Numa recente deslocação a Trás-os-Montes, viajei de Bragança para Miranda do Douro, via Alcanices (Zamora), aproveitando para espreitar o preço dos combustíveis. Ao regressar de Miranda do Douro para Bragança, com o depósito mais vazio e depois de na ida ter confirmado a enorme diferença de preços, não hesitei em parar e pedir para atestar o depósito. Nessa altura, cá em Portugal o combustível que consumo, a Gasolina 98, estava a ser vendida a dois euros e vinte e qualquer coisa cêntimos por litro. Em Espanha nesse dia, paguei pela mesma gasolina, um euro e setenta e um cêntimos por litro. Portanto, uma diferença de menos cerca de cinquenta cêntimos por litro.
Como é possível tamanha diferença?... Como se justifica entre países vizinhos e que se abastecem nos mesmos mercados petrolíferos, existir tal amplitude de preço para o consumidor final? Só pode ser entendido como um esbulho que o Estado Português pratica e permite que as gasolineiras assim se comportem. Num tempo em que estas apresentam lucros estratosféricos, eu diria, indignos, o Governo (Estado) limita-se a encolher os ombros e a demitir-se do seu papel de regulador, debitando titubeante medidas avulsas e sem verdadeira vontade de se imiscuir nestes assuntos. O exemplo claro desta atitude é o anúncio da ponderação de criação de um imposto extraordinário sobre os lucros extraordinários que alguns agentes económicos estão a alcançar neste contexto de acumulação de várias crises à escala global. Mas, se podemos aceitar a ideia dessa taxação extra, também é verdade que essa ponderação significa o reconhecimento de uma situação anormal, incorrecta, especulativa de aplicação de preços no mercado português, portanto, mais do que taxar lucros, o correcto seria actuar a montante, ou seja, controlar os preços dos produtos que estão, neste contexto, sujeitos a maior pressão. Bastaria vontade e determinação de quem tem o poder para tal.
[ fotografia que tirei no posto da Repsol de Alcanices, no dia 1 de Maio de 2026, ao abastecer de Gasolina 98 ]
