Último dia do mês de Outubro e anda gente de manga curta e de calções na rua. Fim-de-semana prolongado e por causa dos mortos e santos fiéis, meio país deslocado em romaria para os cemitérios e eu também. Afastado dessa parafernália consumista de velas, vazos e flores e flores, aproveito o tempo para me ocupar das minhas coisas, aquelas que ninguém gosta, ninguém quer, ou sequer valoriza. Mas raio, não precisava desta temperatura, deste sol, deste calor. O relógio biológico já vinha à procura do aconchego da lareira, de alguns bilhós e, quiçá, de uns tragos de jeropiga. Mas não, anda-se na rua e bebe-se cerveja para refrescar. No último dia de Outubro.
---------"Viajar, ou mesmo viver, sem tirar notas é uma irresponsabilidade..." Franz Kafka (1911)--------- Ouvir, ler e escrever. Falar, contar e descrever. O prazer de viver. Assim partilho minha visão do mundo. [blogue escrito, propositadamente, sem abrigo e contra, declaradamente, o novo Acordo Ortográfico]
31 outubro 2016
28 outubro 2016
medo
Aí está o número oito da revista Granta Portugal, cujo tema é o medo. Desta vez mais cedo e mais barata, pois resolvi assina-la. A acompanhar a encomenda que chegou hoje pelos correios, vinham três livros de oferta, dos quais destaco a biografia de Luiz Pacheco, "Puta que os Pariu", que já comecei a ler.
25 outubro 2016
serões sem ditadura
Como são bem mais agradáveis os serões sem a TV ligada. Escolher manter o aparelho, todo poderoso da vida de todos nós, desligado, liberta-me para tantas outras opções tão bem mais interessantes e aprazíveis que a ditadura da televisão impede ou oculta. Ainda por cima é sem qualquer tipo de sacrifício que a mantenho em off, pois o lixo televisivo é cada vez mais tóxico e prejudicial à saúde e à inteligência de cada um de nós. É cada vez mais, para mim, um modo de vida. Poder escolher aquilo que queremos ouvir e fazer uma selecção musical ao sabor do humor; lermos aquilo que queremos ler em paz e sem ruídos perturbadores; procurarmos as notícias e o ritmo do mundo que nos rodeia em modo self-service, sem promoções e sem adds; escrever, teclar e bloggar sem interferências e o vinho, generoso e velho.
Longa e boa noite.
Longa e boa noite.
regresso à grande tela
Num fim-de-semana pachorrento como este último, pûs-me a ver, com olhos de quem está mesmo interessado, a lista de filmes que estão disponíveis nas salas de cinema. Nada de interessante que segurasse os meus sentidos e a minha curiosidade, a não ser um filme que está em exibição apenas no Arrábida Shopping e num único horário, às 17:50 horas - para um pai de família não deve haver pior hora para decidir ir ao cinema. Não havendo alternativo, acomodadas as crianças, lá fui eu, no Domingo, ver "Um editor de génios" de Michael Grandage e com um elenco superior onde se destacam os papeis desempenhados por Jude Law, Colin Firth, Nicole Kidman e Laura Linney, num ambiente dos "loucos" anos 20 e sobre a relação de um editor conceituado e respeitado no mundo literário com um jovem brilhante escritor. Gostei muito do filme e, uma vez mais, Jude Law e Colin Firth, jovem escritor e editor, respectivamente, demonstram toda a sua arte enquanto actores.
Tendo em conta o horário da única sessão disponível, sempre pensei que iria estar sozinho ou quase na sala de cinema. Enganei-me. Éramos oito pessoas e eu fui acompanhado pela pessoa com quem mais gosto de ir ao cinema.
