Há mais de uma década que não ia ao entrudo de Vila Boa. Recordo-o com nostalgia dos tempos de meninice e juventude, no qual participava e colaborava activamente na sua preparação. O entrudo na minha aldeia era um momento único de reunião e folia em comunidade. Um tempo de excepção e de tolerância para com os excessos, com momentos e tempos próprios e diferenciados, protagonizados pelos locais e para o público local, ou seja, para a própria comunidade.
Regressei este ano e o contraste com esse entrudo recordado não poderia ser maior. Aquilo que hoje acontece, e pelos vistos já acontece há muitos anos, nada tem de parecido com esse entrudo da minha juventude. Agora, trata-se acima de tudo de uma performance que os locais e não só dão a quem visita a aldeia nesse dia. Centenas ou mais de milhar de pessoas invadem a aldeia e percorrem-na em ronda com os referidos actores, máscaras, marafonas e madamas, povo abaixo, povo acima. São inúmeras as diferenças que não poderei aqui referi-las a todas, mas o que mais me impressionou foi o batalhão de fotógrafos profissionais e amadores, jornalistas e outros especialistas que acompanharam durante todo o dia os diferentes momentos deste entrudo que se diz ainda genuíno. Eu e mais algumas pessoas sabemos que de genuíno já pouco ou nada tem, mas enfim.
Nunca fui máscara, nem nunca me fantasiei de marafona ou madama, foi com surpresa e muita alegria que vi o meu filho, com treze anos a querer mascarar-se e a chocalhar miúdas e graúdas, activa e efusivamente ao ponto de ser noite, ter que regressar ao Porto e ele não querer sair de lá... Assim ele queira, regressarei anualmente a Vila Boa para que ele possa "deitar o entrudo fora".
Partilho algumas fotografias que fui tirando com o telemóvel, pedindo desde já desculpa pela fraca qualidade das mesmas.