04 setembro 2013

mediascape: comércio tradicional

Hoje, dia 4 de Setembro, o Jornal Público deu destaque (páginas 2, 3 e editorial) aos dados relativos ao comércio tradicional em Portugal. Sem grande euforia e de forma cautelosa até, diz-se que o peso desse comércio cresceu, no primeiro semestre de 2013, para os 15,4%. Estes dados são considerados um sinal de como o mercado se está a transformar.
Custa-me dizer mas não me parece que seja possível, a curto trecho, uma alteração substancial dos hábitos de consumo dos portugueses. Por princípio nada tenho contra as grandes superfícies, aliás, não consigo viver sem elas. Não gosto é da voragem centrífuga dos monopólios económicos e, em Portugal, é no sector da distribuição que podemos encontrar os grandes empresários e o domínio da quase totalidade do mercado (cerca de 85%). Como alguém dizia, o retrato da nossa economia e do nosso empreendorismo faz-se com a percepção de que os dois maiores empresários portugueses são merceeiros.
Apesar de céptico, fico contente com esta notícia e gostaria muito que esta tendência se consolidasse e pudesse mesmo aumentar. Quanto mim, lamento não conseguir viver sem ser cliente do Sr. Belmiro e do Sr. Francisco. Quem sabe um dia.

14 agosto 2013

sou da diáspora

Sou da diáspora.
Sei quem sou e de onde venho.
Nunca tive qualquer vergonha do berço que me viu crescer.
Sinto os laços que me fazem pertencer a essa imensa comunidade.
Convivo sã e alegremente em todos os reencontros.
Incomoda-me o folclore excessivo.
Detesto o atrevimento de algumas manifestações.
Não tolero o descaramento dos que se julgam espertos.
Sou da diáspora.

Uma vez mais é o enorme Rentes de Carvalho quem melhor cristaliza em palavra alguns destes meus sentimentos:

Desmiolado, indiferente às conveniências, dinheiro no bolso, o emigrante tem o mau hábito de no mês de Agosto visitar as berças e, com os seus barulhentos costumes, música pimba, dialecto franciú, ir  perturbar o sossego da boa gente que alegremente dispensaria o confronto anual com aquela desagradável versão de si própria.
O português tem isso: se julga pertencer à classe média baixa, média média, média alta, superior ou olímpica, é logo atacado de amnésia e nojo, os outros tornam-se-lhe gentinha, "pobrezinhos" , passa a sofrer da mais miserável forma de racismo e discriminação: a que se volta contra aqueles a que pertence.
Vou lendo aqui e ali queixumes e desdéns, sugestões de que o emigrante vá passar férias a outro lado, não perturbe a serenidade, não venha com o seu barulho e jactância recordar a simpleza e condição humilde de que todos descendemos, mesmo os que se julgam nobres e melhores. Que o não são. Julgam-se.

José Rentes de Carvalho, 7 de Agosto de 2013.

13 agosto 2013

lido...

The ethnographic text will be a text to read not with the eyes alone, but with the ears in order to hear "the voices of the pages".
(Stephen A. Tyler, 1986:136)

15 julho 2013

mediascape: mafiosidades de estado

As notícias que nos chegam do outro lado da fronteira são assustadoras. Um antigo tesoureiro do PP acusa o primeiro-ministro de ter recebido vários milhares de euros, em dinheiro vivo, ao longo dos últimos anos, numa média que rondaria os dois mil euros por mês de dinheiro sujo, proveniente de empresas e militantes. O jornal "El Mundo" publica msn trocadas entre o primeiro-ministro e o tesoureiro em que aquele pede silêncio a este. A oposição pede a sua demissão mas ele recusa. Diz que está de consciência tranquila. Uma trapalhada, uma vergonha. Foi e é em Portugal, foi no Luxemburgo, foi na Itália, é em Espanha... que bem vai a governação por esta Europa fora. 
Algumas notícias acerca deste caso:
http://tinyurl.com/ph4k9do
http://tinyurl.com/o8j56nr