23 outubro 2016
o que elas são
Na semana passada, estava a caminhar por uma rua de Dublin - o tempo estava assim como hoje; suave, de final de Primavera, início de Verão - quando uma rapariga passou por mim e eu apanhei o perfume dela no ar: um perfume maravilhoso... Só os homens conseguem captar esta espantosa essência feminina, feita delas mesmas. Não é um perfume artificial; é o cheiro delas, das mulheres e do que elas são. Por momentos, fiquei num estado de felicidade absoluta. (John Banville, in LER)
18 outubro 2016
para este outono
Não sei qual ou quais as razões, mas a edição desta revista está cada vez mais difícil. Dá a sensação que é a custo que a publicam. É pena, pois faz-me sempre falta. É com avidez que a procuro nas bancas e, depois, a leio. Obter informações sobre ela é quase impossível, pois o seu portal está desactualizado e mesmo a página do facebook não tem quase actividade.
14 outubro 2016
materialidade e metamorfose de joan miró
(sem título, óleo sobre cartão, 1935)
Aproveitando o vazio do inicio de tarde desta sexta-feira, tentando fugir às confusões dos fins-de-semana, fui a Serralves ver a famosa e mediática colecção de Joan Miró. Instalada em várias salas da casa principal de Serralves, a colecção contempla setenta e oito obras do artista catalão. Expressiva, intensa e impressionante obra, nalguns casos pela simplicidade do traço, das cores ou das morfologias, noutros pela complexidade das perspectivas e pela exploração dos materiais. A mim impressionaram-me particularmente seis ou sete trabalhos e a que mais gostei é a que em cima reproduzo (pedindo desculpa pela fraca qualidade da câmara do meu telemóvel).
Numa outra abordagem, agora e com mais propriedade, eu diria que aqueles que um dia pensaram desfazer-se deste imenso património são umas bestas, sem uma réstia de sensibilidade e incultos, mercadores do vil metal cujo fito é sempre e exclusivamente o dinheiro.
13 outubro 2016
pedrada no charco da escrita
Para espanto generalizado da ortodoxia literária mundial, soube-se hoje que a Academia Sueca atribuiu o Nobel da Literatura a Bob Dylan. Não sendo eu um admirador da sua música, respeito e considero a sua carreira e portanto está bem entregue. A única consideração que esta escolha me merece é confessar que, tendo em conta o meu conhecimento, o meu gosto e a minha sensibilidade musical, preferia que o escolhido fosse Leonard Cohen. Digo eu para mim.
09 outubro 2016
mediascape: a morte
Hoje no Jornal Público é publicada uma entrevista ao Padre José Nuno, capelão do Santuário de Fátima, onde, a propósito da Eutanásia e da proposta sobre a morte assistida, se refere à actual erradicação da morte do espaço público e de como a sociedade vive convencida, perante o poder da tecnologia e da ciência (medicina) para iludir a morte, que a vida não contempla a morte. Tem razão, e não só tem razão como apresenta uma proposta, em tese, muito interessante, de incluir o ensino sobre a morte nas escolas. Não importa se estamos ou não a falar da morte "religiosa", ou se ele não está mais do que a defender a manutenção e o reforço da disciplina de Religião e Moral nos programas escolares, mas releva o facto de ser verdade que a nossa sociedade - a família, a escola, as organizações e até as religiões - nos terem vindo a educar de costas para esse momento último da vida. Haverá, com certeza, várias causas e explicações para isso ter acontecido, das quais talvez eu destacasse duas: a 1ª) a alteração do modo de vida, ou seja, a urbanização dos indivíduos e famílias às custas da desruralização do país (reparem como há, ainda hoje, enormes diferenças entre os enterros no mundo rural e nas grandes cidades) e, a 2ª) o paradigma dominante do elixir da eterna juventude, em que as diferentes indústrias apostaram e fizeram acreditar que, nos modos, nos trajes e na alimentação, as idades não contam e a morte, essa, estará sempre bem longe e bem iludida.
Uma das características mais notórias dessa nova percepção da vida e que remete a morte para espaços e tempos de exclusão, é o completo e obcecado afastamento das crianças desses rituais de passagem, dando razão ao referido padre quando sugere "levar a morte" para a escola. Bem sei que quando se é ainda jovem a noção do tempo, a noção desse inolvidável fim é algo muito abstracto e sem importância, talvez por isso também, os adultos queiram proteger as suas crianças e suas consciências desse fatídico momento.
