26 maio 2018

so free, I think I'm


I'm so free
I'm so free now
The way that I walk is up to me now
and if I breathe now 
I could scream now
you can hear me.
Nobody's gonna keep me down
I don't want to go down
I'm so free from you
I'm so free.
(Beck, I'm so free, in Colours, 2017) 

Num dia especial como o de hoje. 
A ideia de liberdade continua a ser superior. Ser livre é outra coisa, mais difícil, menos pragmática e ao alcance de poucos. Ainda assim, quando o percurso vai mais do que a meio, a percepção que tenho é de privilégio, de considerável liberdade, num mundo que nos esmaga, que nos vai comprimindo e orientando num sentido único e obrigatório.

Este senhor, passados tantos anos, continua a fazer excelente música. Um dos grandes.

22 maio 2018

de um simples

Já viste! Então vamos para o Céu e depois o que acontece?! Ficamos ali para sempre a fazer o quê?! Ficamos ali a adorar a Deus para sempre?! Já viste! Eu não sei...

21 maio 2018

por um Portugal mais digno


Faleceu hoje António Arnaut, fundador do PS e, acima de tudo, mentor e arquitecto do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que o 25 de Abril de 1974 permitiu e foi, sem sombra de dúvida, o seu grande e maior contributo para aquilo que hoje podemos ser e ter. O maior tributo que o país lhe poderá prestar será a defesa e reforço do SNS, perante as persistentes e permanentes ameaças provenientes de sectores da sociedade que nunca o quiseram, perceberam ou defenderam. A hipocrisia desses poucos - pessoas e organizações - persiste e tem conseguido degenerar o projecto inicial de António Arnaut e seus pares. Com o seu desaparecimento ficamos todos mais pobres, a referência ética e moral persistirá, tenho a certeza. Profundo agradecimento por essa nobre visão de uma sociedade mais equalitária, mais justa e mais digna.

16 maio 2018

mediascape: foi chato?

Os acontecimentos de ontem em Alcochete são, a todos os níveis, inaceitáveis e intoleráveis, mas as declarações do presidente do Sporting, na noite de ontem, à Sporting TV, são inacreditáveis e demonstrativas da completa deriva psicológica e alienação emocional daquele que deveria ser o principal garante de tranquilidade e estabilidade.

Eis algumas dessas afirmações:
Foi mau, foi chato ver as famílias ligarem preocupadas.
- Garantidamente vamos estar atentos a quem fez estes atos.
- Está tudo a correr dentro da normalidade. O crime faz parte do dia a dia.

Tudo isto não foi chato. Tudo isto foi uma tragédia para o futebol nacional, para o Sporting e, acima de tudo, para nós enquanto sociedade. Uma vergonha imensa.

15 maio 2018

agora em língua portuguesa

Acabadinha de chegar às minhas mãos, a Granta, no seu primeiro número da nova série em língua portuguesa. Vamos ler.

ter de escrever...

Entre em si mesmo. Investigue o fundamento que o chama a escrever; ponha à prova se ele lança raízes até ao lugar mais profundo do seu coração, admita se teria de morrer caso lhe fosse vedado escrever. Sobretudo isto: na mais silenciosa hora da sua noite, pergunte a si mesmo: tenho de escrever?

(roubado do blogue vizinho - aqui na íntegra)

13 maio 2018

outras palavras...

(na última página do jornal Le Monde Diplomatique, edição portuguesa, de Maio)

papel de parede


Por estes dias de celebração do campeonato nacional de futebol, a minha criança apareceu em casa com este poster, que o avô lhe deu, e pediu-me para o colar numa parede do seu quarto. É uma nova fase do seu crescimento que se inicia, pois até aqui só me foi pedindo para colar Mikey's, Nemo's, Patrulhas Patas e afins. Agora, chegou a vez da loucura pelo futebol e seus ídolos, mas também sei que este interesse também será substituído por um outro, lá mais para a puberdade. Sim, estarei preparado para essa outra fase, e será com prazer que lhe colarei esses outros posters, podendo mesmo, se assim quiser, forrar as paredes do quarto com esse apelativo papel de parede.

