Nos últimos tempos apercebi-me da existência de um novo equipamento nos supermercados e hipermercados e de uma grande agitação à sua volta. Num primeiro momento nem quis saber do que se tratava, mas depois, foi impossível manter-me alheado deste novo esquema de subtrair dinheiro aos nossos bolsos.
Pelos vistos este novo esquema imposto aos consumidores foi a resposta encontrada pelo Estado português para satisfazer a exigência da União Europeia para que os Estados aumentem drasticamente a recolha de garrafas de plástico até 2029. O princípio que norteia esta exigência é o de "poluidor-pagador", e eu até concordo com ele, mas logo depois, afinal sabe-se que quem polui são as empresas que inundaram o mercado com as embalagens em plástico e não o consumidor final, pois este só as compra porque essas mesmas empresas preferem o plástico a outros materiais alternativos, como por exemplo o vidro, para elas mais caro.
Também não posso concordar, nem aceitar que sejam os consumidores a suportar o ónus deste "programa", pois o valor acrescido por unidade, dez cêntimos, não será benefício para o consumidor, nem tão pouco para qualquer ideal ecológico ou ambiental. E, aqui, importa perceber quem é a entidade que gere e, claro, beneficia, com este "programa". Não é o Estado, que mais uma vez demite-se das suas funções e entrega com celeridade a privados aquilo que deveria ser sua responsabilidade. Quem está a gerir este esquema gigantesco é uma entidade privada, se não estou em erro, uma associação, de nome SDR Portugal, constituída por grandes empresas do sector das bebidas e pelos maiores grupos de distribuição do país. Interessante!... As mesmas empresas que inundam há décadas o mercado com plástico, são as mesmas que passam a controlar este sistema e tudo em nome da tão querida e ambicionada SUSTENTABILIDADE... conversa fiada, na verdade é mais um esquema de "lavagem verde".
Não suporto a ideia de esbulho aos nossos bolsos permitida pelo próprio Estado, que deveria ter criado um sistema público e com obrigações para os produtores e não para os consumidores. Uma vez mais, somos nós a contribuir para o amealhar pornográfico de apenas alguns. Esta seria uma boa iniciativa para que o Estado agisse de forma a, não só controlar e gerir, o programa, mas como também fortalecer o fundo ambiental com estas verbas.
A minha reacção a mais este abuso foi: Primeiro, evitar comprar garrafas de plástico; segundo, rejeitar esta ideia e este esquema, assumindo o acréscimo do preço; e, terceiro, boicotar este novo esquema, que espero seja um tremendo fracasso, deixando de reciclar o lixo doméstico. Lamento, mas é a forma encontrada para manifestar a minha revolta e repulsa de mais um esquema do capitalismo luso.




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