Para ver Nick Cave. Apenas. Obrigado ao puto Ramon que, numa iniciativa de antecipação, me trouxe este salvo-conduto para esse grande momento.
---------"Viajar, ou mesmo viver, sem tirar notas é uma irresponsabilidade..." Franz Kafka (1911)--------- Ouvir, ler e escrever. Falar, contar e descrever. O prazer de viver. Assim partilho minha visão do mundo. [blogue escrito, propositadamente, sem abrigo e contra, declaradamente, o novo Acordo Ortográfico]
18 maio 2013
11 maio 2013
the sunset limited
Numa sexta-feira à noite e sem nada de especial para me ocupar as horas, resolvi ligar o meu disco onde tenho todos os filmes e séries que quero ver e onde guardo todos aqueles que já vi. Tinha a intenção de rever o filme "Che", pois quando o vi pela primeira vez, não gostei nada da legendagem - brasileira traduzida pelo google e dessincronizada - mas ao abrir a pasta dos filmes "para ver", não sei porquê, resolvi ver este. Que surpresa, que assombro. Dois personagens, desempenhados por Samuel L. Jackson e Tommy Lee Jones, uma sala, uma mesa, uma bíblia e um diálogo com cerca de noventa minutos. Provavelmente, muitos terão desistido a meio, mas a verdade é que fiquei agarrado àquela conversa. Conversa existencialista, eu diria mesmo filosoficamente existencialista, que requer concentração e muita atenção, mas que para além de si mesma revela, ou melhor, reafirma a dimensão destes dois actores. Vou voltar a ver, com toda a certeza, mas agora vou beber um whisky. Fica a apresentação do filme.
10 maio 2013
mediascape: país novo, requalificado, empreendedor e de homens novos, requalificados, empreendedores
Hoje passei os olhos pela capa do Jornal de Notícias e fixei os sentidos nesta notícia. Passados dois anos desta governação, pejados de repetidas promessas de um futuro melhor para o país e seus habitantes, cá estamos nós a constatar o sucesso dessa governação. Criação de emprego, oportunidades, empreendedorismo, etc e tal são palavras caras e que nos remetem para um ambiente que não é, infelizmente, o nosso e que foram (e são) abusivamente utilizadas pelos nossos governantes. Digno de um ranking de país sub-desenvolvido do terceiro mundo, a criação de emprego pago a pouco mais de trezentos euros é uma vergonha que deveria fazer corar e desaparecer do mapa todos aqueles que têm defendido esta política, esta governação. É de tal forma criminosa a governação dos nossos dias que para ser feita justiça seria preciso criar um novo tribunal internacional para julgar os crimes governativos contra a humanidade. É mesmo isso que se trata. E a cada dia que passa, mais acontece. Os crimes estão a ser cometidos, os criminosos anunciam os crimes e são identificados em flagrante delito. O que é preciso mais para serem condenados, punidos, enfim, excluídos?!
09 maio 2013
obra remendada
Nas frequentes viagens entre o Porto e Bragança tenho usufruído dos novos troços de auto-estrada já concluídos e com isso poupo em tempo e em combustível. Quando estiver pronta vai ser um sossego viajar entre estas duas cidades. Acontece que, ultimamente, tenho verificado que em vários locais desses novos troços, o pavimento tem cedido e por isso formam-se grandes e perigosas lombas. A concessionária vai colocando sinalizações e, segundo pude ler na imprensa regional, vai tentando compor esses segmentos de estrada. Aquilo que me impressiona é o facto de esta ser uma estrada nova, construída durante os últimos dois ou três anos, da responsabilidade de grandes empresas de construção e muito bem pagas pelo Estado. Não percebo como podem acontecer estes abatimentos de terrenos e com tanta frequência. Pior ainda é perceber que nesses locais danificados a solução é remendar, colocando nova camada de alcatrão por cima para nivelar. Não percebo nada dessas engenharias, mas parece-me lógico que o terreno irá de novo ceder e novamente teremos lombas e mais lombas até começarem os acidentes, os feridos e as mortes. Malfadada estrada.
