Chego agora do cemitério. Fui participar no enterro de um velho amigo aqui da paróquia. Um pouco mais velho do que eu, conhecia-o desde miúdo e fomo-nos sempre cruzando pelas ruas cá do sítio. Hoje revi gente que não via, sei lá, há vinte, trinta anos e que conheciam e eram amigos do Filipe. Foi uma doença súbita, daquelas sem aviso prévio, que o levou, deixando a mãe velhinha sozinha. Enfim. O Filipe, apesar do seu percurso de vida conturbado, era um rapaz simpático, educado e com um sentido de humor peculiar. Uma das últimas vezes que falei com ele, estava eu a sair aqui de casa, ao final de uma manhã, dou de caras com ele no passeio em frente a teclar no telemóvel. Cumprimentámo-nos e eu comentei o bafo de calor que estava. A resposta dele foi: "- Não. Não é calor. Está é um frio estranho!" Não contive a gargalhada e disse-lhe que sim, tinha razão, era isso mesmo. Um abraço.
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