Participei no passado Sábado, dia 14 de Março, num seminário denominado "O Peso da Máscara - património cultural imaterial desde a raia", promovido pela AEPGA e pela Universidade de Salamanca, em Miranda do Douro. A convite do colega antropólogo e amigo Arsenio Dacosta, professor em Salamanca, moderei um dos painéis, cujo tema "Desafios na Gestão do PCI a partir do Território" e no qual foram oradores membros de grupos e associações de mascaradas e de rituais do ciclo de Inverno na região. Nesta mesa estiveram presentes: o grupo de Constantim (Miranda do Douro), de Bruçó (Mogadouro) e de Riofrío de Aliste (Zamora). Na mesa anterior, a primeira, foram oradores: Associação Maschocalheiro, Bemposta (Mogadouro), o Velho e a Galdrapa de São Pedro da Silva (Miranda do Douro) e Pobladura de Aliste (Zamora).
Em jeito de resumo, eu destacaria algumas ideias que me parecem pertinentes e sobre as quais deveremos reflectir, mas antes do resto, reafirmar a oportunidade e a relevância desta iniciativa da AEPGA e Universidade de Salamanca, principalmente, por terem dado espaço e tempo aos actores de cada festividade para se pronunciarem e manifestarem as suas opiniões, percepções e perspectivas. Muito importante auscultar e perceber aquilo que são os seus entendimentos sobre as manifestações de que são protagonistas, cruzá-las com aquilo que é o saber académico e/ou científico e com aquilo que é a sensibilidade e disponibilidade dos poderes autárquicos.
Um dos aspectos que mais me chamou a atenção foi as diferentes percepções entre os grupos presentes sobre o objectivo dos seus rituais, ou seja, alguns entendem que os rituais são feitos pelos locais e para essa comunidade e não para visitantes ou turistas, e outras localidades entendem que podem e devem divulgar e receber todos quantos queiram visitá-los, isto é, as suas festas são também para esses públicos visitantes. Depois, há quem considere que o principal problema destes rituais não foi o despovoamento e a emigração, mas sim o desinteresse das gerações mais novas, por considerarem esses ritos desinteressantes e antiquados. Também há quem faça questão de manter a independência financeira/económica e são contra a permanente dependência de subvenções e subsídios, pois dizem que isso não só adultera a essência do rito, como poderá promover outros interesses que não a própria festa.
Foi referida a importância pedagógica destes rituais e da permanente necessidade de transmissão entre gerações. Assim como também foi referido, por mais do que uma colectividade, que estas festividades não são entendidas como "modas" e que não pretendem massificar ou turistificar as suas festas, ainda que saibam que não podem impedir que as pessoas visitem nesses dias as suas aldeias.
Depois de um almoço na zona histórica da cidade de Miranda do Douro, viajámos para Sendim e para a oficina do artesão Carlos Ferreira que, de forma magistral, nos fez uma apresentação da sua arte e do património que são as Máscaras das diferentes localidades e festividades.

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