia.
Desconfio, e digo-o com apreensão, que ele ainda será treinador do Futebol Clube do Porto e, portanto, talvez seja melhor não abusar nas adjectivações. Mas que é o tipo azeiteiro da bola, lá isso é.

26 maio 2011

a importância do fogo

Inserido no programa de Antropossociologia, hoje foi dia de falar na evolução da espécie humana e das suas grandes fases. Nesse contexto levei para a aula este filme de 1981, que retrata o encontro civilizacional entre algumas das espécies que fazem parte da nossa árvore genealógica, nomeadamente o Australopitecus, o Homo Habilis e o Homo Erectus. Experimentando um ambiente muito competitivo carregado de brutalidade pela sobrevivência, o filme procura demonstrar a importância do fogo e do seu domínio para a sobrevivência dos indivíduos e dos grupos. Apesar das reservas, os alunos reagiram bem e quiseram ficar até ao fim...

alegria

já aí está...

Desde hoje até 12 de Junho, diariamente na Avenida dos Aliados, no Porto. Eu vou lá.

solilóquio

E agora, quem sou eu!?
E depois, o que me espera!?
...alguém se importa!?

21 maio 2011

mamíferos ou turbo-administradores

Referindo-se a um relatório produzido e divulgado pela CMVM, Francisco Louçã alerta para aquilo que é a realidade das administrações das maiores empresas portuguesas. Então não é que há vinte indivíduos - mamíferos para Eduardo Pitta e turbo-administradores para Francisco Louçã, que estão colocados nas administrações de 1000 empresas, o que dá, em média, a cada um deles cerca de 50 cargos. Um deles tem 62 nomeações e aquele que mais rendimentos tem, recebe anualmente cerca de dois milhões e meio de euros (2.500.000,00€). Tal como refere o lider bloquista, assim é fácil perceber para onde vai o nosso dinheiro, porque temos dívina, porque não cresce a nossa economia, porque há tanto desemprego... Eles são gente conhecida na praça, da televisão e da imprensa, onde regularmente botam faladura, ainda por cima douta faladura, acerca de economia. Que bem.

revolução espanhola

Impressionantes as imagens chegadas da vizinha Espanha. Inspirados pela manifestação portuguesa de 12 de Março de 2011, os espanhóis saíram para as ruas, ocupando as principais praças de muitas cidades do país, protestando pacificamente contra quem os governa e contra a imposição de uma realidade social e económica para a qual em nada contribuiram e pela qual não devem nem querem ser responsabilizados. Mesmo em periodo eleitoral e sabendo das restrições legais, milhares e milhares de cidadãos ocuparam o espaço público e garantem ficar...
Ao alto, fotografia da Praça Porta do Sol em Madrid, roubada daqui.

de pedras fez terra

A construção da auto-estrada número quatro entre Matosinhos e Bragança finalmente entrou em velocidade de cruzeiro e no percurso do actual IP4 são já visíveis e sentidas as enormes intervenções na paisagem. Nalguns pontos a futura auto-estrada vai-se sobrepor ao actual traçado do IP4, o que tem prejudicado a normal circulação neste último, tornando-o um percurso particularmente perigoso. Nestas últimas semanas o trânsito tem mesmo sido desviado para a estrada nacional 15 em vários pontos, e adivinha-se que com o avançar da obra o mesmo venha a acontecer em mais locais.
Foi precisamente esse incomodo de ter que desviar para a nacional que me permitiu passar, ao ritmo do intenso tráfego, pela localidade Jerusálem do Romeu, situada entre Mirandela e Macedo de Cavaleiros. O curioso nome desta localidade tem origem na Ordem do Hospital de São João de Jerusálem, mais tarde transformada em Ordem de Malta, que tinha uma dependência no Romeu ainda na idade média.
Sei que um dia já lá tinha passado, mas não recordava nada desse lugar. Foi com alguma surpresa que admirei a qualidade do casario que ladeia a estrada nacional, foi com curiosidade que pude contemplar alguns edifícios históricos dessa localidade e descobrir o nome de Clemente Meneres, que logo percebi ter sido alguém com bastante importância local. A verdade é que "o Romeu", tal como é conhecida, com nó de acesso e visivel do IP4, é um local muito conhecido, principalmente pelo restaurante Maria Rita, que tem fama de servir um excelente bacalhau e que, segundo consta, terá sido onde o tal Clemente Meneres, comerciante das terras da Feira (Santa Maria da Feira) se hospedou quando visitou pela primeira vez o Romeu em 1874.
Segundo pude investigar, Clemente Meneres interessou-se por este local e aqui viu oportunidades de negócio, o que o levou a investir fortemente, transformando este pequeno lugar num grande e importante centro de produção agrícola. Ainda hoje são famosos, nacional e internacionalmente, o azeite e o vinho do Romeu. Para além da relação de negócios que este empresário estabeleceu por estas paragens, foi também o seu grande benemérito, tendo investido dinheiro seu na requalificação da aldeia - casas, arruamentos e canalização de água, construiu uma escola e uma casa do povo com posto médico e salão, entre outros melhoramentos. Foi também Clemente Meneres o grande responsável pela passagem e paragem (estação) da linha do Tua no Romeu. Concerteza, por interesse muito próprio, mas que sem dúvida acabou por também beneficiar a restante comunidade. Ainda hoje, a população do Romeu não esquece o seu trabalho e a sua dedicação. Ainda com forte presença local, a família mantém o negócio, é proprietária do restaurante Maria Rita e disponibiliza um espaço museológico dedicado a Clemente Meneres e às suas actividades. Será sempre um local de visita obrigatória e ao qual eu, muito em breve quero regressar, com calma e conhecer com pormenor a bonita localidade.
(Estas fotografias foram tiradas numa destas últimas viagens entre o Porto e Bragança, aproveitando os momentâneos alívios da circulação automóvel. Estes edíficios, pareceram-me abandonados)

19 maio 2011

novas rotinas

Desde hoje e durante os próximos meses é por estes corredores do Campus Universitário da Escola Superior de Saúde do Instituto Piaget em Gulpilhares que me vão poder encontrar. Quer dizer, nestes corredores não será fácil, mas tentem nos auditórios e salas xl, daquelas que suportam mais de cem alunos. É que à vez serão sempre cerca de cento e dez alunos, ainda por cima, recém-chegados ao ensino superior e, à vez, durante quatro horas seguidas.

17 maio 2011

cambalhota epistemológica pessoal

A noite de ontem foi, passando a redundância, particularmente singular. Depois de uma viagem de ida e volta tardia entre o Porto e Bragança, para compromissos políticos e autárquicos, o sobressalto das insónias do mais que pequeno que temos em casa, obrigou-me a vigília pela madrugada dentro, praticamente até ser novo dia e começar a ouvir as aves que habitam nas redondezas nos seus afazeres madrugadores. Escusado será dizer que a manhã do dia de hoje não iria existir e dela nada recordaria, pois pretendia acumular mais algumas horas de sono. Às tantas e quando já estava bem adormecido, o telemóvel toca e desperta-me. Tento perceber quem me liga, mas o número não é reconhecivel. Faço um esforço por estar desperto, recomponho a voz e atendo. Do outro lado, uma voz feminina, objectiva e simpática, pergunta-me se estarei interessado e disponível para leccionar, em substituição, uma unidade curricular de vários cursos da Escola Superior de Saúde Jean Piaget em Gulpilhares. Muito surpreendido, mas tentando não deixar transparecer essa surpresa, disponho-me a reunir "urgentemente" com a direcção da escola, na tarde de hoje, logo depois do almoço. Ok. Combinado, avancei eu. Por já não ser propriamente um iniciado destas andanças, não criei demasiadas expectativas, e fui à reunião, imaginando que seria um de entre vários candidatos ao lugar. Reuni com a directora da escola e outra colega, que logo me apresentaram a unidade curricular em questão e a urgência desta substituição. Quiseram saber da minha disponibilidade para começar, sei lá, hoje... ok, combinado, disse eu. Pronto. Começo no próximo dia 19, depois de amanhã, com uma turma de 60 alunos e durante 4, repito, 4 horas de aula. Ok, combinado, tremi eu. Entretanto, trouxe dois sacos cheios de bibliografia da biblioteca da escola, um dossier do anterior professor e um programa para reconstruir até 5ª feira, ok, combinado, angustiado eu. Agora adeus, vou rezar, quer dizer, vou trabalhar. Sou assim e durante algum tempo, professor de Antropossociologia e de Trabalho de Campo Antropológico.

