22 maio 2014

relíquias



Dois livrinhos encontrados no acervo do Padre Manuel Vale, relativos à novena da Senhora da Serra. Quando fiz trabalho de campo e escrevi (2007) acerca desse santuário li muitas referências a estes velhos livros, mas nunca os tinha encontrado. Aí estão. Um de 1836 e outro de 1890. Bonito.

15 maio 2014

a floresta


Mais um excelente número (42) da colecção «ensaios da fundação». Neste ensaio o autor propõe-nos um olhar sobre a nossa floresta, um dos principais recursos do país. Perceber as suas indústrias, a sua biodiversidade, os serviços ambientais, os ecossistemas, os riscos activos, dos quais se destacam os incêndios. Leitura importante para quem também se interessa pelas questões da ruralidade.

02 maio 2014

Tio Padre Manuel (R.I.P.)


Desde muito novo me habituei a tratá-lo por Tio Padre Manuel, pois pertencendo a uma família onde havia mais padres e até bispos, era natural e necessário haver elementos distintivos. Em todo o caso, recordo-o sempre como uma pessoa muito séria, muito reservado, altivo e ríspido no convívio com toda as pessoas. De miúdo lembro-me de ter algum medo dele e sempre que queria passar pela canelha, espreitava para ver se ele estava ou não na varanda. Era aí que ele passava muitas horas dos seus dias a andar de uma ponta para a outra, sempre atento a quem passasse na estreita passagem que dava acesso à eira. Normalmente essa passagem era só utilizada pela família, o que implicava sempre ter que conversar com ele. Era curioso e queria saber para onde ou de onde vínhamos. Enquanto miúdo não me lembro de ter tido uma conversa séria com ele. Apenas o essencial da boa educação. Recordo-o no altar a rezar a missa, sempre disposto a dar sermões e recordo-o nas suas caminhadas diárias pelas redondezas da aldeia, aproveitando para conversar com quem se cruzasse no seu caminho. Mais tarde, já crescido começamos a comunicar, ainda que a espaços e sempre com mais interlocutores por perto. Sempre que era preciso, lá pedia a meu pai para servir de intermediário, pois a fama de homem antipático e misantropo, tolhiam-me a vontade de me dirigir a ele.
Na aldeia a sua fama era de pessoa inacessível e de difícil trato. Apenas os seus sobrinhos mantinham uma relação mais ou menos próxima e cordial com ele. Dizia-se que ele nunca quis ter uma vida de sacerdote, que ele quando era jovem era um rapaz muito pimpão e com muitas pretendentes. Terá sido uma promessa a sua mãe a força que o empurrou para essa vida.
Foi já muito perto do seu fim que consegui vencer os meus preconceitos e dirigir-me a ele. A propósito da história de vida de D. Manuel António Pires que estou a escrever, sabia que ele tinha sido seu secretário pessoal em Silva Porto - Angola e, portanto, seria uma fonte importante de informações e documentações. Assim foi. Visitei-o três vezes no início de 2013, ainda não estava doente e pareceu-me sempre bastante lúcido, apesar das falhas de memória. Afinal, encontrei alguém com muita vontade de falar, prestável e até afável... Contou-me muitos episódios da sua aventura em África e enquanto secretário do Bispo de Silva Porto. Mostrou-me fotografias e documentos. Emprestou-me todo o material que eu quis. Confidenciou-me que nunca gostou muito de ser pároco e de aturar paroquianos e que foi essa a principal razão pela qual aceitou ir para Angola. Falou-me do seu padrinho, sua grande referência na vida e de como gostava de "grabanços".
Desde então não voltei a falar com ele. Sei que o seu fim foi um processo lento e de alguma agonia. Faleceu hoje, dia 1, quando contava já noventa e muitos anos. Com ele, desaparece a sua geração na família. Lamento a sua morte e lamento, acima de tudo, não ter tido a sensibilidade para o ter conhecido mais e melhor.

