30 janeiro 2026

elogio do papel

Na edição deste mês de Janeiro de 2026, do jornal Le Monde Diplomatique, Benoît Bréville e Pierre Rimbert escrevem longo e profundo artigo sobre a importância e mais-valias do texto impresso em detrimento dos textos desmaterializados e disponíveis em todos e mais alguns suportes digitais. Para além de concordar e subscrever as suas ideias e teses, considero que olhando para o mundo actual, mas também o das últimas e, porque não, o das próximas décadas, o papel mantém o seu lugar central no conhecimento e na informação. Invente-se o que se inventar, avance o que avançar a tecnologia, o suporte papel permanecerá e continuará a ser o veículo mais fiável e duradouro de tudo quanto se quer preservar.
O texto aqui referido é muito importante para a reflexão que importa fazer, e que alguns Estados, pensadores e académicos já têm feito, sobre a manutenção ou substituição do papel como principal suporte para a divulgação, acessibilidade e generalização dos conteúdos, do conhecimento, das aprendizagens e da informação.
Transcrevo aqui algumas passagens desse texto:

"Os usos sociais de um meio de comunicação não se reduzem à mensagem. Abrir um jornal como o nosso na esplanada de um café, receber o sorriso cúmplice de um vizinho no comboio, deixar um exemplar num local público ou exibi-lo numa manifestação: esses gestos, esses compromissos não podem ser considerados de forma desmaterializada.
Talvez seja porque o papel abre um imaginário infinitamente mais profundo do que a simples função de suporte do escrito. O jornal impresso simboliza a reconquista da curiosidade, o domínio da nossa concentração, uma disposição para o "devagar que tenho pressa", uma resistência ao roubo de informações pessoais e às invasões da privacidade que o uso de dispositivos conectados implica num regime de mercado. Na era da informação algorítmica, o papel não controla o seu leitor, não captura o seu tempo, não pirateia as suas emoções. Não abre caminho estatisticamente contra a nossa vontade: pelo contrário, exige um esforço, e a manipulação do seu layout às vezes requer até algumas contorções. Quando a sua leitura inspira uma ideia, uma analogia, uma perspectiva, uma raiva, uma acção, colocámo-lo de lado, paramos, reflectimos. É o suporte de uma soberania recuperada sobre os objectos da nossa atenção e, consequentemente, das nossas mobilizações."

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