12 julho 2013

rescaldo de uma paisagem esvaziada

Naquilo que parece ser, finalmente, o rescaldo do maior incêndio que há memória no distrito de Bragança e que afectou os concelhos de Alfândega da Fé, Torre de Moncorvo, Mogadouro e Freixo de Espada à Cinta, deixando um rasto de destruição e um cenário jamais imaginado, convirá também reflectir um pouco acerca da realidade do território em causa: sua gestão e seu ordenamento. Não são questões que digam respeito apenas ao presente, ou sequer a um passado recente, são problemas estruturais que estão mais do que identificados, estudados, diagnosticados, mas estão ainda sem uma terapêutica estratégica que procure minorar tais situações. É confrangedor assistir às declarações dos responsáveis pelas autarquias, das protecções civis, das direcções regionais dos ministérios da agricultura e do ambiente. Já não há paciência para o mesmo discurso, os mesmos lugares comuns, a mesma atitude reactiva e nunca preventiva. É preciso ir além do elogio aos valentes bombeiros, é preciso ir além do lamento e do infortúnio, é preciso evitar a promessa da contabilização dos estragos e das ajudas que hão-de vir. Para quando uma atitude planeada, pensada, reflectida, com meios e recursos capazes de, a curto, médio ou, que seja, a longo prazo resolva este drama que ciclicamente experimentamos?
Nestes momentos seria interessante ouvir alguém referir-se às causas que potenciam incêndios como este. O abandono dos terrenos agrícolas, a falta de gados, o abandono das práticas de cultivo e de manutenção dos terrenos, a introdução de vegetação não-autóctone, entre outros, são factores que permitiram o crescimentos de matos, muitas vezes, até bem perto das próprias povoações. Há um pequeno exemplo que recordo e que me parece paradigmático desta situação: toda a gente cortava as silvas que cresciam nas hordas dos lameiros, hortas e demais terrenos. Eu próprio cheguei a fazer isso, tarefa que não só salvaguardava os terrenos, impedia o fogo de aí ganhar força, como também libertava os caminhos de acesso. Quem faz isso ainda? Olhemos para a paisagem que circunda as nossas aldeias e vejamos o triste espectáculo dessas silvas e demais vegetação selvagem a ocupar o lugar que outrora floria ou era repasto para todos os gados. Por falar em caminhos, numa das reportagens televisivas desde uma dessas comunidades afectadas por este incêndio, uma idosa reclamava, pois os bombeiros e os militares em vez de andarem a combater o fogo, andavam a abrir caminhos de acesso até perto do fogo. Raciocínio rápido e compreensível de quem vê o seu mundo ser consumido pelas chamas, mas ao mesmo tempo, uma crítica oportuna e reflexiva, pois na verdade esses caminhos deveriam ser parte integrante daquilo que é a prevenção e não parte precipitada da estratégia de reacção. Fiquei com aquelas sábias palavras.
A aflição de todos aqueles que sentem o poder implacável do fogo destruir-lhes o trabalho de toda a vida. O abismo de tudo perderem consoante a vontade do vento. A impotência e a consciência de nada poderem fazer, serão sempre o reflexo de uma atitude passiva e expectante, negligente e egoísta daqueles que vão habitando o nosso território. Uma vez mais, a própria população só reage quando sente aquilo que é seu em perigo. Admiram-se sempre pela rapidez e velocidade com que as chamas chegam e chamuscam os telhados, queimam os fios da luz e do telefone, assam os seus animais de estimação e de sustento. Durante o restante ano ninguém se preocupa com o mato que vai crescendo sem lei e vai envolvendo as aldeias, ninguém se preocupa com as reservas de lenha que as pessoas teimam em juntar dentro dos povoados, ninguém reclama pela negligente gestão dos baldios, ninguém se opõe à introdução ad-hoc de espécimes vegetais estranhas à flora local. Enfim, tudo razões para vivermos sempre com o coração aflito e com o espírito nas mãos de um santo qualquer. Aquilo que aconteceu este ano foi consequência de vários factores naturais, é verdade, mas foi e será sempre o resultado da boa ou má gestão do território, da boa ou da má ocupação dos solos, da presente ou ausente política administrativa e, principalmente, da consciência ou da inconsciência de tudo isto.
É muito triste uma paisagem assim.

