18 agosto 2011

a coluna do paladino

Escreveu a história que Paiva Couceiro foi um dos mais combativos monárquicos durante os primeiros anos da república portuguesa. Ao ler a sua biografia escrita por Vasco Pulido Valente conheci com detalhe as suas fantasiosas tentativas de restabelecer a monarquia em Portugal. Foi a partir da Galiza que Paiva Couceiro planeou e organizou as suas incursões no país, sempre acreditando que, mais importante do que a força, seria a sua presença quem iria chamar para o movimento as populações e os poderes entretanto estabelecidos e, assim, derrubar a república. Para além disso, Couceiro acreditava no mito da sua invencibilidade e daí surge a ideia de paladino. Foi na noite de 3 de Outubro de 1911 que o seu exército, com pouco mais de mil homens, quase desarmados, famintos, mal vestidos e mal calçados, partiu à conquista de Portugal. Depois de alguma deriva, perdidos e enganados, marcharam durante vinte horas. Couceiro hesitou entre seguir para Bragança ou para Vinhais, mas ao receber informações falsas de que Bragança teria sido reforçada, decidiu investir sobre Vinhais. Apesar de se temer um confronto em Vinhais, tal não sucedeu porque o capitão das forças republicanas estacionadas – 68 homens de infantaria e 10 de cavalaria - previamente avisado da eminente chegada da coluna de Couceiro retirou para uma aldeia próxima. A entrada da coluna monárquica foi triunfal e eufórica, recebida com entusiasmo pela população, rapidamente Couceiro proclamou a monarquia em Vinhais, hasteando a bandeira monárquica no edifício da Câmara Municipal. A Vinhais acorreram muitas pessoas das aldeias vizinhas, chamadas pelo sucesso da “reconquista” monárquica. Paiva Couceiro consciente da delicada situação reuniu os seus oficiais, anunciando que sem verdadeiros soldados, sem armas e sem munições não se poderia resistir a uma investida republicana, manifestou a opinião que a coluna deveria retroceder para perto da fronteira. Assim se fez na madrugada de 6 de Outubro, deixando Vinhais entregue aos populares entusiastas da causa monárquica que, desorganizados e desarmados, tiveram por missão defender a bandeira monárquica hasteada na Câmara Municipal. Como não podia deixar de ser, os republicanos rapidamente, no mesmo dia, reconquistaram a vila de Vinhais.
Estes são os factos históricos de há cem anos que pude conhecer na leitura da referida biografia e que me permitiram contextualizar algumas das histórias documentadas pelos populares e que ainda hoje se contam na região. Um desses momentos diz respeito a antepassados meus. Reza a história que quando as forças de Paiva Couceiro chegaram e tomaram Vinhais para a monarquia, muitos populares de toda a região confluíram para essa vila. Alguns por iniciativa própria, mas grande parte deles instrumentalizados e influenciados pelos representantes locais da igreja católica. Também de Vila Boa partiram vários indivíduos armados de roçadouras e varapaus. Dois desses homens foram os meus bisavôs, o “tio” Graciano, meu bisavô materno (avô paterno de minha mãe) e o “tio” José António Pires, meu bisavô paterno (avô materno do meu pai) e conhecido por Tio Capador. Quando Paiva Couceiro decidiu retirar de Vinhais, deixou a vila entregue a esse conjunto de homens voluntariosos da monarquia. No mesmo dia, 6 de Outubro de 1911, o capitão republicano Rodolfo de São Ventura Andrade e as suas tropas regressaram a Vinhais e quando se depararam com os populares, estes manifestaram vontade de resistir. A chefiar um conjunto desses populares estava o meu bisavô Capador que quando ouviu o capitão republicano dar a ordem: “- Armar baionetas!” Gritou para os seus homens: “- Desarmar cacetes!” E desataram a correr para todos os lados, tentando fugir ao fogo republicano. Escusado será dizer que facilmente o capitão restabeleceu a ordem republicana e os valentes e ingénuos monárquicos locais foram perseguidos e detidos. Esse meu bisavô também esteve detido uns dias em Vinhais e conta-se que quando o questionavam acerca dessa sua condição, ele confiante dizia: “- Não há problema para um homem, pois quer na prisão, quer na igreja, todos temos uma tábua. É o bastante”.

16 agosto 2011

Anna Karénina

Terminei recentemente a leitura deste clássico da literatura russa (e mundial) do século XIX. Esteve na mesa-de-cabeceira muito tempo à espera e foi leitura nocturna obrigatória durante cerca de quatro meses. Lev Tolstoi, o gigante Leão, como ficou conhecido, através do seu génio retrata-nos a Rússia da segunda metade do século XIX. A História inicia-se em Fevereiro de 1872 e termina em Julho de 1876. A narrativa que dura quatro anos, desenrola-se entre Moscovo e S. Petersburgo e conta-nos a vida de quatro casas de grandes famílias. São protagonistas: Dolli e Stepan Arkaditch, Kitti e Levin, Vronski e Anna, Aleksei Aleksándrovitch. Para além da escrita, aprecio o seu estilo habitual de narrativa lenta e muito descritiva e depois de Guerra e Paz, A morte de Ivan Ilitch e, agora, Anna Karénina, em breve regressarei ao gigante russo. Agora é tempo de conhecer outro clássico, A Peregrinação de Fernão Mendes Pinto.

15 agosto 2011

dr. schweppes

Filho de uma família de classe média baixa do Oregon, estado do Pacífico, o Shawn é professor de Antropologia na Universidade de Louisville, no estado de Kentucky e tem uma paixão do tamanho da sua vida por Portugal e, em particular, pelo norte do país. Conhece melhor o país e os portugueses, a sua história, os artistas e suas obras, melhor que a maioria de nós. Desde 1992 tem visitado todo o país e tem feito trabalho de campo, desde então, em Covas do Douro, no concelho de Sabrosa, onde é carinhosamente tratado por Jonas. Shawn reconhece que nunca imaginou vir a ser antropólogo nem ser reconhecido enquanto tal. A propósito das suas origens, diz que nada apontava para que viesse a ser um estudioso e intelectual e que até poderia ser muito rico, mas nasceu no lado pobre da família. É que os seus antepassados maternos são a família Schweppes, nome que ele ainda transporta e que terão chegado aos EUA na segunda metade do século XIX. Curiosidades…

psicologia canina

O Sábiu era um cão rafeiro de média estatura e pelo castanho claro. Viveu entre as décadas de oitenta e noventa de mil e novecentos na aldeia de Vila Boa. Temperamental ladrava a todos e a tudo que mexia, parecendo mesmo que só não ladrava ao próprio dono. Vivia no largo da Portela e passava parte dos seus dias nos degraus da escadaria de casa. Também gostava de acompanhar o dono nas suas tarefas e deslocações pelos campos e montes, mas era junto de sua casa que ele demonstrava todo o seu carácter. Sempre que sentia um carro aproximar-se vindo da Igreja, do Casal, do Nubledo ou do Cerdeiro, ele desatava a correr e a ladrar atrás desses carros até que eles desapareciam do largo. Depois vendo que os carros se afastavam, calava-se e regressava triunfante e calmamente aos seus degraus. Se por acaso outro carro se aproximava, novamente ele investia sobre essa viatura até ela desaparecer. A explicação do dono para esse comportamento obsessivo era a questão territorial, pois o Sábiu sempre pensou que os carros fugiam dele e do seu ladrar. O seu esforço era sempre recompensado pela renovação ou reforço do seu domínio sobre o seu território. Cada perseguição implicava também uma marcação urinária numa qualquer esquina desse território. Sábiu era também um animal muito obediente a seu dono e sempre que este queria que ele ficasse quieto, bastava passar-lhe qualquer objecto (um baraço, uma palha) pelo pescoço que ele, de imediato, ficava imóvel sentindo-se preso. Curioso.

13 agosto 2011

roupa nova...

o regresso

Inicialmente previsto para o dia 8, 2ª feira, o regresso ao Porto foi antecipado para o dia anterior pois, tendo em conta aquilo que conseguimos fazer e visitar, para além do cansaço, os objectivos deste empreendimento estavam plenamente alcançados. Depois de um farto e "americanizado" breakfeast que incluiu alheira de Vinhais, presunto, chamuças do hipermercado e pão de trigo, saímos de Vila Boa. O percurso estava traçado: Pedra Bolideira, Castelo de Monforte, e cidade de Chaves, almoço em Vila Real com director da faculdade de história e Política e, depois de almoço, Lamego, Tarouca, Ponte de Ucanha, e casa de José Leite Vasconcelos (grande, grande...), mosteiro de Salzelas e, depois, regresso ao Porto através da Régua, Mesão Frio e Amarante. Conseguimos visitar todos os lugares que pretendíamos. Chegamos ao Porto já bem perto das vinte horas. Depois de uma semana a empanturrarmo-nos com a excelência das carnes e fumeiros transmontanos, foi com elevado prazer que nos sentámos à beira-mar a saborear uma sopa de peixe e um arroz de marisco. Fim de trabalho de campo. Agora, reunir documentação e bibliografia para começar a escrever. Projecto em construção... Afinal, prevê-se um projecto de longa duração que poderá mesmo alcançar as duas décadas de investigação. Veremos. Por fim, dizer que foi um prazer conhecer (melhor) e trabalhar com o grande, enorme antropólogo Shawn Parkhust.
(Valadares, 7 de Agosto de 2011)