portugal: o país que não é para velhos
Na sala de espera de um consultório médico privado e vazio, ouço a emissão do "Opinião Pública " da SICN, cujo tema é a proposta do governo de taxar as pensões e reformas em mais 10%. A indignação é geral, percebe-se pelas diferentes opiniões. Eu ainda não tinha conhecimento desta pretensão e a ser efectivada será uma vergonha. É uma falta de sentido de Estado, é uma falta de ética republicana aquilo que estamos a fazer com os nossos cidadãos mais idosos. É rebentar com qualquer réstia de coesão social e, consequentemente, com o futuro e viabilidade de Portugal, enquanto Estado, enquanto Nação, enquanto Comunidade. Os nossos aposentados e reformados cumpriram com todas as suas obrigações ao longo da sua vida contributiva e acreditaram - confiaram o seu dinheiro ao Estado como pessoa de bem - que um dia poderiam usufruir de um final de vida sem preocupações ou sobressaltos. Afinal, foram enganados, pois o Estado não quer honrar os seus compromissos para com os seus cidadãos. Em Portugal ser idoso e ser reformado ou pensionista é uma aventura, é um risco de vida. Para dar resposta e honrar os compromissos com os seus credores estrangeiros, estes criminosos matam-nos, matam-nos o país, literalmente e com retroactividade. Está na hora de reagir, está na hora de matar essa corja de governantes que pensarão, concerteza, que nunca irão ser velhos.
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03 maio 2013
02 maio 2013
impressões
Hoje fui acordado por uma grande mosca. Talvez fosse um moscardo. Não sei, não o cheguei a conhecer. Estava preso ao desenvolvimento do sonho em que era também personagem e a determinada altura, um ruído estranho veio perturbar essa narrativa. Um zumbido em movimento que vinha e ia, ia e vinha e, assim, desestabilizava o normal desenrolar da experiência. Num primeiro instante não percebi e ainda tentei resistir-lhe, mas o despertar foi coercivo, pondo um fim precoce a essa outra história. Irritado, a vontade era perseguir até à morte o insecto, mas bastou-me abrir a janela para o silêncio regressar àquele espaço. De onde veio aquele ser voador não sei, mas fiquei com a impressão de que teria viajado do meu sonho para o meu despertar.
LER para Maio
Hoje é dia de LER. Daquilo que já pude perceber são várias as razões para ler este número. Desde logo as entrevistas a José Rentes de Carvalho e a Ribeiro Telles, depois Aquilino Ribeiro no cinquentenário da sua morte. Para além disto, a excelente crónica (talvez o melhor texto que li seu...) de Inês Pedrosa e os cronistas de sempre. Para ler nas próximas horas.
18 abril 2013
mediascape: parente pobre
A notícia que encontrei apenas aqui, deixa-me muito chateado e até triste. É sempre a mesma coisa, são sempre os mesmos os primeiros a serem sacrificados. Uma cidade como o Porto, perder um evento estruturante como a feira do livro, é reduzir a praticamente nada a oferta cultural do município. Pois é, cultura para este executivo são as corridas de carros na Foz e na Boavista, são as corridas da RedBull ou são os cagalhões da Joana Vasconcelos. Mas está tudo bem. Está a acabar o período destes iluminados e senhores da estética e do bom gosto. Sem feira do livro quem perde é a cidade, sou eu, és tu, é ele (mas não sabe) e somos nós. Enfim, melhores anos virão. Fica o excerto da notícia relativa a este assunto.
"Rui Rio deixa o Porto sem Feira do Livro
No último ano de mandato de Rui Rio à frente da autarquia, a Câmara do Porto decidiu não apoiar a realização da Feira do Livro, impedindo assim que os portuenses continuem a usufruir daquela iniciativa que animava a baixa da cidade e promovia a cultura na região.
Em comunicado, a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) considera que "não é possível a realização da feira nas mesmas condições de dignidade e qualidade dos anos anteriores, onerando os seus associados com um valor suplementar ao que já suportam para poderem estar presentes na realização deste evento cultural". O protocolo entre Câmara e livreiros, que vigorava desde 2009, expirou em outubro passado e a APEL sempre disse que o apoio da Câmara era fundamental para que a iniciativa se pudesse realizar. Os livreiros ainda reclamam de Rui Rio o pagamento da dívida das edições anteriores da Feira do Livro, mas nunca obtiveram resposta.
A posição da Câmara manteve-se inflexível em limitar os apoios à cedência de espaço e isenção de taxas camarárias, considerando a Feira uma atividade com fins lucrativos para editores e livreiros. "Resta à APEL fazer votos que no próximo ano a Feira do Livro regresse à cidade com a qualidade e dignidade que já habituou os portuenses", conclui o comunicado dos editores e livreiros."
