Boa noite,
Quero agradecer, em meu nome e do meu colega, co-autor, Carlos d'Abreu, o convite para aqui estarmos e, assim, partilharmos este momento de homenagem a Alípio de Freitas, assim como ter a honra, às tantas a presunçāo, de falar sobre o Homem que ele foi.
E desculpem pronunciar-me no pretérito, mas acontece que estamos a falar de memória, essa condiçāo tāo singular e tāo relevante nas nossas existências, individual, mas também e acima de tudo, colectiva. Somos coleccionadores de memórias (momentos, lugares e pessoas) durante toda a nossa vida e até ao momento em que também nós, cada um de nós, se transforma em memória.
Numa nota mais pessoal e num tom confessional, dizer-vos que guardo uma vaga lembrança de miúdo, de ouvir comentar quase em surdina as façanhas de um tal transmontano, das terras de Vinhais, que fora padre e que se transformou num revolucionário guerrilheiro pelo mundo, sem que ninguém soubesse muito bem do que e de quem falavam, numa narrativa bem característica do desconhecido universo das figuras míticas e sobrenaturais que, aos olhos do comum mortal, habitavam um qualquer Olimpo. Pois bem, essa figura, esse ser extravagante, sem eu sequer desconfiar, era o Alípio de Freitas.
E, nāo querendo, nem podendo, generalizar, convém relembrar que estamos a falar do Nordeste transmontano, um território de inércias conservadoras, pouco dada, ainda hoje, a sobressaltos revolucionários e progressistas.
Mas quero ainda agradecer à Associaçāo José Afonso, na pessoa da amiga Guadalupe Portelinha, pois para além de ter contribuído, informando-nos e documentando-nos, tendo conhecimento deste texto, foi quem nos contactou para aqui estarmos hoje.
"Alípio de Freitas, transmontano, construtor de utopias" (título do artigo)
IDEIA e MOTIVAÇŌES
· ideia de texto e pesquisa já com alguns anos, eu diria anterior à pandemia;
· conversas exploratórias acerca da possibilidade da investigaçāo e escrita sobre este conterrâneo e a oportunidade temporal deste trabalho;
· percepção, que julgamos, generalizada, de que o período transmontano do Alípio será o menos conhecido;
· facto de ser transmontano e de ter deambulado pelo território, mormente, por Bragança e Vinhais, e depois pela Diocese;
· e haver, aqui e acolá, vestígios ou resquícios de memórias dele, em testemunhos esparços;
· aproximaçāo do seu centenário;
· a expectativa de ainda ser possível encontrar pelo território, na cidade de Bragança e na vila de Vinhais, nas aldeias que paroquiou, testemunhos da sua passagem e/ou permanência, que sabemos serāo cada vez menos;
· e essa foi, ė e será a urgência deste tipo de investigaçāo, do método biográfico e, neste caso em apreço, de alcançar a memória da juventude do Alípio;
DIFICULDADES
$ o afastamento temporal que apaga a memória;
$ o Covid-19;
$ desencontro de agendas e disponibilidades, minha e do Carlos d'Abreu;
FONTES
Fonte Principal, ponto de partida e fonte orientadora: Alípio de Freitas... o que escreveu, o que disse, testemunhou e informou. Portanto, o resultado final, que motiva esta intervenção, começa e acaba no Alípio...
@ orais - pelo território e paroquias por onde andou...
@ seminário menor de Vinhais...
@ seminário maior de Bragança...
@ Tombo Diocesano Monsenhor José de Castro - Paço Episcopal da Diocese Bragança-Miranda...
@ arquivo do jornal Mensageiro de Bragança...
@ Torre do Tombo...
TRABALHO de CAMPO
< a espaços, consoante a nossa disponibilidade,
< visitas a algumas das paróquias no concelho de Bragança | zona da Lombada: Deilāo, Quadramil, Vila Meā, Rio de Onor e Petisqueira,
< recolha de retalhos etnográficos, organizada, estruturada e, depois, vertida no texto,
< percepçāo que havia, há e continuará a haver, mais informaçāo e mais testemunhos que nós, por várias razōes, nāo alcançámos,
O QUE DEVERIA MAS NĀO SE ENCONTRA NO TEXTO
! exercício semiótico e geográfico pelos lugares (ruas, bairros e casa), onde viveu em Bragança e em Vinhais;
...por exemplo, em Bragança sāo referidas pelo próprio Alípio, a rua do Loreto e, contíguo, o bairro da Flor da Ponte... em Vinhais, a indicaçāo, pelo Alípio, de que a distância entre o Seminário e a casa dos pais nāo era grande... não a localizámos, mas disseram-nos que seria perto do largo do Arrabalde.
! mais terreno, mais documentaçāo, mais testemunhos e maior detalhe.
EM SUMA e para nāo vos maçar mais...
1) este exercício que, em boa medida, consideramos como um ensaio, um esboço ou rascunho, para outras abordagens, mais cuidadas, mais incisivas e, em simultâneo, mais abrangentes no território, nas instituiçōes e junto das pessoas, mais nāo foi do que a reuniāo e compilaçāo do muito que já existia disperso, complementado com as já referidas etnografias do terreno e alguma documentaçāo.
2) dizer-vos também que ė nossa percepçāo que na regiāo, nomeadamente em Bragança e em Vinhais, o Alípio ė hoje uma ilustre figura desconhecida para a maioria dos indivíduos.
3) esperamos e ambicionamos ter contribuído para um conhecimento maior e mais detalhado sobre a vida de Alípio Cristiano de Freitas.
4) nas vėsperas do seu centenário e quando sabemos já que outros esforços se conjugam para uma história de vida do Alípio, dizer-vos que nós, os mesmos autores deste texto agora publicado na Brigantia - Revista de Cultura, com a informaçāo recolhida na Torre do Tombo, tencionamos, a breve trecho, escrever outro texto sobre Alípio e os seus últimos meses na diocese de Bragança-Miranda e o processo que o levou para o outro lado do Atlântico. Vamos ver.
Muito obrigado pela vossa atenção.
Luís Vale
[ Lisboa, 19 de Fevereiro de 2026 ]