12 agosto 2011

o couto de ervedosa

Foi à hora de almoço, num restaurante em Vinhais, que se falou das minas da Ervedosa como um lugar muito interessante para visitar. A conversa tida com o nosso informador casual versava a guerra civil espanhola e como Vinhais foi um porto de abrigo para muitos "vermelhos" (comunistas) e ponto de passagem para muitos fascistas que fugiam para a América do Sul. Pelos vistos, ainda hoje são muitos os episódios e as histórias desse período que sobreviveram na memória das gentes deste concelho raiano. Durante o almoço foi com muita atenção e avidez que ouvimos contar como Vinhais e alguns dos seus habitantes foram protagonistas nesse enredo terrível da guerra civil em Espanha. Uma dessas histórias está directamente relacionada com as minas de Ervedosa e seus donos. Contaram-nos mais ou menos isto:
Naquele tempo os "vermelhos" fugiam para Portugal e escondiam-se das autoridades nos montes, nas fragas e nos buracos e minas que encontravam, tendo o apoio das populações locais para os alimentarem e avisarem dos perigos. É que a GNR tinha ordens superiores para perseguir e executar todos os indivíduos que fossem capturados. Pelos vistos no termo de Nuzedo de Baixo existe um lugar recôndito e de difícil acesso que lhe chamam as fragas amarelas, onde estariam escondidos alguns espanhóis. O Tenente do posto da GNR de Vinhais, tendo tido ouvido rumores dessa presença e porque sabia da extrema dificuldade de verificar o terreno, pediu ao sócio-gerente das minas que o levasse no seu pequeno avião para um patrulhamento aéreo e confirmar a presença de qualquer espanhol. Dizem que Carlos Lindly, sócio e então gerente da empresa, concordou. Tinha comprado um pequeno avião a um indivíduo a quem o avião saíra numa rifa do Jornal O Século e que não sabendo pilotar quis vender o avião. Carlos Lindly também não tinha licença para voar, não tinha muitas horas de voo e aprendera a pilotar sozinho, através de um manual de pilotagem. Dizem também que o Tenente da GNR era um homem grande e pesado e que quando tentaram levantar voo, a pista foi pequena e o avião não conseguiu evitar o choque com uma árvore, despenhando-se e provocando a morte aos dois ocupantes. O corpo de Carlos Lindly foi sepultado em frente à sua casa de então, bem sobranceira ao complexo das minas e à aldeia de Nuzedo de Baixo. Consta também que a morte deste sócio terá sido o início do fim das minas...
Esta e outras histórias foram o suficiente para nos fazer ir à Ervedosa e à descoberta do complexo mineiro, agora em ruínas e devorado pela vegetação. Lugar impressionante, sombrio e, ao mesmo tempo, belo. Um mundo passado, impregnado de vestígios de vidas difíceis e miseráveis. Soube que em tempos um arqueólogo com responsabilidade concelhia propôs e apresentou um projecto para a preservação e musealização deste complexo industrial, mas a Câmara Municipal de Vinhais não acolheu tal iniciativa. É pena.
(Vila Boa, 6 de Agosto de 2011)
Deixo aqui dois links para imagens desta mina, que aconselho verem sem som...
http://www.youtube.com/watch?v=t2qbSUqEfkM
http://www.youtube.com/watch?v=YX4vb9m94Dg&NR=1

em Trás-os-Montes não se chamam assim...

... são Romeiros.

11 agosto 2011

it's better...

lorga de dine

Lacuna grave no meu conhecimento regional, a visita à Lorga e aos Fornos de Cal em Dine. Sabia que havia uma senhora responsável e zeladora desses locais e, curiosamente, fui directamente ao encontro dela. Estranhamente nada desconfiada pela minha abordagem, falou, falou e falou. Abriu e guiou a visita ao núcleo interpretativo da Lorga. Referiu-se aos achados arqueológicos e às suas datações com tal desembaraço, falando do Paleolítico e do Neolítico, do período Calcolítico e da Idade do Ferro e do Bronze, como eu não falo aos meus alunos. Quis saber quem éramos e de onde vínhamos. Disse-lhe que era de Vila Boa e ela logo exclamou: "- Da terra do Lexinho!"
Depois, procurando logo encontrar pontos de contacto e de proximidade, disse que a minha cara não lhe era estranha, ao que o Shawn respondeu mostrando-lhe um dos meus livros que ela tinha lá em escaparate e à venda. Surpreendida, quis saber mais sobre mim e eu, aproveitando esse interesse e a sua disponibilidade, depressa comecei a fazer trabalho de campo em relação à questão das nomeadas. Uma vez mais, surpreendida pelo assunto, disse-me que nunca tinha pensado no assunto, mas lá foi debitando algumas das nomeadas da sua aldeia e das aldeias vizinhas. Aproveitei para a questionar sobre a toponímia de Dine e ela, afirmativa, disse conhecer todo o termo da aldeia pelo nome. Combinei com ela regressar depois do dia 15 de Agosto para conversarmos acerca disso.
Depois disto, lá fomos visitar a Lorga, agora fechada por causa do vandalismo e dos possíveis furtos e os Fornos de Cal, em bom estado de conservação. A indústria artesanal tradicional em revelação. Muito interessante.
(Vila Boa, 5 de Agosto de 2011)

coisas de um outro mundo

Na capital de Moçambique, Maputo, e por precisar de tratar de assuntos muito importantes, Jim dirige-se à embaixada de um país vizinho para tentar falar com o próprio embaixador. Na recepção é recebido por um funcionário que, depois de querer saber o motivo para tal reunião, amavelmente lhe indica a escadaria para o quarto andar desse mesmo edifício. Jim calmamente sobe pelas escadas até esse piso e aguarda que alguém se lhe dirija. Pouco tempo depois é recebido pelo embaixador, que naquele caso era o mesmo indivíduo que o acabara de receber na recepção e que, entretanto, subira por um elevador de serviço, vestira um melhor blaser e se apresentou então como embaixador. Jim não queria, mas teve que acreditar.

10 agosto 2011

portagem

A beleza de uma portagem à moda antiga. Ponte de Ucanha, terra de José Leite de Vasconcelos.

instante urbano XV

Almoço combinado com personagem de relevo na cena académica nacional e até internacional. O estilo do próprio e de sua companheira, pelos trajes e trejeitos, causam estranheza. Sempre educados e cordiais recebem-nos no seu lar. Falam em inglês, o que por vezes me dificulta a comunicação, mas não dou parte fraca. Indicam o restaurante apropriado para almoçarmos e saimos. A mulher, estranha mulher esta, enquanto fala vai mastigando cigarros atrás de cigarros, que ela própria prepara e enrola. O almoço, gostoso, demorado e bem disposto, passa-se a recordar histórias e estórias de uns e outros. A mulher interrompe o seu almoço por duas ou três vezes para ir mastigar cigarros. Regressamos a casa deles para os deixarmos. Ao entrar no pátio da habitação, a mulher que mastiga cigarros e segue à nossa frente, vira-se para trás e atira para o chão da rua dois pacotes de tabaco vazios que trazia nos bolsos. Sorrindo diz que não está a poluir, mas sim a reciclar. Para incómodo e espanto meu, os outros riem da atitude. Não são de cá, são daquela Europa civilizada do norte que nos trata por PIGS...

09 agosto 2011

as crianças não, mas os adultos...

estrada nacional 206

Um impulso do Shawn perante o topónimo levou-nos de Rebordelo até à Bouça e daí até à Torre de Dona Chama. Mal nos afastámos do cruzamento da Bouça, determinadas memórias de há vinte, trinta ou até mais anos invadiram-me o cérebro e, assim, não pude deixar de viajar no tempo e recordar aquela recta, a outra curva, a velha e estreita ponte de pedra e a sombra fresca onde tantas vezes parei para demonstrar e minha indisposição momentânea.
Relembro as dezenas, provavelmente centenas de viagens entre Gaia e Vila Boa e Vila Boa e Gaia, utilizando sempre e sempre a nacional 206, estrada que liga a Póvoa de Varzim às imediações da cidade de Bragança, mais concretamente à Mosca, onde entronca na nacional 15. Dessas mesmas viagens recordo com especial nostalgia aquelas que fazia na época de Natal - e agora ao escrever os olhos humedecem... - apenas com o meu pai, deixando em Gaia ou Delães a restante familia, sendo que o meu irmão Daniel ficava sempre num pranto por não o deixarem viajar também. Épicas essas viagens, em que eu viajava no banco da frente e tudo, o que para um miúdo de dez ou doze anos era uma promoção à condição adulta. Mas aquilo que mais gostava dessas longas viagens de cerca de cinco horas, era poder questionar o meu pai acerca dos locais por onde iríamos passar - e a seguir que terra é?
O percurso entre a Torre de Dona Chama e Vila Boa era sempre muito ansiado, pois utilizando o relógio, em prata, de bolso que o meu pai usava sempre no bolso direito das calças, para controlar, eu questionava-o acerca do tempo que demoraríamos até à próxima aldeia, e depois até à seguinte e assim sucessivamente até chegarmos ao destino. Curioso, e grandioso para uma criança como eu era, como o meu pai acertava sempre, ao minuto, essas distâncias o que me deixava extremamente satisfeito e orgulhoso da velocidade a que o meu pai percorria, na sua R12, aquelas distâncias.
Depois de tantos anos sem ter circulado por essa estrada nacional, cheguei à conclusão ou ao entendimento que um dia, talvez num futuro próximo, irei revisitar todos esses lugares da minha memória, levando agora comigo as minhas crianças que experimentarão assim a verdadeira dimensão de uma viagem nacional, sem recorrer a esses túneis da velocidade que nos fazem chegar a todo o lado mais depressa e nos impedem de conhecer o país. Assim farei.
(Vila Boa, 4 de Agosto de 2011)

