19 outubro 2021

há cem anos, a Seara Nova

Não tendo assistido em directo, nos dias em que passou na RTP, ao documentário que assinalou o centenário da revista Seara Nova, aproveitei as maravilhas digitais e assisti na RTP Play aos 2 episódios desta magnífica série, realizada por Diana Andringa. Aqui fica o link para esse documento histórico: Há 100 anos, a Seara Nova

osso buco

De tempos em tempos, em grupo de casais amigos, viajamos para confraternizar à hora e mesa do jantar. O objectivo, para além do convívio, é descobrir locais diferentes e iguarias novas que possamos apreciar. Estamos sempre dispostos para fazer os quilómetros necessários e suficientes para encontrar esses prazeres.
Desta vez a viagem foi até terras de Amarante e a um lugar de nome "castanheiro redondo". Lugar a que chegámos depois de algumas hesitações e inversões de marcha. A Casa Ventura não se dá a conhecer para quem lá vai pela primeira vez. É mais uma casa no meio de tantas outras e só a detectámos pelo número de viaturas estacionadas nas redondezas. Trata-se de uma autêntica taberna de aldeia que, pelos vistos, é afamado restaurante...
Íamos preparados e dispostos para experimentar aquilo que fossem as especialidades da casa: cabrito, bacalhau, cabidela e um tal de osso buco (ou ossobuco), mas para desilusão quase geral, fomos logo informados que dessas especialidades só poderíamos saborear a cabidela e o osso buco. Uma vez que este era desconhecido de todos os presentes e uma só dose daria para todos os comensais, decidimo-nos pelo osso buco.
Bem, a espera foi longa e entretida pela animada conversa que se estabeleceu entre nós e com as mesas mais próximas. As entradas, variadas e saborosas, assim como o mais que razoável verde tinto, também ajudaram os minutos a passar. Enfim, o osso buco entra na sala com grande aparato e parafernália... trata-se, afinal, do osso do joelho dos bovinos e carne involvente - menisco(?) - muito bem cozinhada numa panela, que vem para a mesa inteiro e, à nossa frente, é fatiada (ao jeito de rodízio) para um tacho cheio de molho, depois essas fatias de carne são envolvidas nesse molho e assim é servido. Acompanha com um arroz parolo.
Enfim, foi mais uma experiência gastronómica e só por isso foi interessante, mas a verdade é que a Casa Ventura consegue transformar uma carne de 2ª ou 3ª categoria em especialidade reconhecida e apreciada. Parabéns, mas a mim não me voltam a servir.

(osso buco a ser fatiado - fotografia tirada depois de devidamente autorizada pelo fotografado)

até que enfim!


Com dezenas de anos de atraso, finalmente, hoje, serão concedidas a Aristides de Sousa Mendes honras de panteão nacional. Sem qualquer dúvida, um acto da mais elementar justiça e de reconhecimento pelo seu esforço, enquanto cônsul português, na salvação de inúmeros judeus das câmaras de gás nazis.

05 outubro 2021

intervenção de apresentação das actas das XXIII Jornadas Culturais de Balsamão

Boa tarde,
Por muito interessante e enriquecedor que seja, e é, ano após ano, reunirmo-nos aqui em Balsamão, para partilhar saberes, conhecimento, e experiências, assim como para nos conhecermos e convivermos, a verdade é que, no fim, aquilo que nos vai sobreviver será o registo das actas que resultam de cada edição das Jornadas.
Estamos a viver a 24ª edição destas Jornadas e, se perspectivarmos este longo percurso, a memória que alcançamos está vertida nestas actas, que feliz e sabiamente, o Centro Cultural fez questão de ir publicando.
Meus amigos, bem sei que vivemos tempos em que o paradigma é a desmaterialização, a digitalização, as clouds ou nuvens e outras fantásticas tecnologias que nos prometem uma existência mais eficiente, mais produtiva, enfim, mais feliz!... mas as actas destas Jornadas, impressas, editadas e publicadas no papel de sempre, são já uma instituição, um património construído e solidificado.
Não recusando outras formas de registo, outros suportes para inscrevermos tudo e o muito que aqui acontece, sou adepto e defensor de que as Jornadas Culturais de Balsamão deverão continuar a publicar as suas actas em papel.
Isto dito, olhemos então para estas actas, acabadas de nos chegar às mãos:
- Tal como tem acontecido em Jornadas anteriores, estas actas procuram registar, de alguma forma cristalizar, tudo aquilo que aconteceu nessas jornadas;
- Durante este último ano, resultado também da alteração da equipa coordenadora destas Jornadas, o processo para a produção deste registo foi turbulento e adiado até ao impossível. Ainda assim, aqui estão;
- Reconhecendo que possa ser ilusório, tenho a impressão de que esta edição cresceu relativamente às anteriores;
- Em termos de estrutura obedecem, como convém, ao programa que construímos e realizámos. Com alguma dificuldade conseguimos reunir a totalidade dos textos das comunicações efectuadas e, de uma forma geral, ao verificar o índice, parece-me termos conseguido construir um registo fidedigno daquilo que aqui aconteceu;
- Uma nota para as normas de edição e para a estrutura dos próprios textos que pretendemos implementar daqui para a frente... nestas actas já poderão encontrar algumas dessas normas;
- Mudámos de gráfica e, genericamente, sem desfazer das edições anteriores, as melhorias são notórias;
- Para além das comunicações poderão ainda encontrar a exposição fotográfica de Paulo Patoleia e a reportagem fotográfica de José António Silva;
- Importa agora divulgar e vender para, pelo menos, tentarmos conseguir pagar a despesa da sua produção.