15 abril 2013
mediascape: não haverá duas sem três, ou nove
Acabámos de saber que o tribunal cível do Porto impediu Luís Filipe Menezes de se candidatar à Câmara Municipal do Porto nas próximas eleições autárquicas. Depois de Fernando Seara em Lisboa, o mesmo desfecho acontece na cidade do Porto, deixando claro que os mandatos são das pessoas e não do território. A este propósito não percebo qual a dúvida jurídica e de sua interpretação, ou sequer semântica, assim como não entendo a teimosia cristalizadora do PSD em insistir com nove candidaturas nas mesmas condições. O PSD é, aliás, o único partido a apresentar candidatos com essas limitações. Curiosa e muito é a reacção da Distrital do PSD Porto que mesmo depois da sentença afirma: "a candidatura de Filipe Menezes (PSD) à Câmara do Porto nas próximas autárquicas é "válida à luz da lei" e está convencida de que o Tribunal Constitucional vai "repor o espírito da lei" Repor?! Senhores, já está no sítio onde sempre deverá estar; o espírito.
10 abril 2013
sempre bom
Por mais voltas que dê, por muito que experimente e conheça, cada regresso é sempre genial. Assim, estamos sempre disponíveis e até ansiosos pelo regresso. Genial é o substantivo.
18 março 2013
farsa democrática
Aproveitando o amanhecer soalheiro deste Domingo, fui dar um passeio pelo centro cívico e histórico da cidade de Bragança. Depois de percorrer várias ruas e vielas da cidade fui tomar um café e aí encontrei vários amigos e conhecidos com quem fiquei à conversa. Entre os vários assuntos e temas, bem típicos de conversas de café, fiquei a saber que circulava na internet e nas mãos de alguns cidadãos, um documento assinado pelo Presidente da Câmara de Torre de Moncorvo e também responsável pela concelhia do PS local, assinado pelo responsável da concelhia do PSD e também assinado pelo responsável da concelhia do CDS, onde se pedia aos cidadãos do concelho que não se manifestassem durante a visita que o Presidente da República iria fazer ao concelho. Estranha forma esta de promover a democracia. Estranha forma esta de admitir o bloco central de interesses no estado. Hoje, ao visitar o blogue de Joana Lopes - Entre as brumas da memória - encontrei uma cópia desse documento. Não sei se o rei vai nu, mas poucas dúvidas me restam que a democracia assim vai.
cobardia
Neste último fim-de-semana fomos surpreendidos com as notícias que nos chegaram do Chipre a propósito do resgate financeiro a que o estado Cipriota vai estar sujeito. A medida mais extraordinária desse programa de apoio, ou se preferirem de resgate, e até aqui desconhecido nos demais países resgatados, é o imposto sobre todas as contas bancárias no país. Todas as poupanças da população foram sujeitas a imposto que variou entre 6,75% e os 9,99%. Mas o mais impressionante nesta medida foi o oportunismo da sua apresentação pública. No final da tarde de 6ª feira, já depois dos bancos terem encerrado e num fim-de-semana prolongado; hoje é feriado nacional no Chipre. Os bancos só 3ª feira abrirão portas e aí, já o dinheiro correspondente a esse imposto foi retirado ou pelo menos cativado pelo Estado. A cobardia do Estado e das instituições europeias em todo o seu esplendor. Quando são os próprios Estados a roubarem o produto do trabalho dos seus cidadãos o que se pode fazer para podermos continuar a viver nesse Estado e a acreditar que de um Estado se trata? Para onde poderemos sair se todos os Estados actuarem de igual forma? Vivemos tempos difíceis, é verdade. Mas vivemos sob a governação de gente que não tem competências para esses mesmos tempos. Tudo aquilo que demorou décadas a construir, será destruído num abrir e fechar de olhos. Nunca sequer sonhei que no tempo de vida a que tive direito, pudesse assistir à desconstrução deste projecto europeu. Nasci e cresci nele, pelos vistos irei morrer fora dele. A ver vamos até onde a estupidez e a ignorância das elites e das lideranças europeias poderá ir.
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no bom caminho...