programa novas oportunidades

Regressando ao PSD e ao seu projecto de governo e de programa, foi com um sentimento ambivalente que ouvi Pedro Passos Coelho bradar contra o Programa Nacional Novas Oportunidades, afirmando que "foi uma mega produção que mais não fez do que estar a atribuir um crédito e uma credenciação à ignorância e isso não serve a ninguém". A contundência destas palavras, independentemente da sua veracidade, não são razoáveis e manifestam desde logo um enorme desrespeito por todos os homens e todas as mulheres que encontraram neste programa a única e derradeira forma de atestar as suas competências para a vida, ou seja, conseguiram assim certificar a sua experiência de vida. Além disso, o próprio nome indica a oportunidade que a escola deve sempre dar a todos e isso parece-me muito positivo, que deve ser mantido e promovido. Portanto, este ataque a este programa em concreto não será mais do que um passo numa estratégia de esvaziamento total do ensino público e, acima de tudo, todo ele transpira a um determinante e persistente “racismo intelectual” (Bourdieu), no qual se defende a escola como espaço de exclusão, ou também uma escola e um ensino para alguns e outra escola, assistencialista, para os mais necessitados.
Por outro lado, e por muito que me custe a reconhecê-lo, não posso deixar de encontrar algum sentido nessas mesmas palavras, pois sabemos bem o investimento brutal do Estado, dispendido em recursos financeiros e humanos, se comparado com o vazio programático e o fraco grau de exigência e de esforço solicitado aos alunos. Ainda por cima, e apesar disso, permitindo a equiparação aos níveis escolares do ensino básico e secundário os seus alunos, colocando-os assim às portas das universidades. Tal como alguém, com responsabilidades na avaliação externa desse programa, a propósito me confidenciava, o problema é que as directivas centrais sempre foram no sentido de alcançar determinados objectivos quantitativos em detrimento da exigência qualitativa dos seus conteúdos, e por isso, reduziram-se a números aqueles que participaram e participam nesse programa.
Enfim, a crítica que pode ser feita ao programa será a da ligeireza e da simplicidade com que os seus alunos conseguem alcançar os objectivos e as competências solicitadas. Essa mesma crítica parece-me fazer algum sentido também em relação às políticas que têm vindo a ser implementadas pelas sucessivas equipas governativas. Mais do que um espaço de socialização, a escola deveria continuar a se o espaço, por excelência, da aprendizagem e do ensino.

também tu BES!?...

No próprio dia em que a União Europeia e o EuroGrupo aprovaram os montantes e as condições do empréstimo de resgate a Portugal, assim como se ficou a saber que a primeira tranche desse empréstimo, no valor de cerca de 18 mil milhões de euros, chegará no final de Maio, o Banco Espírito Santo (BES) anuncia que solicitou ao Banco de Portugal a concessão de uma garantia do Estado Português para um financiamento através da emissão de obrigações não subordinadas de até 1,25 mil milhões de euros. Mais informou que irá realizar, no próximo dia 9 de Junho, uma Assembleia-Geral extraordinária de accionista para alterar os seus estatutos de forma a poder accionar a garantia estatal. Assim, também o BES poderá nacionalizar os seus prejuízos, transformando-se rapidamente num novo BPP ou BNP, sem que ninguém se manifeste, exigindo ao Estado, que é como quem diz, a todos nós, o pagamento desse mesmo prejuízo. Espectacular a forma como alguns encartados ganham dinheiro…

sem cultura...

Com a apresentação pública do programa eleitoral do PSD ficámos a saber algumas das ideias e projectos que este líder e sua equipa pretendem implementar em Portugal. Uma das medidas propostas foi a de um governo reduzido a 10 ministérios, o que em teoria me parece bem. O problema é quando Pedro Passos Coelho começa por dizer, tentando exemplicar essa redução drástica de Ministros e Secretários de Estado, que o Ministério da Cultura perderia o seu estatuto e passaria a Secretaria de Estado. Só podia. A cultura é sempre o “elo mais fraco” numa cadeia de interesses e de lógicas nacionais. De resto, e apesar de nem sempre ter merecido uma pasta e um ministro, a verdade é que foi sempre considerada o território das excentricidades, das futilidades e dos devaneios de uma elite cosmopolita e letrada. Igualmente entendida como um instrumento de domesticação ou de controlo daqueles que no discurso, na produção artística e na comunicação, se apresentassem desalinhados ou indiferentes ao mainstream vigente ou pretendido. A visão provinciana de todos os actores políticos com responsabilidade de governação impediu que algum dia houvesse uma verdadeira política para a cultura e para as artes em Portugal. A intervenção do Estado nunca foi pedagógica nem sensível à educação das sucessivas gerações de indivíduos enquanto receptores e consumidores de cultura, sustendo o seu âmbito na distribuição de apoios a instituições e autores que, à míngua de verbas e de sustento, viveram párias do parco apoio estatal. Assim, nunca poderá haver emancipação nem verdadeira produção cultural em Portugal. Mais, a particularidade desta proposta do PSD em fazer depender do próprio primeiro-ministro a secretaria de estado da cultura, espelha bem a tacanhez e o provincianismo de quem se julga preparado para nos governar.

14 maio 2011

senso comum

Em larga medida entendido como mera verdade das coisas que se aprende naturalmente e casualmente durante a vida, o senso comum é uma construção cultural, impragnada de valores, crenças e juízos, díspares e difusos, com conexões vagas numa rede que liga todos os membros de um determinado grupo que vive em comunidade. Apesar de se relacionar mais com a forma como se lida com um mundo onde determinados factos acontecem, do que com o mero reconhecimento de que eles acontecem, o senso comum é informado e formado pela pertença à comunidade. O senso comum não é uma faculdade extraordinária ou ditosa, mas sim uma disposição mental ou espiritual que difere de lugar para lugar, adoptando, no entanto, uma forma local bem característica. Quando nos pronunciamos com senso significa que o fizemos com critério, inteligência, discernimento e reflexão prévia, algo que, muito sincera e definitivamente, não se tem verificado naqueles que, diariamente, nos entopem e nos estragam os sentidos com as suas inolvidáveis opiniões.

