13 outubro 2011

a luta...

Ou nós ou eles! Agora é de vez!

declaração de guerra

Ainda em estado de recobro depois do anúncio de Orçamento de Estado para 2012, venho aqui manifestar a minha indignação. Aquilo que Passos Coelho fez foi declarar guerra aos portugueses e em particular a mim e à minha família. Como tal e ofendido que estou, informo que passarei a um outro estado de existência, que se traduzirá numa radicalização de discurso e de comportamento. Desde logo, começarei por participar no próximo dia 15 no protesto nacional e internacional, esperando sempre que também aí se possa radicalizar a resposta à provocação de quem nos governa. Depois, deixarei de contribuir activamente para o bem colectivo, abandonando a atitude consumista e deixando de pagar todos os impostos que puder não pagar. E mais, mas preciso de tempo para reflectir e planear a minha guerrilha. Foda-se.

A minha primeira compra na loja do iTunes



Muito bom este último álbum de P J Harvey. Boa compra.

movimentos nostálgicos

Senti acrescida dificuldade para escolher o título daquilo que agora escrevo e só depois de abundante hesitação o fiz. Para dizer a verdade não sei muito bem como exprimir aquilo que pretendo transmitir. Não sei se será das cambalhotas, pinos e piruetas climatéricas, se será da crise económica e social, se será da depressão colectiva para onde nos empurraram, ou se de um receio mais profundo (consciente ou inconsciente) de que não haverá futuro, mas sinto-me rodeado de iniciativas recordatórias e celebrações ao passado. Não percebo muito bem a simultaneidade das várias iniciativas... serão apenas coincidências ou haverá algo maior e inatingível a alavancar tais movimentos!? Sei que não me sinto atraído por grande parte dessas iniciativas (para além dos revivalismos, fazem-me sempre lembrar os encontros e confraternizações dos combatentes do ultramar...), pois esses pretéritos, alguns dos quais também são meus, lá estão, ninguém os reclamará. Para o presente pude/consegui trazer alguns pedaços desses passados, que se materializam e celebram na convivência com alguns daqueles e algumas daquelas que estiveram lá. Assim é e é suficiente. Consciente nostálgico também sou (chegaram até a chamar-me "romântico") e assim sendo, permito-me, de quando em vez, procurar e reviver partes desses tempos idos. Assim será, com grande espectativa e alguma ansiedade, nos próximos dias.

09 outubro 2011

madeira

Hoje é o dia em que os madeirenses estão a escolher um novo governo regional e isto num ambiente social, político e económico muito tenso. O meu sentimento é de total indiferença perante os resultados mais do que previsíveis e que dentro de alguns minutos serão conhecidos. Nada mudará no dia de amanhã, mas também sei que nada será como até hoje. Aquilo que aconteceu com as contas e com a omissão na prestação das mesmas é de uma gravidade que não imagino possivel num país que se possa assim denominar e caracterizar.
Visitei a ilha da Madeira uma única vez, em 2005 ou 2006 e como turista, e de facto, a ilha tem paisagens e lugares lindíssimos, mas ao mesmo tempo, apresenta-se completamente descaracterizada pela intensa construção e pelas impensáveis obras de arte viárias. Mais recentemente, quando a ilha foi fustigada pelo temporal de Fevereiro de 2010, criou-se e bem um sentimento de solidariedade nacional para a recuperação e reconstrução da ilha. Agora, com o caso da omissão da dívida pública da região, veio-se a saber as verdadeiras intensões dos seus governantes: má-fé e desrespeito para com a república portuguesa.
Num país a sério, respeitado e respeitável, isto não seria tolerado. Jamais um governante com uma conduta destas, de ocultação e de engano, seria reeleito para o mesmo cargo.
A Madeira é uma caricatura de si própria e contamina por demais a imagem de todo o Portugal. A chantagem e a ameaça do seu lider com a promoção de independência só deveria merecer uma resposta de Lisboa. Dar-lhes a independência. Se a mim me perguntassem, seria de graça. Então depois seria possivel ir visitar esse país exótico e, com direito, nomeá-lo de república das bananas.