08 agosto 2011

antropologia

o inferno ou ladrão

Ao passar pela aldeia de Agrochão fomos visitar o Museu Etnográfico. Instalado na antiga casa paroquial, reúne um conjunto de alfaias associadas ao ciclo do pão, ao ciclo da lã, assim como outras relacionadas com a tracção animal. A guia do museu, jovem simpática e prestável, foi-nos mostrar o lagar de azeite, localizado num outro edifício na espectacular rua do vale. Aqui explicou-nos o processo tradicional do ciclo do azeite. Ficamos a saber que uma das últimas etapas desse ciclo implicava a utilização do "Inferno" ou "Ladrão", recipiente em pedra para onde escorria o azeite depois da separação da água. Acontece que o lagareiro (dono do lagar) quando fazia o transvaze do azeite desse recipiente para os vazilhames dos produtores, ficava sempre com uma determinada quantidade de azeite no fundo desse recipiente. Daí ser conhecido por "Inferno ou Ladrão", pois todos sabiam que seria aí que poderiam ser roubados e/ou a sua produção prejudicada. Era uma percentagem de maquia extra, desonesta e não negociada. Metáforas populares.
(Vila Boa, 3 de Agosto de 2011)

Báu da Memória V

Esta almofada tem, certamente, a minha idade. Reencontrei-a recentemente em casa dos meus pais, aliás onde sempre esteve, e todo um conjunto de memórias infantis me ocorreram. Não queria exagerar, mas lembro-me de ver o meu irmão Daniel, enquanto bebé, deitado nesta almofada... A sua qualidade, concerteza, permitir-lhe-á sobreviver-nos.

05 agosto 2011

a porta do parque

Pareceu-me aconselhável, num primeiro dia dedicado ao território do Parque Natural de Montesinho (PNM), iniciar o percurso visitando a sede do PNM em Vinhais para, de alguma forma, contextualizar a ida para o seu território. Foi a primeira vez que visitei tais instalações e, apesar de ter conhecido o espaço anteriormente, ainda em reínas, e de reconhecer a necessidade e importância da requalificação do imóvel, aquilo que foi projectado e construído em termos programáticos (temas e conteúdos) é muito fraco. Não sei de quem é a responsabilidade, se da Câmara Municipal de Vinhais ou do Instituto da Conservação da Natureza (ICN), mas fiquei preocupado com o mais que aparente subaproveitamento daquele espaço e com a miserável qualidade dos conteúdos apresentados. Felizmente a visita in loco realizada imediatamente a seguir ao PNM e as surpreendentes descobertas a cada curva topográfica do seu relevo, retirou-me do espírito a desqualificação da meta-línguagem utilizada pelos serviços.
(Vila Boa, 2 de Agosto de 2011)

a viagem

Com destino último Vila Boa, o dia passou-se pendurado num Toyota, pelos desvios do ainda IP4. Para atenuar as dores da alma e alegrar o estômago, uma prolongada paragem em Sabrosa para, numa "quinta" amiga, saborear uma alegre churrascada. Daí nasceu o compromisso de trabalho para os próximos dois anos, incluindo participações no Congresso de Sociologia Rural, em Lisboa no Verão de 2012 e publicação conjunta para finais de 2013. Finalmente, já tarde, chegamos ao pretendido destino.
(Vila Boa, dia 1 de Agosto de 2011)

30 julho 2011

nas vésperas de agosto...

Penso que para muita gente, e para mim também, o início do mês de Agosto é um marco no calendário anual, talvez porque ainda sou (seremos!?...) um emigrante a viver permanentemente num país de emigrantes. Existem onze meses no ano e depois há o mês de Agosto - talvez esta ideia traduza um pouco melhor aquilo que sinto...
Quando se aproxima mais um Agosto e termina, a grande velocidade, o mês de Julho, mês cumprido, mês em que, felizmente, não fez assim tanto calor como é habitual, mês em que lí muito mas não escrevi aquilo que precisava, queria e deveria, ainda haverá tempo para, amanhã dia 31, participar na gravação de DVD da Orquestra Juvenil de Bremen que actuará na Casa do Música. Depois, no dia 1, parto para oito dias de trabalho de campo em terras do Douro e de Trás-os-Montes com o amigo e colega Shawn Parkust da Universidade de Louisville (EUA), num projecto que abordará questões relacionadas com a posse e uso das propriedades no último século, numa abordagem transdisciplinar (antropologia, geografia, história e talvez psicologia). Partimos com o propósito de procurar respostas para as seguintes perguntas: Como é que os movimentos de populações para as cidades, e das cidades para o campo, têm influenciado posse e uso dos terrenos? Qual o papel das estruturas locais, regionais e (até) nacionais e internacionais nessas lógicas e dinâmicas? Qual o papel dos imaginários individuais e sociais? Qual o papel da economia política? Qual o papel da biologia, da topografia? Qual o papel da gastronomia? Enfim, enquanto antropológos será nossa responsabilidade tentar interceptar factos históricos e traduzi-los para outras linguagens, mais humanas e mais geográficas (localizadas). O norte de Portugal será sempre, sem dúvida, um terreno fecundo e de etnografias inesgotáveis. Procurarei também aqui ir dando nota daquilo que iremos conhecer durante estes próximos dias.
Depois disto, regresso ao Porto para uns dias de casa e depois, lá para meados de Agosto, regresso com a familia ao centro do meu mundo para descanso de três semanas inteiras. Inshallah.

28 julho 2011

solilóquio

Houve tempos em que as notícias nos informavam e nos surpreendiam. Eram notícias. Agora e por mais que procure, nas rádios nas televisões e nos jornais, não consigo encontrar notícias. Tudo aquilo que nos é dado ou vendido vem já com cheiro a velho e sabor a requentado. Fico com a nítida sensação de que nada de novo acontece e de que já sabia, sempre. Sei que não sou o único...

26 julho 2011

Aquisições avulsas...

- Torres, Eduardo Sintra (2011), A Televisão e o Serviço Público, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Gomes, Conceição (2011), Os Atrasos da Justiça, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Mónica, Maria Filomena (2011), A Morte, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Bourdieu, Pierre (2011), O Poder Simbólico, Lisboa, Edições 70;
- Molder, Maria Filomena (2011), O Químico e o Alquimista, Lisboa, Relógio D'Água Editores;
- Almeida, Onésimo Teotónio(2011), Onésimo Português sem Filtro, Lisboa, Clube do Autor;
- Morais, Cristiano (2006), Por Terras de Ansiães - vol.I, Carrazeda de Ansiães, Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães;

universal e tendencialmente gratuita...

Acredito num Serviço Nacional de Saúde (SNS) com qualidade, meios e recursos à disposição da população e de todos aqueles que contribuem com os seus impostos. E acredito que esse SNS deve ser sustentado pelos impostos dos portugueses, sendo aí realizada a distinção entre aqueles que mais ganham e mais impostos pagam e aqueles que menos ganham e, por isso, menos impostos pagam. O acesso à saúde não deveria implicar o pagamento de qualquer taxa. Por outro lado, penso que os medicamentos deveriam estar salvaguardados dos interesses dos mercados e obedecer apenas à real necessidade prescritiva e da patologia em causa. Defendo, portanto, a possibilidade de prescrição de unidoses e a possibilidade de as farmácias poderem trocar os princípios activos das prescrições médicas por genéricos, assim como a reutilização dos medicamentos. Sempre, claro, com o propósito de proteger e garantir que os indivíduos com maiores dificuldades financeiras não deixem de ser medicados e, assim impossibilitados de se tratarem.
Pois bem, na última madrugada fui a correr para os serviços de urgência com o meu rebento que ardia a quase 40 graus de febre. Para além de ter sido logo atendido e visto por uma equipa médica, ter realizado exames ao sangue e à urina, ter tomado 1 Ben-u-ron e ter usufruído do equipamento e instalações, não paguei qualquer taxa ou valor pelo serviço prestado - o que considero correcto e o ideal. Depois, com o correcto diagnóstico foi feita a respectiva prescrição medicamentosa, o que me levou a uma farmácia de serviço. Aí, fui imediatamente atendido, a partir do exterior, por uma simpática senhora que pelo aspecto eu acabara de acordar. Para além de me aviar a receita, ainda se disponibilizou para preparar a solução. Por fim, pediu-me 17 cêntimos pelo medicamento. Fiquei atrapalhado, pois não tinha 17 cêntimos para pagar e tive que utilizar o cartão multibanco. Não houve qualquer problema e assim, já com os primeiros raios de luz matinal, regressámos a casa. Aquele valor incomodou-me, pois não me parece razoável pagar 17 cêntimos ou algo parecido por qualquer medicamento. Este é o retrato das enormes desigualdades e injustiças no acesso à saúde em Portugal. Bem gostava que nem fosse preciso pagar qualquer valor por qualquer medicamento, mas inaceitável é que possa existir tamanha diferença entre os preços de medicamentos. Seria muito mais justo, socialmente, um nivelamento dos preços, que de forma generalizada baixassem os preços dos medicamentos. Disse.

22 julho 2011

bom conselheiro...