09 maio 2011

o tempo da luta toda

Decorreu neste fim-de-semana, dias 7 e 8 de Maio, a 7ª Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, em Lisboa. Tal como tem acontecido desde a 4ª Convenção que aconteceu em 2005, também participei neste encontro nacional, momento maior do nosso movimento. A realização desta convenção, obrigatória estatutariamente, acontece de dois em dois anos e é nela que são eleitos os orgãos nacionais - Mesa Nacional e Comissão de Direitos - e a moção estratégica para o próximo período de dois anos. Tal como acontece desde a fundação do BE, foi a moção A intitulada "Juntar forças pelo emprego e contra a bancarrota", cujo primeiro subscritor é Francisco Louçã, quem venceu esmagadoramente e foi a lista encabeçada pelo Coordenador do Bloco quem venceu as leições para os órgãos nacionais.
A minha participação aconteceu enquanto delegado pelo distrito de Bragança, onde desempenho actividade política. Neste último biénio (2009-2011) fiz parte da Mesa Nacional para a qual fui eleito na 6ª Convenção e, também, da Comissão Nacional Autárquica. Foram duas experiências distintas, mas ambas muito interessantes e motivantes, onde pude aprender bastante: A Mesa Nacional, sendo o órgão dirigente e responsável máximo entre convenções, é onde se pode perceber o pulsar orgânico do dia-a-dia partidário e conhecer o pragmatismo da política real; A Comissão Nacional Autárquica, não sendo uma comissão eleita, mas sim nomeada, todos os activistas do BE podem participar e colaborar nesta comissão. Neste caso e tendo em conta os meus interesses pessoais e enquanto autarca eleito pelo Bloco de Esquerda, fiz questão de pertencer a esta comissão e colaborei activamente. Foi, aliás, onde me senti mais envolvido e mais necessário.
Entretanto, e regressando à 7ª Convenção, pude testemunhar, uma vez mais, a pluraridade e a diversidade que desde sempre senti e que bem caracteriza o movimento-partido que é o BE. Pude também testemunhar a vontade e a força do movimento em contrariar tudo aquilo que tem vindo a ser noticiado, tudo aquilo que tem vindo a ser agoirado e sondado em relação ao futuro do movimento. Também, no que diz respeito à democracia interna e, ao contrário daquilo que as outras moções dizem, o BE prima pela diferença e ninguém é impedido de manifestar a sua opinião. Mesmo aqueles que teimam nessa acusação, nem sequer percebem que só o podem fazer porque de facto há democracia, porque pertencem ao BE e não a qualquer outro partido. A própria democracia interna se tem responsabilizado por afirmar, por larga maioria, a força desta direcção política.
Eu, enquanto subscritor e apoiante da moção A, fiquei bastante satisfeito com os resultados desta convenção. Fiquei igualmente agradado por ter percebido, e uma vez mais, contrariando todo o mainstream mediático e opinativo nacional, que o Bloco se apresenta nestas eleições com um programa e com um elenco bem capazes de serem uma alternativa válida e credível para governar. Ao contrário de muitos e tal como alguns outros, sou daqueles que defendem que o BE não deve fugir, não deve recear a governação. Não deve recear, igualmente, experimentar entendimentos e coligações. Aqui, claro que apenas terá cabimento e eficácia quando for possivel tal acontecer, pelo menos, com o PS.
Se queremos ganhar base social para crescermos e para nos impormos na sociedade portuguesa, a governação, a boa governação é a ferramenta própria para alcançar tal objectivo. Claro que sei e estou consciente das dificuldades contextuais, mas as eleições acontecerão apenas no dia 5 de Junho e até lá "é sempre a subir".
Fui eleito, uma vez mais, para a Mesa Nacional.

(dois momentos captados pela Paulete Matos, roubados daqui)

vai uma aposta!?

Hoje são notícia as palavras do Presidente do Tribunal de Contas, nas quais Guilherme d'Oliveira Martins relembra aos portugueses que as verbas que virão para Portugal, no pacote de resgate financeiro serão geridas em Portugal e pelos portugueses e que estes deverão ser informados do destino que vier a ser dado a esse dinheiro. Disse também que “Não podemos gastar menos do que devemos nem mais do que temos” e que o grande objectivo da sua instituição é garantir a prestação dessas contas, na medida em que “o importante é que as contas públicas vão ser geridas em Portugal e o Tribunal de Contas tudo vai fazer nesse sentido”. Acredito na boa vontade, na seriedade e na competência do actual Presidente do Tribunal de Contas, mas desconfio que o provincialismo que tem governado a nação nestes últimos trinta e sete anos, uma vez mais vai fazer as "coisas", leia-se contas, à sua maneira. Aliás, se sempre nos governaram mal, porque é que agora haveríamos de confiar que algo iria ser diferente. A verdade é que são os mesmos de sempre quem se prepara para "botar" as mãos aos milhões de euros que aí vêem. Já esfregam as mãos de contentes e salivam de ansiedade. Querem uma aposta que no final disto tudo, nada do que realmente importa estará ou será melhor, o dinheiro vai-se gastar sem ninguém saber onde e que nesse tempo voltaremos a ter que pedir ajuda a alguém!?.. Eu aposto.

onde gosto sempre de regressar...

No passado dia 5 de Maio e a convite da organização, participei na Feira do Livro da Escola EB Básica e Secundária D. Afonso III em Vinhais, onde conversei com vários grupos de jovens acerca das coisas da Antropologia, da Etnografia, da identidade e da minha experiência enquanto autor. Muito bem recebido. Estarei sempre disponível para esta simpática gente.

06 maio 2011

jarolda de jogos populares

apresentação
Num jornal eminentemente dedicado ao desporto pareceu-nos importante e enriquecedor incluir um espaço semanalmente dedicado à recolha das manifestações lúdicas populares. Procuraremos recolher informações junto das populações da região transmontana - distrito de Bragança, acerca daquilo que são e, principalmente, eram as suas práticas de jogo. Práticas recreativas, mais ou menos espontâneas, cuja finalidade era e é o prazer e o divertimento, estão quase exclusivamente associadas à jarolda, ou seja, ao tempo-livre e ao tempo de descanso dos indivíduos. Contudo, também poderemos encontrar e registar jogos associados ao tempo do trabalho, mormente agrícola e pecuário, assim como a actividades fortemente imbuídas de sacralidade, quando associadas a qualquer culto ou ritual religioso. Todas estas actividades lúdicas estavam, e em muitos dos casos, estão ainda, carregadas de simbologias e significados que importa conhecer. Muito daquilo que é o ethos local, pode ser percepcionado também através do acto de jogar…
Sem qualquer intenção de procurar ou encontrar o único ou o autêntico e sem qualquer ordem pré-estabelecida ou qualquer hierarquia geográfica ou simbólica, tentaremos associar os jogos à época do ano ou período em que originalmente se joga e assim serão aqui apresentados. Objectivo último deste espaço, para além do seu carácter informativo, será a recolha etnográfica que, consideramos, importa fazer.
Procurando uma maior interactividade entre o jornal e os seus leitores, gostaríamos de vos desafiar para contribuírem e nos enviarem informações acerca dos jogos que jogam ou jogavam nos seus tempos livres e de descanso. Teremos todo o gosto em conhecer práticas lúdicas singulares e/ou extintas. Poderão sempre entrar em contacto connosco através do email jaroldeiros@gmail.com ou do nº de telefone 273300500/273329600.
A Direcção.
(publicado no Jornal Informativo Desporto, dia 3 de Maio de 2011)

03 maio 2011

road to nowhere

A propósito de uma recta de estrada fotografada e bem pelo amigo Rui Batista, sentindo a sua imensidão e a sua liberdade, permitiu-me ausentar deste lugar onde estou. De imediato veio-me também à memória a letra desta música dos Talking Heads. Verdade é que, amiúde, me dá vontade de ir, simplesmente ir, sem tino ou destino. A propósito, gostava de copiar para aqui a tal fotografia, mas o copyright não me permite, portanto espreitem aqui.

ROAD TO NOWHERE

Well we know where we're goin'
But we don't know where we've been
And we know what we're knowin'
But we can't say what we've seen
And we're not little children
And we know what we want
And the future is certain
Give us time to work it out

We're on a road to nowhere
Come on inside
Takin' that ride to nowhere
We'll take that ride

I'm feelin' okay this mornin'
And you know,
We're on the road to paradise
Here we go, here we go

We're on a road to nowhere
Come on inside
Takin' that ride to nowhere
We'll take that ride

Maybe you wonder where you are
I don't care
Here is where time is on our side
Take you there...take you there

We're on a road to nowhere
We're on a road to nowhere
We're on a road to nowhere

There's a city in my mind
Come along and take that ride
and it's all right, baby, it's all right

And it's very far away
But it's growing day by day
And it's all right, baby, it's all right

They can tell you what to do
But they'll make a fool of you
And it's all right, baby, it's all right
We're on a road to nowhere

30 abril 2011

a lenda das giestas

Hoje desde manhã cedo, quando saí à rua, reparei que por todo o lado, várias pessoas procuravam nas bermas das estradas e transportavam ao colo ramos de giestas floridas. Num primeiro momento nem sequer me lembrei que hoje era o último dia do mês de Abril e amanhã, dia primeiro de Maio. Claro que logo depois me lembrei da velha prática popular que consiste em colocar esses ramos nas fechaduras das portas e janelas das habitações durante toda esta noite. Desde sempre me lembro de isso acontecer, tanto na região do Porto como em Trás-os-Montes, mas só hoje fui tentar encontrar a origem de tal ritual. Segundo reza a lenda, conhecida como "lenda das Maias", estas foram utilizadas pelos judeus para identificarem a casa onde Jesus Cristo, ainda bebé, pernoitava, quando a sua família tentava escapar à morte decretada por Herodes. Pelos vistos, inexplicavelmente, na manhã seguinte todas as portas dessa localidade tinham um ramo de Maias nas suas fechaduras, impossibilitando assim aos soldados de Herodes identificar o local onde estava Jesus. Segundo a mesma lenda, nasce aí o velho ritual que ainda hoje podemos encontrar um pouco por todo o país, mas principalmente nas localidades do norte. Dizem também que se colocam as giestas (conhecidas em muitos locais como Maias, devido a florirem normalmente no mês de Maio) em todas as fechaduras de portas e janelas para defender a casa e impedir que os espíritos maus, as bruxas e toda a maldade possa invadir o espaço "sagrado" por excelência que é o lar, a habitação familiar. Neste rito, ciclicamente praticado, encontramos uma forte componente da crença e religiosidade popular que, apesar da sistemática e histórica sensura exercida pela Igreja, conseguiu sobreviver até hoje nas práticas populares da experiência do sagrado. Para além desta crença, que eu não tenho, devo dizer que gosto da giesta e que quando florida é muito bonita e cheira bem.
(ao alto, imagem retirada da internet, mas que bem retrata a paisagem predominante, nesta época, de grande parte do monte no norte do país)

27 abril 2011

em flagrante delito...

