29 julho 2009

a conta do tempo do patrão da barca

É por textos como este (Terra Alta) que eu admiro J. Rentes de Carvalho e acompanho diariamente o seu blogue pessoal (Tempo Contado), onde assiduamente deposita a sua prosa, sempre bem escrita. Nada mais dele conheço, mas vou conhecer, isso eu sei. Já recolhí o que importa. Fica o compromisso. Certo.

27 julho 2009

costa norte e rias altas na semana passada






frase, pensamento e raciocínio de um ser menor

"Nenhum dos figurantes sai bem nesta ópera bufa: Sócrates jurou e toda a gente duvidou, Louçã fez escarcéu a mais e JAD [Joana Amaral Dias] deveria saber que há convites que não devem ser vozeados para a praça pública".
Carlos Abreu Amorim, jurista, "Correio da Manhã", 27-07-2009

Não lí o Correio da Manhã deste dia, aliás, nunca lí esse jornal. No entanto, esta frase destacada pelo jornal Público online é reveladora da construção mental de seu autor. Tenho tido a oportunidade de ouvir este senhor no programa da RTPN, se não me engano, chamado "directo ao assunto" no qual interage com Rui Tavares e Emídio Rangel. Diga-se de passagem que o seu discurso é, normalmente, neo-liberal e fascizante, portanto, nada ou quase de novo há a registar. Contudo, este estado mental implicito na última parte da frase - a que diz respeito ao que Joana Amaral Dias deveria saber, é bem revelador do sistema imundo, conhecido e mantido por todos os seus intervenientes, que não gostam de que estas "coisas" se comentem na Comunicação Social, pois só perturbam o normal funcionamento do núcleo central de interesses estabelecidos. Este senhor jurista personifica bem, também através desta frase (ainda que retirada do seu contexto), o que de pior a nossa democracia produziu. O lixo tecnocrata e burocrata que reina pelo esgoto do poder em Portugal.

24 julho 2009

os dos últimos tempos

Mais alguns livros que foram chegando:
- Barthes, Roland, 2006, O Grau Zero da Escrita, Lisboa, Edições 70;
- Barthes, Roland, 2009, O Prazer do Texto, Lisboa, Edições 70;
- Barthes, Roland, 2009, Ensaios Críticos, Lisboa, Edições 70;
- Revista Antropológicas (nº 11), 2009, Porto, Universidade Fernando Pessoa;
- de Rota, José Antonio Fernández, 1987, Gallegos ante um espejo, A Corunha, Ediciós do Castro;

20 julho 2009

aquilo que disse na apresentação da candidatura aos órgãos autárquicos do concelho de Bragança no dia 18 de Julho