Para entrar em contacto com o mundo exterior, certas pessoas apenas compram um jornal todas as manhãs. Não sou tão ingénuo. Sei que nos jornais só encontrarei uma leitura do mundo feita por terceiros, ou então por uma máquina anónima especializada em seleccionar, entre a poeira infinita de eventos, aqueles que podem cair na malha da "notícia". Outros, para fugir da palavra escrita, ligam a televisão. Mas sei que todas as imagens, mesmo as das reportagens ao vivo, pertencem ao discurso construído, à semelhança daquele dos jornais. Por isso, não compre o jornal, não ligue a televisão, apenas saia e dê uma volta. Ítalo Calvino

19 julho 2011

nova plantação, ainda que em co-autoria

Hoje tive conhecimento da edição deste livro para o qual também contribuí. Foi já em 2008 que participei no I Congresso Internacional de Estudos Interculturais, organizado pelo Centro de Estudos Interculturais (CEI) do ISCAP no Porto. Na altura foi-me garantido que os textos apresentados seriam publicados em Português e Inglês. Segundo sei, infelizmente, o meu artigo "A cultura como tradução: exercícios etnográficos em diálogo", escrito a três mãos, apenas foi incluído na versão portuguesa. Apesar de tudo, só hoje fui informado da situação e só agora encontrei a capa do livro, pois até à data ainda não me enviaram nenhum exemplar - entretanto já reclamei junto do CEI e aguardo resposta. Fica o registo e o caminho para a apresentação da publicação e loja online.

18 julho 2011

relatos de uma viagem

primeira parte
Olá, hoje eu e a minha família fomos à serra da estrela, mesmo no ponto mais alto. As estradas eram estreitas e as montanhas onde nos passámos eram íngremes e muito altas, eu e a minha mãe gritávamos porque tínhamos medo da estrada. Passamos por muitas aldeias, almoçamos numa aldeia que ficava num vale (Manteigas). Demos a volta completa a serra, depois chegamos a cidade de Covilhã, onde íamos apanhar uma estrada que fazia ligação a Unhais da serra. No hotel H2O vestimos os nossos fatos de banho e fomos para as piscinas. Fomos jantar ou restaurante do hotel, e depois cá estou eu a escrever este pequeno testo na cama.
segunda parte
As minhas ferias na serra da estrela já acabaram, que pena estava a ser tão divertido! Estou de viagem para o Porto para a minha linda casinha, estou atrapalha porque hoje o meu avô faz anos e tenho uma festa na minha escola de despedida não sei como resolver porque não posso faltar aos anos do meu avô e também não posso faltar a festa. Depois logo se vê mas vai ser uma decisão difícil!

17 julho 2011

da cruzada...

... no Jornal Público de há uns dias atrás.

11 julho 2011

instante urbano XIV

Tarde dedicada a acompanhar a criança ao cinema. Tal como tem acontecido nas últimas vezes, eu já não preciso entrar na sala com ela, pois felizmente ela já se emancipou nesse aspecto (afinal, ela tem já quase dez anos... dez!!!). Esta nova circunstância é-me mais favorável, uma vez que para além de não ter que ir assistir a filmes de animação, que por defeito não me atraem e não ter que gastar o valor do respectivo bilhete, permite-me transformar esse tempo em tempo útil para algum trabalho.
Sentado, num lugar fronteiriço à porta do cinema, vou controlando quem por perto se vai instalando. Duas mesas à minha frente e virada para mim, está uma mulher que, diria eu, terá entre os quarenta e os cinquenta anos. Está sozinha e vai lendo algo que as costas dos bancos que nos separam me impedem ver. Nestes últimos, sei lá, vinte minutos esteve entretida, ou melhor, esteve ocupada a decorar a cara. Todos os pormenores foram minuciosamente revistos num pequeno espelho que transporta numa pequena bolsa (talvez num necessaire, como agora lhe chamam...). Pintou os olhos e retocou as pestanas, pintou os lábios e catou com uma pinça dois ou três pelos do buço, borratou as maçãs em tons de laranja e, depois disto tudo, ficou a contemplar-se longamente no reduzido espelho. Pareceu-me satisfeita com a resposta obtida... Que beleza encontraria ela nesse reflexo? Pois claro, é preciso estar bonita para o que vier. E veio. Passados alguns minutos, um senhor abeirou-se, os seus rostos tocaram-se por duas vezes e saíram.

03 julho 2011

Árvore da Vida

Hoje, Domingo, terá sido o primeiro dia de verdadeiro descanso nestas últimas semanas. Sem ter o que fazer e sem saber com que me ocupar, decidi ir ao cinema. Tinha ouvido falar deste filme de Terrence Malick, aclamado por várias realizações, das quais conhecia "A Barreira Invisível" e não tendo mais nenhuma referência em relação ao que actualmente está em cartaz, lá fui ver o filme. Com um elenco reduzido e onde sobressaem os nomes de Brad Pitt e de Sean Penn, fiquei preso à beleza exótica da actriz Jessica Chastain. «"A Árvore da Vida" reflecte sobre a origem do universo e de como a tragédia da vida de um ser humano pode ser tão diminuta quando vista a uma escala global. » Apesar de ter percebido a sua mensagem central, achei-o aborrecido e demasiado longo. Não gostei nada das longas cenas de negros e de efeitos especiais que, supostamente, retratam a origem do universo. Também me parece que terá sido pensado e produzido ao jeito das nomeações de Hollywood. Pouco aconselhável.

LER para as férias...

02 julho 2011

quarenta anos...

a idade de um mito.

serviço público em escrita...

O bem que a escrita de Onésimo me faz - pagar-lhe será lê-lo (adaptado), nas horas e dias que se seguem.

01 julho 2011

30 junho 2011

sobressaltos do dia de hoje...

Primeiro:
Tinha-me deitado às seis e meia da manhã, depois de uma noite inteira a corrigir trabalhos das criancinhas, por volta das oito e qualquer coisa acordo com um grande estrondo mesmo ao lado da cama. Eram os trabalhadores que mesmo ao lado da minha janela, martelavam na parede. Não queria acreditar, mas eles também não tinham culpa e por isso, em vez de resmungar, fugi para a outra extremidade da casa e estirapei-me no sofá, onde o som se sentia menos...
Segundo:
Ainda não seriam dez da manhã quando me toca, pela primeira vez hoje, o telemóvel. Era um número desconhecido da rede 93. Do outro lado, uma voz jovem feminina que logo se identificou e eu reconheci como de uma jornalista que trabalha em Bragança. Tratando-me por tu, perguntou-me se estava a dormir. Eu, clareando a voz, disse que não. Queria saber se eu tinha alguma responsabilidade pela campanha nocturna realizada na cidade de Bragança que se traduziu na colocação de cartazes a dizer "Vende-se" nas fachadas do Tribunal, dos CTT, da CGD, e de outras instituições públicas. Eu sem sequer saber o que se passava, disse-lhe que não. Ela insistiu, querendo confirmar a minha ignorância do facto. Eu para atalhar a comunicação disse-lhe que iria procurar informações e que depois a informaria...
Terceiro:
Já no final do dia sou informado, via TV, que o nosso Primeiro Ministro vai-nos taxar o 14º mês de 2011 em 50% para compensar os desvios da execução orçamental e encaixar cerca de 800 milhões de euros. A agenda escondida do PSD começa a revelar-se e, tal como já se antevia, serão os mesmos portugueses a pagar a factura, ao mesmo tempo que os mesmos empresários, bancos e grandes empresas, são isentadas de contribuirem neste esforço nacional... que bom para eles.

28 junho 2011

jeirinhas

Nasceu em 1933 na vila de Vimioso no seio de uma família de lavradores. Filho de pai sapateiro e porque a vida era difícil, já rapazote emigra com o resto da família para o Brasil. Por lá se fez homem e casou. Em 2003 e depois de mais de cinquenta anos a trabalhar em comércios de S. Paulo, regressou para Portugal e para Bragança, onde sempre manteve uma casa.
Conheci-o nessa altura e tornamo-nos amigos. Com ele partilhei alguns bons momentos e também algumas discussões azedas. O jeirinhas, assim o tratava, ficou preso a um presente de um passado bem longínquo e nunca conviveu bem com a realidade dos dias de hoje. Era um saudosista de Salazar e do modo de vida associado à terra, da qual, curiosamente, ele próprio fugiu.
Neste momento final, recordo vários episódios daquilo que com ele partilhei, como aquele dia em que havendo um jogo de futebol na televisão ele me convidou para ir a casa dele para assistir ao jogo com ele. Como estava calor resolvi ir comprar uma garrafa de Gin e um pack de Água Tónica para bebermos durante o jogo. Ele não conhecia a bebida e, então, lá estive a preparar dois Gin-Tónicos bem gelados e com bastante limão. Ele, muito desconfiado, lá provou o Gin, mas logo fez cara feia e se arrepiou todo, dizendo: "- Caralho, mas que merda é esta, que até leva o Diabo de tão amarga?" - pois claro, o Jeirinhas gostava era de tudo bem docinho e não quis beber aquilo... Diabético de longa data, os olhos caím-lhe por doces e bolos; chegava a colocar a fruta ao sol para amadurecer mais depressa, para ficar mais quente e para ser mais doce.
O Jeirinhas gostava muito de rir e será essa a recordação que vou guardar dele, a de um amigo que nos queria sempre em sua casa a comer e a beber e, depois, sempre que possível, a rir de boca cheia. Até sempre amigo.

em portugal tem erro...