... e não me avisaram.

iniciativa mais sociedade

O Jornal de Negócios publicou algumas propostas para o programa eleitoral do PSD elaboradas pelo movimento da sociedade civil "Mais Sociedade", movimento promovido pelo presidente do PSD e constituido por ilustres pensantes da área social democrática, que se propõem reflectir sobre Portugal e apresentar soluções e propostas para todas as nossas maleitas. Um dos mais proeminentes e mediáticos pensadores desse grupo é o guru dos planos inclinados, o professor João Duque que veio agora defender a proposta de que o recurso ao fundo de desemprego deverá implicar uma redução da pensão de reforma. Inacreditável até onde vai a voragem económica e social desta gente. Num plano superior e prismaticamente inclinado, estes senhores consideram que é uma questão de justiça social penalizar os malandros dos desempregados, que só assim estão porque não gostam de trabalhar. Pois claro.
Em vésperas de eleições legislativas propostas para programas de governo como esta só nos podem deixar perplexos e preocupados com a possibilidade destas mentes brilhantes chegarem ao governo e aos diferentes ministérios da nação. Com iniciativas e propostas como esta, ficamos é com a sensação de que a real ambição deste movimento é menos sociedade, e se possível acabar de vez com essa coisa incómoda que são os portugueses, acabar com essa maçada que é o estado social e também, já agora, com essa invenção anacrónica que são os direitos dos trabalhadores e dos cidadãos. Afinal para que servem!?

exclamação

"Santa cona do assobio."

26 abril 2011

especialmente do brasil e outros...

Nalguns casos perdendo a cabeça, noutros à pesca de etnografias locais e, por fim, o resultado do esforço de amigos do outro lado do Oceano. Obrigado. Muito bom.
- Foucault, Michel, 1994, A vontade de saber - história da sexualidade I, Lisboa, Relógio D'Água;
- Foucault, Michel, 1994, O uso dos prazeres - história da sexualidade II, Lisboa, Relógio D'Água;
- Foucault, Michel, 1994, O cuidado de si - história da sexualidade III, Lisboa, Relógio D'Água;
- Afonso, Belarmino (introdução), 1985, Raízes da Nossa Terra - Cancioneiro Transmontano, Bragança, Delegação da Junta Central das Casas do Povo de Bragança;
- Junior, Santos e Mourinho, António, 1980, Coreografia Popular Transmontana (extracto do fascículo IV do vol. XXIII dos Trabalhos de Antropologia e Etnologia), Lisboa, Sociedade Portuguesa de Antropologia;
- Ferreira, Marieta de Moraes e Amado, Janaína (org.), 2006, Usos e Abusos da História Oral, Rio de Janeiro, Fundação Getulio Vargas;
- Geertz, Clifford, 2006, O Saber Local, Petrópolis, Editora Vozes;

25 abril 2011

pois é...

Depois da hipotética polémica, o exclarecimento que me parece devido e que desmonta determinadas construções do mundo... (só agora publicado por ausência de digitalizador)

abril de fmi

Quando estruturei e alinhavei esta intervenção, a vontade era chegar aqui e dizer-vos simplesmente que acabou, que todos os valores do 25 de Abril afinal de contas apenas têm servido determinada retórica e que neste Abril de FMI, este ritual seria pífio e comprovadamente inconsequente. Depois, a própria realidade se encarregou de me dar materiais e, acima de tudo, alento para resistir e persistir na defesa desses mesmos valores. Agora, mais do que nunca.
A vertigem do tempo actual precipitou-nos num carrossel catastrófico. Têm sido assim os últimos meses, em Portugal, na Europa e no mundo. Quem pressentiria a tempestade, não de areia mas de liberdade, gerada nos desertos do Norte de África de onde sopra o familiar vento suão? E a onda não parou: apesar de o povo líbio estar encurralado entre os tanques de Kadhafi e os mísseis da NATO, ela expande-se até à Síria, Iémen e Arábia Saudita, governadas por reis e déspotas petrolíferos, todos “bons amigos do Ocidente”. Recentes são as ondas sísmicas e o tsunami japonês que abalaram o mundo, sobretudo pela catástrofe nuclear de Fukushima, cujo alcance ninguém hoje consegue medir…onde param os arautos do nuclear!!!!???
Também o velho continente foi abalado por tempestades, mas de outro tipo, que já colheram a Islândia, a Grécia, Irlanda e agora Portugal. Mas não vão ficar por aqui… Não se trata de catástrofes naturais, mas provocadas pela ganância financeira num mundo desgovernado pelo neoliberalismo. A bolha especulativa da economia de casino estava programada para rebentar, como alertavam há mais de uma década vários prémios Nobel da economia. Desde finais de 2008, os Estados cuja intervenção nos mercados foi diabolizada ao longo de décadas, injectaram triliões para salvar bancos cujos activos estavam ao nível do lixo, apesar de receberem notas elevadas das agências de rating. As mesmas ratazanas e os mesmos bancos que, a partir de 2010, lançaram a gigantesca operação especulativa contra as dívidas soberanas dos Estados que os salvaram. Eis o capitalismo neoliberal em todo o seu esplendor!
Nos 37 anos da madrugada libertadora do 25 de Abril, Portugal está colocado perante desafios que tocam directamente os fundamentos da celebrada “revolução dos cravos”. QUE DIA É HOJE? Citando “FMI” de José Mário Branco, um clássico cada vez mais actual, “o FMI não aterrou na Portela, coisa nenhuma”… Mas a dura realidade é que eles aí estão! E, ao contrário do que nos querem fazer crer, nem todos perdem com a sua chegada: os bancos, por exemplo, já sonham com o seu quinhão de liquidez dos 80 mil milhões de euros a baixo juro para subirem as taxas que impõem à economia produtiva e a dezenas de milhares de cidadãos ameaçados de despejo por já não conseguirem pagar a prestação da casa.
A grande questão hoje é: quem ganha e quem perde com o FMI? Quem paga a dívida externa e a enorme dívida social aos trabalhadores e aos dois milhões abaixo do limiar da pobreza? A esta pergunta crucial, só há duas respostas: a do bloco FMI, e a do bloco anti-FMI, consubstanciada pela esquerda nacional. Há alternativas em Portugal e na Europa, indiciadas no processo judicial contra as agências de rating, interposto pelo grupo de economistas encabeçado pelo professor José Reis. Não é caso inédito: a Islândia varreu do poder os políticos responsáveis pela crise, elegeu uma nova Constituinte e meteu os banqueiros corruptos na prisão. Mais ainda: recusa, e bem, pagar a dívida aos bancos ingleses e aos agiotas que especulam sobre a dívida soberana.
Nos ásperos tempos que vivemos, Abril volta a ser tempo de luta, volta a ser tempo de resistência, volta a ser tempo de afirmação nacional.
Recuperemos a velha lírica de Sérgio Godinho: “Só há Liberdade a sério quando houver a Paz, o Pão, Habitação, Saúde, Educação, quando houver liberdade de mudar e decidir, quando pertencer ao povo o que o povo produzir…”
Obrigado.
(intervenção na Assembleia Municipal de Bragança, mais ou menos a esta hora...)