O desalento, a frustração e o sentimento de incapacidade pessoal, levaram-me a decidir não trazer para aqui questões relacionadas com a actualidade económica e financeira do país. Mas, depois do que aconteceu na passada 6ª feira, dia 15 de Março, era impossível ficar quedo e calado. Como é possível um governo, através de um dos seus Ministros de Estado e respectivos Secretários de Estado, virem a público, a propósito da 7ª avaliação da Troika, apresentar os números que foram apresentados e não haver consequências políticas do total fracasso da sua governação. Ninguém se demite, ninguém é demitido. Já passaram quase 72 horas e tudo continua impávido e sereno. Há algo de errado, de muito errado na nossa sociedade. É que estes senhores que nos andam a pedir sacrifícios, que nos retiram direitos sociais, que nos reduzem às básicas condições de sobrevivência, que forçaram todo um estado de excepção e que afinal de excepcional nada tem, não acertam uma previsão, não conseguem construir um orçamento válido, não têm um projecto para o futuro nem para o país. A constatação clara de toda essa incompetência é o quadro que o jornal Público apresentou este fim-de-semana com os factores da previsão para 2013 e onde se pode verificar o bom caminho pelo qual estamos a ser conduzidos por estas iluminárias. RUA!
Fonte: Jornal Público
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14 março 2013
delactores em rede
No dia 12 de Março recebi um email de um tal José António de Azevedo Pereira, que eu não conheço, nem ele me conhece a mim, mas deve ser gente importante, pois diz-se "Director Geral". Escreveu-me para me informar, melhor, anunciar que a partir de agora, eu, enquanto contribuinte, poderei aceder ao portal e-factura e consultar as facturas que foram passadas com o meu número de identificação fiscal. Caso detecte alguma anomalia, erro ou falha, poderei eu mesmo inserir essas facturas no sistema e assim contribuir activamente para que outros paguem não sei que impostos. Ora bem, gostaria muito de poder responder a esse email, mas através do mesmo sou informado que não poderei responder ("no reply"), pois afinal trata-se de um qualquer processo informático e não, para infelicidade minha e nossa, do próprio José António de Azevedo Pereira. Assim, agradeço a atenção e até o pormenor da personalização da missiva, mas infelizmente não acredito nesse sistema, nem acho que o problema da evasão fiscal esteja naqueles(as) que não facturam a totalidade do seu negócio. Tenho para mim, enquanto cidadão e pessoa de bem, que devo pagar os meus impostos e é isso que, ano após ano, tenho feito. É responsabilidade de cada um assim fazer. Não me compete a mim, nem a nenhum outro cidadão, andar a fiscalizar, vigiar ou denunciar os vizinhos do lado. Num estado democrático e de direito, existem entidades que têm por missão garantir essa justiça fiscal. Sejam competentes e vão buscar o dinheiro que é do Estado onde ele anda volumosa e verdadeiramente a fugir. Escusam de nos tentar co-responsabilizar pela vossa incompetência. Obrigado.
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13 março 2013
"foram buscar-me quase ao fim do mundo"
Estas foram algumas das primeiras palavras que o novo Papa disse aos católicos que o saudavam na Praça S. Pedro. De facto, terem escolhido um Cardeal argentino para o lugar foi surpreendente. Face aquilo que aconteceu nos últimos exercícios e, principalmente, nos últimos anos, sempre pensei que os verdadeiros poderes da Santa Sé escolhessem um cardeal italiano. Homem jesuíta, com simplicidade e humildade, começou por dizer à multidão: "fraternidade". Agrada-me a ideia, o conceito e a vontade. Esperemos que o mundo possa contar com a Igreja Católica para essa realização. Por outro lado, e depois de tantos Papas europeus, não posso deixar de associar esta escolha aos tempos de carência e de crise que a civilização europeia experimenta. Assim, também aqui assistimos à afirmação das periferias face aos centros, ou por outras palavras, das colónias face às metrópoles. Com Francisco I "habemus papam"?!
06 março 2013
dia de LER
De novo com a direcção de Francisco José Viegas, sem Carlos Vaz Marques mas com Ana Sousa Dias nas grandes entrevistas, com um conjunto de textos sobre Fernando Pessoa e o Iberismo e com os cronistas de sempre. Excelente número.
03 março 2013
(des) (in) formação
Num destes dias, depois de mais um dia de aulas, a criança chega a casa com este papel na mão e diz: "- Papá, olha o que nos deram hoje na escola."
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