28 janeiro 2021

cadafalso (4)

É impressionante a vontade, a avidez e a ligeireza com que jornalistas, comentadores, líderes partidários, deputados, redes sociais e outras que tais, se dedicam a sentenciar à morte política ministros que, directa ou indirectamente, lidam e decidem neste contexto extraordinário e novo que todos experimentamos. Ouvindo-os e lendo-os até parece fácil gerir uma situação deste género, mas não é e chega a ser cruel e desumano aquilo que algumas luminárias (estou a referir-me aos bastonários dos enfermeiros e médicos, aos líderes partidários de alguma oposição, aos representantes sindicais e associativos de muitos sectores) têm vindo a público afirmar, mentindo. O problema que se verificou recentemente no Hospital de Amadora-Sintra é paradigmático desta perseguição e não se olham aos meios para atingirem os seus fins - cobardes e sectários. Como é fácil enviar para o cadafalso quem tem dado a cara pela resposta nacional à pandemia.

25 janeiro 2021

LER

Vamos LER.

24 janeiro 2021

14 anos de vida

Neste dia assinalam-se 14 anos desde o primeiro dia deste meu lugar de escrita. Continua a ser o meu recanto, exclusivo e egoísta, para partilhar com quem o visita aquilo que vai acontecendo no mundo e me desperta os sentidos, assim como aquilo que as deambulações da vida me vão dando a experimentar. Neste último ano, em grande medida devido ao primeiro confinamento, foi o ano em que escrevi mais textos desde a sua fundação. Não que seja uma preocupação o número de posts, mas uma relativa frequência importa para manter alguma dinâmica e actualidade. O compromisso mantém-se para os próximos meses, naquilo que for a minha disponibilidade e disposição. Assim, muito obrigado àqueles que me visitam e, por vezes, comentam. Serão sempre bem vindos.

22 janeiro 2021

declaração de voto

Quase como uma adenda a um outro texto sobre as eleições presidenciais, enquanto cidadão preocupado com a saúde e vigor da nossa democracia, não posso deixar de exercer o meu dever de votar. Assim, no próximo Domingo, dia 24, irei votar e, em consciência, o meu voto tem como principal objectivo derrotar o candidato da extrema-direita, depois e idealmente, gostaria que acontecesse uma segunda volta entre Marcelo Rebelo de Sousa e Ana Gomes. Em todo o caso, e independentemente, dos resultados possíveis, o meu voto irá para a candidata Marisa Matias que, apesar de uma campanha eleitoral fraca, apagada e sem ânimo, é quem me garante uma perspectiva de sociedade e democracia institucionalmente mais justa e equilibrada. O meu voto é em Marisa Matias.

Joe Biden e o crápula

Já está. O ignóbil saiu pela porta pequena da Casa Branca e foi para o seu feudo tomar conta dos porcos e galinhas. Joe Biden tomou posse, num acto de simplicidade democrática e, ao assistir ao evento, a memória destes últimos quatro anos mais pareciam um sonho mau. Não foi um sonho, mas uma realidade má, que felizmente os americanos puseram cobro. Não tenho grande ilusões face à nova administração, mas pelo menos, ficou o alívio e a satisfação de a democracia ter vencido a mentira, a distopia e, acima de tudo, o crápula desqualificado e toda a seita de negacionistas, conservadores e radicais supremacionistas.
Ainda assim, passadas pouco mais de 48 horas sobre a tomada de posse, é bom saber que de imediato Joe Biden reverteu um conjunto de medidas-bandeira da anterior administração e do chamado "trumpismo". Com a assinatura de vários decretos, o novo presidente reverteu, por exemplo:

- EUA regressam ao Acordo de Paris (combate às alterações climáticas);
- Destruiu o muro em construção entre os EUA e o México;
- Impôs a obrigatoriedade do uso de máscaras e distanciamento social em todos os espaços e instituições federais (protecção e combate à Covid-19);
- Cancelou o estado de emergência até então em vigor;
- revogação das autorizações para a construção do oleoduto Keystone XL; o regresso dos limites às emissões poluentes na indústria automóvel; ou a suspensão das concessões para a exploração de petróleo e gás no Refú- gio Nacional de Vida Selvagem do Árctico;
- Suspendeu por 100 dias o repatriamento de imigrantes considerados ilegais;
- pôs fim à proibição de entrada a cidadãos de países de maioria muçulmana;