23 abril 2011

pelos oprimidos...

"Caras amigas e amigos,
Depois de 30 anos de governos PS / PSD / CDS, não estará na altura de mudar?
Vamos continuar a aceitar o estado ladrão? Ou vamos escolher um novo caminho?
O povo vai acordar...
Disperto pelos oprimidos em revolução!
Abraços,"
(de um amigo, hoje na minha caixa de correio electrónico)

pelo dia mundial do livro e dos direitos de autor

21 abril 2011

conversa para as famílias

Esta declaração de Páscoa de Passos Coelho transmitida através do Facebook e conhecida hoje é um perfeito anacronismo visual e comunicacional. Aquele cenário e a presença da mulher, a mão dada e o ambiente familiar, o conteúdo da mensagem e os votos finais, tudo transpira a antanho, a nostalgia por um outro tempo e um outro país. O que pretende esta gente com este tipo de iniciativa!?.. É que em pleno século XXI, utilizando as novas tecnologias, assistirmos a um momento como este (já houve outros idênticos, do mesmo interveniente e também de Cavaco Silva), assim muito de repente, remete-me imediatamente para as conversas em família que Marcelo Caetano, enquanto Presidente do Conselho, impunha aos portugueses, através da televisão e da rádio, onde paternalmente explicava as opções do Governo, desde o mais pequeno e insignificante pormenor até às questões de Estado. Ficou célebre aquilo que Marcelo Caetano disse no primeiro desses serões:
"Nem sempre as circunstâncias proporcionam ao chefe do Governo oportunidade para, num discurso, esclarecer o seu pensamento ou elucidar o público sobre problemas correntes ou objectivos a atingir. Mas os actuais meios de comunicação permitem conversar directamente com as pessoas, sem formalismos, sem solenidades, sempre que seja julgado oportuno ou necessário".
Conseguem imaginar, ainda que fosse possível, Salazar a utilizar o Facebook para comunicar com os portugueses!? Eu não. E neste caso de Passos Coelho, sinto que há muito de ideológico neste tipo de estratégia comunicacional, quase que um ideal refundador de um determinado tipo de sociedade. Para além do desenquadramento espacial e do desfasamento temporal, considero-a civilizacionalmente perigosa.

19 abril 2011

18 abril 2011

as minhas vacas, ou uma conversa de merda

Depois de almoço e durante um par de horas, na taberna, agora café do Lexinho, estive a jogar à Blota – jogo de cartas consignado a duas ou três aldeias e que um dia eu ainda hei-de trabalhar, depois disso e enquanto acabava a última Superbock, estive à conversa com alguns conterrâneos mais velhos. É sempre um prazer ouvir esta gente, as suas histórias, as suas aventuras, as suas vidas, as suas mágoas, enfim, as suas memórias. Falava-se de vacas e outros gados e do seu progressivo desaparecimento da paisagem da aldeia. Outrora foram às centenas, depois às dezenas e por fim, antes do seu total desaparecimento, apenas algumas unidades. Hoje não existe uma única vaca em toda a aldeia. Esta gente fala-me com notória nostalgia e saudade desse tempo, em que a aldeia tinha mais animais e, também, mais gente. Eles bem sabem que a vida era dura e mais difícil do que a de hoje, mas percebo-lhes a preferência por esse outro tempo. A propósito dessa convivência diária com os vários gados, recorda-se a imundice permanente das bosteiras, especialmente no Inverno, nas ruas e canelhas da aldeia – parece que estou a sentir o cheiro intenso das bostas de vaca a fermentarem no calor do pino do Verão, ou a ver-me, no Inverno, a caminhar pela aldeia, saltitando nas pontas dos pés, para evitar a merdice lamacenta. Relembra-se também a importância que tinham essas bosteiras para algumas das actividades agrícolas, tais como estrumar as terras e malhar o pão -nas eiras onde se malhava o trigo e o centeio. Por essas alturas, os mais velhos mandavam os miúdos, munidos com pás e carretas, procurarem pela aldeia as bosteiras frescas (recém-defecadas), recolherem-nas e trazerem-nas para as eiras, onde eram espalhadas, de forma a forrar o chão. Deixava-se secar e então depois podiam os homens malhar as espigas de cereal. Os grãos ficavam presos na bosta, os cuanhos e as palhas esvoaçavam, depois bastava varrer… Por fim, demos por nós a recordar alguns dos nomes dados às vacas. Não havia uma vaca que não tivesse um nome próprio. Um e outro iam recordando os nomes que, ao longo da vida, foram dando aos seus animais e o que é certo é que esse nome permitiu-lhes guardar na memória algumas das características desses animais. A atribuição de um nome a uma vaca serviria não só para as distinguir, como também para o próprio diálogo entre o lavrador e as suas vacas. Dizem-me que elas reconheciam o seu nome e respondiam a esse estímulo. A verdade é que a lista de nomes possíveis é imensa e a atribuição era sempre feita enquanto vitelas, sendo da exclusiva responsabilidade dos seus donos. Pontualmente, eram as crianças dessa casa quem escolhia o nome dos seus animais. Quando havia a compra ou venda de vitelas ou de vacas, uma das preocupações era conhecer e manter o nome que o anterior dono atribuia a esse animal. A escolha do nome obedecia em muitos casos a características físicas (ruiva, clara, amarela, morena, menina, roliça), ou temperamentais (castiça, malandra) do animal em questão, noutros casos a escolha era feita por relação com a época do ano em que nasceram (cereja, laranja, castanha), noutros casos ainda acontecia dar-se o mesmo nome da progenitora, ou de uma outra vaca de boa memória que esse lavrador tenha tido. Convém recordar que o sustento de cada casa, de cada família, dependia fortemente da sorte e saúde dos animais de trabalho. Normalmente, na mesma casa não havia vacas com os mesmos nomes. Este exercício de memória realizado por estes lavradores, traz-me à memória alguns momentos da minha infância, em que também eu convivia com esses animais e conhecia pelo nome as vacas da família. Momentos inesquecíveis de “ir” com as vacas para o lameiro, ou conduzir um carro-de-bois, ficarão registados para sempre. Agora que penso nisso, recordo com especial carinho a Cereja, uma vaca corpulenta, escura e temperamental, mas muito trabalhadora. Aproveitando o bom tempo que teremos pela frente, aqui está uma imaterialidade engraçada que irei estudar com mais atenção e trabalhar com cuidado redobrado, no meu futuro próximo. Boa.
(Ao alto, um belo par de exemplares da raça mirandesa, a trabalhar algures no Parque Natural de Montesinho.)

16 abril 2011

solilóquio

Tu sorris e o teu sorriso irradia até mim. Tu ficas pensativa e eu, em pânico, sério me torno.

13 abril 2011

solilóquio

Com tanto para ler e reler para depois escrever e reescrever, gastar tempo com tricas e trucas intestinas e orgânicas apurria-me. Ser responsável e interveniente nesse cenário, deixa-me desgastado. No entanto, o situacionismo forçado, impõe-me a disposição necessária para esse activismo. Vamos lá.

11 abril 2011

bravo

Hoje cheguei a Bragança e reencontrei a minha criança, que tinha vindo uns dias antes para casa dos avós. Quando me sentei com ela, perguntando-lhe pelo que tinha feito, logo me quis mostrar as novidades, que segundo o seu juízo, são exclusivamente as novas "coisas" que lhe ofereceram. Mostrou-me várias bugigangas apropriadas para uma miúda de nove anos, mas mostrou-me também uma revista Bravo, versão portuguesa, que pedira à Avó. Nesse momento fiquei incomodado, uma vez que me lembro perfeitamente de também a ter comprado na minha, cada vez mais longinqua, adolescência. Nunca me passara pela cabeça que os jovens de hoje, em Portugal, ainda se sentissem atraídos por esta publicação, cuja origem, se não estou em erro, era e é alemã. Muito menos imaginei que mesmo em Português esta revista atraísse crianças e pré-adolescentes. No meu tempo, que aconteceu na segunda metade da década de oitenta, apenas existia em Alemão, portanto, bem se pode perceber que apenas nos interessavam as imagens, os posters e uns pequenos autocolantes que colávamos nas capas da escola. São vagas as memórias dos seus conteúdos, mas recordo bem uma secção, que presumo, seria de sexologia e onde algumas imagens a cinzentos nos permitiam ver alguns pares de mamitas desnudadas. Que excitação, meu deus...

adenda - Ao escrever este texto, senti-me tal e qual o Nuno Markl na sua rúbrica Caderneta de Cromos. Tenho quase a certeza que ele já falou do cromo "Bravo". O que disse já não recordo, mas tal como eu, também ele na sua adolescência foi um assíduo cliente.

