12 maio 2015

agenda

É já depois de amanhã, 5ª feira, dia 14 de Maio, a partir das 21 horas. Irei a Macedo de Cavaleiros apresentar o livro "D. Manuel António Pires, história de vida de um missionário (1915-2015)", a convite de D. José Manuel Cordeiro, Bispo de Bragança, que também apresentará o seu último livro. Apareçam.

11 maio 2015

mediascape: shame on you!

"Conseguimos infligir um dano de 30 milhões de euros na companhia e penso que isso não devia ser desvalorizado pelo Governo".

Hélder Santinhos, responsável do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), em directo num qualquer canal de televisão, se não estou em erro, na passada 6ª feira, dia 8 de Maio, enquanto ainda decorria a greve dos pilotos da TAP.
Eu não sei, talvez seja um problema meu, mas ter a coragem de afirmar publicamente, com satisfação e orgulho, que o seu comportamento, a sua atitude provocou tal prejuízo à sua entidade patronal, deveria ser mais do que motivo para despedimento imediato. Dele e de toda a corja de privilegiados que se arrogam ao direito de destruir quem lhes paga o ordenado principesco.
Não quero saber da sua razão, não quero saber do real direito à greve. Neste caso, foi uma vergonha e deveria haver responsabilização e consequências drásticas para quem assim se comportou. Perderam a face e não tiveram coragem de o admitir e recuar nas suas posições, procurando sempre fugas para a frente com argumentário roto. Foi triste e infeliz a figura que este sr. piloto fez ao longo destes dez dias.


Shame on you Mr. Santinhos!

a quem interessar...

leitura de "fragmentos de unidade polifónica de Guerra Junqueiro"

No momento em que acabo de ler o livro de Henrique Manuel Pereira, recentemente lançado e que diz respeito à sua tese de doutoramento - ao qual já me referi aqui - resolvo verter para o papel algumas ideias que me assaltaram durante essa leitura.
Mas antes, quero começar por uma manifestação de condição: não conhecia, até ao presente, qualquer aspecto da vida ou obra deste ilustre transmontano de Freixo de Espada à Cinta. Este foi o primeiro contacto que fiz com o seu universo, mas posso afirmar, desde já, que não será o último e que apesar de não estar habilitado para ajuizar a obra, posso confessar que a sua leitura me motivou para conhecer melhor a personagem e procurar a sua obra.
Como é hábito nestas andanças e também pelo que atrás referi, não posso deixar de felicitar o autor, conhecido e reconhecido investigador do mundo Junqueiriano, pela obra realizada. Num trabalho de mais de 500 páginas e recheado de notas, referências e citações, somos conduzidos pela clara escrita do autor, com mestria no pormenor e/ou detalhe, com oportunismo nas etnografias e com bom gosto estético, ao longo da existência de Guerra Junqueiro. Parabéns Henrique.
Tal como já referi, não me atrevo sequer a comentar o que seja deste trabalho. No entanto, há um conjunto de ideias manifestadas e que, provavelmente, por ignorância, me chamaram a atenção e despertaram em mim aquela vontade de me pôr a caminho de...
É referida por mais do que uma vez a possibilidade de Guerra Junqueiro ser judeu. São apresentadas as opiniões de autores que ao longo dos anos reflectiram sobre essa possibilidade. Como é o caso de António Sardinha (p.245), que fazendo uma leitura ou interpretação da sua fisionomia (fenótipo), da sua moral e remetendo-o para a condição de "outro", tenta justificar a sua atitude anticlerical. O Henrique Manuel Pereira prefere relativizar a questão, pois não dispõe "de elementos probatórios que nos permitam afirmar ou negar o alegado semitismo de Guerra Junqueiro" (p.246), e logo a seguir: "sem declarada ligação aos genes..." (p.247). Associando esta dúvida aos referidos motes, chacotas, chistes, alcunhas, caricaturas ou nomeadas que visavam Guerra Junqueiro e o associavam a essa tipologia social, estereotipada, ao facto de ser oriundo de uma região que foi refúgio de várias gerações de judeus, expulsos de outros territórios, nomeadamente daquele que agora conhecemos por Espanha, não me parece de todo impossível haver uma ascendência judaica, depois convertida em Cristãos novos, vulgarmente conhecidos por Marranos, mas também por perros (dada a sua origem espanhola). Depois, acrescento a esta possibilidade a coincidente atitude "peliqueira" de Guerra Junqueiro, também característica desses povos e indivíduos Marranos (almocreves, negociantes, vendedores e regateadores nómadas que percorriam a região a comprar e a vender de tudo).
Tendo em conta a minha ignorância relativa ao universo de Junqueiro e o desconhecimento de outras obras biográficas dele, de momento não tenho como esclarecer esta questão. Pedindo desculpa pela ousadia deste raciocínio, felicito uma vez mais o meu amigo Henrique Manuel Pereira. Com a certeza que um dia destes, assim que se proporcionar, hei-de trocar estas impressões com ele.

