[o meu cartão de aderente, com a quota de 2005, depois mudaram o sistema de pagamento]
Foi notícia ontem a desvinculação de sessenta militantes do Bloco de Esquerda, que assinaram uma carta pública onde explicam as razões que os levaram a sair do partido. Eu sou um desses sessenta assinantes e com esta atitude dou por finda uma militância partidária que durou vinte e dois anos. Aderi ao BE em 2004, na distrital de Bragança, tendo sido eleito, logo no ano seguinte, para a Assembleia Municipal de Bragança, onde permaneci durante dois mandatos, ou seja, até 2013. No entretanto, e no partido, pertenci a várias estruturas, fui membro da Mesa Nacional, membro da Comissão Nacional Autárquica, fui cabeça de lista, pelo círculo eleitoral de Bragança, às eleições legislativas de 2009 e fui mandatário de Bragança da candidatura presidencial de Manuel Alegre, em 2011. Depois de 2013, abandonei todas as responsabilidades que tinha e passei à condição de "militante de base", mantendo-me atento a tudo o que ia acontecendo. Em 2015 ou 2016, já não sei bem, mudei a minha militância para o concelho do Porto, onde me mantive até agora. Depois de terminada a aventura da geringonça, o BE, não sei se em negação, iniciou um período de desacerto crescente e afastamento dos valores e das causas que estiveram na sua génese. Aderi à moção E, tendência interna conhecida por Convergência, que se apresentou a várias convenções com listas e moções alternativas às da maioria, sem nunca conseguir fazer valer as suas posições, mas acima de tudo, sem nunca conseguir fazer valer os seus alertas daquilo que, na nossa opinião, estava a acontecer, por culpa própria, ao partido. Enquanto membro das listas da oposição interna, cheguei a ser eleito para a concelhia do Porto, mas também aí o esforço foi inglório. Aquilo que mais me incomodou nestes últimos anos, em que o BE derivou ao centro, foi perceber que não éramos, não somos, considerados e que seria um favor que lhes faríamos, se saíssemos. Pois bem, apesar de ser algo que já estava planeado acontecer, só agora se concretizou. Lamento, pois foi a única militância partidária que tive na vida. Conheci muita gente interessante, ganhei alguns amigos e a experiência autárquica foi muito enriquecedora. Sem hesitações, se surgisse a oportunidade, voltaria a desempenhar tais funções. Quem sabe?!... A verdade é que o BE está no seu estertor e, dá-me a sensação, que ainda não se aperceberam disso. O meu bloco de esquerda acabou, e não foi só agora.





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