10 abril 2011

verbo, polarizar

Aquilo que está a acontecer em Portugal é muito triste e perigoso. Nunca como nos dias de agora se assistiu a tamanha campanha de difusão ideológica, tamanho esforço por mentalizar as "massas" para a inevitabilidade do projecto neoliberal e tamanha concertação opinativa nos média. O esforço é comum: fazerem crer que a intervenção do FEEF e do FMI é solução única para resolver os problemas financeiros actuais da nação. É MENTIRA. Foram já várias as opiniões defendendo outras soluções menos penosas para o país e seus cidadãos - é preciso saber qual é a verdadeira dívida; é preciso saber quem pagará que parte dessa dívida. Por outro lado, é patente o receio que as entidades europeias e outras manifestam relativamente ao resultado das eleições em Portugal. Por isso querem acordo pré-eleitoral e por isso impõem pressão sobre os responsáveis políticos nacionais. Vejam até onde já chegou o pânico quando se subscrevem documentos como este, que se intitula de "Um Compromisso Nacional"...
Num tempo breve, como aquele que teremos até às eleições legislativas impõe-se uma polarização séria, clarificadora e bem visível entre aqueles que defendem o "bloco" FMI e aqueles que defendem o "bloco" anti-FMI. Será a intervenção do FMI o elemento que separará aqueles que aceitam a bancarrota do país e aqueles que acreditam e defendem uma alternativa credível de governação à esquerda e que permita aos portugueses a soberania de dizer que NÃO. Será esse o esforço, será essa a luta, para mim também.

07 abril 2011

FMI e o Estado de Excepção

“A ideia é destruir o que tem sobretudo valor de uso e favorecer a apropriação privada, a preço de saldo, do que tem valor de uso e muito valor de troca.” João Rodrigues

A anunciação de um pedido nacional para uma intervenção externa (curioso como alguns teimam em chamar-lhe ajuda…) da FEEF e do FMI não terá sido propriamente uma surpresa para a maioria dos portugueses. A dúvida que poderia restar seria o timming dessa iniciativa, o que nos obrigou a viver os últimos meses numa espécie de limbo existencial, misto de ansiedade e de suspensão pelos dias que hão-de vir, num futuro próximo.
É disparatada, quanto a mim, a teimosia dos média em estabelecer comparações económicas e sociológicas com aquilo que aconteceu ao país em 1983, aquando da última intervenção externa do FMI, pois não me parece razoável comparar o Portugal de então com aquele que hoje somos. Também não me preocupa serem “outros” a fazer aquilo que “nós” não soubemos fazer. Aquilo que me preocupa é saber como poderão sobreviver os portugueses à pressão deste torniquete transnacional, que transforma os indivíduos em números e, por isso, insensível é aos seus problemas e às suas condições de vida. Nesta lógica, não importará até quando e até onde nos vão retorcer para conseguirem aquilo que já há muito procuram.
Convém não esquecer que se aqui chegamos é porque fizemos determinado caminho. Caminho esse que percorremos, alegres e sorridentes, mas ignorantes do verdadeiro sentido e objectivo daqueles que nos conduziam por aí. Não terá sido por falta de avisos e alertas de alguns eminentes especialistas, entretanto enxovalhados na praça pública e mediática, nem por falta de democracia que os portugueses teimaram em eleger os mesmos de sempre para nos governar. Tal como alguns afirmam, teremos aquilo que merecemos, mas não sejamos inocentes, pois não esteve propriamente nas mãos e nos votos dos portugueses a possibilidade de arrepiar caminho e escolher outro destino que não este. Senão vejamos:
A escalada globalizante acompanhou a apropriação da palavra “globalização”, que, supostamente, deveria explicar a dialéctica fragmentação/globalização. Esta palavra veio directamente das teorias japonesas da gestão pós-fordista e, inicialmente, começa por ser utilizada pelos especialistas de marketing para designar a segmentação dos públicos-alvo ou a divisão de grandes segmentos transfronteiriços de comunidades de consumidores com os mesmos sócio-estilos, os mesmos modelos de consumo. Foram os “evangelistas do mercado” e os think tanks neoliberais, tais como o Adam Smith Institute, em Inglaterra, cujo objectivo consistiu em desenvolver uma reflexão capaz de pesar sobre as políticas públicas, quem concorreram explicitamente para o sucesso da sociedade prometida pela “revolução neoliberal”, projecto de uma nova ordem em que o mercado se torna o principal árbitro de todas as transacções, quem trouxeram para primeiro plano um fascínio vanguardista pela figura do consumidor, relegando para planos inferiores a figura do cidadão. A doutrina do livre-câmbio da “soberania absoluta do consumidor” reconheceu-se no perfil de um telespectador que se tornou autónomo graças ao seu poder intangível de determinar o sentido dos programas.
A marginalização do cidadão pelo consumidor realizou-se à custa da interrogação sobre os agentes de produção, o mercado, o Estado e a decomposição/recomposição do Estado-Nação, mas também sobre o novo estatuto do consumo, cada vez mais integrado nas matrizes industriais do pós-fordismo. O consumo torna-se ele próprio em produção de informações para o produtor. A relevância que irá ser gradualmente atribuída ao termo “sociedade civil” exprime, igualmente, essa necessidade de uma “caixa-negra”, tapa-misérias de um vazio de problematizações. Mistificada como espaço liberto da diversidade, da pluralização das identidades fragmentadas, esta sociedade civil surge como antítese do Estado-Nação. Este culto da sociedade civil deslegitimou o próprio princípio de políticas públicas.
Finalmente o esforço neoliberal parece ter alcançado o seu fim (!?) com a desregulamentação total dos mercados, com o esvaziamento dos estados soberanos e com o despojamento da cidadania individual, naquilo que Giorgio Agamben (2010) designa de identidade sem pessoa. O mesmo autor tem razão quando afirma que as democracias ocidentais - a própria civilização ocidental contemporânea - criaram voluntariamente um estado de emergência permanente que, progressiva e metodicamente, tem vindo a despir de cidadania os seus indivíduos. Paradigma vigente desde então e até ao presente.
Mesmo perante a perspectiva bem realista de virmos a viver, durante um período ilimitado, num estado de excepção - com abolição ainda que provisória do poder legislativo e do poder executivo, num vazio de direito e numa zona de anomia onde a distinção entre o que é público e o que é privado é desactivada, onde a norma se tornará indiscernível da excepção e as liberdades individuais poderão ser suspensas – prefiro acreditar que a presença de forças estranhas e ilegítimas não determinará o nosso humilhante aprisionamento nesse estado de excepção.
Não posso terminar sem antes referir o ridículo que esta infeliz situação significa para todos aqueles que nos têm governado nas últimas décadas. É soberba a incompetência e é também magnífica a desresponsabilização desses ilustres intervenientes. E engraçado seria, se não demasiado triste e vergonhoso, todos eles não perderem a face e, qual imaculadas, apresentarem-se sempre impolutos e como fazendo parte da solução, outra e outra vez. Até quando vão os portugueses aturar isto?
(texto enviado para o Jornal Nordeste)

05 abril 2011

urbanidade

A propósito de alguns debates transmitidos pelas televisões nos últimos tempos, apercebi-me da utilização recorrente do termo "urbanidade", enquanto locução adverbial qualitativa, ou seja, "com urbanidade" dos seus intervenientes. Essa insistente verbalização incomodou-me, até porque não me era familiar e soava-me a anacronismo. Logo parti para os dicionários disponíveis e encontrei: "(do latim urbanitas), enquanto substantivo: qualidade do que é da cidade, da urbe, do que é urbano; diferente da ruralidade; delicadeza requintada, observação das boas maneiras no relacionamento com os outros, acompanhadas geralmente de finura e elegância na linguagem, distinção no porte, nas atitudes; Parecido com civilidade, cortesia, polidez; diferente grosseria, rusticidade. Enquanto adverbio, modo polido, delicado, atencioso."
Num tempo em que as ancestrais oposições entre o rural e o urbano se esbateram e em que assistimos a uma permeabilidade social e demográfica entre estes dois, cada vez menos, distintos "universos" parece-me que a utilização deste qualificativo se cingirá a uma qualidade essencialmente social, verificável numa espécie de esteticismo social com certo sabor a dandismo, bem característico de determinados ambientes urbanos e com laivos de elitismo ou pseudo-elitismo. Considero assim que a atribuição desse virtuosismo não poderá ser um exclusivo desse reduto da condição urbana e ofenderá todos os demais.