Nota: a título informativo e para poderem conhecer melhor o universo de Guerra Junqueiro e do trabalho que o Henrique Manuel Pereira tem desenvolvido, visitem o blogue - (aqui), e o sítio web - (aqui).

05 maio 2015

mediascape: vandoma

Encontro hoje nas páginas do JN o protesto dos feirantes da feira da Vandoma junto da Câmara Municipal do Porto, contra o plano do executivo de transferir a Vandoma das Fontaínhas para a Alameda de Cartes, na zona do Cerco, em Campanhã. Leio as declarações do vereador responsável pelo departamento de Fiscalização, tentando justificar essa transferência, mas não me convencem, pois segundo as palavras desse responsável, trata-se de uma "visão abrangente de conciliar conflitos existentes". Curiosa forma de conciliação! Afastam-se os feirantes e a feira para bem longe do centro cívico e histórico da cidade, para as periferias da cidade, sem polarização e sem rede de transportes que sirvam o espaço e os feirantes. E entrega-se o espaço ao abandono?! Ou à especulação?! Durante décadas - eu sempre me lembro da feira naquele local - foi nas Fontaínhas que todos os Sábados, bem cedo e durante toda a manhã, se realizou esta feira, utilizada por muitos para comprar e vender objectos antigos, velhos ou roubados. Lembro-me de algumas histórias e episódios contados por amigos que, frequentemente, lá iam vender o que já não queriam ou servia. Tudo era objecto de venda e de compra. Tudo.
Ao saber desta ideia parva do município, vem-me ao pensamento a comparação da velha, porque antiga, feira da Vandoma e as modernas e desmaterializadas "feiras" virtuais, tipo OLX, onde tudo, mas tudo, pode também ser vendido e comprado. Não adianta lutar contra o tempo e contra a evolução dos hábitos e dos comportamentos, mas se a feira da Vandoma ainda tem feirantes - vendedores e compradores, porquê acabar com ela por decreto? Mal feito.

saber popular

Vasto conhecimento que advém da vivência quotidiana, da experimentação e que nem sempre chega a ser "senso comum", pois por várias razões não é conhecimento generalizado. Trata-se de um tipo de conhecimento muito específico e peculiar, transmitido oralmente e cujas fontes de saber estavam (e estão) na natureza, nos animais, na prática das artes e dos ofícios. Cada vez fico mais impressionado com a sabedoria daqueles que, aos olhos da actualidade letrada e burocrática, são ignorantes, analfabetos e info/tecno-excluídos.
Por estes dias, andava eu pelo monte, aproveitando os primeiros dias de luz primaveril, quando me apeteceu descansar um pouco à sombra de umas carrasqueiras no cimo de um lameiro já bem verde. Passados não muitos minutos chega-se a mim uma mulher que me cumprimenta, estranhando ver-me por ali, pergunta-me ao que ando. Respondo-lhe a todas as perguntas e já em jeito de despedida, disse-me para não ficar muito tempo assim no chão, pois posso ser mordido por um qualquer Biberon(?) ou Alicante(?). Admirado, pedi-lhe para me repetir o nome dos bichos, pois jamais ouvira falar de tais animais... Não adivinhando a sua vontade de falar, lá me explicou:
O Biberon(?) - não sei se é assim que se escreve e desconheço o seu nome certo ou técnico - é uma espécie de cobra pequena e delgada que morde com a cauda. A sua mordedura mata os animais e as pessoas, se não tiverem cuidado, também. Antigamente quando alguém era mordido, utilizava-se gordura de porco derretida com brasas sobre a mordedura e depois disso picava-se o local com agulhas, pregos ou outra coisa fina para tentar tirar o veneno. Mas era complicado, as pessoas viam-se aflitas. Todos os boieiros e pastores conheciam o perigo e tinham cuidado, mas mesmo assim, às vezes acontecia.
O Alicante(?) é uma espécie de gafanhoto e encontra-se debaixo das pedras. O seu veneno também é muito forte e atacava principalmente os animais que pastavam.
Por fim e sem me dar tempo a pegar num pedaço de papel e caneta, disse:
Se te morder o Biberon,
que te metam no caixão.
Se te morder o Lacraio
pegai na urna e levai-o.
Sempre a aprender.