02 outubro 2011

30 setembro 2011

aquilo que iria dizer hoje na assembleia municipal de bragança, mas censuraram-me, motivando o abandono da reunião como forma de protesto

Privatização das Águas de Portugal

Quando Pedro Passos Coelho se apresentou em campanha eleitoral, trouxe consigo a ideia de que seria necessário alienar a participação do Estado nas empresas públicas. Como sabem o BE defende que o Estado deve defender a sua posição maioritária nos sectores estratégicos da sociedade portuguesa, tais como a energia, as comunicações e os transportes, a banca, entre outros. Desses sectores e empresas há uma que em particular nos preocupa e, a mim, me inquieta. A privatização das águas de Portugal. Bem sabemos que esta privatização não estará na primeira linha do património público a alienar, mas também não temos dúvida que em breve, por exemplo, com o próximo orçamento de estado, essa intenção seja concretizada.
Alertados que estamos para essa intenção, e porque consideramos que a água e a sua distribuição não devem ser oferecidas à exploração e à especulação do mercado, e porque essa intenção vai além do que foi acordado com a troika, tudo faremos para impedir essa privatização, pois para além de a encarecer para os consumidores, haverá desinvestimento na sua qualidade, conservação e transporte. Ou seja, em nome da racionalização de custos e da lógica empresarial da obtenção de lucros e mais-valias, põe-se em risco a saúde dos cidadãos, que passam a pagar mais por um serviço pior.
Olhando para o panorama partidário nacional, facilmente percebemos as diferentes sensibilidades e perspectivas: o PSD e com ele, amarrado e a bater palmas, o CDS decretarão com a brevidade possível essa privatização; no PS percebe-se alguma indefinição e alguma dificuldade em tomar uma posição que seja consensual; registamos também a oposição do PCP, logo dos verdes também, ao referendo acerca da privatização da empresa das Águas de Portugal, a pretexto de que tal votação aceita que se possa escolher sobre tal assunto. Ora, só com a confiança ou fé numa salvífica mudança de opinião da maioria PSD e CDS se pode esperar que o parlamento impeça tal privatização, já anunciada, possibilitando que se prescindisse do instrumento referendário.
O Bloco de Esquerda está certo de que a direita não mudará de opinião, mas deverá ser confrontada com um debate em toda a sociedade, exigindo que a palavra seja dada a todos os eleitores, com a convicção de que esse referendo é a única via possível de oposição, que será o último instrumento legal para combater e impedir essa privatização.
Num ambiente europeu de austeridade, sempre aliada a uma forte autoridade, temos assistido e não por acaso, a uma re-nacionalização da água por toda a Europa – veja-se o caso italiano ainda neste Verão. Não se percebe, portanto, este impulso liberal em Portugal. Mais, olhemos para a realidade local e regional, o que ganharam os vários municípios e seus munícipes com a privatização da distribuição da água!? Pouco ou nada, dizem eles e sabemos nós. O que ganhou Bragança com a adesão aos serviços multi-municipais!? Nada ou muito pouco, dizem eles e sabemos nós. A nossa população continua a ter problemas no acesso a esse bem vital e recurso natural limitado e a Câmara Municipal e a própria ATMAD não conseguem responder às necessidades das nossas populações. Imaginem agora o que nos espera se toda a água nacional for privatizada.
O Bloco de Esquerda não tem dúvidas da importância desta questão, nem da dimensão do negócio fabuloso que se apresenta para os privados, e por isso iremos combater essa privatização por decreto. Defendemos que devem ser os portugueses e as portuguesas a manifestarem-se e, aí, também acreditamos que teremos uma grande maioria da população contra essa privatização. O referendo será uma mobilização social contra a austeridade e contra a autoridade.

Documento Protesto entregue ao Presidente da Mesa da Assembleia Municipal de Bragança

...e então depois abandonei a sala.

vem sempre primeiro...