[Imagem: Pe. Manuel Vale (2º à esquerda), com outros 3 missionários a jantar a bordo do navio Pátria entre Lisboa e Luanda no início da década de 60. Fotografia do seu acervo pessoal.]

28 abril 2014

instante urbano XXVII

Num dia de relativo calor, hoje, entro no carro e o cheiro que sinto é idêntico àquele que guardo na memória da velhinha R12. Se há memória boa em mim, essa é a olfactiva. Boa recordação. 

a quem interessar... eu vou

a senhora e o ouro peregrino

Nos longos serões à lareira, abrigados das terríveis geadas e procurando aquecer os ossos antes de enfrentar o desconforto da cama, conversava-se acerca de tudo; daquilo que nos dizia respeito, mas também acerca daquilo que nada era nosso. Aproveitando a presença de alguns familiares e vizinhos, desfiava-se conversa, trocavam-se informações importantes sobre as coisas do lugar, coscuvilhava-se sobre a sorte e o azar dos outros e contavam-se histórias, factos ou ficções, de um tempo passado que só a memória dos mais velhos alcançava.
Uma dessas histórias que repetidamente fui ouvindo relatava acontecimentos dos meados do século XX. Pelos vistos por essa época as mulheres da aldeia e de muitas outras povoações desfizeram-se, se não de todo, pelo menos de grande parte do seu ouro e prata. Sem grandes hesitações ou dúvidas ofertaram-no a Nossa Senhora de Fátima que por esse tempo andou em peregrinação por terras de Trás-os-Montes.
Foi em Junho de 1949, entre os dias 1 e 17, que aconteceu essa peregrinação da imagem da Senhora por toda a diocese de Bragança, depois de ter feito igual viagem pela diocese da Guarda. A Igreja organizou e preparou com os maiores cuidados e pormenores essa visita. Através dos seus elementos (organizações, párocos e religiosos(as)) foi passando a mensagem ao povo. Também através do seu principal órgão de comunicação, o Jornal Mensageiro de Bragança, ia dando instruções acerca dos percursos, das datas e horas das cerimónias, assim como dos comportamentos apropriados para os leigos e devotos da Senhora.

 (JMB - 1/5/1949)

(JMB - 10/5/1949)

Estes dois recortes retirados do Jornal Mensageiro de Bragança, exemplificam muito bem a atitude da Igreja naquela ocasião. Num tempo em que a esmagadora maioria da população da diocese vivia numa miséria atroz, a Igreja, passeando a sua "Mãe", sempre rica e oponente, não hesitou, com o seu discurso pedinte e ganancioso, retirar o pouco e o nada dessa gente temerosa. Enfim, outros tempos.    

26 abril 2014

avô cantigas

Hoje a matiné foi para assistir um espectáculo do Avô Cantigas. A primeira canção que cantou foi a cantiga do avô Cantigas e no seu fim o artista disse que essa canção era um clássico, pois faz este ano trinta e dois anos de existência. Relembrou aos mais pequenotes que essa mesma música já serviu para entreter os seus pais. Verdade. Bastou esta afirmação para me levar para uma reflexão acerca do assunto.
Os meus filhos vêem os mesmos filmes e desenhos animados, lêem as mesmas histórias e ouvem as mesmas músicas, que eu um dia também pude ver, ouvir ou ler. Mas eu nunca tive acesso às histórias e às brincadeiras que entreteram os meus pais nas suas infâncias. Uma ou outra sobreviveu e serão como que imortais, mas na sua grande maioria desapareceram. A razão principal para tal reside no facto de no intervalo entre a geração dos meus pais, agora avós, e a minha ter-se dado o advento das novas tecnologias e da magia da gravação - cassete, vhs, cd, dvd, disco duro, pen, etc - que contribuíram definitivamente para a perpetuação das memórias. Creio que se chegar a ser avô, irei continuar a propor aos meus netos as cantigas do avô Cantigas. Fungagá.