Desde 2005, quando elegemos pela primeira vez um membro para a Assembleia Municipal de Bragança, que temos procurado intervir, dar resposta e contrapor aquilo que consideramos ser uma política e uma gestão errada da cidade e do concelho de Bragança.
Conscientes estamos que a nossa intervenção poderia e deveria ter sido mais consistente e, por vezes, mais incisiva, no entanto, o balanço dessa intervenção neste mandato é francamente positiva. Face ao cenário e ao desequilíbrio representativo nos órgãos autárquicos do nosso concelho, resultantes das eleições autárquicas de 2005, dificilmente a oposição conseguiu marcar a agenda política municipal, mas isso não nos impediu de marcar posição face a essa mesma agenda do PSD, partido que detém larga maioria nesses mesmos órgãos...
Alguns exemplos:
· Parque natural de Montesinho e a teimosia deste executivo em viver de costas para esse imenso património que deveria ser uma aposta.
· Gestão da água e seu abastecimento – cuja política ou estratégia não existe, enquanto se insiste em Veiguinhas e no entretanto, se entrega a exploração e a distribuição ao sector privado. Somos liminarmente contra a privatização da água.
· Impostos municipais directos e indirectos – apesar de considerarmos que a propriedade e a sua posse devem ser tributadas, não concordamos com as percentagens aplicadas pelo município, que penalizam a fixação das famílias.
· Tantas são as parandongas em relação às conquistas e à atribuição do conceito de eco-cidade, mas o que se alterou nas rotinas dos cidadãos de Bragança? Só por exemplo, continua a haver um défice de eco-pontos na cidade, actualmente e segundo informação fornecida pelos serviços da CM o rácio destes é de 1/358 habitantes.
. Requalificação urbana – para nós o maior erro deste executivo, que persiste em apostar na expansão da cidade e vai abandonando o seu centro e zona histórica. Não somos nós a dizê-lo. É a realidade que todos podem verificar não muito longe daqui…
. Numa cidade como Bragança, inserida numa paisagem como esta, a aposta na construção habitacional vertical é um erro. Erro esse que serão as gerações que hão-de vir quem vai ter que suportar.
. A difícil situação do pequeno comércio e a indústria inexistente.
A candidatura do BE em Bragança assenta, tal como no resto das autarquias, num programa que procura dar respostas à urgência da crise social. É um programa que tem por base o conceito de Justiça: justiça económica, justiça social, justiça financeira, justiça no acesso à saúde, justiça no acesso à educação, justiça no acesso à justiça.
A candidatura do BE em Bragança protagoniza essa justiça e levará até aos cidadãos um programa intencional e pragmático de respostas concretas aos problemas do dia-a-dia em Bragança.
É preciso defender o emprego – através da criação de gabinetes municipais de apoio à criação de emprego local.
São necessárias infra-estruturas básicas – dar prioridade aos investimentos em infra-estruturas e serviços públicos destinados às nossas populações no âmbito do QREN 2007/2013.
É urgente cuidar da pobreza e da exclusão social, principalmente agora: por exemplo, a criação de um gabinete municipal que sinalize e acompanhe os casos graves, ou mais graves, em parceria com a Segurança Social e IPSSs locais.
É fácil aliviar a pobreza real das pessoas:
- Isenção das tarifas sociais nos serviços básicos e transportes,
- Rendas apoiadas ou habitação social,
- Equipamentos sociais como cantinas públicas,
Garantir a reabilitação do património arquitectónico construído: nas aldeias e no centro histórico da cidade.
É preciso responder à crise cuidando do lado social da cidade, do lado que é tantas vezes o lado invisível – onde não se fazem inaugurações, nem corta-fitas, nem beija-mãos!..
É por isso que aqui estamos, é por tudo isto que lançamos desde já o desafio aos Bragançanos. Se querem um outro futuro, vamos todos colaborar para que possa ser possível e possa acontecer. Para evitar mais do mesmo, vamos apostar forte no reforço da nossa representação política no concelho de Bragança. Por Bragança e em Bragança uma esquerda socialista, alternativa e de futuro está presente.
alguns reflexos:

16 julho 2009

etnografar-te

Várias vezes reparei em ti. Há muito te conheço e contigo me cruzo no mesmo lugar de sempre e arredores. Apesar dos imensos olhares nunca as palavras cruzámos. Nem sequer o teu nome sei. Não importa. Conheço-te a voz nos outros e sei-te mais nova, bem mais nova. Afirmas-te quando chegas e partes, quando entras e sais, marcando tua presença com esse ar esguio e altivo, afirmativo de quem tem um mundo à espera. Houve até o momento em que te vi, de tal modo, que o perpetuei e para mim guardei. Foi o nosso momento. Sem mais, dizer apenas que se sente, nos dias todos, esta permanente tensão de possíveis narrativas que não acontecem. A vertigem da proximidade é real. E se?.. A mim, a ti, a nós… um toque, uma palavra. Tudo ou nada e a etnografia seria outra.

14 julho 2009

por falar em orgulhos...

