01 abril 2026

leitura comentada

Notícia do jornal Mensageiro de Bragança que encontrei, um destes dias, na página do Facebook Memórias...e outras coisas - BRAGANÇA

Grupo franco português ADAO investe 10 milhões de euros em dois hotéis em Castelo Branco

O grupo empresarial franco-portugueses ADAO anunciou um investimento de cerca 10 milhões euros na construção de dois hotéis de quatro e cinco estrelas em Castelo Branco, no concelho de Mogadouro, onde prevê criar 50 postos de trabalho.
Os administradores do grupo ADAO, Investimentos, Cristina Bigand e Jaques Bigand, disseram que o primeiro objetivo dos investimentos passa por transformar o Solar dos Pimenteis num hotel histórico de cinco estrelas dotado de 20 quartos, salas de congressos, restaurante e um SPA, entre outras comodidades, destinadas a clientes nacionais e internacionais.
“O nosso objetivo é que, durante a construção do hotel, seja mantida a traça original do Solar dos Pimenteis, que é um imóvel classificado, e pretendemos respeitar a sua história. Como estamos no início do projeto, vamos fazer investigação histórica para encontrar possíveis fotografias ou outros documentos que nos ajudem a preservar a identidade do Solar que se encontra bastante degradado”, explicou Cristina Bigand.
O Solar dos Pimenteis é um edifício classificado como Imóvel de Interesse Público, datado de meados do século XVIII e mandado construir pela família Távora.
Dentro do mesmo investimento, e ao lado do Solar dos Pimenteis, nascerá um hotel de quatro estrelas com 40 quartos que terá como atrativo principal um salão destinado à venda e provas de vinhos das Terras de Mogadouro.
“Escolhemos o concelho de Mogadouro para este nosso investimento de 10 milhões de euros, porque entendemos que temos investimentos na área da vitivinicultura, com um empresário local, Cristiano Pires, da marca Terras de Mogadouro, e fazia todo o sentido um espaço de provas e venda de vinhos”, vincou a empresária que tem raízes em Bragança.
Já Jaques Bigand destacou as áreas naturais envolventes ao concelho de Mogadouro, como são os Lagos do Sabor ou Parque Natural do Douro Internacional e a componente cinegética e piscatória deste território do Douro Superior, que atrai muitos apreciadores destas atividades ao ar livre de vários países europeus, norte-americanos e sul-americanos.
“Estes dois hotéis têm uma vocação internacional para atrair um segmento de público médio alto”, vincou.
Já Cristina Bigand indicou ainda “que todo o processo de construção dos dois hotéis e áreas envolventes serão executados com recurso a empresas do concelho de Mogadouro, para contribuir para a dinamização da economia local”.
Os empresários já transmitiram as suas ideias de investimento ao presidente da Entidade Regional do Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP), Luís Pedro Martins, e ao presidente da câmara de Mogadouro, António Pimentel, num encontro promovido pelo autarca mogadourense.
Segundo estes dois empresários, o início da construção destes dois hotéis deverá arrancar no segundo semestre de 2026, estando prevista a sua conclusão para 2029.
Já o empresário de Mogadouro, Cristiano Pires, também se mostrou “otimista” nesta parceria, com o grupo franco – português ADAO Investimentos, na área das vinha e do vinho, o que vai permitir fazer crescer este setor em Terras de Mogadouro.
Francisco Pinto
________ //________

Leitura comentada:

Nem sei por que ponta comece e o que dizer sobre esta notícia, mas reparem nos pormenores e como se vende um projecto que não será mais do que mais um caso de extractivismo de recursos e patrimónios:
Empresa luso-qualquer coisa "escolhe Mogadouro" para construir não um, mas dois hotéis, com um investimento de 10 milhões de euros e com a previsão de criarem 50 postos de trabalho...
Vão transformar o Solar dos Pimentéis que, não por acaso, é um imóvel classificado de interesse público e, como tal, deveria estar salvaguardado e preservado e não abandonado, num "Hotel Histórico" (?!?!) de 5 estrelas...
E, vejam, o discurso de vendedores da banha da cobra, o objectivo é "durante a construção manter a traça original do Solar" e, para tal, até vão fazer "investigação histórica" à procura de "possíveis" fotografias e outros documentos...
Também vão, como não poderia deixar de ser, recorrer "a empresas do concelho de Mogadouro para contribuir para a dinamização da economia local"...
Mais, ao lado deste Solar vão construir novo edifício para outro hotel (5 estrelas), com 40 quartos, mas admitem que servirá principalmente para "venda e prova de vinhos"...
As razões para este investimento extractivista:
a) uma vez que já têm um sociedade com uma empresa local;
b) áreas naturais envolventes (lagos do Sabor e Parque Natural do Douro Internacional);
c) componente cinegética e piscatória (mais um contributo para o lobi dos caçadores e pescadores urbanitas, digo eu);
Por último, mas às tantas o mais importante e a verdadeira eficácia destes projectos: 
Vender a ideia a quem manda, a quem tem o poder de decidir, neste caso, ao Presidente da C.M. de Mogadouro e ao Presidente da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP), impondo assim os projectos aos territórios e suas comunidades. Curiosidade (cereja em cima do bolo), diz a notícia que foi o Presidente da autarquia quem abriu as portas da TPNP, isto é, tal como sempre, os autarcas enquanto porteiros de interesses privados e alheios às autarquias.

Sem comentários: