Participei nas III Jornadas dos Rituais Ancestrais, em Bemposta, concelho de Mogadouro, no dia 18 de Abril. Um momento integrado na 6º Encontro Internacional de Rituais Ancestrais. Eis alguns momentos dessa participação...
---------"Viajar, ou mesmo viver, sem tirar notas é uma irresponsabilidade..." Franz Kafka (1911)--------- Ouvir, ler e escrever. Falar, contar e descrever. O prazer de viver. Assim partilho minha visão do mundo. [blogue escrito, propositadamente, sem abrigo e contra, declaradamente, o novo Acordo Ortográfico]
21 abril 2026
16 abril 2026
irritação na tiróide
Ontem de manhã, ao folhear o jornal Público fixei-me nesta notícia e logo senti um incómodo na tiróide que, foi-se acentuando até se transformar numa forte irritação. É sempre a mesma conversa, sempre um plano inclinado, quando se tem a pretensão de re-educar as massas. Ao abrigo da narrativa eco-sustentável e de combate à crise climática, o discurso repete-se até à náusea: o sistema alimentar global actual é uma das principais causas da crise climática e responsável por milhares de mortes em Portugal... temos que reduzir ou mesmo abandonar o consumo de carnes vermelhas... o seu consumo é claramente excessivo em Portugal, blá, blá, blá...
Mas pior é a sugestão que este especialista em sistemas alimentares, saúde e clima, apresenta para mitigar o referido problema: a adopção da dieta planetária - de base vegetal: fruta, legumes, cereais integrais e leguminosas - e retirar dos menus das cantinas das Escolas Públicas a carne de Vaca (e em que escolas é que ela é comida?!...), pois, segundo afirma, "a mudança não pode ser deixada apenas às escolhas individuais", mas sim, deve ser imposta pelo "saber científico" e pelas elites que tudo podem e a quem não é vedada a escolha das suas dietas. Enfim, mais uma vez, a estratégia proposta é restringir o consumo de carnes vermelhas às classes mais desfavorecidas, para que essa minoria privilegiada possa manter as suas quotas de consumo dessas boas, nutritivas e apetitosas carnes.
Toda esta conversa, relembrou-me a outra luminária que, em tempos, afirmou publicamente que "as pessoas" não podem comer bifes todos os dias...
15 abril 2026
viver e pertencer ao lugar
Viver num subúrbio de uma grande cidade, em localidades que apesar de serem freguesias ou vilas, a sua conurbação transforma a paisagem num contínuo urbano entre a cidade e estas localidades da periferia, não permitindo, muitas vezes e para quem não conhece o território, a distinção e consciência de onde se está, será, para a maioria dos indivíduos indiferente, mas para mim que vivo há cerca de quatro décadas na mesma localidade ou arredores e, por isso, guardo a memória de toda a evolução, de todas as transformações que ocorreram ao longo de todo este tempo. Maior parte da população que hoje reside nesta freguesia não é de cá, veio atraída pela tremenda construção habitacional que ocorreu na última década do século XX e na primeira deste século. Uma outra dimensão dessa memória é a comunidade local, ou seja, os naturais e que se identificam e pertencem geracionalmente a este lugar. Eu, apesar de também não ser de cá e estar longe das minhas pertenças e referentes, consigo identificar e localizar muita gente desta terra e, apesar de não frequentar espaços e de não me relacionar com muitas pessoas de cá, por feitio e relativa misantropia, gosto muito de observar e registar determinados momentos e comportamentos.
Dito isto, esta manhã, bem cedo, testemunhei um desses momentos de reconhecimento de pertença a este lugar. Foi mais ou menos esta a interação entre dois velhos conhecidos, um homem e uma mulher, que se encontraram, num pequeno bar de um mercado de bairro, sentados em mesas contíguas:
Ela: - Bom dia.
Ele: - Bom dia, como está?
Ela: - Está tudo bem, graças a Deus. Já soube quem morreu?
Ele: - Não, quem foi?
Ela: - Vi agora ali na esquina o papel. Foi o Paulinho...
Ele: - Paulinho?! Quem é o Paulinho?
Ela: - O filho do .... [não entendi o nome]. Não se lembra dele?
Ele: - Não...
Ela: - Ele tocava na fanfarra dos bombeiros, não se lembra de o ver?
Ele: - Não. Não faço ideia.
Ela: - Pronto, deixe lá. Pensei que o conhecia...
Ele: - Não estou a ver.
Ela: - Tenha um bom dia.
09 abril 2026
01 abril 2026
leitura comentada
Notícia do jornal Mensageiro de Bragança que encontrei, um destes dias, na página do Facebook Memórias...e outras coisas - BRAGANÇA
Grupo franco português ADAO investe 10 milhões de euros em dois hotéis em Castelo Branco
O grupo empresarial franco-portugueses ADAO anunciou um investimento de cerca 10 milhões euros na construção de dois hotéis de quatro e cinco estrelas em Castelo Branco, no concelho de Mogadouro, onde prevê criar 50 postos de trabalho.