02 abril 2011

desejos e placebos

Agora que tentamos habituarmo-nos à nova realidade demográfica (e sonora) familiar e quando atento no interesse, na curiosidade e no cuidado com que a irmã olha para o recém-chegado irmão, relembro o longo caminho, ou pelo menos partes desse percurso que foi necessário fazer para aqui chegarmos.
Depois de um período de nojo a criança retomou o discurso reinvindicativo em relação ao seu direito, e nossa obrigação de pais, de ter um irmão ou uma irmã. A sua persistência tem sido vigorosa, principalmente junto da mãe, a quem diariamente tem perguntado se já está grávida e/ou porque não está ainda.
Em tempos, a mãe tentando dar a resposta adequada à clássica pergunta da inocência infantil, resolveu dizer-lhe que se engravida tomando um comprimido. Desde então, e agora particularmente, a pergunta é diária:
- Já tomaste o comprimido?
- Não, ainda não. Tenho que ir à farmácia comprá-lo.
- Então vamos lá. Quando vamos?

E assim a mãe foi conseguindo adiar a tomada de tal comprimido. Acontece que nos últimos dias a miúda regressou violenta e expressivamente ao assunto e, neste último fim-de-semana, "obrigou" mesmo a mãe a tomar o milagroso comprimido. Como sabia (a mãe tinha-lhe dito) que a toma era feita antes de dormir, não adormeceu enquanto tal não aconteceu. Num estado eufórico e ansioso, deitada ao lado da mãe, chamou-me para ir buscar o comprimido. Eu e a mãe, cúmplices neste engodo, trocámos olhares embaraçados, como quem não sabe como proceder...
Lá fui à busca de algo que a mãe pudesse simular ingerir. A escolha racaiu no anti-inflamatório Voltaren. Regressei ao quarto com o dito comprimido e um copo de água. Fora de sí, a criança controlava bem de perto todos os movimentos. Não havia qualquer hipótese de a enganar e a mãe teve mesmo que meter à boca o comprimido, ao qual juntou um pouco de água. Depois disto a criança agarrou-se à barriga da mãe e encheu-a de beijinhos enquanto dizia que já estava... virei costa e sorri, certo que a mãe tinha retido a dragueia algures na boca e não o tinha ingerido. Puro engano. Ela ingeriu-o mesmo e com isso ficou agoniada o resto da noite. A miúda depressa adormeceu a seu lado, concerteza certa de missão cumprida e, quiçá, a sonhar com a barriga da mãe a crescer e com as brincadeiras que um dia fará com seu irmão ou sua irmã.
Agora, nova missão pedagógica, explicar-lhe que nem sempre o comprimido dá resultado.

01 abril 2011

sectarismo verbal

Não gosto de ouvir e ler os políticos e os arautos da opinião publicada referirem-se aos portugueses utilizando o substantivo colectivo "o povo". Prismaticamente, soa-me sempre a desprezo social. A sua pronunciação traz sempre uma carga simbólica pejorativa enorme e é soberbo o plano inclinado de quem assim fala. Afinal, quem vota não é o povo, são os indivíduos portugueses enquanto cidadãos de Portugal.

31 março 2011

aniversário

I think I was once
I think we were

Your milk is my wine
My silk is your shine
(Jim Morrison)

escritos para ti... (primeiras linhas)

Meu querido,
Ainda nem sequer te conheço e já escrevo para ti. Falta muito pouco para nasceres e a ansiedade vai tomando conta de mim, de nós. Decidi fazer este registo para que, um dia e de alguma forma, possas conhecer o ambiente e os sentimentos daqueles que te irão receber e acompanhar durante parte da tua vida. (...) Tens uma irmã mais velha que esteve este tempo todo muito ansiosa e expectante. Tem para ti uma quantidade de presentes e surpresas que foi preparando nestes últimos tempos. Irá dividir contigo o quarto, o que aceitou com relativa boa vontade, mas desconfio que quando vieres a ocupar o teu lugar, rapidamente ela mudará de opinião e reclamará a independência do seu espaço. (...)
Estás prestes a nascer e aquilo que me preocupa é que o teu primeiro sopro na vida seja um momento bom. Estou feliz e não trocaria este meu presente por qualquer outro.
Do teu pai.

inside job

Acabei de ver este filme-documentário e estou indignado. Como puderam, podem, meia-dúzia de espertos brincar com a vida de milhões de cidadãos e, depois de desregularem financeiramente e especularem até ao tutano os mercados, saírem incólumes, ilibados e ainda mais ricos. É revoltante. Dá vontade de partir completamente para a ignorante violência. E agora apelam-nos à compreensão e ao esforço para ultrapassar a "crise". Badamerda.

28 março 2011

compras e ofertas recentes

- Jacob, João e Alves, Victor, 2010, Bragança - roteiros repúblicanos, Bragança, Quidnovi (oferta);
- Murcho, Desidério, 2011, Filosofia em Directo, Lísboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Mendes, Fernando Ribeiro, 2011, Segurança Social - o futuro hipotecado, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Actas Colóquios da Lusofonia, 2007, Bragança, Câmara Municipal de Bragança (oferta);
- Beattie, John, 1999, Other Cultures, Londres, Routledge;
- Dentinho, Tomaz e Rodrigues, Orlando, 2007, Periferias e Espaços Rurais - comunicações do II congresso de estudos rurais, Estoril, Princípia Editora;
- Hessel, Stéphane, 2011, Indignai-vos!, Carnaxide, Objectiva Editora;
- Bourdieu, Pierre (org.), 1997 (7ª edição), A Miséria do Mundo, Petrópolis, Editora Vozes;

colo

Tenho em casa um recém-nascido com nove dias de vida. Neste tipo de reclusão a que nos submetemos e em que temos vivido, ele tem sido o nosso sol. Para além dos momentos parafernálicos - mamar, fraldar e banhar, passa o seu tempo a dormir, o que faz com real prazer e tranquilidade, principalmente, no colo de alguém. Tenho passado horas com ele no meu colo, com satisfação por poder admirá-lo e, ao mesmo tempo, por não me impedir de fazer aquilo que tenho/quero/gosto, como agora enquanto escrevo estas linhas. São muitas as advertências e os avisos para não o habituarmos ao colo, porque faz-lhes mal e depois eles não querem outra coisa. Mal faz-lhes não terem carinho e a nós, não os poder acarinhar. E eu, a tudo isso, faço ouvidos moucos, pois gosto é de o ter no meu colo e sempre que puder assim vai estar.

25 março 2011

solilóquio

A nova vida trouxe-me vida nova. Estupidamente caótica. O desencontro com o tempo tem sido tal que não consigo atinar. Vivo assim estes dias num estado alterado de consciência e nem a cafeína e as outras drogas me conseguem valer. Até quando?

