14 março 2013

delactores em rede

No dia 12 de Março recebi um email de um tal José António de Azevedo Pereira, que eu não conheço, nem ele me conhece a mim, mas deve ser gente importante, pois diz-se "Director Geral". Escreveu-me para me informar, melhor, anunciar que a partir de agora, eu, enquanto contribuinte, poderei aceder ao portal e-factura e consultar as facturas que foram passadas com o meu número de identificação fiscal. Caso detecte alguma anomalia, erro ou falha, poderei eu mesmo inserir essas facturas no sistema e assim contribuir activamente para que outros paguem não sei que impostos. Ora bem, gostaria muito de poder responder a esse email, mas através do mesmo sou informado que não poderei responder ("no reply"), pois afinal trata-se de um qualquer processo informático e não, para infelicidade minha e nossa, do próprio José António de Azevedo Pereira. Assim, agradeço a atenção e até o pormenor da personalização da missiva, mas infelizmente não acredito nesse sistema, nem acho que o problema da evasão fiscal esteja naqueles(as) que não facturam a totalidade do seu negócio. Tenho para mim, enquanto cidadão e pessoa de bem, que devo pagar os meus impostos e é isso que, ano após ano, tenho feito. É responsabilidade de cada um assim fazer. Não me compete a mim, nem a nenhum outro cidadão, andar a fiscalizar, vigiar ou denunciar os vizinhos do lado. Num estado democrático e de direito, existem entidades que têm por missão garantir essa justiça fiscal. Sejam competentes e vão buscar o dinheiro que é do Estado onde ele anda volumosa e verdadeiramente a fugir. Escusam de nos tentar co-responsabilizar pela vossa incompetência. Obrigado.

13 março 2013

"foram buscar-me quase ao fim do mundo"

Estas foram algumas das primeiras palavras que o novo Papa disse aos católicos que o saudavam na Praça S. Pedro. De facto, terem escolhido um Cardeal argentino para o lugar foi surpreendente. Face aquilo que aconteceu nos últimos exercícios e, principalmente, nos últimos anos, sempre pensei que os verdadeiros poderes da Santa Sé escolhessem um cardeal italiano. Homem jesuíta, com simplicidade e humildade, começou por dizer à multidão: "fraternidade". Agrada-me a ideia, o conceito e a vontade. Esperemos que o mundo possa contar com a Igreja Católica para essa realização. Por outro lado, e depois de tantos Papas europeus, não posso deixar de associar esta escolha aos tempos de carência e de crise que a civilização europeia experimenta. Assim, também aqui assistimos à afirmação das periferias face aos centros, ou por outras palavras, das colónias face às metrópoles. Com Francisco I "habemus papam"?!

06 março 2013

dia de LER

De novo com a direcção de Francisco José Viegas, sem Carlos Vaz Marques mas com Ana Sousa Dias nas grandes entrevistas, com um conjunto de textos sobre Fernando Pessoa e o Iberismo e com os cronistas de sempre. Excelente número.


03 março 2013

(des) (in) formação

Num destes dias, depois de mais um dia de aulas, a criança chega a casa com este papel na mão e diz: "- Papá, olha o que nos deram hoje na escola."

02 março 2013

manifestação

Há muito tempo sabia que não poderia marcar presença na manifestação que hoje ocorre um pouco por todo o país. Infelizmente, a minha debilidade física, o meu debilitado sistema imunitário e o verdadeiro receio do surto da gripe A que anda por aí a matar gente, levaram-me a optar por ficar na minha zona de conforto, embrulhado em manta e com os pés em pantufas. Sinais dos tempos e das idades. Resta-me a televisão e a internet para saber o que as ruas vão dizendo. Entretanto, aqui vou cantarolando e desafinando mais uma versão da "Grândola".


«morreu»

Pela primeira vez comprara um automóvel com algum conforto, equipamento e potência. Planeara uma vida de largos anos com esse carro, pois para além da sua inequívoca qualidade, era um carro espaçoso, adequado às exigências de sua família. Viajaram quilómetros e quilómetros, horas a fio, de norte a sul do país, pelo estrangeiro e arredores. Sempre na sua potente e capaz viatura. Pois bem, pensara ele que tinha ali máquina para durar, mas não, não teve. Enganou-se e não quis acreditar quando o médico especialista, depois de lhe pedir umas centenas de euros pelas intervenções, lhe disse que o carro morrera. Não tinha qualquer possibilidade de sobreviver. Demorou algum tempo a interiorizar esse veredicto, ainda procurou outras opiniões, mas derrotado pela despesa e pelos evidentes sinais de uma vida que se esvai, desistiu. Entregou as chaves e nem sequer se despediu dele.