26 junho 2011

inutilizado magalhães

Até poderia já ter escrito este texto há algum tempo, mas preferi aguardar pelo final do ano lectivo para o fazer. Quando foi lançado o projecto nacional e.escolinhas, materializado através da distribuição de computadores Magalhães por todos os alunos do primeiro ciclo do ensino básico, fui um dos que achei muito interessante a ideia e a intensão do ministério, tendo mesmo chegado a escrever sobre isso. A minha filha mais velha foi uma das primeiras contempladas com um desses computadores... estava ela no início do 2º período e nós no início de 2009. Paguei a módica quantia de 50 euros pelo equipamento. A miúda gostou muito do novo brinquedo e utilizou-o muito nos primeiros meses, em casa para brincar e navegar na internet. Nunca até ao final deste ano lectivo, em que ela terminou o 4º ano do ensino básico, os seus professores lhe solicitaram que levasse o portátil para a sala de aulas e jamais foi utilizado para qualquer actividade lectiva ou não-lectiva na escola ou em casa. Foi, portanto, um projecto falhado e sem qualquer utilidade pedagógica e que mais não terá servido do que para a propaganda do então governo e para satisfazer algumas clientelas empresariais. Sobrou cá em casa um net-pc sem qualquer utilidade, que mesmo a criança já não usa, pois não satisfaz as suas necessidades. Guardado está à espera que o mais novo, um dia, reclame o seu próprio computador. Apesar de tudo, foi um bom investimento familiar.

24 junho 2011

dialéctica via sms

aluna - Olá Professor, sou uma aluna de farmácia. Gostaria de saber o que é para fazer na actividade do diário de bordo, nós temos de fazer alguma crítica ao texto?
professor - Têm que fazer uma leitura crítica e o exercício...
aluna - Mas o que entende por leitura crítica?

22 junho 2011

ideia bonita em arte...

"Torre de Babel" da artista Marta Minujin, instalação em Buenos Aires coberta com 30 mil livros escritos em diversas línguas e dialectos. Bonito.

21 junho 2011

presentes que são sempre saborosos...


...agradecido.

trabalho de campo

Nestes três primeiros dias desta semana tenho cerca de setenta alunos a realizar trabalho de campo no concelho de Vila Nova de Gaia e eu tenho-os acompanhado. São sempre dias difíceis e cansativos, mas são igualmente dias alegres. No meio de toda a agitação e de todo o stress do trânsito, dou comigo a reviver velhos tempos de trabalho na domp. Permanentemente ao telefone e tentando encontrar os alunos em cada esquina de lugares desconhecidos, labirinticos e confusos... hoje uma tarefa bem mais simplificada pelo auxílio da tecnologia do GPS - ela própria uma excelente ferramenta para o trabalho de campo antropológico - não posso deixar de admitir que gosto dessas sensações e de todo esse ambiente. Realmente fazer trabalho de campo (sempre antropológico) é bom; poder ensinar os métodos, as técnicas e as ferramentas que nos podem equipar para o terreno é excelente; poder levar jovens alunos, acabados de sair do "infantário" e mostrar-lhes a praxis é do melhor. Mesmo.

16 junho 2011

discurso do medo

Da reflexão que tenho feito acerca do resultado das eleições legislativas de 5 de Junho, sobressai a ideia de que quem ganhou foi o discurso do medo. Para além de todas as leituras partidárias que já foram produzidas e de todas as leituras políticas que estão ainda a ser manifestadas, irei aqui reflectir em "voz alta" acerca da representações sociais e simbólicas desse discurso medroso (sim, também merdoso...).
Pressupostos:
a) Parte considerável da população portuguesa vive directa ou inderectamente dependente do Estado e suas participações, sejam funcionários públicos, pensionistas e reformados, estudantes, forças armadas, etc.;
b) Os dados tornados públicos relativos ao endividamento dos portugueses e das famílias portuguesas, demonstram uma forte apetência para comprarem dinheiro e se endividarem por períodos consideráveis;
c) O crédito mal parado tem vindo a crescer nos últimos anos, demonstrando a falta de capacidade (vontade) dos portugueses para cumprirem os seus compromissos;
d) Mesmo num péssimo contexto económico, muitos portugueses teimam em endividar-se para adquirirem tudo e o mais insignificante;
Tendo como aceitáveis e verosímeis estes pressupostos relativos à caracterização da sociedade portuguesa, e recordando os diferentes discursos produzidos pelos diferentes partidos, parece-me mais do que lógico e evidente que os portugueses, enquanto eleitores, aderiram rapidamente ao discurso daqueles que garantiram que, pelo menos a curto prazo, não iria faltar o dinheiro para as suas pensões e ordenados. Saber quem vai pagar os juros e que juros se vão pagar, não interessa aos portugueses, pois estão já habituados a pagar juros até para comer e vestir e, também, estão já habituados a pedir dinheiro e a não pagá-lo. Considero que é uma atitude mais do que legítima e que os partidos vencedores souberam aproveitar essa pressão, real ou não, mas que acabou por espelhar as necessidades imediatas dos portugueses, logo, tornou-se proveitosa eleitoralmente. Aqueles que teimaram em enfatizar a questão dos juros agiotas e a ocupação ilegítima das instâncias estrangeiras, foram totalmente derrotados.
Por fim, afirmar a minha total discordância pela centralidade e importância concedida à economia e à finança. Nestes últimos meses, anos, nada existe para além dessas duas grandes ciências exactas - grande ironia... "exactas". Erradamente a dimensão humanista desapareceu da praxis político-partidária. A política e os partidos foram colonizados por tais especialistas e depois, quando a coisa corre mal, é o medo. Medricas.

13 junho 2011

a tempestade perfeita

Não sou nada dado a estas questões da macro-economia e da macro-finança, mas hoje, enquanto viajava no meu carro, ouvi na rádio que o "guru" da economia mundial, Nouriel Roubini, professor da Universidade de Nova Iorque e que foi um dos poucos a prever a crise financeira de 2007-2009, defende que estão criadas as condições para termos a tempestade perfeita em 2013. Isto claro, referindo-se à bancarrota do sistema financeiro e económico actual. Roubini diz que não acredita que os planos dos Estados para salvarem os sistemas bancários resolva a situação, pois esses planos são delineados pelos banqueiros e gestores desses mesmos bancos e segundo os seus interesses muito particulares e os dos seus accionistas. Assim, não adianta os Estados injectarem dinheiro sem fim no sistema bancário, pois ele não vai servir para mais nada a não ser para recompensar os prejuízos de apenas alguns. Primeiro, defende o professor, seria necessário sanear as administrações dos bancos, responsabilizá-las e puni-las. Estaremos então a viver a maior recessão económica das nossas vidas e as soluções apresentadas só virão agravar ainda mais a situação de cada Estado e de cada contribuinte. Em causa estará o fim do próprio paradigma capitalista. Se assim será ou não, não sei, nem estou habilitado para o vir a saber. Custa-me saber que isso possa ser verdade e os nossos governantes em vez de arrepiarem caminho, preferem caminhar para o centro da tempestade. É pena.

12 junho 2011

devir histórico

Olho para as nossas crianças e revejo-nos a todos, há cinco, há dez, há vinte e até mais anos atrás. Quem nesse tempo diria o que haveria de vir? Que alegria termos todos chegado até aqui. Muitos poderão dizer que é a vida e que nada de novo, que apenas estaremos a cumprir o nosso devir... Verdade, mas isso, o que já me foi permitido viver, reflecte-se agora naqueles que conseguimos conceber. O que resta, não sei, nem sequer consigo alcançar o que poderemos ainda conviver e partilhar. Sei que vos quero continuar a sentir bem perto de mim: poder falar-vos, poder tocar-vos. E sempre sem pressa, continuemos.

sem mudar nada...

09 junho 2011

solilóquio

Muito provavelmente não entenderão estas palavras, mas garanto que nos próximos dias poderão percebê-las: Não sei que fado é este do BE com os seus independentes!?... Já são casos a mais... e nenhum deles resulta... será legitimo perguntar porquê.

08 junho 2011

educação ou a falta dela...

Não vou escrever sobre Antropologia, mas vou referir-me à sala de aulas. Desde 1999 que frequento, ainda que intermitentemente ou a espaços, o ambiente de sala de aulas e, portanto, estou bem ambientado com as diferenças geracionais, naquilo que diz respeito às atitudes e aos modos. Que os alunos me tratem por "stôr" eu posso tolerar, pois afinal são miúdos que ainda agora saíram do Secundário, mas aquilo que me tem custado e muito, é o facto de esses mesmos alunos entrarem e saírem da sala de aulas sem pronunciarem uma única palavra ao seu professor. Claro que há uma ou outra excepção.
Bem sei que com o "formato Bolonha" tornou-se facultativa a assistência às aulas teóricas, mas esta atitude nada tem a ver com Bolonha, é pura e simplesmente uma questão de educação. Mas onde é que eu conseguia entrar e sair de uma sala de aulas sem pedir licença ou pedir para sair!?... Não quero sequer imaginar que os meus filhos possam um dia assim fazer...
Curiosidade e que reforça este meu sentimento, foi a consideração de uma aluna, que num exercício de observação - sobre o facto ou elemento mais estranho observado no intervalo - referiu a atitude do professor, que ao chegar a uma porta, abriu-a e deixou passar todas as alunas à sua frente... Disse ela que achou estranho, pois não está habituada a esse tipo de comportamento (!?).
É, na verdade, uma questão de educação ou da falta dela...

07 junho 2011

dialécticas

As agora denominadas unidades curriculares, que eram no meu tempo reconhecidas como cadeiras ou disciplinas, que lecciono são fortemente constituídas por conceitos e matérias antropológicas, tanto nas aulas teóricas como nas aulas práticas (trabalho de campo), o que faz com que me sinta motivado e entusiasmado para cada uma das aulas, que me entusiasme na conversação e na apresentação dos variados assuntos. No entanto, do ponto de vista dos meus interlocutores, que da Antropologia praticamente nunca ouviram relato, o que mais querem e gostam é distância. E vê-los ali à minha frente a ouvirem-me, cada expressão facial deles é um vazio de desencontro de interesses. Percebo nas suas expressões a estranheza perante alguém que se apresenta como antropocoiso e que fala, entusiasmado, sobre assuntos que jamais eles vão querer saber ou sequer conhecer. A verdade é que me sinto bem, confortável e elogiado perante esse incomodo deles.

este mês mais tarde do que o habitual...