Uma boa reflexão para os próximos tempos.
Uma boa reflexão para os próximos tempos.
05 outubro 2016
mediascape: não me toquem nos 'cojones'
Chamaram-me hoje à atenção para este pequeno vídeo de uma conferência de imprensa de um jogador de futebol espanhol. Nunca na vida vi nada assim. Surpreendido, fiquei siderado com a qualidade, com a coerência e com a veemência, mas também com a coragem, a potência e a elevação com que o jogador se dirigiu a um determinado jornalista. Aqui fica o vídeo e aqui o link para a notícia com todos os detalhes deste magnífico momento.
É que o estereótipo de jogador de bola nunca coincidiu com tal personalidade, com tal discurso. Estamos habituados ao futebolês de sempre, do vira-o-disco-e-toca-o-mesmo, das frases feitas, das perguntas e respostas mais que previsíveis, do graças-a-Deus, dos tropeções à língua, etc., etc.
Ficou-me uma questão final por responder. Deixo-a aqui à comunidade para reflexão e, se assim entenderem, responderem:
Conhecem algum jogador português, actual ou do passado, capaz de realizar algo parecido? Eu, com dificuldade e com sérias reservas, identifiquei um, mas vou esperar por algum comentário para identifica-lo.
04 outubro 2016
hortelã mijada
Não gosto do cheiro nem do sabor da hortelã. Com grande certeza serei dos poucos que não aprecia tal aroma, dada a proliferação desta planta por todos os cantos e recantos da nossa civilização. Diz a história que a hortelã-vulgar, cujo nome científico é Mentha Spicata, sempre esteve presente na farmacopeia chinesa, que os romanos acreditavam que o seu consumo beneficiava a mente e, em concreto, a inteligência, mas terão sido os egípcios os primeiros a documentarem a sua utilização. Os entendidos na coisa dizem-nos que esta planta aromática e com inúmeras propriedades medicinais é indicada para variadíssimas patologias, tais como as más digestão, as náuseas, os vómitos, febres, dores de cabeça e constipações. Para além disto, é anti-séptica, diurética e estimulante. Depois, temos as diferentes formas de a consumir, sendo que a mais habitual é a infusão, mas também há registos da sua mastigação para cuidar do hálito e para cuidar da garganta, assim como a relativa secagem das suas folhas para compressas e para inalação de vapores. Mais recentemente, assistimos à sua transformação num produto gourmet e na moda, através da sua utilização massificada na actual culinária de empratamentos, de autores e de grandes fomes. Iguaria omnipresente em tudo que é saladas, sobremesas, bebidas, gelados, doçarias, rebuçados, pastilhas elásticas e afins, serve igualmente como aroma para anular qualquer outro cheiro ou sabor presente, naquilo que eu chamaria de ditadura da hortelã...
Se a enquadrarmos num ambiente popular e tradicional, facilmente a encontramos e verificamos que a sua utilização motiva não só a sua procura, como principalmente, o seu cultivo, naquilo que poderemos entender como uma autonomia de produção e consumo. Aquilo que esta sabedoria popular nos diz desta planta não difere muito daquilo que a sapiência afirma, muitas vezes divergindo apenas na nomenclatura dos males ou aflições em que é remédio santo. Também é neste ambiente e neste conhecimento popular que encontraremos todas as divergências geográficas relativas ao seu uso e consumo, ou seja, o conhecimento acerca da planta e suas especificidades poderá variar geograficamente, levando a relativas diferenças no seu uso.
