02 junho 2026

freguês

Não poderei negar a satisfação que sinto ao assinalar anualmente o meu aniversário, pois isso significa desde logo que ainda por cá ando, mas ao mesmo tempo, admito que nesses dias a disposição não é a melhor, nem alegria ou optimismo. Não será uma condição depressiva momentânea e cíclica, mas também não conseguirei traduzir para palavras o que sinto por estes dias. Para além da consideração daqueles que orbitam perto e que constituem o meu universo existencial, que fazem questão de me felicitar, nada de extraordinário acontece fora das rotinas quotidianas. Saber que existimos numa constelação de pessoas e que não estamos sozinhos é muito reconfortante, apesar de apreciar superlativamente estar sozinho, numa espécie de solidão voluntária, em especial a cada dia 26 de Maio.
Curiosidade, hoje, e porque inesperado e sem precedentes, recebi uma mensagem de texto no meu telemóvel, da Junta de Freguesia do sítio onde resido. Finalmente, e depois de mais de cinco décadas, sou considerado freguês e com deferência. Não sei como julgar esta nova atitude, mas espero que assim acontece com os demais fregueses desta localidade.

[ escrito a 26 de Maio de 2026 ]

01 junho 2026

de mansinho, até um dia...


A notícia é do jornal Público, edição deste primeiro dia de Junho. O Governo decidiu que o imposto sobre as bebidas adicionadas de açúcar (refrigerantes), conhecido como o imposto "Coca-cola", no orçamento de 2026, sem ter havido qualquer debate, deixará de ser consignado à saúde, ou ao SNS. Ainda segundo a mesmo notícia, este imposto, só em 2025, rendeu 60,6 milhões de euros, e desde 2017, quando foi criado com o objectivo de contribuir para a sustentabilidade do SNS, já rendeu 533,2 milhões de euros.
Um outro imposto, o do tabaco, que também era consignado ao SNS, sofreu uma alteração na fórmula de cálculo, o que significou uma redução de 153 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde.
Pois é assim, de mansinho, mas com acertividade, que este Governo tem promovido a descapitalização do SNS. Passo a passo vai-se minando e esvaziando, até o dia em que vai ser plenamente justificado promover a sua privatização. A ambição destes senhores, não tenho dúvidas, é, e será, essa.