Muito obrigado.

(Balsamão, 1 de Outubro de 2021, pelas 19 horas)

01 outubro 2021

ao espelho


Acabou de me chegar às mãos este livro, com as actas das XXIII Jornadas Culturais de Balsamão, nas quais também participei com uma comunicação sobre o "Convento da Mofreita" e enquanto co-coordenador da edição. Com o título A Casa de Recolhimento das Oblatas do Menino Jesus da Mofreita, apresento esse convento que está abandonado desde as primeiras décadas do século XX e em ruínas, não havendo dúvida que todo este património desaparecerá em breve.

29 setembro 2021

é já nos próximos dias...

fórum ecossocialismo

Nos últimos anos assistimos a profundas mudanças a nível tecnológico e comunicacional, mudanças que não foram, nem económica nem politicamente neutras, e que se fizeram acompanhar por uma intensa circulação do capital financeiro. 
Enquanto nova fase do desenvolvimento do capitalismo, a economia neoliberal e ditadura dos mercados resultou numa exploração desenfreada da natureza e um saldo negativo para a democracia. 
Dia 9 de Outubro vamos debater o ecossocialismo enquanto proposta radical que aponta a transformação das relações de produção, do aparelho produtivo e do padrão de consumo dominante. Participa!
O Ecossocialismo 2021 pretende ser um fórum de debate e ideias, de partilha de perspectivas e reflexão sobre intervenção política e acção colectiva, tão necessárias quanto urgentes hoje.

02 setembro 2021

o regresso à luta


Hoje, no jornal Público, Nuno Pacheco regressa à sua (nossa) cruzada em defesa da Língua Portuguesa. Não esqueceremos. 

01 setembro 2021

fim de Verão


Dia primeiro do mês de Setembro, estou em Bragança e percebe-se que o Verão, este peculiar Verão, chegou ao fim. Claro que ainda poderão vir dias de Sol e com temperaturas elevadas, mas a diferença que se percebe no ambiente é indesmentível: as aldeias esvaziam-se de gente, as colheitas estarão em breve feitas, a lenha para o longo Inverno está cortada e recolhida, a passarada está e stress para abalar ao Sul e até o cheiro a Outono já se faz sentir, tímido, pelos caminhos que percorro.
Sem pressa, ou manifesta ansiedade, aguardo os tons magníficos do Outono - das cores quentes e intensas, dos cheiros a terra húmida e da decomposição da vegetação, da frescura do vento que ao soprar nos traz os odores da lenha crepitante nas lareiras. Gosto desse ambiente outonal, tranquilo e aconchegante, para mim sedutor, e ainda mais gosto de o sentir em Trás-os-Montes, em aldeias e pequenos lugares por onde tenho a sorte e o prazer de regressar.

A propósito e ainda que já o tenha aqui partilhado: o mês de Setembro é o melhor mês para se viver a cidade de Bragança, pois já não temos o boliço dos emigrantes e ainda não temos o dos estudantes. Como se está bem, agora, aqui.


(nas fotografias os céus de hoje em Trás-os-Montes)

14 agosto 2021

programa do fórum


Acontecerá no próximo dia 9 de Outubro, no Porto, e terá estes quatro painéis temáticos. Eu coordenarei o painel: "Do direito à cidade ao planeamento participado e à democracia ecossocialista". Em breve abrirá o período de calls for papers. Quem estiver interessado em participar, com ou sem comunicação, faça o favor, será muito bem vindo.

02 agosto 2021

save the date


Informação para quem possa estar interessado. Em breve partilharei o programa que está a ser elaborado. Para partilhar e, depois, aparecer. Obrigado.