28 abril 2015

mãe


Ele sabe muito bem descrever a figura que coloriu...

26 abril 2015

41º aniversário da revolução

Data importante que se assinalou ontem, mas que eu, por afazeres domésticos, parafernálicos, bricolágicos e afins, não pude aqui vir e registar. De qualquer forma, consciente da data, gostei de estar afastado e ausente do mediático e efémero registo da espuma do dia, pois sabia, sei, da inutilidade, do aborrecimento em que essas manifestações oficiais se transformaram. Aliás, durante oito anos (dois mandatos autárquicos), enquanto membro da Assembleia Municipal de Bragança, participei activamente nas celebrações do 25 de Abril, no concelho de Bragança e se nos primeiros anos eu ansiava pela data e pela oportunidade de discursar, reafirmando os valores da democracia e a primazia da liberdade, para mim valor supremo da condição humana; nos últimos anos era já com algum incómodo e aborrecimento que me via "obrigado" a repetir o discurso politicamente correcto de elegia à data e aos seus significados, pois aquilo que sentia (e sinto) no meu quotidiano é a prática de um esquecimento, de um branqueamento desses valores de Abril. Espero sempre que tudo isto possa ser definitivamente alterado e que eu possa estar equivocado, mas em todo o caso, lamento não vivermos, de facto, sob o desígnio desse momento refundador da nossa identidade nacional. 25 de Abril.

Guerra Junqueiro

Pois é verdade que não conheço a obra deste ilustre transmontano de Freixo de Espada à Cinta, mas a dedicação, a investigação, o gosto e o trabalho do amigo Henrique Manuel Pereira, que agora publicou em livro estes fragmentos, teve a virtude de me trazer a curiosidade de conhecer um pouco melhor a vida e a obra de Guerra Junqueiro.
Numa das badanas do livro podemos ler um excerto do prefácio assinado por Luís Machado de Abreu, da Universidade de Aveiro:
«Muitas são as vozes que, em diálogo, se fazem ouvir neste novo trabalho de Henrique Manuel Pereira. Leva-nos o autor em viagem diligente através da receção de Junqueiro, criador literário de exceção, que, por entre aplausos e repúdios, provocou paixões veementes e foi catalisador de virtudes e vícios tipicamente portugueses. [...] ao lado de páginas de documentação mal conhecida ou de todo ignorada e de luminosa hermenêutica textual, deparamos com a muito conveniente demolição de ideias feitas. Sempre em nome da restituição do rosto verdadeiro do homem e da herança literária que ele nos legou»
O lançamento aconteceu no passado dia 24 de Abril, pelas 19 horas, no auditório Carvalho Guerra da Universidade Católica, no Porto e a obra foi superiormente apresentada pelo Professor António Cândido Franco.
Resta-me referir, dar testemunho, da paixão do Henrique Manuel pela obra e vida de Guerra Junqueiro, pois desde há muitos anos - segundo ele desde 1991 - tem estudado, tem dedicado parte do seu tempo ao conhecimento do universo Junqueiriano.

23 abril 2015

baú da memória IX

Quando sei do desaparecimento de um velho amigo, recordo esses momentos de meninice em que convivi com ele e sua mulher. Conterrâneos e amigos de meus pais, era hábito encontrarem-se nas férias em Vila Boa, aproveitando esses dias de descanso para longos passeios e piqueniques no monte. Socorro-me do álbum de fotografias para o recordar e é com alguma nostalgia que revejo nele o homem simpático e brincalhão com as crianças que éramos. O Chico d'ó Cerdeiro vivia lá para os lados do Estoril, casa que visitei uma única vez. Regressava todos os anos à sua aldeia na Páscoa e no Outono, por altura dos Finados. Tinha um jipe - é a primeira recordação que tenho de andar num todo-terreno - no qual nos levava pelo termo da aldeia, por caminhos e ladeiras abismais.
A vida afastou-nos, o tempo passou por mim e por ele. Ontem faleceu, depois de um longo período doente, dizem-me. Não me recordo da última vez que estive com ele... talvez há dois, três anos, não sei. Os últimos contactos que tivemos, aconteceram através do Facebook, mas como entretanto abandonei essa existência, perdi-lhe o contacto. Lamento. Tristeza.


