Mostrar mensagens com a etiqueta solilóquio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta solilóquio. Mostrar todas as mensagens

09 agosto 2026

estupidez em duas rodas

Coincidiu a nossa ida a Bragança neste fim-de-semana, 8 e 9 de Agosto, com a concentração motard na cidade. Eu bem sei que ela já acontece há muitos anos e que vai continuar a acontecer, mas como já há muitos anos que não coincidia com a minha presença, fiquei deveras incomodado com o ruído e poluição que um evento destes produz. Se eu mandasse na autarquia jamais permitiria a realização de um evento deste género. E não me venham dizer que é uma questão de gosto, ou má vontade minha. Não! Trata-se uma manifestação pública, que invade a cidade e incomoda os demais - moradores e transeuntes, que nada podem fazer contra a excepcionalidade no cumprimentos das regras de trânsito e exageros de comportamentos que, ano após ano, são testemunhados. Tal como referi, se eu mandasse, não autorizaria este evento, pelo menos, nestes moldes. Pois, também será por isso, e mais, que eu jamais serei eleito, ou sequer candidato, a presidente de uma câmara municipal ou mesmo junta de freguesia.

31 março 2026

nas horas dos outros

No dia em que assinalo uma data pessoal e familiar relevante, a introspecção é a de que, com esta idade e depois de todos estes anos, permaneço convictamente disponível para os meus e existo nas suas horas e compromissos. O resto são interstícios.

21 novembro 2025

desalento, talvez

Chegado a esta idade, e às suas circunstâncias, perscrutando o mundo que me rodeia e reflectindo sobre o estado das "coisas", fico deprimido e com vontade de abdicar da inconformidade e resistência, atitudes em que tenho militado desde que me conheço. Numa simples analogia, sinto que tenho existido em contra-mão daquilo que é o sentido em que a maioria vive.
Durante as mais de três dezenas de anos que levo de activismo, primeiro na dimensão associativa, depois política e, por último, social, não deixei de acreditar, em cada momento, que era possível um outro mundo, uma outra sociedade. Hoje, agora, já não sei se será bem assim. Pode, e espero, ser um estado de alma e algo apenas conjuntural e amanhã voltarei a acreditar num amanhã promissor. No entretanto, e já há cerca de meia-dúzia de anos que a Antropologia é o meu enfoque e será através do seu crivo que manterei a atitude activista possível.
A vontade e o interesse pelo trabalho de campo, pelo mundo rural, associados à paixão pelo território transmontano, tem-me ocupado o tempo e os sentidos. É e será por aqui que vou ficar. Em todo o caso, também sei, em e com consciência, que jamais deixarei de me preocupar por tudo o que diz respeito ao colectivo, à comunidade e ao seu futuro.

03 setembro 2025

diferença

A mais que aparente fragilidade de uma folha de papel em branco supera-se quando nela inscrevemos qualquer diferença, uma ambição ou desejo que seja, para o tempo que há-de vir. Registemos então.

05 junho 2025

pai presente

Eu não sei o que a História dirá de mim, provavelmente nada. Nem sei se estou interessado nisso, ou se isso é realmente importante. O mais que certo será um desaparecimento anónimo e um completo esquecimento com o passar do tempo, tal como acontece à grande esmagadora maioria dos seres humanos, isto é, só haverá memória enquanto aqueles que nos conheceram não desaparecerem também.
Dito isto, e porque foi motivo de introspecção recente, tenho para mim que tenho sido um pai presente na vida dos meus filhos e tenciono continuar a sê-lo. Se mais não for, eles irão guardar de mim essa memória e, isso sim, é, em consciência, superlativo.
(escrito a 29 de Maio de 2025)

27 maio 2025

crescendo

Quando completo cinquenta e dois anos de vida, importa-me dizer que me sinto bem. Não conseguindo, nem querendo, escapar ao inevitável processo de envelhecimento biológico, a percepção é de que continuo a crescer. Sem mazelas físicas ou psicológicas, sem dores na estrutura (finalmente, a reumatologista acertou numa droga eficaz), com uma agenda recheada de desafios e tarefas que me aprazem. Sou um privilegiado, de bem com a vida.


(bilhete que recebi dos meus pais. Todos os anos, nesta data, me entregam ou enviam palavras de celebração e todos os anos eu as guardo. Tenho uma colecção delas que guardarei para sempre)

13 maio 2025

camionista, eu?

Se me querem ver tranquilo e satisfeito, ponham-me ao volante de um veículo que eu irei até ao fim do mundo. Não há viagem longa que me desagrade. O enorme prazer que é, ainda hoje, fazer-me à estrada e percorrer quilómetros e mais quilómetros, leva-me à seguinte ponderação: terei eu passado ao lado de uma brilhante e feliz vida de camionista?

14 novembro 2024

"tocar piano"

A expressão ouvi-a a um professor e antropólogo, conhecido meu, em ambiente de conversa de café e a propósito de haver sempre quem tem que assumir a tarefa de escrever. Referia-se ao facto de ser porreiro ter um espírito participativo e colaborativo, mas depois na hora da verdade, são sempre os mesmos (ele) a ter que "tocar piano", ou seja, a escrever. Nos últimos meses tenho sentido essa responsabilidade e, tendo em consideração os interesses heterogéneos em que me envolvo, a sensação é precisamente essa. Calha-me sempre a mim sentar em frente ao piano. Cansado e sem descanso à vista.

