Não poderei negar a satisfação que sinto ao assinalar anualmente o meu aniversário, pois isso significa desde logo que ainda por cá ando, mas ao mesmo tempo, admito que nesses dias a disposição não é a melhor, nem alegria ou optimismo. Não será uma condição depressiva momentânea e cíclica, mas também não conseguirei traduzir para palavras o que sinto por estes dias. Para além da consideração daqueles que orbitam perto e que constituem o meu universo existencial, que fazem questão de me felicitar, nada de extraordinário acontece fora das rotinas quotidianas. Saber que existimos numa constelação de pessoas e que não estamos sozinhos é muito reconfortante, apesar de apreciar superlativamente estar sozinho, numa espécie de solidão voluntária, em especial a cada dia 26 de Maio.
Curiosidade, hoje, e porque inesperado e sem precedentes, recebi uma mensagem de texto no meu telemóvel, da Junta de Freguesia do sítio onde resido. Finalmente, e depois de mais de cinco décadas, sou considerado freguês e com deferência. Não sei como julgar esta nova atitude, mas espero que assim acontece com os demais fregueses desta localidade.
[ escrito a 26 de Maio de 2026 ]
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