03 junho 2011

declaração de voto

Sendo o último dia em que nos é permitido manifestar o nosso sentido de voto, aqui fica a declaração antecipada ao voto: Vou votar em João Semedo, Catarina Martins e José Soeiro. Para eleger os três, no mínimo.

ideias soltas a propósito da campanha eleitoral

Desde o momento que se soube a data destas eleições legislativas que eu disse que era uma péssima altura para acontecerem. Sei lá, algo me dizia que não era bom irmos para eleições nesta altura. Enfim, aconteceu e agora chegamos ao último dia de campanha. Se correu bem ou não, dependerá sempre da perspectiva, mas em termos gerais, não me parece que tenha sido sequer uma campanha esclarecedora. Falou-se de tudo e não se falou de nada. Pareceu-me um delírio colectivo dos partidos e, principalmente, da comunicação social que insistiu em transmitir momentos de autêntico vazio informativo, reforçando assim, a importância desse devaneio dos principais partidos e seus líderes. Falar das sondagens e dos números apresentados ao longo destes dias é também falar de um estado alterado de consciência, pois não me parece que no dia 5 o resultado das eleições sequer se aproxime de muitas das previsões. Pensar que o PS possa ganhar as eleições é delírio, pensar que o CDS possa chegar aos 15 % ou mais é delírio, pensar que o BE possa ter 4 % ou menos é delírio. O PSD vai ganhar confortavelmente e vai formar governo. Pena tenho que leve consigo o CDS e Paulo Portas, que não fez mais do que andar de pés em bico o tempo todo, dizendo que é sério, é trabalhador e que, acima de tudo, os portugueses devem premiar o mérito. O que é isso do mérito em política!? O que fez ele de meritório a não ser ter contribuido para estarmos como estamos?
Entretanto, as sondagens dão ao meu espaço político não mais de 6 a 7 %. Parece-me pouco, muito pouco. Por outro lado, e não tendo eu praticamente participado na campanha, aquilo que fui apreciando foi um partido sem ânimo, sem grande vivacidade, tão característico em momentos anteriores. Parecem-me derrotados à partida e isso é mau, muito mau. Espero estar enganado, muito enganado, mas temo muito o resultado da noite de Domingo. Gostaria aqui de dizer que espero e conto com um reforço da votação e da representação no parlamento, mas não acredito nisso, nem me parece razoável dizê-lo. Veremos. Foram umas eleições tristes e pouco saudáveis, bem sintomáticas do estado actual da nossa sociedade.

01 junho 2011

prémio príncipe das astúrias das letras

O prémio Príncipe das Astúrias das letras em 2011 foi atribuido ao grande e universal poeta Leonard Cohen, que se estreou em 1956 com o livro "Let us compare mythologies". Muito bem escolhido.

30 maio 2011

cidadãos soberanos

Uma noite destas, enquanto preparava aulas, tendo a TV ligada na SICN, pude assistir ao programa 60 minutos da CBS. Uma das reportagens era sobre os "Cidadãos Soberanos" Americanos e eu, não tendo qualquer referência sobre o assunto, fiquei curioso. Afinal o que são esses cidadãos soberanos? Pelo que pude compreender, são indivíduos que se consideram tão ou mais soberanos do que o Estado e seus representantes, ou seja, consideram-se no direito e no dever de andar armados e não respeitar as instituições do Estado, não pagam impostos, nem respeitam os políticos eleitos democraticamente. Aliás, um dos seus objectivos é abater a classe política. Sem qualquer tipo de organização militante, têm lideranças carismáticas por todo o país. Têm programas de rádio, páginas e blogues na internet por onde divulgam e difundem o seu ideário. Fiquei impressionadíssimo com a frieza e a gravidade com que alguns dos líderes entrevistados defendem suas ideias. Fiquei assustado só com a ideia da sua existência. Mesmo sabendo que os EUA são uma sociedade heterogénea e cheia de contrastes e contradições, não posso deixar de manifestar o meu desassossego e inquietação pelo perigo que representam para a nossa civilização estes radicalismos ou anarquismos. Eu que até tolero alguma agitação social, alguma resistência social perante o Estado e seus representantes, como forma de manifestação e, de alguma forma, equilibrio de poder sobre o Estado e suas instituições, não posso deixar de repudiar tais comportamentos e de manifestar o desprezo por tal ignomínia.

27 maio 2011

da feira do livro do porto e de dias anteriores...

- Pinto, Fernão Mendes (2001), Peregrinação (1º volume), Lisboa, Relógio D'Água;
- Pinto, Fernão Mendes (2001), Peregrinação (2º volume), Lisboa, Relógio D'Água;
- Magalhães, Pedro (2011), Sondagens, Eleições e Opinião Pública, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Rensch, Bernhard (1965), Homo Sapiens de animal a semideus, Lisboa, Editorial Presença;
- Trabant, Jürgen (1976), Elementos de Semiótica, Lisboa, Editorial Presença;
- Groethuysen, Bernard (1988), Antropologia Filosófica, Lisboa, Editorial Presença;
- Pitta e Cunha, Tiago (2011), Portugal e o Mar, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Sousa, Luís de (2011), Corrupção, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Marques, Sibila (2011), Discriminação da Terceira Idade, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Bento, Vítor (2011), Economia, Moral e Política, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Fiolhais, Carlos (2011), A Ciência em Portugal, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;  

azeiteiro do futebol

É ele, todo ele transpira azeiteirice.
Esperei pelo final da época futebolística para escrever estas palavras. Bem sabem que não costumo, aqui, dedicar qualquer atenção às coisas da bola. Aliás, não me recordo sequer de o ter feito... Mas faço-o agora também porque não considero que aquilo a que me proponho, se trate propriamente de bola. Quero sim falar desse expoente máximo do futebolês da nossa praça.
Jorge Jesus foi campeão nacional com o Benfica na época anterior (2009/10) e desde então não deixou, a cada oportunidade que teve, de passear e demonstrar a sua condição e o seu carácter, que para já me abstenho de qualificar. Sempre que o vejo e ouço, não me consigo afastar da memória de uma famosa entrevista que deu a um canal de televisão, antes do início desta época, onde afirmava que não duvidava que seria novamente campeão nacional, que iria lutar pela vitória na Liga dos Campeões e que não acreditava na juventude de um tal de André Villasboas. Pois bem.
Sempre considerei que o mundo do futebol era constituído por gente pouco qualificada, ou dito de outra forma, sempre achei que o futebol era um mundo centrífogo para a iliteracia, para a ignorância e para o analfabetismo e, salvo raras excepções, o estereótipo do futeboleiro nacional é mesmo esse. Por outro lado, nunca gostei do futebol enquanto objecto de grande cientificidade, nem dos doutos oportunistas que, percebendo os défices reflexivos, verborreiam toda a pseudo-parafernália acerca disto e daquilo. O futebol é, assim, paixão, irracionalidade, abstracção e desqualificação e, nesta ordem de ideias, consigo enquadrar, consigo perceber o lugar de Jorge Jesus nesse universo.
Quando o vejo, em plena acção - nos treinos e nos jogos, nas conferências de impensa e nas entrevistas rápidas a mascar pastilha-elástica de boca aberta, como se não houvesse amanhã; ou quando o vejo com despeito acenar aos adversários com os dedos no ar, indicando o número de golos marcados por sua equipa, consigo entender de que massa é feita esse "grande estratega da bola"; consigo perceber o nível e a elevação do seu carácter. Sempre que o ouço, pergunto-me: não haverá ninguém da sua confiança ou relação que o aconselhe a falar menos e a utilizar apenas o vocabulário rudimentar que conhece e a não se aventurar por étimos, expressões e construções frásicas por ele jamais experimentadas!? É que chega a dar pena...
Por favor, há instituições próprias e especializadas em qualificar adultos, por exemplo as Novas Oportunidades, onde aliás, ele já está inserido, numa iniciativa de Luís Filipe Vieira para a próxima época... veremos. Na verdade, o que penso é que este futeboleiro nunca imaginou que um dia poderia ser um treinador campeão nacional. No dia em que, por artes mágicas, isso aconteceu, pensou-se no topo do mundo. Desde aí, esse mesmo mundo encarregou-se de lhe fugir e ele, incrédulo, nem sequer percebeu o que lhe sucedia.
Desconfio, e digo-o com apreensão, que ele ainda será treinador do Futebol Clube do Porto e, portanto, talvez seja melhor não abusar nas adjectivações. Mas que é o tipo azeiteiro da bola, lá isso é.

26 maio 2011

a importância do fogo

Inserido no programa de Antropossociologia, hoje foi dia de falar na evolução da espécie humana e das suas grandes fases. Nesse contexto levei para a aula este filme de 1981, que retrata o encontro civilizacional entre algumas das espécies que fazem parte da nossa árvore genealógica, nomeadamente o Australopitecus, o Homo Habilis e o Homo Erectus. Experimentando um ambiente muito competitivo carregado de brutalidade pela sobrevivência, o filme procura demonstrar a importância do fogo e do seu domínio para a sobrevivência dos indivíduos e dos grupos. Apesar das reservas, os alunos reagiram bem e quiseram ficar até ao fim...

alegria

já aí está...