07 abril 2014

a verdade nacional

Numa recente pesquisa ao arquivo digital do Jornal Mensageiro de Bragança, encontrei este parágrafo.

Não querendo descontextualizar, informo que este excerto foi retirado de um artigo intitulado "Nova mascarada trágica e sacrilega" do então Presidente da Câmara Municipal de Vinhais, Padre Firmino Martins, nas páginas 1 e 2 da edição nº 254 de 10 de Janeiro de 1949.

curas...

Aproveitando o facto de hoje se assinalar o Dia Mundial da Saúde:
Ao abrir um velho baú guardado na cave de uma casa desabitada, encontrei uma data de papeis soltos e correspondências de um outro tempo. No meio disso tudo, dei com os olhos numa velha receita para a cura do herpes Zóster - infeccioso e provocado pela reactivação do vírus da varicela, doença popularmente conhecida por zona. Como ainda hoje não há cura eficaz para essa doença, há quem tenha fé em curas alternativas e na boa sorte...

04 abril 2014

escritora a sério


Assinalando o centenário de nascimento de Marguerite Duras - 4 de Abril de 1914. Li-a quando jovem, continuo a lê-la quando adulto. Escrita impressionante. Do livro Escrever que utilizei na tese de mestrado, a propósito do acto de escrever:
"Gostava de contar a história que contei pela primeira vez a Michelle Porte, que tinha feito um filme sobre mim. Num dado momento da história, eu encontrava-me naquilo a que se chamava a despensa na «pequena» casa com a qual comunica a casa grande. Estava só. Esperava Michelle Porte nessa despensa. Fico muitas vezes assim, sozinha, em lugares calmos e vazios. Durante muito tempo. E foi nesse silêncio, nesse dia, que, de repente, vi e ouvi contra a parede, muito perto de mim, os últimos minutos da vida de uma mosca vulgar.
Sentei-me no chão para não a assustar. Já não me mexi mais.
Estava só com ela em toda a extensão da casa. Até então não tinha pensado em moscas a não ser, sem dúvida, para dizer mal delas. Como vós. Fui educada, tal como vós, no horror desta calamidade que afecta o mundo inteiro, que transmite a peste e a cólera.
Aproximei-me para a ver morrer.
Ela queria escapar à parede onde se arriscava a ficar prisioneira da areia e do cimento depositados sobre essa parede com a humidade do parque. Ela debatia-se contra a morte. Aquilo durou talvez entre dez a quinze minutos e, depois, parou. A vida tinha tido de parar. Fiquei ainda a ver. A mosca continuou contra a parede, como eu a tinha visto, como colada a ela.
Enganara-me: ainda estava viva.
Fiquei ainda ali, a olhá-la, na esperança de que ela fosse recomeçar a ter esperança, a viver.
A minha presença tornava essa morte ainda mais atroz. Eu sabia-o e fiquei. Para ver. Para ver como essa morte invadiria progressivamente a mosca. E também para tentar ver de onde viria essa morte. De fora, ou da espessura da parede, ou do solo. De que noite viria, da terra ou do céu, das florestas próximas, ou de um nada ainda inefável, muito próximo, talvez, talvez de mim, que procurava achar os trajectos da mosca em trânsito para a eternidade.
Já não sei o fim. Sem dúvida que a mosca, já sem forças, terá caído. As patas ter-se-ão descolado da parede. Terá caído da parede. Já não sei mais nada, a não ser que me fui embora. Disse para comigo: «Estás a ficar louca». E fui-me embora dali.