28 setembro 2011

egocentrismos

O vazio transporta, quase sempre por inerência, tempo e espaço para a reflexão, para a introspecção. Nessa luta tenho andado nos últimos dias, poderia até dizer meses, mas fiquemos pelos dias... Um indivíduo não pode escapar à sua sorte paradoxal: ele é uma pequeníssima partícula de vida, um instante efémero e, ao mesmo tempo, revela em si a plenitude da realidade viva. Contém nele o todo da humanidade, sem deixar de ser a unidade elementar dessa mesma humanidade – já Montaigne disse: “cada um dos homens carrega a forma inteira da condição humana”. Essa forma inteira implica, desde logo, a definição do indivíduo enquanto sujeito biológico e será nesse âmbito que perceberemos a lógica de auto-afirmação do ser humano por ocupação do centro do seu mundo. Para conhecer e para agir cada ser humano ocupa o seu lugar egocêntrico. Este lugar que cada um de nós ocupa, pressupõe dois princípios: O princípio da exclusão, pois nenhum outro a não ser eu pode ocupá-lo e nenhum outro indivíduo pode dizer eu no meu lugar, para além do facto do EU não ser partilhável. Somos então e enfim todos uns grandes egoístas; e o princípio da inclusão (coisa bonita), que nos permite incluirmo-nos num NÓS e, depois, incluir esse NÓS no nosso centro do mundo. E então seremos todos parcialmente altruístas.
Por onde ando eu!?

27 setembro 2011

"Obrigado" que estou a ouvir rádio e apenas rádio sempre que entro no meu carro, hoje, no permanente zapping, calhou apanhar o Alta Tensão de António Freitas, na Antena 3, a passar este som. Nunca tinha ouvido tal som e banda. Depois de setecentos quilómetros ao volante, liguei-me ao youtube e achei...

17 setembro 2011

a minha couvade

Fará por estes dias seis meses que o delfim da casa nasceu. Parece que ainda foi ontem, mas ao mesmo tempo, senti e muito o tempo a passar. Há seis meses que experimento uma espécie de couvade – prática quase universal entre os povos antigos e que, ainda no início do século XX foi identificada e muito noticiada no País Basco e no Brasil. Tratava-se de um costume em que o marido da mulher prestes a dar à luz recolhia ao leito e simulava o trabalho de parto. Por vezes, no próprio dia do parto, a parturiente regressava às suas lides habituais, enquanto o marido permanecia na cama. O termo couvade aplicava-se também quando ambos os progenitores se mantinham em confinamento depois de nascido o filho. No aspecto social, a prática teria por objectivo realçar o papel masculino na reprodução, conquanto também se avente a hipótese de, ao partilhar assim as dores do parto, o marido aliviaria parcialmente o sofrimento da mulher. Como poderão adivinhar não foi necessário simular ou partilhar qualquer dor, embora me agrade o realce do papel masculino no processo. Atroz tem sido o confinamento. Espero terminá-lo em breve. Preciso de…

16 setembro 2011

"a casa das formigas"

A casa de Al-Adhamiya já não está habitável. Já não se pode dormir lá nem esquadrinhar os seus recantos. O caminho mais curto que conduz até ela é o da minha infância. Sem ela, já não vejo ali nada. Um cão errante e tinhoso uiva à cara dos seus antigos proprietários, que se ausentaram e depois morreram, que foram expulsos, que fugiram, que envelheceram e desapareceram. Por todo o lado, as casas souberam sempre dar lições aos seus habitantes. A cada momento, extraio dos seus azulejos a minha fome e a minha nudez, as minhas metamorfoses e o meu abandono. Escrevo, faço livros, mas regresso sempre ali e deixo esta casa imiscuir-se nos meus assuntos. Em cada romance, ela é a essência da minha agonia. Seja, digo a mim própria, voltarei a levantar-me e restaurarei as minhas fortificações para voltar a ela. (Alia Mamdouh in Le Monde Diplomatique, edição portuguesa, Setembro 2011)

09 setembro 2011

do mês de agosto, de espanha e de outros lugares...