04 julho 2013

garotices

Os recentes acontecimentos na governação de Portugal são inacreditáveis. Se nos contassem que isto poderia acontecer, não hesitaríamos a negar essa eventualidade. Estes dois senhores, donos dos dois partidos da coligação que nos governam, são uns irresponsáveis e deveriam ser, desde já, responsabilizados pelos enormes danos que a sua palermice causa ao país. Mais, o espectáculo que nos estão a oferecer é de tal forma ridículo que não percebo como o país e as suas instituições não interrompem a sua actuação. Os dois fazem-me lembrar os meus tempos de criança em que brincava com os outros miúdos, mas quando a brincadeira não me agradava, chateado dizia: "- Assim não brinco mais!" Mas brincava e depois voltava a dizer que não, mas brincava. E os dias passavam-se assim. Esta trágico-comédia que em vez de nos divertir só nos exaspera, relembra-me também a amargura que ainda sinto com o momento em que os portugueses foram chamados a escolher e votaram nestes desqualificados. Para meu contentamento, ou pelo menos para engano próprio, prefiro pensar que esses portugueses merecem cada acto falhado destes senhores. Por fim, temo que se formos nova e antecipadamente chamados a escolher novos interpretes escolhamos algo parecido e isso será destruidor.

01 julho 2013

25 junho 2013

despojos do S. João

Este ano e depois de uma ausência superior a vinte anos, regressei ao centro do Porto como folião e equipado a rigor com o martelo na mão. Isto aconteceu porque mais ninguém cá em casa conhecia in loco a festa, portanto, lá fui mostrar os lugares comuns e tradicionais do grande santo popular da Invicta. Na memória trazia comigo alguns momentos ou episódios desse tempo de criança em que ia regularmente à festa. Primeiro com os meus pais e depois, quando mais crescido, em grupo de juvenis vizinhos e amigos. Das primeiras experiências guardo a memória da Ponte D. Luís I a abanar e da sensação de pânico generalizado pela eminente queda da estrutura. Foi num desses momentos que me perdi na confusão do medo e de meus pais, provocando com isso uma enorme angústia à minha mãe. Sei ainda hoje que não me tinha perdido, pois sabia onde o carro estava estacionado e foi lá que me foram encontrar passado algum tempo. Outra bonita memória dessas noites era o Café Mucaba(?), bem situado no fundo da Avenida de Gaia, onde a caminho de casa parávamos para uma apetitosa francesinha para os pais e uma deliciosa tosta mista para os filhos.
Mais tarde e já com o grupo de rufias da Madalena, as memórias que guardo são as da inconsciência e da irresponsabilidade. Miúdos de 10, 11 e 12 anos, alguns talvez mais, sozinhos, a pé e sem destino. Corridas loucas pelas ruas de Coimbrões, Candal e Ribeira, a tocar às campainhas, bater nos carros, atirar pedras, etc. Na confusão da multidão pelas ruas 31 de Janeiro, Batalha, Fontaínhas, Clérigos, Aliados, Rotunda e Avenida da Boavista, Foz, por todo o lado e durante toda a noite a correr e a fazer traquinices.
Este regresso, para além da sua componente turística e pedagógica, permitiu relembrar todos esses momentos e também permitiu perceber porque é que um dia deixei de ir ao S. João. É que para mim a piada da festa está única e exclusivamente na democrática e livre distribuição de marteladas. O resto - a sardinha, o bailarico, o alho-porro, a embriaguez dos sentidos, os balões, o fogo de artifício, o manjerico e suas rimas, a confusão e o aperto não me atraem minimamente. Desconfio que tão cedo não regressarei, até porque o resto da família também não se mostrou efusiva ou sequer entusiasmada.

finalmente

Muito provavelmente por culpa própria, por não ter procurado o suficiente e sempre nos mesmos sítios, a verdade é que só no dia 21 de Junho consegui encontrar o número 1 da Revista Granta, versão portuguesa. Foi grande a expectativa, principalmente depois do marketing editorial promovido nas redes sociais, mas a revista que foi lançada, se não estou em erro, no passado dia 24 de Maio, não se encontrava em nenhum lugar. Perguntei e perguntei. Nada. Afinal, só à terceira edição deste número consegui o meu exemplar e tive que reservar. Estou a gostar.