Quando a Michelle Porte chegou, mostrei-lhe o lugar e disse-lhe que uma mosca tinha morrido ali, às três e vinte. A Michelle Porte riu-se muito. Teve um ataque de riso. Tinha razão. Sorri-lhe para acabar com a história. Mas não: continuou a rir. E eu, quando vo-la estou a contar, assim, de verdade, na minha verdade, é o que acabei de dizer, o que foi vivido entre mim e a mosca e que ainda não se presta ao riso.
A morte de uma mosca é a morte. É a morte em marcha em direcção a um certo fim do mundo, que alarga o campo do último sono. Vemos morrer um cão, vemos morrer um cavalo e dizemos qualquer coisa, por exemplo, coitado do bicho… mas se uma mosca morre… não dizemos nada, não tomamos nota, nada.
Agora está escrito. Talvez seja neste género de derrapagem – não gosto desta palavra – muito sombria, que nos arriscamos a incorrer. Não é grave mas é um acontecimento único em si mesmo, total, de um significado enorme: de um sentido inacessível e de um alcance sem limites. Pensei nos judeus. Odiei a Alemanha como nos primeiros dias da guerra, com todo o meu corpo, com toda a minha força.
(…)
Também está certo que a escrita conduza a isso, a essa mosca em agonia, quero dizer: escrever o pânico de escrever. A hora exacta da morte, consignada, tornava-a já inacessível. Dava-lhe uma importância de carácter geral, digamos que um lugar determinado no mapa geral da vida sobre a terra.
Essa exactidão da hora a que ela tinha morrido fazia com que a mosca tivesse tido exéquias secretas. Vinte anos depois da sua morte, a prova aqui está, ainda se fala dela.
Eu nunca tinha contado a morte dessa mosca, a sua duração, a sua lentidão, o seu medo atroz, a sua verdade.
A exactidão da hora da morte remete para a coexistência com o homem, com os povos colonizados, com a massa fabulosa dos desconhecidos do mundo, as pessoas sós, aquelas da solidão universal. A vida está em toda a parte. Da bactéria ao elefante. Da terra aos céus divinos ou já mortos.
Eu não tinha organizado nada em torno da morte da mosca. As paredes brancas, lisas, sua mortalha, estavam já ali e fizeram com que a sua morte se tenha transformado num acontecimento público, natural e inevitável. Aquela mosca estava, manifestamente, no fim da vida. Eu não podia impedir-me de a ver morrer. Já não se mexia. Havia também isso, saber, também, que não é possível contar que essa mosca existiu.
Já passaram vinte anos.
(…)
Sim. É isso, esta morte da mosca, tornou-se o deslocamento da literatura. Escrevemos som o saber. Escrevemos a olhar uma mosca morrer. Temos o direito de o fazer.
(…)
À nossa volta todo o escrito, é isso que é preciso chegar a perceber, todo o escrito, a mosca, ela, escreve, nas paredes, escreveu muito na luz da sala grande, reflectida pelo tanque. Ela podia aguentar-se numa página inteira, a escrita da mosca. Então seria uma escrita. A partir do momento em que ela poderia sê-lo, ela é já uma escrita. Um dia, talvez, no decorrer dos séculos que hão-de vir, ler-se-ia essa escrita, seria também ela decifrada e traduzida.
(…)
Podemos também não escrever, esquecer uma mosca. Olhá-la, apenas. Ver como, por sua vez, ela se debateria."
(Duras, 1994:40 a 48)