- Sarmento, Clara - coord., (2011), Diálogos Interculturais - os novos rumos da viagem, Porto, Vida Económica Editorial;
- Fernandes, Celina Busto, (2010), As Minas de Ervedosa, Lisboa, Âncora Editora;
- Borges, Américo Augusto, (2006), Gentes de Vinhais, Guimarães, Editora Cidade Berço;
- Stewart, George R., (2008), Names on the Land - a historical account of place-naming in the united states, New York, New York Review of Books;
- Rodrigues, Daniel José, (1981), O Riodonorense Lendas Folclore, Bragança, Edição da Assembleia Distrital de Bragança;
- Fiske, John, (2011), O destino do Homem, Lisboa, Alfabeto Editora;
- Lévi-Strauss, Claude, (2010), O Olhar Distanciado, Lisboa, Edições 70;
- Malinowski, Bronislaw, (2009), Uma teoria científica de cultura, Lisboa, Edições 70;
- Viana, Luis Díaz e Álvarez, Óscar Fernández e Martín, Pedro Tomé, (2011), Lugares, Tiempos, Memorias - la Antropología Ibérica en el siglo XXI, León, Universidad de León;
- Halbwachs, Maurice, (2004), Los marcos sociales de la memoria, Barcelona, Anthropos Editorial;
- Echevarría, Aurora González (2009), La dicotomía emic/etc - historia de una confusión, Barcelona, Anthropos Editorial;
- Hernáez, Ángel Martínez, (2011), Antropología Médica, Barcelona, Anthropos Editorial;

05 setembro 2011

a partir de amanhã na cidade de Leão...

... para falar sobre as novas paisagens rurais no interior de Portugal. Mais pormenores aqui (ver ego na página 12 deste pdf)...

04 setembro 2011

inexplicável separação

Durante estes últimos dias de Agosto, sempre que entrava no blogue, reparava que separador "etnografias nascentes" não estava a funcionar. Estranhei o facto, mas sempre pensei que algum código html tivesse sido adulterado e aguardei pelo regresso a casa para tentar resolver o problema. Agora que regressei e tive tempo para resolver esse assunto, já consegui descobrir a fonte do problema técnico, mas não serei capaz de dar resposta, pois trata-se de uma questão de permissão por parte dos fornecedores do serviço, ou seja, o twitter impediu que contas privadas partilhem os seus conteúdos com outros programas ou suportes. Porreiro pá... Foi por curiosidade que eu aderi ao Twitter - se não estou em erro no início de 2009, mas depois de descobrir essa aplicação que permitia partilhar com outros programas aquilo que lá escrevia, é verdade que intensifiquei a minha participação, na medida em que me permitia escrever pequenos textos ou comentários acerca daquilo que não me merecia a atenção de uma entrada própria no Apurriar. Assim, o Twitter acabava por funcionar, maioritariamente, como um editor de textos para o meu blogue. Rúbrica essa que intitulei de "etnografias nascentes", por dizer respeito a tudo quanto eu poderia observar no meu dia-a-dia e que me chamasse a atenção, merecesse uma nota, uma referência ou um comentário. Tenho pena que me impeçam de continuar a partilhar essas etnografias. Fica o Apurriar mais pobre e eu também.

a cruzada, ainda que atrasada por falta de meios...

02 setembro 2011

LER nº 105

No mês em que a revista adopta as regras do Acordo Ortográfico, realce para o texto de Fernando Venâncio que desconstrói todos os argumentos a favor desse mesmo acordo, explica as verdadeiras razões para a sua imposição e apresenta os incríveis defeitos e erros do mesmo.
"Estas bizantinices portuguesas podem explicar uma atitude brasileira parecida com falta de solidariedade. E é pena. Porque estamos aqui no absoluto cerne destes problemas: o nosso magnífico idioma tem duas ortografias porque tem sistemas vocálicos divergentes. O fosso entre os dois vai-se, mesmo, alargando. Mil acordos ortográficos não conseguiriam uma reaproximação dos dois sistemas. Importa aceitá-lo com naturalidade e não interiorizá-lo como um drama. Hoje os brasileiros já precisam de legendar filmes portugueses, mas daqui a 200 anos os romancistas brasileiros ainda serão, como hoje, os que melhor lemos no original." 
Uma referência também para a entrevista a Mário Cláudio a propósito do seu último livro... "no fundo acho que toda a escrita é uma transcrição. A escrita é a revelação de um texto que a antecede."
E por último, nota de satisfação por seis dos habituais colaboradores da Revista optarem por manterem as normas e regras ortográficas pré-acordo. Ainda bem.