Terá sido algures na segunda metade da década de noventa, numa conversa com um velho conhecido, homem já na sua oitava década de existência, bem perto da porta de sua casa e aproveitando a sombra de uma velha parede semi-ruída e a ligeira brisa que o estreito canelho proporcionava, que ele me revelou o segredo de tamanho sucesso da hortelã. Ele tinha por hábito mascar as folhas frescas ou já algo secas desta planta. Dizia ele que como fumava muito, a hortelã o ajudava na tosse e no catarro. Quando estava à rasca nada lhe fazia melhor do que a hortelã. Ao mesmo tempo que me ia dizendo estas coisas, também afirmou, num tom de confidência mas com um certo ar trocista, que o segredo da hortelã era o mijo. O mijo dos animais e das pessoas. Perante a minha admiração, disse ele:
- Já reparaste que a hortelã aparece em todo o lado aqui pela aldeia, nos lameiros e pelo monte? Se vires com atenção, ela cresce por aí encostada a qualquer muro... e sabes, principalmente onde os homens, os cães, os gatos e até as raposas vão mijar. Eu até acho que nós procuramos o sítio delas para nos aliviarmos. Elas chamam por nós porque precisam do nosso mijo. Os homens quando saem da taberna vão sempre mijar em cima das hortelãs e elas estão lá sempre mimosinhas. Porque será? Nunca tiveras pensado nisto?!
- Não senhor. Respondi eu, com certeza, incomodado. Às tantas, por causa deste saber adquirido há tanto tempo, sempre que em contacto com esse aroma ou sabor, não consigo deixar de os relacionar com urina e de questionar se o segredo para o seu sucesso não será mesmo essa rega suplementar.
03 outubro 2016
provinciano és tu e a tua tia
A propósito da instalação definitiva(?) da colecção Miró na Fundação Serralves da cidade do Porto, apanhei um pequeno comentário do colunista do jornal Público, Manuel Carvalho, sobre declarações de um tal Nuno Vassalo Silva, director-adjunto do Museu Gulbenkian. Desconhecendo essas palavras fui à sua procura e lá acabei por encontrar isto:
“É uma decisão lamentável, a ceder ao imediato, e que só demonstra como em Portugal é difícil implementar um programa de cultura, porque a tentação mais imediata é seguir os caminhos mais fáceis e atractivos”;
“Se expor a colecção em Serralves é uma boa ideia”, decidir que ela fique depois na cidade manifesta “uma visão provinciana”, acrescenta Vassalo e Silva, descrendo que ela faça “desviar os turistas que vão a Barcelona, a Madrid ou a Nova Iorque” ver os Mirós.
Que raio de mania desta elite da metrópole de considerar que o mundo centrifuga à volta de Lisboa e que o país se esgota para lá dos seus arrabaldes. Meus senhores, há muito país, muita gente, muito conhecimento, arte e cultura para além dos Pastéis de Belém e dos pseudo-cosmopolitas da capital. O problema destas afirmações é que são o espelho da real perspectiva que estas personagens têm da cultura, do seu acesso às comunidades e aos indivíduos e do próprio país; o problemas destas personagens é que são elas que estão no poder ou no seu círculo e determinam ou influenciam as políticas culturais não só para a cidade capital, mas também para o resto do país que, provavelmente, não conhecem.
Mas regressemos ao comentário de Manuel Carvalho, bem mais acertivo na crítica a Nuno Vassalo Silva:
Alguns intelectuais da capital não resistem ao disparate sempre que no ar há um ténue perfume de descentralização cultural. A história repete-se com a colecção Miró, cuja instalação no Porto levou Nuno Vassallo Silva, director-adjunto do Museu Gulbenkian a falar de uma “visão provinciana” que denuncia a tentação do poder político em seguir “os caminhos mais fáceis e atractivos”. Bom, que se saiba, “os caminhos mais fáceis e atractivos” são os que levam ao umbigo dos agentes culturais lisboetas, uma constatação do corporativismo da elite que não vale mais do que um vintém. Mas, agora, dizer que a instalação de uma colecção de arte do Estado fora de Lisboa se sustenta numa “visão provinciana” da cultura já expressa com exuberante luminosidade o que pensam e que ideia projectam estes cérebros sobre o país. Para a oligarquia cultural lisboeta, na qual o responsável pelo museu Gulbenkian se inclui, o mundo só existe se rodar em torno da pequena corte do Terreiro do Paço. Ó doutor Nuno Vassallo Silva, haverá algo mais provinciano do que essa mundivisão? (2/10/16)
escrito por aí...