28 março 2014

fonte de eterna inspiração

Não conhecia André Gorz, jamais lera uma palavra da sua escrita, até que um dia destes tropecei nesta linda capa. Peguei nele e li-o ainda antes de o comprar. Bonito e sentido texto o autor escreve nesta carta dirigida à sua companheira de sempre. Escrito perto do final da vida de ambos, esta carta será o testamento das suas vidas, vividas lado a lado. De todas as passagens bonitas, marcantes e memoráveis que a sua leitura me deu a conhecer, há uma que pelo seu significado político e até essencialista, talvez pela empatia, me marcou:
"Tanto quanto consigo lembrar-me, sempre detestei o estilo de vida dito «opulento» e seus desperdícios. Tu recusavas seguir a moda e julgava-la segundo os teus próprios critérios. Recusavas-te a permitir que a publicidade e o marketing te dessem necessidades que não sentias. (...) Acabámos por adquirir, ao fim de dez anos, um Austin velho. O que não nos impediu, porém, de continuar a considerar a motorização individual como uma escolha política execrável, que põe as pessoas umas contra as outras, na pretensão de lhes oferecer o meio de se livrarem de um destino comum. Tinhas para as despesas correntes um orçamento que definias e gerias de acordo com as nossas necessidades. Faz-me lembrar que tu tinhas concluído, já aos sete anos de idade, que o amor, para ser verdadeiro, deve desprezar o dinheiro. Tu desprezava-lo." (páginas 68 e 69)


Ainda o estava a ler e já sabia a quem o ia oferecer. Assim fiz.

evolução epistemológica

Ir a uma consulta de clínica geral e depois de explicada a situação e identificadas as maleitas sentidas, ser aconselhado pela especialista em medicina geral e familiar a experimentar sessões de acupunctura e de yoga. Apesar destas serem já muito populares entre nós, nunca um especialista, formado e formatado pela academia e com um discurso historicamente hermenêutico e uma prática conservadora, me aconselhara sair da ciência positivista. Como evolui o conhecimento científico e vai incorporando ou normalizando todas as outras terapias, outrora irreconhecíveis e estigmatizadas.

17 março 2014

festival da canção

Tal como grande parte dos portugueses que tenham 30 ou mais anos, recordo os serões em que o país parava para assistir ao festival da canção. Durante décadas esse era um momento marcante da vida artística e do entretenimento nacional. Era sempre grande a expectativa para conhecer os artistas e os temas a concurso, assim como era com ansiedade que assistíamos à votação feita pelo júri descentralizado pelas capitais de distrito e, por incrível que pareça, acreditava-se na competência, justiça e na idoneidade desses painéis de jurados. Entretanto, o mundo mudou, tudo mudou e o evento, outrora, marcante e estruturante, perdeu centralidade, qualidade e, acima de tudo, perdeu razão de existir. Não se percebe a insistência da RTP num formato esgotado e que pouco dignifica o serviço público de televisão. Este ano, por razões "amigas", assisti aos dois episódios, ou melhor, às duas partes do festival e fiquei muito embaraçado, sentindo mesmo vergonha alheia, com o espectáculo de uma tristeza confrangedora que os meus olhos podiam ver. Silvia Alberto e José Carlos Malato bem tentavam manter a dignidade da coisa, mas perante o vazio de conteúdo, a falta de entusiasmo do pouco público presente e a fraca prestação dos concorrentes, era notório o desconforto. Por muito que repetissem que o ambiente estava fantástico, por muito que gabassem os temas e os seus intérpretes, percebia-se mesmo através da TV que estávamos perante um tremendo acto falhado da RTP com direito a apupos e vaias para o vencedor. Desconheço o resultado das audiências, mas até o facto de a votação ser feita pelos telespectadores, através de telefone, demonstra bem a dimensão do concurso. Depois, se repararmos com atenção, são sempre os mesmos: apresentadores, concorrentes, produtores, convidados, homenageados, etc. Dá a sensação de haver uma clique de privilegiados que carece deste espaço para justificarem a sua existência e que cristalizaram, ou mesmo, fossilizaram julgando deter a exclusividade da música ligeira em Portugal e que não se aperceberam que o mundo que os rodeia evoluiu par algo diferente. Sem julgar o papel que tiveram e a sua relativa importância, estou farto de António's Calvário's, de Simone's de Oliveira, de Ary's dos Santos, de Carlos Paiões e de todas as outras santidades da nossa história recente. Aquilo que assistimos foi um tremendo exercício de saudosismo por um Portugal que já não existe, nem voltará a existir. Sei da importância da memória para a vida dos indivíduos e das comunidades, mas assim não, é decadente e atávica.
PS - assisti com toda a atenção e não gostei de nenhuma das 10 músicas em concurso. Assisti com toda a atenção aos momentos musicais produzidos pelo meu amigo José Lourenço e destaco o desempenho do Henrique Feist, que uma vez mais demonstrou ser um excelente artista.