10 maio 2018

06 maio 2018

literatura juvenil


Já aqui admiti as minhas graves falhas enquanto leitor e o tanto e importante que deveria ter lido desde miúdo, mas não o fiz. Enquanto jovem era suposto ter lido um conjunto de clássicos da literatura juvenil, só que não o tendo feito, foi já mais velho que me dediquei a essas leituras.
Calhou agora, não por acaso, a leitura das Aventuras de Robinson Crusoe, de Daniel Dafoe. Digo não por acaso, porque tive como motivação inicial a recente visita à Euro Disney e o facto de o meu filho ter adorado a árvore-habitação de Robinson Crusoe e à qual subimos várias vezes.
A história que Daniel Dafoe nos conta é a de um jovem inglês que, contrariando os conselhos dos pais, se aventura nos mares, atraído pela liberdade e aventura da descoberta de novos mundos. Estávamos no século XVII, período grande das rotas comerciais marítimas entre a Europa e suas colónias e este jovem, narrador da sua própria história, conta-nos as tremendas aventuras porque passou, desde naufrágios, guerras e escravidão, até ao seu longo e total isolamento numa pequena ilha e sobrevivência durante quase três décadas. Esse relato é acompanhado com muitas reflexões - de caracter filosófico, moral, religioso, prático e até animal - sobre essa condição de extremo isolamento.
A leitura deste relato de uma experiência limite da condição humana, aviva-me o gosto e o chamamento que sempre recordo ter sentido pela condição de isolamento, de procurar espaços e lugares vazios e de preferir estar sozinho. Consciente desta minha preferência, sei também que jamais sobreviveria a uma circunstância semelhante à de Robinson Crusoe e que aquilo que entendo como ideal para mim teria que ser, ainda que longe do convívio com a civilização, algo muito confortável e acessível. A leitura deste relato permitiu-me também reconhecer que, à medida que vou envelhecendo e as suas marcas se vão fazendo notar, vou preferindo o conforto ao desconforto, o previsível ao imprevisível e o certo ao incerto. Sinais do tempo, do meu tempo.

A natureza e a experiência das coisas ensinaram-me, depois de reflectir, que todas as coisas boas do mundo só o são para nós quando podemos tirar proveito delas; e que, por mais que acumulemos para dar aos outros, só gozamos aquilo que podemos utilizar e nada mais. (Robinson Crusoe)

Sérgio Conceição


Depois de um interregno de quatro anos sem poder festejar o campeonato nacional, é com natural euforia que todos celebramos esta vitória. Quero sempre que o meu, o nosso, Porto ganhe e seja campeão, mas já há muitos anos que não se sentia esta necessidade, esta vontade, esta força e este querer na equipa e, não menos significativo, no apoio e entusiasmo dos adeptos do Porto. É que foi mesmo importante ser campeão este ano e essa importância jamais será compreendida por quem não seja portista... e nem adianta tentar explicar.
Não tenho qualquer dúvida, também, para identificar o principal responsável deste sucesso desportivo. O seu nome é Sérgio Conceição e a sua atitude, a sua dedicação, a sua garra, cativou-me desde os seus primeiros momentos enquanto treinador do Porto. Aliás, sempre gostei dele enquanto jogador, tal como noutros jogadores seus contemporâneos, dos quais recordo em particular o Paulinho Santos, admirava a sua entrega ao jogo, o seu sofrimento em campo e a sua dedicação ao clube.
No Porto, no meu Porto, gosto de ter e de ver jogadores assim, com raça e com sentido de pertença ao clube, que se entregam e lutam em campo contra tudo e contra todos. No meu Porto gosto de ter e de ver treinadores assim, com raça e que lutam contra tudo e contra todos. O Sérgio Conceição é assim e, por isso, é ele o grande, eu diria mesmo, o único Campeão. Obrigado.