O Governo não está em risco pelos desentendimentos interiores da coligação, nem pela hostilidade da opinião pública, com as sondagens a revelarem uma queda crescente do PSD, está em risco porque existe uma enorme coacção sobre a sua política e um dia a corda quebra.
Uns e outros não olham da mesma maneira para os mesmos lados: o PSD e o CDS são os guardiões da ofensiva fiscal sobre o trabalho, os salários, pensões e reformas e sobre a débil melhoria que uma parte da “classe média” teve em Portugal depois do 25 de Abril, o Governo pretende “reverter” essa situação.
Uns e outros não olham da mesma maneira para os mesmos lados: o PSD e o CDS são os guardiões da ofensiva fiscal sobre o trabalho, os salários, pensões e reformas e sobre a débil melhoria que uma parte da “classe média” teve em Portugal depois do 25 de Abril, o Governo pretende “reverter” essa situação.
O actual Governo é sustentado pela política no mais nobre sentido da palavra, pela política em democracia, sem se disfarçar de “realidade”, como hoje a ideologia de direita faz. O actual Governo é o único da Europa assente neste tipo de alianças partidárias. Convém lembrar que o que permite a sua existência é a recusa liminar de que o PSD e o CDS governem (que o PS português aceitou e o PSOE espanhol não, com as consequências desastrosas que se conhecem), e esse acto genético é traumático para a direita, que nunca conviverá com ele.
(José Pacheco Pereira, in jornal Público, dia 1 de Outubro de 2016)
mediascape: o diabo não veio, mas há-de vir
João Miguel Tavares (JMT) na sua crónica deste Sábado escreveu sobre o vaticínio que Passos Coelho em Julho fez sobre a chegada do Diabo para depois das férias. JMT critica essa estratégia adivinhatória pois não só foi mais uma promessa por cumprir, como o adivinhador acabou por fazer figura de parvo. Segundo o autor não adianta a dramatização excessiva do futuro próximo, pois com isso só se está a ajudar o governo de António Costa.
O que é curioso nesta ilustre opinião é que se considera que o Diabo não chegou agora, mas há-de chegar e, pelos vistos, a sua aparição está já programada para 2017, ou seja, critica-se o anúncio prévio do tempo de Belzebu, mas o que ele próprio faz logo a seguir é precisamente o mesmo, ao dizer que o cheiro a enxofre sente-se no ar.
Os cavaleiros do apocalipse não se cansam, não desistem, não aceitam, não compreendem. Mais do mesmo.
26 setembro 2016
mein kampf
Nos últimos dias de descanso deste Verão, dei comigo sem ter nada para ler. Esgotado o stock de livros levados para esses dias de remanso, socorri-me da pequena biblioteca que meu pai vai construindo na casa da aldeia e dei com os olhos nesta nova edição da Guerra & Paz do famoso livro de Adolf Hitler.
Na verdade, apesar de saber há muitos anos da sua existência e do estigma que sempre possuiu, nunca foi personagem ou assunto que me tenha despertado qualquer tipo de interesse ou sequer curiosidade. Contudo, nesse dia ao folhea-lo pensei que talvez já fosse tempo de, pelo menos, tentar lê-lo.
Foi o que fiz ao longo deste último mês, nas horas vagas e mentalmente disponíveis, pois a sua leitura obriga a alguma concentração e atenção. A este propósito dizer que esta edição tem uma letra pequena e muito texto por página, o que complica ainda mais a sua leitura. Apesar de possuir uma capa dura e visualmente ser bonito, não gostei do livro (objecto). Tal como percebi logo nas primeiras páginas, o melhor mesmo foi fazer uma ficha de leitura da obra, o que me facilitou a sua compreensão, mas atrasou a leitura. Nessa ficha de leitura fui coleccionando inúmeras passagens que, aos meus olhos, são significativas daquilo que é a própria obra, daquilo que foi a consequência prática do nacional-socialismo, assim como daquilo que me permitiu fazer um juízo, em jeito de recensão, do pensamento político de seu autor. Eis algumas passagens...
