19 fevereiro 2010

16 fevereiro 2010

na cabeceira I

Nos últimos dias, ou melhor, na última semana este foi um dos livros que me ocupou os últimos minutos antes de adormecer, em cada noite. Trago-o aqui porque me surpreendeu, não sei se pelas melhores ou se pelas piores razões, pois este senhor, Martin Page, consegue retratar a história do território luso desde 700 a.c. até ao século XX, em apenas cerca de 300 páginas de texto. E que texto! Se nada soubessemos acerca dessa mesma história com a leitura desta optimista elegia, que nos transfigura nos grandes obreiros do mundo, ficaríamos com a melhor das opiniões acerca dos nossos feitos. Este é um texto escrito ao estilo do Professor José Hermano Saraiva, ou seja, ligeiro mas pormenorizado, científico mas pantomineiro.
Como dos fracos não reza a história, cantemos alto nossas vitórias, ainda que passadas. Até porque, algures nesse mesmo passado, algo correu mal e a partir daí, foi sempre a degenerar até hoje, até à pequenez e à insignificância que tão bem nos caracterizam. Aconselhável a todos aqueles que nos (des)governam.

13 fevereiro 2010

instantes urbanos X

Num balcão, enroscados em cervejas

Entrei apressado num café café em Bragança. Estava cheio e com dificuldade consegui encostar-me a uma ponta do balcão. Enquanto ingeria a pequena mas necessária dose de cafeína, não pude deixar de ouvir o diálogo que dois individuos, a meu lado, mantinham:
"- Então diz-me lá, qual é a estação a seguir a Campanhã, depois da ponte?
- É General Torres!.. Então não sei. Eu andei por lá tanto tempo, conheço aquilo tudo...
- E a seguir, qual é?
- É Gaia.
- Então não é as Devesas?
- Sim é isso, é a mesma coisa... oh pá, então não!?...
- Áh, então é isso.
- Eu conheço aquilo, andei por lá durante muito tempo. Todos os dias ia de Campanhã para Parâmio, depois de Espinho. E depois das Devesas é Francelos. Então não é? Eu sei.
- Pois sabes, pois sabes."

12 fevereiro 2010

esferográficas

Hoje, numa conversa com um informante de um estudo em curso, fui presenteado com duas canetas vindas do lado de lá do Atlântico. Quando mas passavam para a mão, disseram: "- A vermelha é para ter sorte no amor. A prateada é para ganhar muito dinheiro." Não sei de onde raio virá tal crença e quais os seus significados. Agradeci a simpatia.

11 fevereiro 2010

o guia da noite na baixa do porto

"Ele há coisas a que um homem não pode dizer que não!" - assim dizia uma canção que Aguardela cantava. E foi precisamente desta frase que me lembrei quando, quase por acaso, encontrei este lugar virtual. Um guia da noite na baixa do Porto. Em primeiro lugar importa referir que há muito tempo deixei de ser consumidor da noite portuense (e de qualquer outra), o que não quer dizer que, ainda que a espaços, não faça uma ou outra incursão pelos novos e velhos espaços e lugares de consumo nocturno da cidade. Depois, este guia trouxe-me imediatamente à memória o tempo, já ido, em que frequente e teimosamente não conhecia outro habitat nocturno que não o Porto. Claro que noutros locais e noutros ambientes, mas até isso foi um exercício interessante, pois o mapa detalhado da baixa da cidade apresentado, permite-nos localizar cada um dos diferentes espaços, sua agenda e contactos. Dei comigo à procura daqueles espaços que eu frequentava...
Um projecto que se identifica com as espacialidades e as temporalidades da baixa portuense e pretende participar na construção de uma identidade em que o lugar marca o tempo e o tempo se explica referenciado pelo lugar.
Com uma boa apresentação, intuitiva e funcional (apesar de num primeiro momento aparecer muita informação e parecer, por isso, muito confuso, rapidamente o visitante percebe a lógica de funcionamento). Um outro aspecto importante, será a reunião e disponibilidade de todos os eventos num só portal, algo que não conhecia. O que significará, porventura, um desafio para a equipa deste projecto, pois implicará um grande esforço de concentração e organização de informação. Se isso for conseguido, não tenho dúvida da grande mais valia que será para cada um dos seus visitantes e assinantes, assim como para a própria indústria e, evidentemente, para a cidade do Porto. Eu já assinei a newsletter, pois apesar de não ser um assiduo consumidor, não invalida que possa estar a par daquilo que vai acontecendo na cidade e na noite dessa cidade. Também por isso vai directamente para os atalhos partilhados, mesmo aqui ao lado...
Conselho de amigo, frequentem.

07 fevereiro 2010

Ελληνικοu

Quando viajei para Atenas, em Maio de 2006, uma das surpresas foi a gastronomia local (leia-se grega) e desde então recordo com nostalgia alguns dos ingredientes por lá experimentados. Num esforço de reencontrar tais sabores, enquanto não regresso à Grécia, em viagens pelas cidades europeias procuro sempre saber se existem lugares cuja especialidade seja a cozinha grega. Com alguma sorte, ou azar, tal reencontro já sucedeu pelo menos em Madrid, em Paris e em Bruxelas. Ainda ontem, depois de ter sido informado por amigos da existência de uma casa de pasto grega na cidade do Porto, não hesitei em reservar mesa para essa mesma noite. Inadvertidamente, resolvi convidar um casal amigo para tal experiência. Inicialmente, o grupo seria muito maior, mas a incapacidade da sala não o permitiu...
Admito o entusiasmo perante a perspectiva de poder vir a experimentar, uma vez mais, tais sabores e odores, ainda por cima, bem perto de casa. Reserva feita, lá fomos. Num espaço pequeno, mas acolhedor, algumas referências iconográficas à "terra mãe" e um ambiente quente, embalado por sons nativos. Depois, as ementas eram confusas e pouco legíveis, o serviço era péssimo e aquilo que comemos não soube a grego. Enfim, o que grego nos deixou foi a conta que nos foi apresentada para pagar. A verdade é que ainda não foi desta que voltei a experimentar os ambientes que trago na memória. Aproximo-me da ideia de que apenas lá, e só lá.

04 fevereiro 2010

"rasto de hortelã"

A cerca de dois anos do fim dos seus dias, Rosa Lobato Faria escreveu a sua autobiografia para o Jornal de Letras. Encontrei esse texto e li-o. A minha vontade era colocá-lo aqui na íntegra, mas porque é relativamente extenso, fica o link para quem o quiser ler. Uma vida inteira tão bem (d)escrita.

03 fevereiro 2010

acabei de LER

Num número quase exclusivamente dedicado à ciência, gostei particularmente da entrevista de Carlos Vaz Marques ao Físico António Manuel Baptista e do ensaio de Jorge Buescu, intitulado "As Batalhas pela Ciência", no qual faz uma leitura sobre o clássico "as duas culturas" onde se percebe o "abismo de imcompreensão mútua" entre os cientistas e os intelectuais; descreve algumas das principais correntes de pensamento do século XX e dá especial relevo ao construtivismo social e à crítica pós-moderna da Ciência. Depois, o mesmo de sempre, vários títulos que quero e irei (não sei quando) comprar.

bonito