06 fevereiro 2013

LER

Num número dedicado a Ruy Belo, destaco também o texto de Pedro Mexia acerca das autobiografias.

28 janeiro 2013

24 de Janeiro

(por manifesta indisponibilidade)

Apurriados, umas vezes mais outras vezes menos, continuaremos.
Obrigado.

08 janeiro 2013

agora o filme...

Sendo um apreciador da escrita de Leo Tolstoy, não poderia deixar de ver a adaptação feita ao cinema do seu grande clássico Anna Karenina. Sendo o original uma narrativa densa e enorme, compreende-se a necessidade de escolher apenas alguns dos momentos marcantes da história para apresentar na versão filme, mas a sensação com que fiquei depois de o ver foi como que tivesse lido uma sebenta resumo da versão original. Gostei do desempenho dos actores, da beleza da actriz Keira Knightley que representou o papel de Anna e destaco a personagem Aleksei Aleksándrovitch, num desempenho magnífico de Jude Law (para mim, o melhor personagem desta adaptação). O ambiente teatral e a recriação fantástica da Rússia Imperial, onde se desenvolve toda a narrativa, numa sucessão de cenários e cruzamento de actores e a própria realização, fizeram-me recordar o filme "Fabuloso destino de Amelie".


03 janeiro 2013

dia de LER

dia primeiro, primeira vez...

Acordar preguiçoso para o novo ano. Com calma e a caminho da mesa posta para almoçar, recosto-me ao sofá. Na TV a missa transmitida pela TVI e rezada pelo Cardeal de Lisboa. Igual a tantas outras, mas naquele mesmo espaço onde me encontrava, havia quem assistisse e estivesse de facto a participar na liturgia. Chegado o momento da paz, houve quem se cumprimentasse, o que originou uma cadeia de cumprimentos entre todos os presentes nessa sala. Surpreso e impreparado lá fui obedecendo ao ritual e desejando que a paz esteja com eles e com elas. Aqui está uma formulação diferente - pouco utilizada - que poderia e deveria constar do nosso cardápio verbal: que a paz seja em ti.

31 dezembro 2012

2013 para mim

Pois cá está um novo ano e este terminado em três, o que significa para mim o completar de mais uma década de existência. Pois é, será o ano em que completo quarenta anos. Dependendo do ponto de vista, poderão dizer que ainda só, ou então que são já..., ainda assim prefiro o pragmatismo do tempo que passa por mim e por todos os outros. Para este próximo ano e num contexto como aquele que vivemos, será avisado apenas solicitar a mesma qualidade de vida que tenho tido até aqui. Sem grandes ambições e sem grandes planos, pois percebi já que não mudarei o mundo, viveremos aquilo que pudermos. Vamos lá.

instante urbano XXII

No regresso do almoço, entro na sala onde tinha estado nos últimos dias a recolher dados e encontro a técnica do Arquivo Distrital de Bragança a auxiliar outra pessoa que procurava informação. Pela conversa percebo que se trata de uma jovem brasileira que veio a Portugal em busca das suas origens, dos seus antepassados. A dificuldade é que apenas sabia um nome e o ano em que nascera (1901). A técnica lá a foi ajudando até que, através dos registos paroquiais, lá conseguiu encontrar esse seu antepassado. A alegria e satisfação da descoberta manifestou-se num choro incontido que lhe turvou os sentidos e a obrigou a pedir ajuda na leitura. À medida que foi ouvindo a informação a comoção aumentava, até ao momento em que também já era a técnica do Arquivo quem soluçava e tentava segurar as lágrimas. E eu ali ao lado, fazendo de conta que estava concentrado no meu trabalho e na minha música. Por fim, exclarecida, pede uma cópia do documento e uma certidão. Ligou para a Avó (que seria a filha desse seu familiar) e conta-lhe o que conseguiu descobrir. Prometeu-lhe que a iria visitar para lhe mostrar os documentos e desligou. De imediato faz outro telefonema, julgo que para o Brasil, e conta a sua aventura. Quando desligou já tinha à sua frente as cópias e a certidão. Agradeceu e disse que iria de imediato à procura da aldeia, lugar onde esse seu antepassado nasceu, viveu e morreu. Mesmo tendo consciência de que esta é uma experiência idêntica a tantas outras, não deixa de ser impressionante a força de determinados sentimentos. Aquela jovem, descendente de portugueses, jamais conheceu esse senhor, mas a sua referência concerteza terá sido uma presença constante na sua vida e na vida da sua família. Impressionante, para mim, é a importância da memória e a necessidade de a estudar. Aqui, ali ou acolá, ontem, hoje ou amanhã, queremos pertencer a algo ou a alguém.