14 junho 2013

29 de Setembro

Está escolhida a data das eleições autárquicas. O governo, entre as datas possíveis, escolheu o dia 29 de Setembro, o que motivou desde logo contestação por parte do PS e do BE. Para mim, enquanto cidadão envolvido no processo, tanto me faz, embora e por pragmatismo, preferisse o dia 22 de Setembro. Mas vamos lá. É tempo de organizar toda a burocracia. As listas terão que ser entregues nos tribunais até ao dia 5 de Agosto. A minha luta será uma vez mais em Bragança e pelo BE. Não se antevêem ventos favoráveis e a reforma administrativa recentemente efectuada veio dificultar ainda mais a nossa capacidade de intervenção e de participação. Siga.

11 junho 2013

mediascape: o panóptico à escala global

A notícia deste dias de que um ex-agente da CIA e ex-consultor da NSA denunciou publicamente a existência de um programa estatal do EUA de vigilância massiva e de dimensão mundial, relembra-me o velho projecto do filósofo Jeremy Bentham, que em 1785, criou um sistema de vigilância total a que deu o nome de "o panóptico". De facto, imaginar que todos os indivíduos que possuem contas de email, números de telefone, perfil no facebook, twitter e outras redes sociais, estão a ser monitorizados por uma "inteligência" americana deixa-me apreensivo e resulta numa sensação de permanente observação. Perceber que afinal tudo aquilo que nos é "oferecido" pelas empresas do sector das comunicações de voz e de dados não é mais do que um engodo para nos manter cativos, arrelia-me o fígado. Ouvir o presidente dos EUA defender esse programa, justificando-o dizendo que não podemos estar 100% seguros sem perdas de confidencialidade, assim como o tentar legitimar dizendo que todos os líderes do Congresso Americano estavam devidamente informados desse programa, dá-me orticária. Para além de me desagradar a ideia de permanente observação e controle, achei constrangedor ver e ouvir Barack Obama, incomodado, justificar-se assim.

antologia de autores transmontanos

Foi no passado Sábado, dia 8 de Junho, no Centro Cultural de Bragança, o lançamento desta segunda colectânea de textos de autores transmontanos, onde colaboro com um pequeno texto, intitulado "O Mâncio".


05 junho 2013

uma língua que se vai desfazendo

Assim termina Francisco José Viegas (FJV) o seu editorial da revista Ler deste mês. A propósito do novo Acordo Ortográfico, a reflexão realizada dedica-se à história desse acordo conseguido em 1990. FJV faz uma resenha histórica desses longos vinte anos de existência do acordo, criticando as academias envolvidas pela qualidade do acordo, criticando a imprensa nacional pela ausência de debate público e criticando os portugueses por terem passivamente aceitado esse acordo, afirmando "...como sempre acontece entre nós, passou-se de aceitação amorfa e bovina para a guerrilha e para a indignação". Para FJV "não há memória de tão profundo e desavergonhado ataque à nossa língua", algo que eu subscrevo literalmente. Contudo, ao fazê-lo não deixo de me perguntar o porquê de só agora ele se manifestar assim publicamente, principalmente quando recentemente desempenhou funções de Secretário de Estado da Cultura e afins e teve inúmeras oportunidades para o fazer, preferindo também ele e nessas circunstâncias um bovino e amorfo silêncio.
Mas aquilo que mais retenho deste texto é mesmo a questão central, estão a destruir-nos a Língua Portuguesa. Tal como todos sabemos, os nossas crianças e os nossos jovens aprendem, desde pelo menos 2011, um Português diferente daquele que as gerações anteriores aprenderam, cultivaram e ensinaram. Com esta história de impasses e de hesitações por parte dos restantes membros da CPLP e com a espectacular precipitação do nosso Estado, como irá aprender correctamente o Português toda essa geração de alunos. Caso o acordo seja revisto, seja alterado, ou mesmo anulado, como vamos recuperar as competências de toda essa gente que sem alternativa aprendeu essa outra língua? Eu tenho uma criança em casa que escreve e lê de forma distinta dos progenitores. Quando lhe dou apoio e leio ou ouço o que escreve, fico muito incomodado. A vontade é corrigi-la, mas sei que no actual contexto seria contraproducente. Tenho por certo que um dia destes iremos todos substituir as normas actuais e regressar às anteriores, mas no entretanto, quem se responsabiliza pelos danos causados? Também sei que a culpa será de ninguém.

comprada e lida...