08 março 2014

dumping generalizado

Desconfio até que já não é a primeira vez que eu verto para palavras este assunto.
Eu não percebo nada do assunto e nunca fiz qualquer esforço por entender da poda. Por outro lado, não serei um típico consumidor, daqueles que compram, compram e compram. Contudo, não posso deixar de me apurriar com aquilo que vou vendo por todo o lado, principalmente nos grandes altares do consumismo pós-moderno que são os shoppings. Como é possível que os comerciantes e os lojistas apresentem promoções durante meses e meses?! Como é possível apresentarem durante todo esse tempo descontos que em muitos casos chegam aos 70% do preço de venda?!... Alguma coisa estará errada, pois ou eles estão a vender abaixo do preço de custo, algo que não me parece razoável, sequer racional, ou então a margem de lucro com que habitualmente trabalham é de tal forma grande, que se podem dar ao luxo de perder mais de metade do seu lucro, algo que apesar de estranho me parece ser o que de facto acontece. Isto, a ser verdade, só revela o roubo que todos, enquanto consumidores, aceitamos durante o restante tempo sem promoções e o processo de globalização e a chegada de produtos manufacturados em países do terceiro e quarto mundo só vieram promover essa desregulação dos mercados. Nada contra a venda/compra de produtos e espécimes mais baratos ou muito mais baratos; tudo contra a venda/compra de produtos e espécimes mais caros ou muito mais caros do que aquilo que realmente valem. Atenção, desconfio que são corrêssemos atrás das promoções e as ignorássemos, os preços acabariam por descer substancialmente, acabando assim com toda a especulação.

07 março 2014

de todo o ano de 2013 e princípio de 2014

Não sei bem porque razão, mas talvez por distracção ou esquecimento, reparo agora que a última vez que aqui actualizei os livros que adquiri ou me foram oferecidos aconteceu em Dezembro de 2012. Por tanto, farei agora a referência àqueles que de lá e até ao presente entraram no acervo:
- Castro, Pe. José de (1946 a 1951), Bragança e Miranda, 4 volumes, Lisboa, Academia Portuguesa de História;
- Foucault, Michel (1998), As Palavras e as Coisas, Lisboa, Edições 70;
- Fernandes, Armando e Ferreira, Manuel (2011), Figuras notáveis e notórias bragançanas, Bragança, Fundação Mensageiro de Bragança;
- Centeno, Mário (2013), O trabalho, uma visão de mercado, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Silva, Filipe Carreira da (2013), O futuro do estado social, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Barros, Pedro Pita (2013), Pela sua saúde, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Rodrigues, Ernesto e Ferreira, Amadeu (coord.) (2013), A Terra de Duas Línguas II - antologia de autores transmontanos, Bragança, Lema d'Origem;
- Tiza, António Pinelo (2013), O Diabo e as Cinzas, Lisboa, Âncora Editora;
- Marques, Carlos Vaz (coord.) (2013), Revista Granta I, Lisboa, Tinta da China;
- Tiza, António Pinelo (2013), Mascaradas e Pauliteiros - etnografia e educação, Lisboa, Eranos - edições e multimédia;
- Sousa, Fernando de (2013), Bragança na época contemporânea (1820-2012) - volumes 1 e 2, Bragança, Câmara Municipal de Bragança;
- Mota, Francisco Teixeira da (2013), A liberdade de expressão em tribunal, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Osswald, Walter (2013), Sobre a morte e o morrer, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Aboim, Sofia (2013), A sexualidade dos portugueses, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Pereira, Alfredo Marvão (2013), Os investimentos públicos em Portugal, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Sarmento, Joaquim Miranda (2013), Parcerias público-privadas, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Rosa, Maria João Valente e Chitas, Paulo (2013), Portugal e a Europa: os números, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Jorge, Vitor Oliveira e Iturra, Raúl (1997), Recuperar o espanto: o olhar da antropologia, Porto, Edições Afrontamento;
- Menezes, Manuel (2011), Os fiados nas tabernas espelhos das realidades aldeãs: Alvite e Rio de Onor, Moimenta da Beira, Edições Esgotadas;
- Le Breton, David (2004), Sinais de Identidade - tatuagens, piercings e outras marcas corporais, Lisboa, Miosótis;
- Vieira, Ricardo (2009), Identidades Pessoais, Lisboa, Edições Colibri;
- Santo, Moisés Espírito (2006), Os Mouros Fatimidas e as aparições de Fátima, Lisboa, Assírio & Alvim;
- Marques, Carlos Vaz (coord.) (2013), Revista Granta II, Lisboa, Tinta da China;
- Mesquita, José Alegre (2012), Selores... e uma casa, Vila Nova de Gaia, Euedito;
- Moura, Vasco Graça (2013), A identidade cultural europeia, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos;
- Marques, Hermínio Cunha (1998), As alminhas no concelho de Carregal do Sal, Carregal do Sal, Câmara Municipal de Carregal do Sal;
- Câmara Municipal da Lousã (1986), Alminhas do concelho da Lousã, Lousã;
- Simpson, Duncan (2014), A Igreja Católica e o Estado Novo Salazarista, Lisboa, Edições 70;