Nesta fotografia, de Agosto ou Setembro de 1977, está o Chico comigo e com o meu irmão Daniel em cima de uma meda de palha de trigo. Era por aventuras como esta que eu, nós gostávamos dele. Ficará a memória desses alegres tempos.

dia do livro

Em dia mundialmente nomeado como o do livro, não haveria melhor forma de o iniciar do que a receber um email de alguém que é Escritor, conhecido e reconhecido na nossa e noutras praças. Ainda que em jeito de reparo, foi uma feliz coincidência.
Não sinto especial necessidade de assinalar este dia, pois os livros estão sempre presentes na minha vida. Diariamente fazem parte das minhas rotinas de trabalho e de lazer, por isso apenas posso destacar aqueles que me tem acompanhado nos últimos dias e que, também hoje, estão comigo:



22 abril 2015

boa razão para o ler...

Já aqui tenho trazido o elogio à escrita de José Rentes de Carvalho. Apesar de ser uma descoberta relativamente recente, talvez com 10 anos, para a sua avançada idade, considero-o um dos melhores escritores da actualidade portuguesa. Com as devidas e relativas distâncias, Rentes de Carvalho será o Eça da modernidade. Conheço a totalidade da sua obra editada em Portugal e acompanho diariamente, sem excepção, o seu "tempo contado", lugar onde vai depositando e partilhando pedaços da sua escrita, dos seus humores e das suas amarguras. Gosto da sua escrita clara e concisa, da sua capacidade para descrever pessoas, lugares e recantos que, apesar de não conhecer, reconheço na imensa paisagem transmontana, dos seus diálogos que me recordam as conversas que ouvia pela aldeia, a figuras recortadas pelo tempo antigo. Tudo isto a propósito de um pequeno texto - "o rio somos nós" - que colocou no seu blogue (ver aqui) e onde remete para um texto que escreveu em tempos e ao qual, diz, retorna amiúde e do qual se orgulha ter escrito. Essa foi uma boa razão, diz ele, para o partilhar com todos nós. Eu li-o e, tal como quase sempre, é muito bom.

20 abril 2015

mediascape: o (um) mar de mortos

O Mar Morto é outro, mas nos últimos dias aquele que tem sido sepultura de milhares de indivíduos - sem nome, sem pátria de origem e sem destino legal - tem sido o Mediterrâneo. Perante tamanha catástrofe, continuamos, hipócritas, a dedicar-lhes minutos de silêncio, cuja totalidade já ultrapassará largas horas de homenagens.
A Europa, cujas fronteiras externas tendem a fechar-se a cada surto migratório que tenta penetrar no seu espaço, está há muito tempo sem solução para este drama. Sem sequer saber o que fazer. Agora, perante a sucessão de acidentes com essa massa anónima de gente que, a todo o custo, tenta chegar ao nosso território, são muitas as opiniões e muitos os críticos que, de ânimo leve, têm uma solução, ou melhor, a solução para estas situações. Alguns até defendem que a Europa deveria abrir totalmente as suas fronteiras e aceitar todas as hordas de emigrantes provenientes do Norte de África, concedendo-lhes o estatuto de refugiados, ou integrando-os nas nossas sociedades. Muito sinceramente não encontro uma solução aceitável para tamanho problema, mas em teoria parece-me que a sua resolução estará a montante, neste caso a Sul da Europa... O combate aos extremismos e aos fundamentalismos religiosos, o apoio efectivo - segurança e logística - às comunidades perseguidas, criando espaços, zonas, regiões e países neutros seria meio caminho para muitos abandonarem o caminho da morte, apesar de sabermos que do seu ponto de vista, a morte não se encontra aqui ou a caminho, mas sim lá onde pertencem.
Esta realidade, apesar de não ser novidade, assume proporções jamais vistas, levando-nos a perceber como a Europa, assim como a América do Norte, são espaços de exclusão, onde aqueles que, por acaso, aí nascem ou onde são cidadãos de plenos direitos, nem nos seus piores pesadelos experimentam a realidade miserável do resto do mundo. Mundo vertido e desequilibrado para Norte.

18 abril 2015

a quem interessar...

Do amigo Professor Doutor Henrique Manuel Pereira. Lá estaremos.