Desde hoje até 12 de Junho, diariamente na Avenida dos Aliados, no Porto. Eu vou lá.

solilóquio

E agora, quem sou eu!?
E depois, o que me espera!?
...alguém se importa!?

21 maio 2011

mamíferos ou turbo-administradores

Referindo-se a um relatório produzido e divulgado pela CMVM, Francisco Louçã alerta para aquilo que é a realidade das administrações das maiores empresas portuguesas. Então não é que há vinte indivíduos - mamíferos para Eduardo Pitta e turbo-administradores para Francisco Louçã, que estão colocados nas administrações de 1000 empresas, o que dá, em média, a cada um deles cerca de 50 cargos. Um deles tem 62 nomeações e aquele que mais rendimentos tem, recebe anualmente cerca de dois milhões e meio de euros (2.500.000,00€). Tal como refere o lider bloquista, assim é fácil perceber para onde vai o nosso dinheiro, porque temos dívina, porque não cresce a nossa economia, porque há tanto desemprego... Eles são gente conhecida na praça, da televisão e da imprensa, onde regularmente botam faladura, ainda por cima douta faladura, acerca de economia. Que bem.

revolução espanhola

Impressionantes as imagens chegadas da vizinha Espanha. Inspirados pela manifestação portuguesa de 12 de Março de 2011, os espanhóis saíram para as ruas, ocupando as principais praças de muitas cidades do país, protestando pacificamente contra quem os governa e contra a imposição de uma realidade social e económica para a qual em nada contribuiram e pela qual não devem nem querem ser responsabilizados. Mesmo em periodo eleitoral e sabendo das restrições legais, milhares e milhares de cidadãos ocuparam o espaço público e garantem ficar...
Ao alto, fotografia da Praça Porta do Sol em Madrid, roubada daqui.

de pedras fez terra

A construção da auto-estrada número quatro entre Matosinhos e Bragança finalmente entrou em velocidade de cruzeiro e no percurso do actual IP4 são já visíveis e sentidas as enormes intervenções na paisagem. Nalguns pontos a futura auto-estrada vai-se sobrepor ao actual traçado do IP4, o que tem prejudicado a normal circulação neste último, tornando-o um percurso particularmente perigoso. Nestas últimas semanas o trânsito tem mesmo sido desviado para a estrada nacional 15 em vários pontos, e adivinha-se que com o avançar da obra o mesmo venha a acontecer em mais locais.
Foi precisamente esse incomodo de ter que desviar para a nacional que me permitiu passar, ao ritmo do intenso tráfego, pela localidade Jerusálem do Romeu, situada entre Mirandela e Macedo de Cavaleiros. O curioso nome desta localidade tem origem na Ordem do Hospital de São João de Jerusálem, mais tarde transformada em Ordem de Malta, que tinha uma dependência no Romeu ainda na idade média.
Sei que um dia já lá tinha passado, mas não recordava nada desse lugar. Foi com alguma surpresa que admirei a qualidade do casario que ladeia a estrada nacional, foi com curiosidade que pude contemplar alguns edifícios históricos dessa localidade e descobrir o nome de Clemente Meneres, que logo percebi ter sido alguém com bastante importância local. A verdade é que "o Romeu", tal como é conhecida, com nó de acesso e visivel do IP4, é um local muito conhecido, principalmente pelo restaurante Maria Rita, que tem fama de servir um excelente bacalhau e que, segundo consta, terá sido onde o tal Clemente Meneres, comerciante das terras da Feira (Santa Maria da Feira) se hospedou quando visitou pela primeira vez o Romeu em 1874.
Segundo pude investigar, Clemente Meneres interessou-se por este local e aqui viu oportunidades de negócio, o que o levou a investir fortemente, transformando este pequeno lugar num grande e importante centro de produção agrícola. Ainda hoje são famosos, nacional e internacionalmente, o azeite e o vinho do Romeu. Para além da relação de negócios que este empresário estabeleceu por estas paragens, foi também o seu grande benemérito, tendo investido dinheiro seu na requalificação da aldeia - casas, arruamentos e canalização de água, construiu uma escola e uma casa do povo com posto médico e salão, entre outros melhoramentos. Foi também Clemente Meneres o grande responsável pela passagem e paragem (estação) da linha do Tua no Romeu. Concerteza, por interesse muito próprio, mas que sem dúvida acabou por também beneficiar a restante comunidade. Ainda hoje, a população do Romeu não esquece o seu trabalho e a sua dedicação. Ainda com forte presença local, a família mantém o negócio, é proprietária do restaurante Maria Rita e disponibiliza um espaço museológico dedicado a Clemente Meneres e às suas actividades. Será sempre um local de visita obrigatória e ao qual eu, muito em breve quero regressar, com calma e conhecer com pormenor a bonita localidade.
(Estas fotografias foram tiradas numa destas últimas viagens entre o Porto e Bragança, aproveitando os momentâneos alívios da circulação automóvel. Estes edíficios, pareceram-me abandonados)

19 maio 2011

novas rotinas

Desde hoje e durante os próximos meses é por estes corredores do Campus Universitário da Escola Superior de Saúde do Instituto Piaget em Gulpilhares que me vão poder encontrar. Quer dizer, nestes corredores não será fácil, mas tentem nos auditórios e salas xl, daquelas que suportam mais de cem alunos. É que à vez serão sempre cerca de cento e dez alunos, ainda por cima, recém-chegados ao ensino superior e, à vez, durante quatro horas seguidas.

17 maio 2011

cambalhota epistemológica pessoal

A noite de ontem foi, passando a redundância, particularmente singular. Depois de uma viagem de ida e volta tardia entre o Porto e Bragança, para compromissos políticos e autárquicos, o sobressalto das insónias do mais que pequeno que temos em casa, obrigou-me a vigília pela madrugada dentro, praticamente até ser novo dia e começar a ouvir as aves que habitam nas redondezas nos seus afazeres madrugadores. Escusado será dizer que a manhã do dia de hoje não iria existir e dela nada recordaria, pois pretendia acumular mais algumas horas de sono. Às tantas e quando já estava bem adormecido, o telemóvel toca e desperta-me. Tento perceber quem me liga, mas o número não é reconhecivel. Faço um esforço por estar desperto, recomponho a voz e atendo. Do outro lado, uma voz feminina, objectiva e simpática, pergunta-me se estarei interessado e disponível para leccionar, em substituição, uma unidade curricular de vários cursos da Escola Superior de Saúde Jean Piaget em Gulpilhares. Muito surpreendido, mas tentando não deixar transparecer essa surpresa, disponho-me a reunir "urgentemente" com a direcção da escola, na tarde de hoje, logo depois do almoço. Ok. Combinado, avancei eu. Por já não ser propriamente um iniciado destas andanças, não criei demasiadas expectativas, e fui à reunião, imaginando que seria um de entre vários candidatos ao lugar. Reuni com a directora da escola e outra colega, que logo me apresentaram a unidade curricular em questão e a urgência desta substituição. Quiseram saber da minha disponibilidade para começar, sei lá, hoje... ok, combinado, disse eu. Pronto. Começo no próximo dia 19, depois de amanhã, com uma turma de 60 alunos e durante 4, repito, 4 horas de aula. Ok, combinado, tremi eu. Entretanto, trouxe dois sacos cheios de bibliografia da biblioteca da escola, um dossier do anterior professor e um programa para reconstruir até 5ª feira, ok, combinado, angustiado eu. Agora adeus, vou rezar, quer dizer, vou trabalhar. Sou assim e durante algum tempo, professor de Antropossociologia e de Trabalho de Campo Antropológico.

programa novas oportunidades

Regressando ao PSD e ao seu projecto de governo e de programa, foi com um sentimento ambivalente que ouvi Pedro Passos Coelho bradar contra o Programa Nacional Novas Oportunidades, afirmando que "foi uma mega produção que mais não fez do que estar a atribuir um crédito e uma credenciação à ignorância e isso não serve a ninguém". A contundência destas palavras, independentemente da sua veracidade, não são razoáveis e manifestam desde logo um enorme desrespeito por todos os homens e todas as mulheres que encontraram neste programa a única e derradeira forma de atestar as suas competências para a vida, ou seja, conseguiram assim certificar a sua experiência de vida. Além disso, o próprio nome indica a oportunidade que a escola deve sempre dar a todos e isso parece-me muito positivo, que deve ser mantido e promovido. Portanto, este ataque a este programa em concreto não será mais do que um passo numa estratégia de esvaziamento total do ensino público e, acima de tudo, todo ele transpira a um determinante e persistente “racismo intelectual” (Bourdieu), no qual se defende a escola como espaço de exclusão, ou também uma escola e um ensino para alguns e outra escola, assistencialista, para os mais necessitados.
Por outro lado, e por muito que me custe a reconhecê-lo, não posso deixar de encontrar algum sentido nessas mesmas palavras, pois sabemos bem o investimento brutal do Estado, dispendido em recursos financeiros e humanos, se comparado com o vazio programático e o fraco grau de exigência e de esforço solicitado aos alunos. Ainda por cima, e apesar disso, permitindo a equiparação aos níveis escolares do ensino básico e secundário os seus alunos, colocando-os assim às portas das universidades. Tal como alguém, com responsabilidades na avaliação externa desse programa, a propósito me confidenciava, o problema é que as directivas centrais sempre foram no sentido de alcançar determinados objectivos quantitativos em detrimento da exigência qualitativa dos seus conteúdos, e por isso, reduziram-se a números aqueles que participaram e participam nesse programa.
Enfim, a crítica que pode ser feita ao programa será a da ligeireza e da simplicidade com que os seus alunos conseguem alcançar os objectivos e as competências solicitadas. Essa mesma crítica parece-me fazer algum sentido também em relação às políticas que têm vindo a ser implementadas pelas sucessivas equipas governativas. Mais do que um espaço de socialização, a escola deveria continuar a se o espaço, por excelência, da aprendizagem e do ensino.

também tu BES!?...

