Então foi isto?!...
Sim, já foi, já aconteceu. Podemos todos regressar ao tédio das nossas rotinas quotidianas.
Não é má vontade minha, garanto que não é, mas não compreendo como é possível esta excitação generalizada com a aproximação de um eclipse!... milhares e milhares de cidadãos se interessarem por epifenómenos episódicos como este. Pois é, um fenómeno da natureza efémera, em muitos lugares quase imperceptível, conseguiu movimentar, agitar, excitar, milhares de cidadãos. De facto, vivemos tempos peculiares e muito interessantes do ponto de vista do comportamento humano. Foram dias, semanas de intensa e repetitiva anunciação e publicidade ao fenómeno deste dia. À medida que a data se aproximava, foi crescente essa divulgação e a comunicação social foi caixa de ressonância irreflectida dessa atitude, com entrevistas a especialistas e a curiosos, com directos televisivos de diversos pontos do país, criando expectativas, alimentando negócios, deslocando milhares de pessoas, para um clímax ridiculamente breve, numa espécie de orgasmo colectivo precoce. Sei, claro, que sendo um fenómeno natural raro, tem interesse e relevância científica e académica, que desperta a curiosidade das populações, mas não entendo o frenesim que se gerou por quase nada. Pior, quase aposto que se ligar a TV durante esta noite, não vai haver mais nada a não ser eclipse.
Eu, na região do país em que me encontro, dentro de casa e ao olhar para a janela, sem olhar directamente para o Sol, não percebi qualquer alteração a não ser um ligeiro nublado à sua frente. Enfim, verdadeira elegia do efémero.
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