10 abril 2015

reciprocidades

As contas à moda do Porto são as certas e aquelas que melhor resolvem as diferentes relações e, acima de tudo, as variadas situações. Como princípio não tenho qualquer reserva em aceitá-las como a melhor forma de entendimento social. São justas, equitativas, não permitem melindres, nem ressentimentos e mantêm as simetrias relacionais - "cada um paga a sua despesa". O problema é que mesmo habituado a elas desde o berço, o ethos que me chega de para lá dos montes, impele-me para o pagamento da despesa de um amigo que me acompanhe, sem nunca, penso eu, ter prejudicado essa relação ou ter melindrado esse amigo. Até porque sei que numa outra qualquer situação similar será ele a pagar. São assim as contas à transmontana e eu sinto-me confortável com o seu princípio e a sua prática - "agora pago eu, depois pagas tu, depois pagará ele".
Esta reflexão comparativa entre dois diferentes sistemas de reciprocidade económica e social, acontece depois de várias situações em que não adequei o modo de retribuição à circunstância em que me encontrava. Passo a explicar: Tendo pago uma, duas vezes, seria expectável que numa outra vez esse alguém se disponibilizasse para pagar. Isso não aconteceu e o "modo" tripeiro impôs-se. Experimentei então não me adiantar no pagamento e ficar na expectativa, mas no momento de pagar apenas fizeram pagar a sua despesa. Muito bem, digo eu, aprendendo e servindo-me de lição, mudei de atitude. Continuo a fazer gosto em pagar aos meus amigos e a quem me merece, e nem por isso deixei de o fazer, mas apenas quando e onde sei que haverá, ou houve, reciprocidade. Adivinham, com certeza, o sistema que mais se adequa à minha personalidade?! Pois é, recordo com prazer as filas de Superbock em cima do balcão da taberna, à espera de serem consumidas, porque cada um dos convivas fez questão de pagar uma rodada. Bonita e eficaz forma de reforçar os laços de reciprocidade.

09 abril 2015

mediascape: majorados

São os números de telefone que os canais de televisão portuguesa apresentam diariamente, com especial incidência nos programas-maratona dos fins-de-semana e através dos quais coagem e extorsem os telespectadores. É impressionante a atitude insistente e agressiva dos pivots ou apresentadores desses programas, passando minutos e minutos de emissão a convidar e a persuadir as pessoas a ligarem. Para tal, utilizam argumentos terríveis, aproveitando-se da putativa fragilidade de seus interlocutores, tais como o desemprego, a crise e as contas para pagar, a despensa para encher e as prestações das casas e das escolas dos filhos. Inadmissível. Pelos vistos - leio hoje no Público - a ERC tem recebido inúmeras queixas e está atenta ao fenómeno, mas não terá competências para intervir. Aliás, parece que ninguém tem competências para resolver esta situação. Aquilo que os canais televisivos estão a fazer é crime, pois estão a enganar deliberadamente os seus públicos, garantindo prémios pecuniários que não podem entregar, pois estes são exclusivos dos casinos. Por outro lado, é uma vergonha os ditos canais servirem-se desses concursos como fonte de rendimento - segundo a mesma notícia do Público, "há casos em que o apelo à participação no concurso, através do apresentador ou apenas por ter o número a ocupar parte significativa do ecrã, foi feito durante 95% da duração do programa. Não é de admirar: tendo em conta os relatórios e contas, só a SIC e a TVI terão facturado em 2014 cerca de 50 e 65 milhões de euros , respectivamente em receitas de multimédia, onde se incluem estes concursos".
Por último, uma palavra de repúdio para essas vedetas que se prestam a tais papeis; estarem horas e horas de sorriso rasgado, enquanto enganam e vendem a banha da cobra. Bem sei que para ser animador de televisão não existe nenhum código deontológico, mas devia existir. Para além disso, a ética e o brio profissional não necessita de nenhuma lei ou código. Bem pesadas devem estar as suas consciências.

08 abril 2015

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É a sensação que transporto comigo há já alguns dias. Depois do stress dos acabamentos, da ansiedade e da expectativa pelo dia 27 de Março, dia do lançamento do livro, dei comigo em modo stand by, cansado, sem vontade e sem propósito. Sei o que tenho para fazer e escrever - nova edição já para o mês de Agosto e outra lá para o final do ano. Não faltam trabalhos, ideias e projectos, mas agora não. Não me apetece. Ainda estou, de alguma forma, envolvido com o trabalho que agora finalizei e sei que este ainda terá outras etapas ou fases que me implicarão com trabalho e disponibilidade.
Por estes dias a sensação plena de vazio reina, mas incomoda. Nada a ocupar-me o cérebro faz-me bem, mas cansa. Não gosto deste estado de alma, torna-me desleixado e preguiçoso. Quando regressar irá custar mais. Always the same.
(Delães, 31 de Março de 2015)

a quem interessar

reconforto pretérito


Lugar sagrado onde a melhor loiça e o melhor vidro era preservado para os dias de festa e de nomeada.
Altar da casa onde só os adultos, mormente as mulheres, podiam aceder para guardar ou retirar uma qualquer iguaria para presentear uma visita ou familiar.
Recantos com simples trancas que mantinham a estabilidade do lar e a sobrevivência da família.
Quantos segredos, desejos, vontades, necessidades se ocultavam por detrás dessas portas?
Olhar sobre o monte de escombros dessas pretéritas vidas é sempre uma atracção para mim.