Ainda hoje de manhã me indignava com a alegria e o orgulho das palavras da ministra da educação, relativas aos resultados dos exames de Português e Matemática do 9º ano, quando recebo por email um exemplo claro daquilo que é a mediocridade da produção do referido ministério.
A imagem reproduzida diz respeito ao exame de Geografia A do ensino secundário - 2ª fase, exame que os alunos realizaram na manhã de hoje. Convirá referir que, apesar de parecer um pequeno ou insignificante erro, estes exames foram feitos com muita antecedência e por equipas especializadas de professores. Tanto tempo, tanto esforço, tanta reforma dedicada à educação das nossas crianças e jovens para, ao fim e ao cabo, ser o próprio sistema a insistir no ERRO - e aqui não há a desculpa do software de uma qualquer empresa vir de uma qualquer Espanha... Vergonha.

(agradeço a quem teve a gentileza de me enviar esta imagem)

10 julho 2009

imagens que não se esquecem


(no dia em que o BPP foi comprado por um euro (!?), relembro o momento de João Rendeiro) - sei que há melhores perspectivas deste momento - agradeço o seu envio.

em busca de uma identidade (perdida) que nos permita encontrar o norte, ou tenaz crítica ao desnorte da governação socialista


Acutilante ensaio de José Gil que, através de uma linguagem impaciente, mas simples e acessível, desconstrói os esquemas da governação socialista e faz um retrato da actualidade nacional. Aconselhado para quem ainda tenha alguma dúvida sobre o desgoverno que reina em Portugal, ou para quem ainda esteja indeciso em relação ao sentido de voto nas próximas eleições legislativas.
A leitura rápida porque fácil da excelente narrativa, levou-me a sublinhar quase todo o texto, por isso em vez de estar a citar qualquer uma dessas passagens, transcrevo o resumo ou apresentação da contracapa.

o desnorte
José Gil prossegue neste livro a sua investigação sobre os processos individuais e colectivos de subjectivação em Portugal. Quais são esses processos neste período marcado pela globalização, a crise económica e a hegemonia política do PS? Que formas assume essa subjectivação quando «a falha de sentido que as promessas por cumprir do 25 de Abril não conseguiram colmatar» foi suprida por antigos hábitos e «mentalidades»?
Reinventando conceitos de Frenczi e Foucault no sentido de uma abordagem original, José Gil mostra como os portugueses tentaram conquistar «formas de subjectivação individuais em desfasamento ou inadequação aos quadros de vida colectiva que se iam edificando progressivamente».
O autor de Portugal Hoje: O Medo de Existir considera que «fizemos da identidade o território da subjectividade» e «esforçamo-nos por resistir ao "fora" que aí vem, do exterior ou do interior, que ameaça destruir as nossas velhas subjectividades». Em sua opinião, a única maneira de remover o obstáculo da "identidade" é «deixarmos de ser primeiro portugueses para poder existir primeiro como homens».
É à luz dessa preocupação que se analisa o discurso dos actuais governantes que consideram que Portugal entrou «num processo irreversível de modernização», um discurso «anti-ideológico e de via única» em que a avaliação «surge como método universal de formação de identidades».
José Gil aborda em particular o «chico-espertismo" enquanto fenómeno que atravessa todo o «tipo de subjectividade da nossa sociedade, sendo transversal a todas as classes, grupos, géneros e gerações».

08 julho 2009

B:MAG

Nova publicação online gratuita acerca dos livros, da escrita e da publicação. Projecto da Booktailors e coordenado por Nuno Seabra Lopes e Paulo Ferreira. Com uma vasto leque de colaboradores implicados, de alguma forma, com a edição e a escrita em Portugal. Já desfolhei e já acrescentei o link para a edição um, em pdf, aqui ao lado direito na secção "para que se saiba".

