"os tempos não vão bons para quem tem fé na racionalidade"
Na sua última crónica no suplemento Ípsilon do jornal Público (22 Maio), Ana Cristina Leonardo começa o seu texto com a citação acima transcrita e logo enfiei a carapuça, pois olhando-me ao espelho, neste caso retrovisor, isto é, relembrando-me jovem de vinte a trinta anos, acho que o meu comportamento, a minha atitude e as decisões que assumia sempre se basearam mais pela emoção do que pela razão, e ainda que possa hoje dizer que não me arrependo de algo que me tenha acontecido, com o passar dos anos e décadas, à medida que fui crescendo e amadurecendo, a razão foi ganhando espaço, relevância e influência, em mim e na minha vida. Hoje, depois de mais de cinco décadas de emoções, posso afirmar que tenho uma profunda fé na razão humana e que essa racionalidade foi, e é, indiscutivelmente, a marca de água que permitiu a cada ser humano ser o que é, mas também possibilitou vivermos com o conforto, a saúde e o bem estar que actualmente podemos (quase) todos usufruir. Percebi logo o alcance do raciocínio da autora e também estou ciente do novo mundo que me rodeia e dos perigos que ele representa para pessoas como eu. Resta-me persistir naquilo que considero ser um desígnio existencial: ambicionar, contribuindo, um mundo mais justo.
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