01 agosto 2021

consciência de si

De todas as características da água, objectivas ou simbólicas, uma das que mais me fascina é ter sido o primeiro espelho, a primeira forma física da consciência de si. Imagino a primeira vez que um ser humano se viu a si mesmo reflectido, tendo, tal como observamos em alguns animais, desconfiado daquela imagem, não se reconhecendo, tentando tocar o rosto até perceber que era o seu e descobrindo-se no outro que é ele próprio.
Afonso Cruz, in Jornal de Letras nº 1326 - Agosto 2021.

Comentário: Ideia fascinante e que remete para os ambientes cosmogónicos da nossa capacidade cognitiva para nos objectivarmos (consciência de si).

29 julho 2021

Porto: património mundial da UNESCO


Chegou-me hoje às mãos, leia-se ao email, o programa eleitoral da candidatura do BE à União de freguesias de Cedofeita, Sto. Ildefonso, Sé, Miragaia, S. Nicolau e Vitória, conhecida como a freguesia do Centro Histórico da cidade do Porto. Da sua leitura, chamou-me à atenção a seguinte proposta:

Exigir que a Câmara Municipal trave o risco de perda da classificação do Centro Histórico da Cidade do Porto enquanto Património da UNESCO.

Já depois, reunido em salutar, convergente e descontraído encontro à beira Douro, entre outras questões debatemos esta ameaça que, qual espada de Dâmocles, se abateu sobre a cidade. O Porto está em risco de perder a sua classificação enquanto Património da UNESCO e, de repente, toda a gente, acriticamente, está preocupada e aqui del Rei que nos estão a violentar e a roubar!
Camaradas, seria sensato reflectir sobre a questão, em vez de se propor, sem mais, uma "exigência" à Câmara Municipal. O meu contributo para essa reflexão será um conjunto de dúvidas que me assaltam sobre a mais-valia desse "rótulo" globalizante e globalizador da UNESCO, que nas últimas décadas foi conquistando e reclamando para si cada vez mais locais e territórios, até se estabelecer como paradigma dominante e inquestionável, reclamado e cobiçado. O Património está na moda, transformou-se num bem consumível que, beneficiando das lógicas do capitalismo global, é promovido, é vendido e é comprado como jamais acontecera, por uma indústria do turismo que, pelo menos, até à actual pandemia cresceu exponencialmente. 
Por outro lado, e decorrente destas dúvidas essencialistas, há uma série de questões que considero importantes, pertinentes e que deveriam merecer maior atenção:
a) A que lógicas (interesses) obedece a atribuição desse selo qualitativo?
b) Houve ou há relação entre esse reconhecimento da UNESCO e as brutais alterações verificadas no centro histórico do Porto?
c) Quem é que mais beneficiou com toda a dinâmica e utilização do nosso património?
d) Se o BE critica (leiam-se os programas das nossas diferentes candidaturas) a gentrificação, defende o direito à habitação, ao espaço público e a "história" e "cultura" das populações locais, como poderemos querer, em simultâneo, defender e manter uma das causas principais dos problemas que identificamos na cidade?
e) Qual foi/é a mais-valia para as populações locais desse reconhecimento?
f) Quais foram as consequências na vida quotidiana das nossas populações provocadas directa ou indirectamente por esse reconhecimento da UNESCO e pelas apostas autárquicas para a cidade que daí advieram?
Camaradas, à falta de explicação ou justificação programática, não faz qualquer sentido o BE "exigir" a manutenção da qualificação de património mundial, é aliás, e na minha modesta opinião, um contracenso face a muitas das nossas propostas para a cidade. 
Termino com uma infeliz constatação. O facto de hoje ser uma União de Freguesias, que reune aquilo que anteriormente eram seis freguesias distintas, é também consequência da patrimonialização desse território da cidade e dos seus efeitos mais do que deterministas de especulação imobiliária, gentrificação, substituição de actividades económicas (artesanais, comerciais, hoteleiras e da restauração) e esvaziamento através da expulsão de populações locais. Esta União de freguesias é o resultado dessa escolha política na conversão do centro histórico num objecto de consumo para os diferentes turismos. Será que ainda queremos, será que interessa, ser "património da UNESCO"?

(também publicado em convergencia porto)

28 julho 2021

a quem possa interessar...

Vão-se realizar as XXIV Jornadas Culturais de Balsamão, entre 30 de Setembro e 3 de Outubro. O tema destas jornadas é: "Diálogo intercultural e religioso" e o programa está fechado e importa divulgar. Aproveito para vos convidar a participarem e a visitar o convento de Balsamão nesses dias de final de Verão. Eu vou lá estar. Partilho aqui o programa e os materiais promocionais já disponíveis...