Estes foram alguns dos decretos que Joe Biden assinou nas primeiras horas do seu mandato, destruindo de uma só vez o completo e perfeito disparate que o seu antecessor foi produzindo ao longo do seu mandato. Ainda há esperança para a democracia e para o mundo.

campanha eleitoral

Termina hoje a campanha eleitoral para as presidenciais, que vão acontecer no próximo Domingo, e para mim foi como se não tivesse existido. Aliás, ela não existiu. Estive completamente ausente, soube de um ou outro episódio, mas não quis, de todo, acompanhar aquilo que considero ter sido uma farsa. Eu percebo a importância das eleições para a nossa democracia e para a nossa república, mas face ao estado em que está o país, não havia, de facto não houve, condições para a sua realização. Aquilo que aconteceu não foi campanha eleitoral, foi a imposição da vontade dos partidos em garantir a sua dependência do Estado (se não estou em erro, só os candidatos que obtiverem 5% ou mais, terão direito a receber um valor por cada voto). Nenhum deles pôs sequer a hipótese de prescindir desse financiamento. A Assembleia da República deveria, a seu tempo, ter precavido esta possibilidade de calamidade e encontrar cenários alternativos para estas eleições.
As instituições em Portugal existem e estão em normal funcionamento e, por isso, perfeitamente capazes de se adaptar às contingências impostas pela pandemia e o estado de calamidade em que o país se encontra. A nossa democracia enfrenta vários ataques, dos quais se destaca, como todos sabemos, a extrema-direita fascista. Uma das duas razões que me vão fazer ir votar no Domingo, é combater essa extrema-direita, derrotar o embrião de proto-fascista e esperar que muitos portugueses assim também façam, numa esperança de que a abstenção não seja assim tão elevada como se prevê, pois eleger um presidente com apenas cerca de 20% será fragilizar as nossas instituições e a nossa democracia. 
Vamos votar!

escolas fechadas (3)

Finalmente o governo mandou para casa os estudantes de todos os níveis de ensino - das creches às universidades. Fê-lo por um período de apenas 15 dias, mas ninguém acreditará que os miúdos possam regressar à escola daqui a duas semanas. Em todo o caso, esta interrupção do ano lectivo não implicará a substituição das aulas presenciais por aulas online e à distância, e ainda bem, pois a experiência do ano lectivo anterior foi brutal (tempo, atenção, dedicação, desgaste) para a maioria das famílias e, apesar do esforço de todos e de um relativo sucesso nas logísticas técnicas, o rendimento escolar e as aprendizagens foram uma desgraça, o que só veio demonstrar a importância da escola e de como a sua frequência é insubstituível. Este período de interregno, seja de 15 dias ou 60 dias, poderá ser recuperado e reposto durante os meses das férias grandes. Nunca percebi a resistência em alterar o calendário escolar nos meses de Verão. Se estamos a viver um período excepcional, porque é que as crianças não poderão, excepcionalmente, ter aulas em Julho e em Agosto? Importa agora é resolver a catástrofe de saúde pública que agora vivemos, derrotar o bicho e tratar das suas vítimas, o resto há-de resolver-se.

19 janeiro 2021

primeiro estranha-se, depois entranha-se (2)

Morreram 218 portugueses vítimas de Covid-19 nas últimas 24 horas. Aparentemente tudo continua igual e já não há reacção, indignação ou estupefacção, pois temos vindo a entranhar o crescimento descontrolado da doença. Impressionante a hesitação e indecisão dos nossos responsáveis políticos. Não sei, não entendo, quais serão as dúvidas de que a situação é de catástrofe nacional e que, apesar do SNS ainda resistir, não há capacidade de controle e rastreio dos focos da doença, nem como ela se transmite. Por que raio é que o país ainda não está totalmente em lockdown? Que resistências e pressões estarão a ser feitas para que isso não aconteça?
Por cada dia que passa sem se fechar o país, o drama será maior e a economia mais se ressentirá. Fechem esta merda e obriguem as pessoas a ficar em casa. Literalmente.