No próprio dia em que a União Europeia e o EuroGrupo aprovaram os montantes e as condições do empréstimo de resgate a Portugal, assim como se ficou a saber que a primeira tranche desse empréstimo, no valor de cerca de 18 mil milhões de euros, chegará no final de Maio, o Banco Espírito Santo (BES) anuncia que solicitou ao Banco de Portugal a concessão de uma garantia do Estado Português para um financiamento através da emissão de obrigações não subordinadas de até 1,25 mil milhões de euros. Mais informou que irá realizar, no próximo dia 9 de Junho, uma Assembleia-Geral extraordinária de accionista para alterar os seus estatutos de forma a poder accionar a garantia estatal. Assim, também o BES poderá nacionalizar os seus prejuízos, transformando-se rapidamente num novo BPP ou BNP, sem que ninguém se manifeste, exigindo ao Estado, que é como quem diz, a todos nós, o pagamento desse mesmo prejuízo. Espectacular a forma como alguns encartados ganham dinheiro…

sem cultura...

Com a apresentação pública do programa eleitoral do PSD ficámos a saber algumas das ideias e projectos que este líder e sua equipa pretendem implementar em Portugal. Uma das medidas propostas foi a de um governo reduzido a 10 ministérios, o que em teoria me parece bem. O problema é quando Pedro Passos Coelho começa por dizer, tentando exemplicar essa redução drástica de Ministros e Secretários de Estado, que o Ministério da Cultura perderia o seu estatuto e passaria a Secretaria de Estado. Só podia. A cultura é sempre o “elo mais fraco” numa cadeia de interesses e de lógicas nacionais. De resto, e apesar de nem sempre ter merecido uma pasta e um ministro, a verdade é que foi sempre considerada o território das excentricidades, das futilidades e dos devaneios de uma elite cosmopolita e letrada. Igualmente entendida como um instrumento de domesticação ou de controlo daqueles que no discurso, na produção artística e na comunicação, se apresentassem desalinhados ou indiferentes ao mainstream vigente ou pretendido. A visão provinciana de todos os actores políticos com responsabilidade de governação impediu que algum dia houvesse uma verdadeira política para a cultura e para as artes em Portugal. A intervenção do Estado nunca foi pedagógica nem sensível à educação das sucessivas gerações de indivíduos enquanto receptores e consumidores de cultura, sustendo o seu âmbito na distribuição de apoios a instituições e autores que, à míngua de verbas e de sustento, viveram párias do parco apoio estatal. Assim, nunca poderá haver emancipação nem verdadeira produção cultural em Portugal. Mais, a particularidade desta proposta do PSD em fazer depender do próprio primeiro-ministro a secretaria de estado da cultura, espelha bem a tacanhez e o provincianismo de quem se julga preparado para nos governar.

14 maio 2011

senso comum

Em larga medida entendido como mera verdade das coisas que se aprende naturalmente e casualmente durante a vida, o senso comum é uma construção cultural, impragnada de valores, crenças e juízos, díspares e difusos, com conexões vagas numa rede que liga todos os membros de um determinado grupo que vive em comunidade. Apesar de se relacionar mais com a forma como se lida com um mundo onde determinados factos acontecem, do que com o mero reconhecimento de que eles acontecem, o senso comum é informado e formado pela pertença à comunidade. O senso comum não é uma faculdade extraordinária ou ditosa, mas sim uma disposição mental ou espiritual que difere de lugar para lugar, adoptando, no entanto, uma forma local bem característica. Quando nos pronunciamos com senso significa que o fizemos com critério, inteligência, discernimento e reflexão prévia, algo que, muito sincera e definitivamente, não se tem verificado naqueles que, diariamente, nos entopem e nos estragam os sentidos com as suas inolvidáveis opiniões.

09 maio 2011

o tempo da luta toda

Decorreu neste fim-de-semana, dias 7 e 8 de Maio, a 7ª Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, em Lisboa. Tal como tem acontecido desde a 4ª Convenção que aconteceu em 2005, também participei neste encontro nacional, momento maior do nosso movimento. A realização desta convenção, obrigatória estatutariamente, acontece de dois em dois anos e é nela que são eleitos os orgãos nacionais - Mesa Nacional e Comissão de Direitos - e a moção estratégica para o próximo período de dois anos. Tal como acontece desde a fundação do BE, foi a moção A intitulada "Juntar forças pelo emprego e contra a bancarrota", cujo primeiro subscritor é Francisco Louçã, quem venceu esmagadoramente e foi a lista encabeçada pelo Coordenador do Bloco quem venceu as leições para os órgãos nacionais.
A minha participação aconteceu enquanto delegado pelo distrito de Bragança, onde desempenho actividade política. Neste último biénio (2009-2011) fiz parte da Mesa Nacional para a qual fui eleito na 6ª Convenção e, também, da Comissão Nacional Autárquica. Foram duas experiências distintas, mas ambas muito interessantes e motivantes, onde pude aprender bastante: A Mesa Nacional, sendo o órgão dirigente e responsável máximo entre convenções, é onde se pode perceber o pulsar orgânico do dia-a-dia partidário e conhecer o pragmatismo da política real; A Comissão Nacional Autárquica, não sendo uma comissão eleita, mas sim nomeada, todos os activistas do BE podem participar e colaborar nesta comissão. Neste caso e tendo em conta os meus interesses pessoais e enquanto autarca eleito pelo Bloco de Esquerda, fiz questão de pertencer a esta comissão e colaborei activamente. Foi, aliás, onde me senti mais envolvido e mais necessário.
Entretanto, e regressando à 7ª Convenção, pude testemunhar, uma vez mais, a pluraridade e a diversidade que desde sempre senti e que bem caracteriza o movimento-partido que é o BE. Pude também testemunhar a vontade e a força do movimento em contrariar tudo aquilo que tem vindo a ser noticiado, tudo aquilo que tem vindo a ser agoirado e sondado em relação ao futuro do movimento. Também, no que diz respeito à democracia interna e, ao contrário daquilo que as outras moções dizem, o BE prima pela diferença e ninguém é impedido de manifestar a sua opinião. Mesmo aqueles que teimam nessa acusação, nem sequer percebem que só o podem fazer porque de facto há democracia, porque pertencem ao BE e não a qualquer outro partido. A própria democracia interna se tem responsabilizado por afirmar, por larga maioria, a força desta direcção política.
Eu, enquanto subscritor e apoiante da moção A, fiquei bastante satisfeito com os resultados desta convenção. Fiquei igualmente agradado por ter percebido, e uma vez mais, contrariando todo o mainstream mediático e opinativo nacional, que o Bloco se apresenta nestas eleições com um programa e com um elenco bem capazes de serem uma alternativa válida e credível para governar. Ao contrário de muitos e tal como alguns outros, sou daqueles que defendem que o BE não deve fugir, não deve recear a governação. Não deve recear, igualmente, experimentar entendimentos e coligações. Aqui, claro que apenas terá cabimento e eficácia quando for possivel tal acontecer, pelo menos, com o PS.
Se queremos ganhar base social para crescermos e para nos impormos na sociedade portuguesa, a governação, a boa governação é a ferramenta própria para alcançar tal objectivo. Claro que sei e estou consciente das dificuldades contextuais, mas as eleições acontecerão apenas no dia 5 de Junho e até lá "é sempre a subir".
Fui eleito, uma vez mais, para a Mesa Nacional.

(dois momentos captados pela Paulete Matos, roubados daqui)

vai uma aposta!?

Hoje são notícia as palavras do Presidente do Tribunal de Contas, nas quais Guilherme d'Oliveira Martins relembra aos portugueses que as verbas que virão para Portugal, no pacote de resgate financeiro serão geridas em Portugal e pelos portugueses e que estes deverão ser informados do destino que vier a ser dado a esse dinheiro. Disse também que “Não podemos gastar menos do que devemos nem mais do que temos” e que o grande objectivo da sua instituição é garantir a prestação dessas contas, na medida em que “o importante é que as contas públicas vão ser geridas em Portugal e o Tribunal de Contas tudo vai fazer nesse sentido”. Acredito na boa vontade, na seriedade e na competência do actual Presidente do Tribunal de Contas, mas desconfio que o provincialismo que tem governado a nação nestes últimos trinta e sete anos, uma vez mais vai fazer as "coisas", leia-se contas, à sua maneira. Aliás, se sempre nos governaram mal, porque é que agora haveríamos de confiar que algo iria ser diferente. A verdade é que são os mesmos de sempre quem se prepara para "botar" as mãos aos milhões de euros que aí vêem. Já esfregam as mãos de contentes e salivam de ansiedade. Querem uma aposta que no final disto tudo, nada do que realmente importa estará ou será melhor, o dinheiro vai-se gastar sem ninguém saber onde e que nesse tempo voltaremos a ter que pedir ajuda a alguém!?.. Eu aposto.

onde gosto sempre de regressar...

No passado dia 5 de Maio e a convite da organização, participei na Feira do Livro da Escola EB Básica e Secundária D. Afonso III em Vinhais, onde conversei com vários grupos de jovens acerca das coisas da Antropologia, da Etnografia, da identidade e da minha experiência enquanto autor. Muito bem recebido. Estarei sempre disponível para esta simpática gente.