24 março 2011

epitáfio do tamanho de Portugal

Desconfiava que iria escrever estas palavras em breve. Não sabia o dia, é certo, mas desde o discurso de Cavaco Silva na tomada de posse deste seu segundo mandato na Presidência da República, que sentia que todos, incluindo o próprio e suas hostes, pretendiam por um ponto final nesta longa e martirizante agonia nacional. Curioso, Sócrates sai pelo seu próprio pé, tal como já fizera o socialista António Guterres. Parece ser este um "fado" socialista... Abrindo assim a porta da rua, Sócrates leva com consigo, e ainda bem, toda a comandita pária e acrítica, que se instalara há largos anos e que já se servia da coisa pública com direito e pertença, como se lhes estivesse destinado ad eternum tais direitos e regalias.
Neste virar de página, motiva-me escrever umas palavras acerca daquilo que considero ter sido a governação socialista, personificada neste personagem principal bipolar, que em boa verdade nunca conseguiu merecer a total confiança dos portugueses. Em seis anos de mandatos, com maioria e, depois, sem maioria, conseguiu desbaratar e desconstruir todo o património social, cultural e económico que, bem ou mal, tínhamos acumulado nas últimas três décadas. Não houve sector da sociedade portuguesa ou actividade económica com o qual o engenheiro Sócrates não conflituasse. No final de contas e fazendo um esforço de memória, de tudo aquilo que foi produzido e/ou introduzido na sociedade portuguesa sob a sua governação, sobrevive à minha sensibilidade toda a legislação relativa aos significativos avanços civilizacionais, e em particular, o acesso ao casamento de pessoas do mesmo sexo (género).
No fim de mais um ciclo, importará perguntar: Haverá algum português triste ou insatisfeito com este desfecho!? Haverá alguém neste país que voltará a acreditar no engenheiro Sócrates, ou mesmo no Partido Socialista!? Não sei, mas a sua (Sócrates) sobrevivência política dependerá, única e exclusivamente, da inteligência dos eleitores. Espero. Na sua lápide, o meu epitáfio político diria apenas que este foi o homem que decretou, e bem, a proibição de fumar em locais públicos fechados.

22 março 2011

wordscape

A palavra projectada no tempo e no espaço. Impressionante.

reorganização doméstica

Com a chegada do novo elemento é tempo de nos arrumarmos cá em casa. Este é o dia que marca o regresso às rotinas das fraldas e dos biberons. É tempo de prescindirmos do nosso tempo e espaço em favor do bem estar do rebento. Custará a habituar mas será um enorme prazer vê-lo crescer e desenvolver.

19 março 2011

a felicidade

Se existe e se é possível senti-la, então hoje é o dia em que isso me acontece. Todo eu sou felicidade. Idêntico sentimento aconteceu há muitos anos atrás, precisamente no dia 1 de Dezembro de 2001.

solilóquio

Na alvorada de um dia especial, a beleza da vida a nascer. No crespúsculo de um dia grande, o tamanho de uma vida toda. As nossas vidas.

18 março 2011

intersticial

Desde que descobri este pequeno recanto, tenho lá regressado amiúde para o contemplar e saborear. Repetidamente deste prisma, tenho passado horas em tranquila contemplação, silenciosa reflexão e, por vezes, profícua criação. Nesta paisagem conurbana do grande Porto podemos encontrar alguns caracteres estranhos à ainda predominante ruralidade e será, precisamente, essa tíbia invasão da urbanidade no espaço rural que me transmite o sentimento de perda e de esquecimento de todo um ambiente que transporto no meu imaginário. Muitos poderão considerá-la um hiato de espaço esquecido, ou um oásis paisagístico a prazo, mas para mim é apenas um lugar bonito e bucólico, onde não me importaria ficar. Assim neste intervalo.

Bucólica
A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;

De casas de moradia
Caiadas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;

De poeira;
De sombra duma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai a erguer uma videira
Como uma Mãe que faz a trança à filha.
(Miguel Torga)

17 março 2011

a grande nobreza do estado

A recente notícia do pedido de demissão de Almerindo Marques da presidência do Conselho de Administração das Estradas de Portugal, cujas motivações e pormenores ainda não são conhecidas, mas que estará de alguma forma relacionada com indefinição do Governo quanto ao modelo de financiamento da empresa, conduz-me a memória para um texto de Pierre Bourdieu (1993) que a propósito da Demissão do Estado escreveu: são esses novos mandarins, gulosos por gratificações e sempre prontos a deixar o serviço público pelo sector privado, que - cansados de pregar o espírito de "serviço público" (para os outros), como nos anos 60, ou celebrar o culto da empresa privada, sobretudo após 80 - pretendem administrar os serviços públicos como se fossem empresas privadas, mantendo-se ao abrigo das obrigações e riscos, financeiros e pessoais, que estão associados às instituições cujos (maus) costumes procuram macaquear, principalmente em matéria de gestão do pessoal; são esses que, em nome de imperativos da modernização, atacam o pessoal da execução, como beneficiados da função pública, protegidos contra os riscos da livre empresa por meio de estatutos rígidos e agarrados à defesa corporativista das regalias sociais; são esses que vangloriam os méritos da flexibilidade do trabalho a não ser que, em nome da produtividade, preconizem a redução progressiva dos efectivos.
adenda: a este propósito poderiam também e ainda ser referidos outros digníssimos e ilustres administradores da coisa pública que, nos últimos tempos, foram notícia, tais como Horta e Costa (CTT), Júlio Santos (ex-presidente da Câmara Municipal de Celorico da Beira), Armando Vara (ex-administrador da CGD e Millennium BCP), José Penedos (ex-administrador da REN), entre tantos outros.

16 março 2011

doxósofos

Procurar estar actualizado obriga a um permanente acompanhamento da vertiginosa cadência informativa, o que acontece, fundamentalmente, através dos meios de comunicação social e, em especial, através dos canais de televisão. Ao percorrer os vários canais informativos não posso deixar de reparar que, nunca como nos dias de hoje, saturados estão de programação especializada, principalmente em política e em desporto. Não há um único dia da semana em que não haja uma panóplia de polifonias relativas a cada acontecimento da vida política e/ou desportiva nacional e/ou internacional. Não percebo como há espaço, como há audiências, como há financiamento e publicidade para tanta verborreia de spin doctors, opinion makers, politólogos e futeboleiros!?... ainda por cima quando grande parte desses pseudo-especialistas não vão além dos lugares-comuns e de aparentes manifestações de conhecimentos. Já Platão, há muitos séculos atrás, lhes tirou a pinta, designando-os doxósofos e definindo-os como técnicos de opinião que se julgam sábios e que para conseguirem notoriedade não hesitam em engalfinhar-se no espaço público. Assim é ainda hoje.

15 março 2011

preocupações

Primeira, para além da desgraça causada pelo sismo e consequente tsunami, a população japonesa e, depois, o mundo vêem-se agora confrontados com o eminente acidente nuclear em algumas das centrais nucleares espalhadas pelo território nipónico. Acredito que os responsáveis técnicos e políticos estarão em pânico perante os cenários horrendos e as consequências catastróficas possíveis decorrentes deste acidente. Para além de todos os riscos e problemas associados à implantação e existência destes complexos, parece-me razoável reflectir sobre a opção por este tipo de fonte de energia. Sempre que se debate acerca da existência ou não de energia nuclear em Portugal, deveriamos ponderar também estes cenários. Com outras fontes de tanto potencial energético, mais limpas e mais seguras, ainda bem que não existe energia nuclear em Portugal.
Segunda, é uma vergonha aquilo que temos assistido nas estradas nacionais, com os bloqueios dos camionistas. Podemos até estar de acordo com os seus problemas e com as suas reivindicações, mas não podemos tolerar que haja terrorismo nas nossas estradas. As notícias que nos chegam de piquetes de camionistas que intimidam e ofendem colegas de profissão que não têm a mesma opinião, não são possíveis num estado de direito. Esta intolerância e este radicalismo, para além de não serem dignos de uma democracia, revelam bem as bestas que são e confirmam a atitude estereotipada e ignorante que reina nos volantes dos pesados portugueses.

13 março 2011

estado: ansioso

Num dia por defeito calmo e propício aos vagares da vida, estou ansioso. A verdade é que esta contagem decrescente, principalmente nestes últimos dias, tem sido um martírio. O tédio ocupacional potência a ansiedade. Querer que o tempo avance célere, mas ele, teimoso, resiste e prossegue o seu ritmo a vinte e quatro horas por dia. Mesmo sendo um Domingo, por mais que me tente abstrair de certos e determinados pensamentos, não consigo. São fortes e mantêm-se latentes o tempo todo.

12 março 2011

manifestação no porto

...afinal, são muitas as gerações à rasca...