Só conhecendo os judeus, se pode compreender os propósitos íntimos e, por isso, reais da social-democracia. (p.137)
Com o decorrer dos séculos, o aspecto do Judeu havia-se europeizado e ele tornara-se parecido com um ser humano. (p.137)
Acredito agora que ajo de acordo com a vontade do Criador Omnipotente lutando contra o judaísmo, realizo a obra de Deus. (p.144)
Não se deve esquecer nunca que o mais elevado fim da existência humana não é a conservação de um Estado ou de um governo, mas o de conservar o seu carácter racial. (p.159)
Se na luta pelos direitos humanos, uma raça é subjugada, isso significa que ela pesou muito pouco na balança do destino para ter a felicidade de continuar a existir neste mundo terrestre, pois quem não é capaz de lutar pela vida tem o seu fim decretado pela Providência. (p.159)
O mundo não foi feito para povos covardes. (p.159)
O pecado contra o sangue e a raça é o pecado original deste mundo e o fim da humanidade que o comete. (p.239)
O judaísmo nunca foi uma religião e sim sempre um povo com características raciais bem definidas. (p.269)
Do ponto de vista ariano, é impossível imaginar-se, de qualquer maneira, uma religião sem a convicção da vida depois da morte. Em verdade, o Talmude também não é um livro de preparação para o outro mundo, mas sim para uma vida presente voa, suportável e prática. (p.269)
Os judeus foram responsáveis por trazer negros para o Reno, com o intuito final de abastardar a raça branca, por eles odiada, e assim diminuir o seu nível cultural e político, para que o judeu pudesse dominar. (p.279)
A força motriz dos grandes avanços, em todos os tempos, não foi o conhecimento científico das grandes massas, mas sim um fanatismo entusiasmado e, às vezes, uma onda histérica que os impulsionava. (p.285)
O novo movimento é, na sua essência e na sua organização, anti-parlamentarista, isto é, rejeita, em princípio, qualquer teoria baseada na maioria de votos, que implique a ideia de que o líder do movimento se degrada à posição de cumprir as ordens dos outros. Nas pequenas como nas grandes coisas, o movimento baseia-se no princípio da indiscutível autoridade do chefe, combinada com uma responsabilidade integral. (p.288)
A concepção racista não admite, em absoluto, a igualdade das raças e sente-se no dever de promover a vitória dos melhores, dos mais fortes e exigir a subordinação dos piores, dos mais fracos. (p.308)
Não pode aprovar a ideia ética do direito à existência, se essa ideia representa um perigo para a vida racial dos portadores de uma ética superior.(p.308)
Os princípios políticos do partido em formação devem ser como os dogmas para a religião. (p.309)
Não passara pela ideia de ninguém que essa piolheira judaica, que, no Oriente, fala o alemão, só por isso deve ser vista como de ascendência alemã, como pertencente ao povo alemão. (p.312)
A condição essencial para a formação de uma humanidade superior não é o Estado, mas a raça. (p.313)
A paz do mundo não se mantém com as lágrimas de carpideiras pacifistas, mas pela espada vitoriosa de um povo dominador que põe o mundo ao serviço de uma alta cultura. (p.315)
Deve-se providenciar para que só pais sadios possam ter filhos. Só há uma coisa vergonhosa: é que pessoas doentes ou com certos defeitos possam procriar, e deve ser considerada uma grande honra impedir que isso aconteça. (p.319)
A rapariga deve conhecer o seu cavalheiro. Se a beleza física não se ocultasse hoje, completamente, sob as vestes da moda idiota, a sedução de centenas de milhares de moças, por judeus bastardos, de pernas tortas e desengonçados, não seria possível. Está também no interesse da Nação que se chegue à formação de corpos perfeitos, a fim de se criar um novo ideal de beleza. (p.323)
A missão de um Estado nacionalista é a de se esforçar para que seja escrita uma história do mundo em que a questão racial seja o problema dominante. (p.328)