Os administradores do grupo ADAO, Investimentos, Cristina Bigand e Jaques Bigand, disseram que o primeiro objetivo dos investimentos passa por transformar o Solar dos Pimenteis num hotel histórico de cinco estrelas dotado de 20 quartos, salas de congressos, restaurante e um SPA, entre outras comodidades, destinadas a clientes nacionais e internacionais.
“O nosso objetivo é que, durante a construção do hotel, seja mantida a traça original do Solar dos Pimenteis, que é um imóvel classificado, e pretendemos respeitar a sua história. Como estamos no início do projeto, vamos fazer investigação histórica para encontrar possíveis fotografias ou outros documentos que nos ajudem a preservar a identidade do Solar que se encontra bastante degradado”, explicou Cristina Bigand.
O Solar dos Pimenteis é um edifício classificado como Imóvel de Interesse Público, datado de meados do século XVIII e mandado construir pela família Távora.
Dentro do mesmo investimento, e ao lado do Solar dos Pimenteis, nascerá um hotel de quatro estrelas com 40 quartos que terá como atrativo principal um salão destinado à venda e provas de vinhos das Terras de Mogadouro.
“Escolhemos o concelho de Mogadouro para este nosso investimento de 10 milhões de euros, porque entendemos que temos investimentos na área da vitivinicultura, com um empresário local, Cristiano Pires, da marca Terras de Mogadouro, e fazia todo o sentido um espaço de provas e venda de vinhos”, vincou a empresária que tem raízes em Bragança.
Já Jaques Bigand destacou as áreas naturais envolventes ao concelho de Mogadouro, como são os Lagos do Sabor ou Parque Natural do Douro Internacional e a componente cinegética e piscatória deste território do Douro Superior, que atrai muitos apreciadores destas atividades ao ar livre de vários países europeus, norte-americanos e sul-americanos.
“Estes dois hotéis têm uma vocação internacional para atrair um segmento de público médio alto”, vincou.
Já Cristina Bigand indicou ainda “que todo o processo de construção dos dois hotéis e áreas envolventes serão executados com recurso a empresas do concelho de Mogadouro, para contribuir para a dinamização da economia local”.
Os empresários já transmitiram as suas ideias de investimento ao presidente da Entidade Regional do Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP), Luís Pedro Martins, e ao presidente da câmara de Mogadouro, António Pimentel, num encontro promovido pelo autarca mogadourense.
Segundo estes dois empresários, o início da construção destes dois hotéis deverá arrancar no segundo semestre de 2026, estando prevista a sua conclusão para 2029.
Já o empresário de Mogadouro, Cristiano Pires, também se mostrou “otimista” nesta parceria, com o grupo franco – português ADAO Investimentos, na área das vinha e do vinho, o que vai permitir fazer crescer este setor em Terras de Mogadouro.
Francisco Pinto
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Nem sei por que ponta comece e o que dizer sobre esta notícia, mas reparem nos pormenores e como se vende um projecto que não será mais do que mais um caso de extractivismo de recursos e patrimónios:
Empresa luso-qualquer coisa "escolhe Mogadouro" para construir não um, mas dois hotéis, com um investimento de 10 milhões de euros e com a previsão de criarem 50 postos de trabalho...
Vão transformar o Solar dos Pimentéis que, não por acaso, é um imóvel classificado de interesse público e, como tal, deveria estar salvaguardado e preservado e não abandonado, num "Hotel Histórico" (?!?!) de 5 estrelas...
E, vejam, o discurso de vendedores da banha da cobra, o objectivo é "durante a construção manter a traça original do Solar" e, para tal, até vão fazer "investigação histórica" à procura de "possíveis" fotografias e outros documentos...
Também vão, como não poderia deixar de ser, recorrer "a empresas do concelho de Mogadouro para contribuir para a dinamização da economia local"...
Mais, ao lado deste Solar vão construir novo edifício para outro hotel (5 estrelas), com 40 quartos, mas admitem que servirá principalmente para "venda e prova de vinhos"...
As razões para este investimento extractivista:
a) uma vez que já têm um sociedade com uma empresa local;
b) áreas naturais envolventes (lagos do Sabor e Parque Natural do Douro Internacional);
c) componente cinegética e piscatória (mais um contributo para o lobi dos caçadores e pescadores urbanitas, digo eu);
Por último, mas às tantas o mais importante e a verdadeira eficácia destes projectos:
Vender a ideia a quem manda, a quem tem o poder de decidir, neste caso, ao Presidente da C.M. de Mogadouro e ao Presidente da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP), impondo assim os projectos aos territórios e suas comunidades. Curiosidade (cereja em cima do bolo), diz a notícia que foi o Presidente da autarquia quem abriu as portas da TPNP, isto é, tal como sempre, os autarcas enquanto porteiros de interesses privados e alheios às autarquias.
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