15 julho 2013

mediascape: mafiosidades de estado

As notícias que nos chegam do outro lado da fronteira são assustadoras. Um antigo tesoureiro do PP acusa o primeiro-ministro de ter recebido vários milhares de euros, em dinheiro vivo, ao longo dos últimos anos, numa média que rondaria os dois mil euros por mês de dinheiro sujo, proveniente de empresas e militantes. O jornal "El Mundo" publica msn trocadas entre o primeiro-ministro e o tesoureiro em que aquele pede silêncio a este. A oposição pede a sua demissão mas ele recusa. Diz que está de consciência tranquila. Uma trapalhada, uma vergonha. Foi e é em Portugal, foi no Luxemburgo, foi na Itália, é em Espanha... que bem vai a governação por esta Europa fora. 
Algumas notícias acerca deste caso:
http://tinyurl.com/ph4k9do
http://tinyurl.com/o8j56nr

12 julho 2013

rescaldo de uma paisagem esvaziada

Naquilo que parece ser, finalmente, o rescaldo do maior incêndio que há memória no distrito de Bragança e que afectou os concelhos de Alfândega da Fé, Torre de Moncorvo, Mogadouro e Freixo de Espada à Cinta, deixando um rasto de destruição e um cenário jamais imaginado, convirá também reflectir um pouco acerca da realidade do território em causa: sua gestão e seu ordenamento. Não são questões que digam respeito apenas ao presente, ou sequer a um passado recente, são problemas estruturais que estão mais do que identificados, estudados, diagnosticados, mas estão ainda sem uma terapêutica estratégica que procure minorar tais situações. É confrangedor assistir às declarações dos responsáveis pelas autarquias, das protecções civis, das direcções regionais dos ministérios da agricultura e do ambiente. Já não há paciência para o mesmo discurso, os mesmos lugares comuns, a mesma atitude reactiva e nunca preventiva. É preciso ir além do elogio aos valentes bombeiros, é preciso ir além do lamento e do infortúnio, é preciso evitar a promessa da contabilização dos estragos e das ajudas que hão-de vir. Para quando uma atitude planeada, pensada, reflectida, com meios e recursos capazes de, a curto, médio ou, que seja, a longo prazo resolva este drama que ciclicamente experimentamos?
Nestes momentos seria interessante ouvir alguém referir-se às causas que potenciam incêndios como este. O abandono dos terrenos agrícolas, a falta de gados, o abandono das práticas de cultivo e de manutenção dos terrenos, a introdução de vegetação não-autóctone, entre outros, são factores que permitiram o crescimentos de matos, muitas vezes, até bem perto das próprias povoações. Há um pequeno exemplo que recordo e que me parece paradigmático desta situação: toda a gente cortava as silvas que cresciam nas hordas dos lameiros, hortas e demais terrenos. Eu próprio cheguei a fazer isso, tarefa que não só salvaguardava os terrenos, impedia o fogo de aí ganhar força, como também libertava os caminhos de acesso. Quem faz isso ainda? Olhemos para a paisagem que circunda as nossas aldeias e vejamos o triste espectáculo dessas silvas e demais vegetação selvagem a ocupar o lugar que outrora floria ou era repasto para todos os gados. Por falar em caminhos, numa das reportagens televisivas desde uma dessas comunidades afectadas por este incêndio, uma idosa reclamava, pois os bombeiros e os militares em vez de andarem a combater o fogo, andavam a abrir caminhos de acesso até perto do fogo. Raciocínio rápido e compreensível de quem vê o seu mundo ser consumido pelas chamas, mas ao mesmo tempo, uma crítica oportuna e reflexiva, pois na verdade esses caminhos deveriam ser parte integrante daquilo que é a prevenção e não parte precipitada da estratégia de reacção. Fiquei com aquelas sábias palavras.
A aflição de todos aqueles que sentem o poder implacável do fogo destruir-lhes o trabalho de toda a vida. O abismo de tudo perderem consoante a vontade do vento. A impotência e a consciência de nada poderem fazer, serão sempre o reflexo de uma atitude passiva e expectante, negligente e egoísta daqueles que vão habitando o nosso território. Uma vez mais, a própria população só reage quando sente aquilo que é seu em perigo. Admiram-se sempre pela rapidez e velocidade com que as chamas chegam e chamuscam os telhados, queimam os fios da luz e do telefone, assam os seus animais de estimação e de sustento. Durante o restante ano ninguém se preocupa com o mato que vai crescendo sem lei e vai envolvendo as aldeias, ninguém se preocupa com as reservas de lenha que as pessoas teimam em juntar dentro dos povoados, ninguém reclama pela negligente gestão dos baldios, ninguém se opõe à introdução ad-hoc de espécimes vegetais estranhas à flora local. Enfim, tudo razões para vivermos sempre com o coração aflito e com o espírito nas mãos de um santo qualquer. Aquilo que aconteceu este ano foi consequência de vários factores naturais, é verdade, mas foi e será sempre o resultado da boa ou má gestão do território, da boa ou da má ocupação dos solos, da presente ou ausente política administrativa e, principalmente, da consciência ou da inconsciência de tudo isto.
É muito triste uma paisagem assim.

08 julho 2013

04 julho 2013

garotices

Os recentes acontecimentos na governação de Portugal são inacreditáveis. Se nos contassem que isto poderia acontecer, não hesitaríamos a negar essa eventualidade. Estes dois senhores, donos dos dois partidos da coligação que nos governam, são uns irresponsáveis e deveriam ser, desde já, responsabilizados pelos enormes danos que a sua palermice causa ao país. Mais, o espectáculo que nos estão a oferecer é de tal forma ridículo que não percebo como o país e as suas instituições não interrompem a sua actuação. Os dois fazem-me lembrar os meus tempos de criança em que brincava com os outros miúdos, mas quando a brincadeira não me agradava, chateado dizia: "- Assim não brinco mais!" Mas brincava e depois voltava a dizer que não, mas brincava. E os dias passavam-se assim. Esta trágico-comédia que em vez de nos divertir só nos exaspera, relembra-me também a amargura que ainda sinto com o momento em que os portugueses foram chamados a escolher e votaram nestes desqualificados. Para meu contentamento, ou pelo menos para engano próprio, prefiro pensar que esses portugueses merecem cada acto falhado destes senhores. Por fim, temo que se formos nova e antecipadamente chamados a escolher novos interpretes escolhamos algo parecido e isso será destruidor.

01 julho 2013

já nas rotativas...

Para breve e em Trás-os-Montes.