07 julho 2009

lida está

Não raras vezes apetece dizer que este número foi, para mim, o melhor número da revista LER. O problema dessa vontade é o seu carácter efémero, pois a cada novo número existe essa possibilidade. Contudo, posso afirmar que a revista nº 82 tem muita qualidade. Surpresa desagradável foi a entrevista de fundo de Carlos Vaz Marques a Vasco Pulido Valente, que muito prometia, mas que não passa de um exercício de permanente recalcamento do ego e do seu alter... Comprada e lida numa fracção pequena de tempo, deixo alguns apontamentos ou excertos daquilo que gostei:
"...pelas novas tecnologias, que tanto facilitam a vida como a morte." (Francisco José Viegas, in Editorial)
"O bom leitor é o que valoriza o livro que não lerá, bem mais do que o livro conhecido: e valorizando-o, quer possuí-lo!" (Abel Barros Baptista)
"Ler por ler é um erro crasso. Para ler coisas que nos fazem mal mais vale tomar um Ben-U-Ron e sentarmo-nos a ver os jogos do Sporting..." (Jorge Reis-Sá)
"O nosso, aqui, e homens assumidamente de esquerda democrática, num tempo de aparência pouco propício, é o de lembrar que esse espaço de diálogo intra-humano é o da esperança, não apenas meramente conjectural e política, mas de uma esperança histórica, de uma solução plausível para um mundo de paz armado até às estrelas, para uma humanidade dividida em duas pela presença numa delas dos espectros medievais da fome, da ignorância e da repressão, e na outra pelo triunfo de uma Disneylândia de pacotilha, onde já não distinguimos com um mínimo de senso o que nos perde e o que nos salva." (Eduardo Lourenço)

06 julho 2009

carimbar, carimbar, carimbar

Toca a campainha do escritório. Não estando à espera de ninguém, estranho. Abro a porta e do lado de fora, uma jovem (não muito jovem) pergunta-me se pode deixar ficar um Curriculum Vitae. De imediato anuí e ela, agradecendo, saca de imediato de uma folha solta que me entrega e me pede para carimbar com a identificação da empresa e a assinatura do(a) responsável. Tendo-se apercebido da minha manifesta estranheza, logo acrescentou que era uma exigência do Centro de Emprego. Peguei na folha e recolhi-me para um outro espaço, enquanto carimbava e assinava, pude verificar que aquela folha era um layout modelo, concebido pelo Centro de Emprego e que trazia já uma data de carimbos empresariais. Regressei com o formulário devidamente assinado e carimbado para entregar à jovem, que então me entregou o seu Curriculum Vitae, devidamente normalizado pelas regras europeias. Não fez qualquer outra pergunta, nem mostrou qualquer interesse em saber o que fazemos e se precisamos de gente... agradeceu uma vez mais e, alegre e satisfeita por mais um carimbo recolhido, virou costas, quiçã em busca de novo carimbo.
Assim vai o nosso país. Os desempregados, circunstância já de si bastante humilhante e que atira os indivíduos para a condição de proscritos, em vez de procurarem emprego e, proactivamente, fazerem a sua pesquisa e prospecção, andam freneticamente de porta em porta, numa suposta procura de emprego, a entregar CVs mas só se as empresas carimbarem. Suplicam pela carimbadela que lhes garante a réstia de dignidade que é o fundo de desemprego. Até isso o Estado português lhes quer retirar. Justiça esta!

02 julho 2009

elegia

Ao "desfolhar" o jornal Expresso online, dei logo de caras com a noticia acerca do filme "Elegia" realizado pela espanhola Isabel Coixet e que conta com Ben Kingsley e Penélope Cruz nos principais papeis. Para surpresa minha, este filme vai hoje estrear em Portugal. Digo surpresa porque como já vi o filme há três ou quatro meses atrás, pensei que já tivesse passado nos cinemas. Bem, mas aquilo que gostava de referir com alguma consistência é a qualidade e a intensidade desta narrativa e o excelente desempenho dos dois principais actores, que apesar do registo eminentemente intimista, demonstram bem os seus atributos. Para mim, sem dúvida, um dos melhores filmes que tive a oportunidade de ver nos últimos meses (anos!?...). Não percam.