LER... e mais um ciclo que termina


Saiu para as bancas hoje o número 133 da Revista LER e com ele a notícia, em editorial, de que este será o último número mensal da revista. A partir daqui a periodicidade será trimestral, regressando assim ao formato anterior a 2008. Compreendendo as dificuldades editoriais, lamento o desaparecimento desta que tem sido uma companhia assídua de alguns dias de cada mês. Aguardemos pelo novo formato e esperemos ser surpreendidos.

05 março 2014

sétima arte

Por estes dias em que tanto se fala de cinema, filmes, "oscars", vencedores e vencidos, dediquei algumas das minhas horas à arte. Assim e sem qualquer ordem cronológica, pude ver:
+ Blue Jasmine, com a bonita e talentosa Cate Blanchett numa personagem assombrosa;
+ Capitão Phillips, que vale por ficcionar algo que terá acontecido realmente;
+ De Bicicleta com Mòliere, de certa forma uma desilusão face às expectativas;
+ O Passado, intenso e marcante;
+ Golpada Americana, bem ao jeito de Hollywood;
+ O Lobo de Wall Street, com DiCaprio e uma alucinante narrativa;
+ O Conselheiro, e o seu excelente elenco;
+ Reasonable Doubt, sem merecer qualquer comentário;
+ A Rapariga que roubava Livros, com mais uma excelente prestação de Geoffrey Rush e uma história lindíssima;

16 fevereiro 2014

JRC


Poderia dizer que continuo a descobrir o autor, mas já o conheço e reconheço a sua escrita. A cada livro que dele leio fica sempre a sensação que a narrativa é curta e que depressa demais se chega ao seu fim. Uma vez mais José Rentes de Carvalho (JRC) leva-nos a percorrer os caminhos da sua memória, desta feita não pelas arribas do douro e pelas invernias transmontanas, mas pelas duas margens do rio Minho. Sempre num ambiente rural e de extrema pobreza, JRC apresenta-nos um portugal de meados e segunda metade do século XX, miserável e esfomeado, sempre afoito pela transgressão e pela aventura que a actividade do contrabando proporcionava. Elemento, aliás, recorrente na obra deste escritor. Foi leitura nesta tarde soalheira. Venha o próximo.