Da qual destaco com clareza o editorial de Francisco José Viegas acerca do novo Acordo Ortográfico. 

18 maio 2013

lá estarei...


Para ver Nick Cave. Apenas. Obrigado ao puto Ramon que, numa iniciativa de antecipação, me trouxe este salvo-conduto para esse grande momento.

11 maio 2013

the sunset limited

Numa sexta-feira à noite e sem nada de especial para me ocupar as horas, resolvi ligar o meu disco onde tenho todos os filmes e séries que quero ver e onde guardo todos aqueles que já vi. Tinha a intenção de rever o filme "Che", pois quando o vi pela primeira vez, não gostei nada da legendagem - brasileira traduzida pelo google e dessincronizada - mas ao abrir a pasta dos filmes "para ver", não sei porquê, resolvi ver este. Que surpresa, que assombro. Dois personagens, desempenhados por Samuel L. Jackson e Tommy Lee Jones, uma sala, uma mesa, uma bíblia e um diálogo com cerca de noventa minutos. Provavelmente, muitos terão desistido a meio, mas a verdade é que fiquei agarrado àquela conversa. Conversa existencialista, eu diria mesmo filosoficamente existencialista, que requer concentração e muita atenção, mas que para além de si mesma revela, ou melhor, reafirma a dimensão destes dois actores. Vou voltar a ver, com toda a certeza, mas agora vou beber um whisky. Fica a apresentação do filme.

10 maio 2013

mediascape: país novo, requalificado, empreendedor e de homens novos, requalificados, empreendedores

Hoje passei os olhos pela capa do Jornal de Notícias e fixei os sentidos nesta notícia. Passados dois anos desta governação, pejados de repetidas promessas de um futuro melhor para o país e seus habitantes, cá estamos nós a constatar o sucesso dessa governação. Criação de emprego, oportunidades, empreendedorismo, etc e tal são palavras caras e que nos remetem para um ambiente que não é, infelizmente, o nosso e que foram (e são) abusivamente utilizadas pelos nossos governantes. Digno de um ranking de país sub-desenvolvido do terceiro mundo, a criação de emprego pago a pouco mais de trezentos euros é uma vergonha que deveria fazer corar e desaparecer do mapa todos aqueles que têm defendido esta política, esta governação. É de tal forma criminosa a governação dos nossos dias que para ser feita justiça seria preciso criar um novo tribunal internacional para julgar os crimes governativos contra a humanidade. É mesmo isso que se trata. E a cada dia que passa, mais acontece. Os crimes estão a ser cometidos, os criminosos anunciam os crimes e são identificados em flagrante delito. O que é preciso mais para serem condenados, punidos, enfim, excluídos?!

09 maio 2013

obra remendada

Nas frequentes viagens entre o Porto e Bragança tenho usufruído dos novos troços de auto-estrada já concluídos e com isso poupo em tempo e em combustível. Quando estiver pronta vai ser um sossego viajar entre estas duas cidades. Acontece que, ultimamente, tenho verificado que em vários locais desses novos troços, o pavimento tem cedido e por isso formam-se grandes e perigosas lombas. A concessionária vai colocando sinalizações e, segundo pude ler na imprensa regional, vai tentando compor esses segmentos de estrada. Aquilo que me impressiona é o facto de esta ser uma estrada nova, construída durante os últimos dois ou três anos, da responsabilidade de grandes empresas de construção e muito bem pagas pelo Estado. Não percebo como podem acontecer estes abatimentos de terrenos e com tanta frequência. Pior ainda é perceber que nesses locais danificados a solução é remendar, colocando nova camada de alcatrão por cima para nivelar. Não percebo nada dessas engenharias, mas parece-me lógico que o terreno irá de novo ceder e novamente teremos lombas e mais lombas até começarem os acidentes, os feridos e as mortes. Malfadada estrada.