25 junho 2010

encantos das cidades pequenas

Viver numa cidade grande é confortável, talvez até mais fácil. Habituamo-nos muito rapidamente a ter tudo numa relação de proximidade e de fácil e rápido acesso, sem a obrigação de nos relacionarmos com alguém, ou sequer cumprimentar-mos alguém. Isso, confesso, agrada-me.
Definitivamente, fascinam-me as cidades pequenas. A vida dos lugares pequenos, da rua e do bairro. As rotinas quotidianas e o reconhecimento de quem passa na rua, de quem é freguês dos mesmos lugares ou cliente dos mesmos espaços. Nas cidades pequenas, ou pelo menos mais pequenas, o andamento é outro. A vida, parece-me, corre num ritmo mais lento, respira-se outro ar e o tempo transfigura-se, dando-nos como que, mais tempo.
Eu gosto de lugares como este, pequeno e calmo, onde há espaço e tempo para viver ao ar livre. Faz-me falta essa liberdade. Eu gostava de viver num lugar assim, talvez mais a Norte, preferencialmente com menos calor e, se possivel, com menos turistas.

15 junho 2010

ponte Vecchio

Numa recentíssima visita à Itália, visitei várias cidades da Toscana, das quais destaco Florença (Firenze) que foi, aliás, a motivação principal desta viagem. Terra onde a língua italiana se formalizou e onde nasceu o poeta Dante, Florença é o berço do Renascimento e, quem lá vai, percebe logo porquê. Mas aquilo que mais me chamou a atenção foi a ponte Vecchio sobre o rio Arno. Esta velha ponte dizem ter sido construída em madeira ainda no tempo da Roma Antiga, é famosa porque tem, de ambos os lados, lojas suspensas, principalmente, de ourives e lavrantes de prata. Foi destruida por uma cheia em 1345 e reconstruida em 1354. Diz-se que, durante a 2ª guerra mundial os Nazis, que destruiam todas as pontes para travar o avanço dos Aliados, preservaram esta, optando por obstruir os extremos com os destroços dos edifícios dessas extremidades.
Mas aquilo que me prendeu a atenção e aguçou a curiosidade foi este molho de cadeados que estão agarrados do lado de fora do muro poente da ponte. A determinado momento, e enquanto descansava à sombra das velhas lojas, espreitei para o rio no lado poente da ponte e vejo este monte de cadeados, num novelo enorme e confuso. Não percebi a razão da sua existência, mas logo desconfiei que algum significado tivesse. Pois bem, bastou uma pesquisa simples na internet para encontrar isto:

Desde sempre alberga lojas e mercadores, que mostravam as mercadorias sobre bancas, sempre com a autorização do Bargello, a autoridade municipal de então. Diz-se que a palavra bancarrota teve ali origem. Quando um mercador não conseguia pagar as dívidas, a mesa (banco) era quebrada (rotto) pelos soldados. Essa prática era chamada bancorotto. (...) Ao longo da ponte, há vários cadeados, especialmente no gradeamento em torno da estátua de Benvenuto Cellini. O facto é ligado à antiga ideia do amor e dos amantes: ao trancar o cadeado e lançar a chave ao rio, os amantes tornavam-se eternamente ligados. Graças a essa tradição e ao turismo desenfreado, milhares de cadeados tinham de ser removidos com frequência, estragando a estrutura da ponte. Devido a isso, o município estipulou uma multa de 50 euros para quem for apanhado, em flagrante, a colocar cadeados na ponte.

09 junho 2010

momentos

Gosto muito de estar aqui. Bem aqui. Neste lugar acompanhado, sempre bem acompanhado. Mas acima de tudo, sozinho comigo, nos encontros e desencontros diários, preenchidos de diferentes ruídos e de profundos e longos silêncios. Meus. Daqueles que só eu escolho e, assim, os vou alternando em cada momento, hora e dia.
Outros momentos há, normalmente, angustiantes, em que a vontade é estar em qualquer outro lugar, menos aqui. Esse lugar, que não aqui, poderá ser onde for, desde que aí possa continuar os tais momentos. Sim, meus e egoistas. Fazem-me falta.

08 junho 2010

na cabeceira IV

Tinha oferecido este livro ao meu pai pelo Natal. Sei que ele logo o leu, assim como a minha mãe. Agora foi a minha vez de o ler. Falando-nos exclusivamente das suas memórias infanto-juvenis José Rentes de Carvalho descreve pormenorizadamente as paisagens rurais das terras transmontanas e as paisagens urbanas de Gaia e Porto da sua meninice. Demonstra-me (aquilo que eu já suspeitava) que é um grande escritor. Depois das pequenas narrativas do seu blogue e agora com este "Ernestina", fico obrigado a conhecer o resto da sua obra.

03 junho 2010

em Junho, futebol

Não gostei! Venha a próxima...

01 junho 2010

dos manos



Acabou de me chegar às mãos, ofertada pelos meus queridos irmãos, esta caixa de 6 cds dos The Doors, gravados ao vivo em Nova Iorque no Felt Forum em 17 e 18 de Janeiro de 1970. Presumo que tenha sido importado, pois não me lembro de ver esta capa por aí, em lado algum. Grande presente. Estou a ouvir, vou ficar a ouvir, até acabar...