03 maio 2018

solilóquio

Não sei se já alguém o disse, ou, principalmente, o escreveu, mas a palavra que irei escrever a seguir, estará, para sempre, condicionada por aquela que acabei de escrever.

Afonso Dhlakama


Acabo de saber, através da RTP3, da morte de Afonso Dhlakama, líder histórico da Renamo - Resistência Nacional Moçambicana - aos 65 anos, alegadamente, vítima de complicações associadas aos diabetes. Pouco ou nada me atrai nesta personagem, mas isso não me impede de perceber a sua importância no período pós-independência, em concreto, no período da guerra civil, enquanto figura máxima do contra-poder, e depois, no processo de pacificação do país, enquanto representante maior do principal partido da oposição.
O problema que se apresenta com o seu desaparecimento, é o vazio imediato de poder, pelo menos simbólico, na Renamo e essa situação pode propiciar um conjunto de consequências, por hora, não alcançáveis ou impossíveis de adivinhar. Esperemos que o bom senso e a razoabilidade impere neste momento dramático para a frágil democracia moçambicana. Esperemos que o desaparecimento de Afonso Dhlakama não signifique, tal como em Angola, a hegemonia totalitária de um único partido.

Adenda: Em 1994, participei nas primeiras eleições livres e democráticas em Moçambique, enquanto membro da equipa (empresa) que deu apoio político - sondagens políticas, marketing, imagem e comunição, sob patrocínio da ONU.

01 maio 2018

nem de propósito

Dia feriado, almoço demorado, com conversa amena até para lá da hora da (desejada) sesta. Sem que nada o fizesse prever, o desafio para uma suecada que foi prontamente aceite. Problema inesperado: baralho de cartas que não se encontra. Solução: ir à loja dos Chineses comprar um. A caminho encontro uma papelaria (portuguesa) aberta e resolvo entrar. Surpresa total ao dar de caras com a funcionária a jogar calmamente às cartas com um idoso, cada um do seu lado do balcão, e que me recebeu de sorriso nos lábios. Eu, surpreendido, apenas atirei: - Nem de propósito! Também quero… dois baralhos de cartas.
Saí e depressa regressei a casa, onde me aguardava uma rica e soalheira tarde de sueca. Há tanto tempo que isto não me acontecia.

18 abril 2018

a escrever


Nem imaginam o trabalho que me tem dado, e o prazer também. Depois de mais de trinta anos sem praticar, ter que entrar no ritmo, decorar acordes e não me enganar nas melodias, tem sido um desafio. As horas que passam e eu, absorvido, a (re)ganhar o gosto e o entusiasmo.

25 março 2018

cidade luz

Há cerca de dez anos que não visitava Paris. Estive agora lá, entre a Disney, o centro de Paris e subúrbios - Poissy, St. Germain e Versailles - durante a última semana. Entre 2008 e 2018 muito aconteceu na e à capital francesa. Aquilo que mais se nota é a preocupação com a segurança, que está bem visível nas ruas, instituições e recintos. De forma declarada e assumida, os militares e polícias passeiam-se pelas ruas e avenidas da cidade e há um controle apertado (eu diria, quase paranóico) em tudo o que é local turístico, monumento ou concentração de pessoas. O medo do terrorismo, real e perceptível, instalou-se definitivamente na vida quotidiana de Paris, dos parisienses e dos seus visitantes, sendo o acesso à Torre Eiffel o exemplo paradigmático desse receio. Aquilo que era um espaço amplo, enquadrado pelos grandes e bonitos jardins a Sul e o Trocadero a Norte, passou a ser um estaleiro de obras, cercado por alta cerca de chapa e com acessos diferenciados de entrada e saída, protegidos por sofisticados sistemas de vigilância e onde nada é negligenciado. Percebo e compreendo a necessidade de tal aparato, mas a verdade é que a experiência turística, ou a do visitante, ou ainda a do próprio habitante é fortemente transtornada por esta paranóica necessidade. É pena.

(na foto é visível a cerca metálica que circunda toda a torre)