Numa conversa informal nos corredores da Universidade de Coimbra, uma colega jovem investigadora comentou, como quem pensa alto ou em jeito de desabafo, que se sente mentalmente muito cansada e que às vezes, ao frequentar determinados estabelecimentos comerciais, olha para as funcionárias e sente inveja da sua aparente despreocupação e da sua monótona ou repetitiva tarefa manual. Eu ouvi-a e logo rebati essa ideia ou percepção, primeiro porque não fazemos a mais pequena ideia do que vai na "alma" de cada um dos indivíduos, neste caso trabalhadores e, depois, não é pelo facto de as tarefas ou funções serem exclusiva ou parcialmente manuais, que impede o cérebro de estar congestionado com mil e uma preocupações ou inquietações.
Mas este desabafo da colega, numa expressiva e ilustrada manifestação do seu cansaço mental, remeteu-me igualmente para a afirmação de Ludwig Wittgenstein (1889-1951), filósofo austríaco que dizia, mais ou menos, isto: não é possível pensar sem infligirmos a nós próprios algum sofrimento...
Estaria então a minha colega em sofrimento por tanto pensar?!... Se assim for, eu também vivo em permanente sofrimento, muitas vezes imperceptível ou inconsciente, mas nalguns dias bem vivo e ciente, na medida em que a idiotice não cessa e acordo quase diariamente já cansado.
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