11 outubro 2024

"I Wanna Be Adored"

Não, eu não quero ser adorado. Nunca o quis. Sirvo-me apenas do título de uma música dos velhos Stone Roses como mote para partilhar aquela que há muito será verdadeira ambição ontológica. Ser recordado. Por outras palavras, sobreviver ou ir além da minha própria existência física. Sim, desde muito novo me sinto impelido para essa ambição. Não a sei explicar, talvez não passe de um receio inconsciente, mas à medida que a vida vai decorrendo e o tempo que me resta diminui, a vontade e o desejo de fazer mais, de estar e ir, de registar e recordar, vai crescendo e o tanto que ainda tenho para realizar. Jamais saberei se o conseguirei ou não, mas que algumas coisas tenho feito com esse fito, isso é verdade. Siga a vida.

10 julho 2024

viajar no tempo

Muitas vezes, ou pelo menos algumas, damos por nós a pensar como, caso fosse possível, alteraríamos algumas atitudes, comportamentos ou escolhas feitas, algures no nosso passado. Se pudéssemos viajar no tempo alteraríamos alguma coisa? Pois bem, a verdade é que esta questão e as possíveis respostas a ela comportam uma incompatibilidade fenomelógica insanável, logo, jamais será possível tal viagem.

07 maio 2024

leve, relaxado e rejuvenescido

É assim que me sinto há meia-dúzia de dias. Consultei um novo reumatologista e foi-me prescrito um medicamento diferente. Logo a partir da primeira toma senti a sua acção. Que maravilha, acordar de manhã, sair da cama e quase não sentir o corpo. Sair da cama sem ter dores e sem me sentir derrotado. Com capacidade de movimentos nas articulações, até sinto que rejuvenesci uns anitos e, apesar da dor crónica permanecer, estou mais leve e solto para movimentos que até aqui não me eram possíveis. Bendita droga.

29 março 2024

voar

A ansiedade em que tenho vivido nestes últimos dias é devida, tenho a certeza, ao facto de saber que hoje irei viajar de avião. Há catorze anos que não o faço e permanece para mim como uma aventura desnecessária. Tremendo receio e desconforto em tirar os pés do chão. Mas vou.

13 março 2024

grisalho

Não restam dúvidas, faço já parte do crescente batalhão de grisalhos. Não que seja uma novidade, ou que hoje tenha acordado e ao ver-me reflectido no espelho isso tenha acontecido. Não, já há algum tempo que efectivei nesse contingente, mas esta mescla de tonalidades deixa-me perfeitamente pardo.

21 novembro 2023

latu sensu

Quando constatamos que ficamos satisfeitos apenas com uma "sopinha" ao jantar, é certo que estamos já no trilho que nos levará até ao fim.

20 outubro 2023

medo ou hesitação

Sem ter ainda encontrado o caminho que quero seguir, estarei eu indeciso ou hesitante, ou será o medo que me tolhe o discernimento e me assusta de tal forma que não consigo atinar com o trilho que me atraia e cative e pelo qual não hesitarei em escolher e desbravar aquilo que houver para descobrir e conquistar?

04 agosto 2023

não adianta

Saio de casa e dirijo-me para a beira do mar. A ideia é instalar-me à sombra de uma qualquer esplanada com vistas para o mar, onde possa dedicar-me ao que me dá prazer. Até sei qual é o lugar onde quero ir e chego-me perto. Procuro um sempre difícil lugar para estacionar o carro e, quando já caminho para a praia e percebo o ambiente veraneal, sustenho o passo e arrepio caminho, num rebate de consciência de quem sabe que não vai estar confortável e nem vai aguentar muito tempo. Eu bem tento forçar-me, mas não adianta.

31 maio 2023

metamorfose

Sempre encontrei no rosto do meu pai os traços da minha avó, sua mãe: olhos pequenos e negros, num rosto quadrado de pele queimada e curtida. Agora, e à medida que envelhece, revejo nele o rosto do meu avô, seu pai. A progressiva perda de massa corporal metamorfoseou-lhe o rosto e vejo-o cada vez mais parecido com o pai.

30 abril 2023

querer e não poder

Num momento em que precisaria de me retirar para um ermo qualquer, de forma a ter condições para terminar texto que já deveria estar pronto e entregue, não consigo libertar-me das rotinas quotidianas. Eu até nem pedia muito, dois ou três dias sozinho e isolado, seriam mais do que suficientes. Não conseguirei e, assim sendo, vai ter que acontecer aqui mesmo. Solução: duas ou três noites sem dormir.

10 abril 2023

conhecimento

Mantenho a certeza de que importante é o conhecimento e não, como agora se espalha ao vento, as competências. Isto porque é do conhecimento que advêm as competências e não o contrário. Ou dito de outra forma, não há competências sem conhecimento, mas há conhecimento sem competências. Um mundo sem conhecimento é um vazio ignorante, triste e incompetente.

31 março 2023

24 rosas

A metáfora são as rosas e cada uma delas significa uma unidade de tempo de amor e dedicação à pessoa que a meu lado está. A celebração de um quantitativo que vai medrando e dando frutos. Aqui chegados, lúcidos e conscientes do tanto que já foi realizado e, ao mesmo tempo, não olvidando que há muito por alcançar. Agora e aqui, olhando em redor, só posso, só podemos, celebrar. Celebremos então.