14 janeiro 2021

the silence

compras (1)


Faltam poucas horas para o novo recolher obrigatório e, por isso, tratei de ir às compras dos bens essenciais que poderão escassear cá por casa. Livros e café, ou café e livros. É-me indiferente a ordem, mas não podem faltar-me. Ao passar no quiosque encontrei o mais recente número do jornal de Letras e também o trouxe comigo. Enfim, vamos lá recolher, regressar às rotinas que julgámos não ter que repetir, na expectativa que seja por um breve espaço de tempo e só mais esta vez.

11 janeiro 2021

vésperas (0)

Estamos nas vésperas de novo confinamento geral e, por isso, vamos-nos preparando física, psicológica e logisticamente para esse recolher forçado. Ao contrário do que aconteceu em Março do ano passado, já não é algo desconhecido, já não irá haver surpresas para a maioria das pessoas, mas em simultâneo será um novo período muito difícil para muita gente, muitas famílias e muitas empresas.
No meu (nosso) caso, estou mais do que preparado para mergulhar nos espaços de minha casa, apesar de, na realidade, é a situação em que me já encontro desde Março de 2020. Não sabemos ainda quais as restrições deste novo confinamento geral, mas a crer nas palavras do Primeiro Ministro, será idêntico ao anterior, com a diferença das escolas do ensino básico e, talvez, secundário, que por enquanto se manterão abertas e em funcionamento.
Naquilo que diz respeito a esta minha escrivaninha, cá estou eu a dar início a uma nova temporada da série "enclausurado". A partir deste post (0) irei partilhar algumas das sensações, percepções e sentimentos relativos a esta experiência, sempre com a esperança de que este período possa ser mais breve do que longo ou demorado.

10 janeiro 2021

luvas

Pela primeira vez na vida comprei luvas. O frio que assaltou o país provocou-me dores no esqueleto inteiro, com particular incidência nas mãos e nos pés. O que sinto nas mãos não é frio, nem fico com elas geladas, o que sinto é uma dor intensa nos ossos e suas articulações. Caramba, enquanto jovem nunca me queixei de frio ou destas maleitas, mas envelhecer também é isto. Agora, uso luvas.

07 janeiro 2021

...e agora 2021

É necessário fazer a transição para um novo paradigma cultural caracterizado essencialmente por promover os valores sociais e privilegiar a regeneração em lugar do interesse próprio.
Filipe Duarte Santos, in Jornal de Letras nº 1311, Janeiro 2021.

mediascape: distopia

As imagens que nos chegaram ontem de Washington são de tal forma irreais que não consigo encontrar melhor exemplo de uma distopia na contemporaneidade. Aquela que se afirma como a maior democracia do mundo, o país de todas as liberdades e oportunidades, afinal tem pés de barro. Como foi possível um bando de energúmenos invadirem e vandalizarem o coração da federação democrática dos EUA? As imagens que vimos não foram bonitas e são significativas do estado de grande fragilidade em que as instituições americanas se encontram, obra e graça do desqualificado presidente Trump que, em apenas quatro anos, conseguiu destruir alguns dos pilares democráticos que jamais imaginamos ser possível pôr em causa. Enfim, acredito que a democracia há-de sobreviver a este caos institucional e que os EUA regressarão a uma determinada normalidade. Donald Trump vai querer arrastar o país para um caos insuportável até ser despejado da Casa Branca, por isso, tudo o que possa vir a acontecer até lá não poderá ser surpresa para ninguém. Estamos a assistir ao estertor de um crápula ignóbil.

02 janeiro 2021

mapear pessoas

Fui deixar alguns livros no armário das camisas. Gosto de vestir uma camisa e ver como inusitadamente ali fica um exemplar bonito da "Metamorfose" de Kafka. Modo de me reenviar aos 15 anos de idade e me lembrar da razão de ter desatado a correr atrás do que sou hoje. Gosto de pensar que um livro basta para mapear cem pessoas que amo ou amei. E, com esse mapa, entender melhor do que nunca por onde passar para me manter mais dentro do mesmo sonho que já vem da vida inteira. Para 2021, mapas assim. Mais mapas assim.
Valter Hugo Mãe, in Jornal de Letras nº 1311 - Janeiro 2021

01 janeiro 2021

Carlos do Carmo


Acordamos para este novo ano com a notícia do desaparecimento de Carlos do Carmo, uma das grandes vozes portuguesas. Apesar de não conseguir apreciar o género musical, não gosto de Fado (de nenhuma das suas variáveis), reconheço na sua voz timbre, clareza e melodia, numa qualidade difícil de igualar.