04 março 2016

mediascape: estupefacção


A notícia já é de ontem e foi amplamente discutida e comentada nos órgãos de comunicação social e, principalmente, nas redes sociais. 
Facto: 
A ex-ministra das finanças, Maria Luís Albuquerque foi contratada pela Arrow Global, uma empresa anglo-saxónica que esteve envolvida na negociação com o Banif.
Considerações: 
Confesso que visualmente sempre senti uma simpatia pela Maria Luís Albuquerque, pena é não haver a mesma impressão quanto ao seu caracter e à sua personalidade.
Em democracia não deveriam ser possíveis situações como estas. Não é, nem nunca será uma questão de legalidade, mas sim uma questão de moralidade e de idoneidade pessoal e das instituições. Alguém que foi ministra de estado e mal termina o seu mandato aceita trabalhar para uma instituição que esteve envolvida, durante o seu mandato, em negócios com o Estado, só pode levantar suspeições e desconfianças nos cidadãos. Alguém que teve real poder no Estado durante os últimos anos deveria remeter-se a relativo recato. Por outro lado, esta situação relembra-nos que o estatuto ou a missão de deputado deveria ser exercida ou desempenhada em exclusividade e a lei das incompatibilidades deveria ser revista pela Assembleia da República. Pena é que os partidos, nomeadamente o PS e o PSD, não queiram rever a lei.
O descaramento da senhora deputada, ao tentar defender-se das expectáveis reacções, afirmando a legalidade do procedimento, só demonstram bem o seu caracter, pois quer dizer que para ela, poderemos ser todos uns pulhas e aldrabões, desde que não infrinjamos a lei. Muito bem senhora deputada. E queriam alguns iluminados do PSD propor o seu nome para futura presidente do PSD!?... Força com isso.
A democracia, a nossa democracia, não deveria aceitar estes comportamentos duvidosos que teimam em repetir-se ao longo do tempo. Não é a primeira nem a segunda vez e, desconfio, vai continuar a acontecer. A grande promiscuidade entre o poder político e o poder económico/financeiro tem que ser definitivamente expurgado da nossas vidas. É essencialmente uma questão de saúde pública.

2 comentários:

Anónimo disse...

Devia ser mais como o Lula... e receber por baixo da mesa.

valedovale disse...

Não, também não, claro que não. Apesar de ter sido um presidente que teve um papel importante para milhões de brasileiros que viviam na miséria, nada justifica a elevada corrupção no Brasil. É sistémico em todo o aparelho de Estado nesse país. Um sinal evidente do terceiro mundismo em que o Brasil infelizmente ainda vive. A ser verdade, quero mais é que ele e todos os outros políticos corruptos sejam severamente punido. Mas não é disso que aqui falo, nem é legítimo comparar Portugal com o Brasil. Quero acreditar numa maior urbanidade e civilidade naqueles que elegemos para cuidar da res publica.