O Estado nacionalista racista deve resumir o ensino intelectual, reduzindo-o ao que é essencial. Só depois disso é que se oferecerá a possibilidade de uma educação especializada, sobre bases sólidas. (p.328)
A educação deve ser orientada de tal modo que um jovem, ao deixar a escola, não seja um pacifista democrata ou coisa que o valha, mas um verdadeiro a alemão, na mais ampla acepção da palavra. (p.330)
Realizações criadoras só podem surgir quando se dá a aliança do saber com a capacidade. (p.331)
Deve partir do princípio de que a prosperidade do género humano nunca é devida às massas, mas às cabeças criadoras, que, por isso, devem ser vistas como benfeitoras da espécie. (p.340)
Todas as grandes modificações históricas foram devidas à palavra falada e não à escrita. (p.356)
A força vital de um povo, o seu direito à vida manifestam-se da maneira mais impressionante, no momento em que esse povo recebe a graça de um homem que o destino reservou para a realização das suas aspirações, isto é, para a libertação de um grande cativeiro, para a supressão de amargas dificuldades. (p.374)
Não devemos ter a mínima dúvida de que o inimigo mortal , inexorável, do povo alemão é e será sempre a França. (p.432)
O judeu é hoje em dia o grande instigador do absoluto aniquilamento da Alemanha. Todos os ataques contra a Alemanha, no mundo inteiro, são da autoria de judeus. (p.434)
...os defensores da ditadura universal judaica... (p.441)
Seja qual for o destino que o céu nos reserve, hão-de reconhecer-nos pelo nosso altivo programa. (p.456)
Entre outras passagens mais extensas e mais complexas, este livro condensa em si todo o pensamento desse homem que depois veio a ser o responsável máximo pelo holocausto. A história está escrita e não adianta querer reescrevê-la. Não haverá nunca espaço para qualquer epifania ad hoc e qualquer tentativa nesse sentido será sempre num modo self-service e sem futuro. Este não é um livro de ódio, como tantas vezes foi e é nomeado, ou pelo menos, não é um livro apenas de ódio, pois para quem o conhece e leu, são vários os sentimentos que nele se encontram, tais como a xenofobia, o racismo, a soberba, a ignomínia, o ego e o etno-centrismo, a inveja, o narcisismo e a eugenia. Enfim, um livro de horrores.
A sua leitura permite também perceber a debilidade autoral, pois não é preciso ser um conhecedor ou um estudioso para encontrar alguns erros históricos e uma propensão para a análise superficial e para o julgamento ou valorização rápida.
Apesar de tudo e com o estigma ou com o carisma, dependendo do ponto de vista, do seu autor, percebe-se a transformação deste livro num objecto de culto, veneração e admiração, ou por outro lado, num objecto maldito e interdito.
No fim fica a profunda convicção que tudo aqui vertido é o resultado de uma mente doente, de um indivíduo com um enorme complexo de inferioridade e com uma imensa inveja da cultura judaica e do indivíduo judeu.
25 setembro 2016
lavagem de roupa suja
Depois de vários dias a ser notícia, a ser excomungado e vilipendiado, depois de vários opinadores da nossa praça terem dito e escrito tudo e mais alguma coisa sobre o novo livro de José António Saraiva, hoje fui surpreendido com uma cópia em pdf desse mesmo livro, que me chegou via email de um amigo, com o seguinte aviso: "evitar lucros". A minha primeira atitude, como que instintiva, foi eliminar o email, mas depois, reflectindo um pouco, fui recupera-lo ao caixote do lixo do gmail. Não sei se o vou ler ou não, mas em todo o caso, parece-me estúpido corroborar toda a crítica já produzida sem sequer saber do que se trata. Está devidamente guardado no computador, numa pasta chamada "leituras adiadas" para um dia destes, talvez, ser lido.
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Biblos
15 setembro 2016
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