29 maio 2026

desígnio existencial

"os tempos não vão bons para quem tem fé na racionalidade"

Na sua última crónica no suplemento Ípsilon do jornal Público (22 Maio), Ana Cristina Leonardo começa o seu texto com a citação acima transcrita e logo enfiei a carapuça, pois olhando-me ao espelho, neste caso retrovisor, isto é, relembrando-me jovem de vinte a trinta anos, acho que o meu comportamento, a minha atitude e as decisões que assumia sempre se basearam mais pela emoção do que pela razão, e ainda que possa hoje dizer que não me arrependo de algo que me tenha acontecido, com o passar dos anos e décadas, à medida que fui crescendo e amadurecendo, a razão foi ganhando espaço, relevância e influência, em mim e na minha vida. Hoje, depois de mais de cinco décadas de emoções, posso afirmar que tenho uma profunda fé na razão humana e que essa racionalidade foi, e é, indiscutivelmente, a marca de água que permitiu a cada ser humano ser o que é, mas também possibilitou vivermos com o conforto, a saúde e o bem estar que actualmente podemos (quase) todos usufruir. Percebi logo o alcance do raciocínio da autora e também estou ciente do novo mundo que me rodeia e dos perigos que ele representa para pessoas como eu. Resta-me persistir naquilo que considero ser um desígnio existencial: ambicionar, contribuindo, um mundo mais justo.

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