11 dezembro 2012

o coronel

Ouço as birras da minha criança, daquelas típicas de alguém que não sabe ainda nada de vida e de quem pensa que podemos e devemos ter tudo e ter mais e ocorre-me ao pensamento esta imagem. O "Coronel" junto de uma das suas habitações - pegava-lhes fogo e abandonava-as sempre que era visitado por uma cobra ou lagarto. O "Coronel", assim era tratado e assim ficou na memória daqueles que o conheceram, viveu grande parte da sua existência no monte e pelo termo da aldeia de Vila Boa, em Vinhais, sozinho e, com a excepção do vestuário, despido de qualquer caracter de civilização. As suas casas eram as casarolhas que os lavradores construíam para abrigo nos terrenos longe da aldeia. Viveu com fome e frio. Comeu, bebeu, fumou e vestiu apenas o que lhe deram. Só aparecia na aldeia quando tinha muita fome e o fim veio, assim, com uma dor forte de barriga, daquelas que nos últimos tempos o importunavam e de que ele se queixava. Viveu e morreu só.

Le Monde


Mais um excelente número do Jornal Mensal.

08 dezembro 2012

para adquirir e conhecer...

Na excelente 119ª edição da revista LER, Bruno Vieira Amaral escreve sobre o livro de Nicholas Carr "Os Superficiais - o que a internet está a fazer aos nossos cérebros". Só o título prende-me os sentidos e a curiosidade aumenta depois de ler a respectiva recensão. Nicholas Carr tenta responder à questão: Que implicações pode ter a internet - e todo o ambiente que o rodeia - no cérebro humano?
Já agora e enquadrado pela quadra natalícia, se por um mero acaso, alguém pensar oferecer-me algo, aqui está uma rica prenda. Obrigado, mesmo assim.

literatura oral e marginal

Quando frequentei o segundo ou terceiro ano do curso da Antropologia, uma das cadeiras opcionais dava pelo nome de Literaturas Orais/Marginais. Nesse ano fui dos poucos alunos do curso a escolher essa cadeira. Pouco ou nada recordo do programa, da professora ou do que aprendi, mas houve um pormenor que guardei na memória até ao presente. Uma das referências bibliográficas centrais dessa disciplina era um livro altamente alternativo e que se chamava "O guardador de retretes". Nunca o cheguei a ler, consultar ou sequer conhecer. Sei que mesmo depois de acabar o curso e ao longo de todos estes anos, guardei essa referência e cheguei mesmo a procurá-la, mas sem sucesso. Até que hoje, na Fundação Cupertino de Miranda e ao visitar mais uma "feira" de livros, o encontrei, numa 4ª edição e versão mais recente (2007). Finalmente.

07 dezembro 2012

Ler, 25 anos depois...

genericamente, dos últimos seis meses, particularmente, de uma feira do livro

- Conde, Santiago Prado (2010), Conferencia Internacional da Tradición Oral - volumes I e II;
- Gué, António Sá (2012), Quadros da Transmontaneidade, Lema de Origem;
- Fernandes, Hirondino (2012), Bibliografia do distrito de Bragança - série Escritores, Jornalistas, Artistas - volumes II e III, Bragança, Câmara Municipal de Bragança;
- Feio, Rui (2012), Roteiro do Culto Mariano em Terras de Bragança e Zamora, Bragança, Câmara Municipal de Bragança;
- Sobral, José Manuel (2012), Portugal, Portugueses: uma identidade nacional, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Ribeiro, Gabriel Mithá (2012), O ensino da História, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Silva, Mónica Leal da (2012), A crise, a família e a crise da família, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Madruga, Francisco (2006), Novos tempos, velhas culturas, Mogadouro, Associação Cultural e Recreativa de Soutelo;
- Vieira, João Martins (2007), Planeamento e ordenamento territorial do turismo - uma perspectiva estratégica, Lisboa, Editorial Verbo;
- Debord, Guy (2012), A sociedade do espectáculo, Lisboa, Antígona;
- Tolstói, Aleksei K. (2010), O vampiro e a família do vampiro, Lisboa(?), Estrofes & Versos;
- Barbosa, Pedro (2007), O guardador de retretes, Porto, Edições Afrontamento;