É o que eu mais desejo para a minha vida. Deixem-me a um canto, no meu canto sempre à sombra, e eu prometo que não incomodo, não chateio ninguém. Vamos ver se nas próximas semanas consigo esse desiderato, longe das rotinas e das deambulações do resto do ano. Vou viajar muito de carro e vou de Norte ao Sul do país, com uma escapada, já em Setembro, até ao reino de Castela e Leão, bem lá ao Norte do planalto central, para participar num congresso e, acima de tudo, para passear, comer e beber bem, como sempre acontece do lado de lá da fronteira. Regressarei a casa a 5 ou 6 de Setembro.
---------"Viajar, ou mesmo viver, sem tirar notas é uma irresponsabilidade..." Franz Kafka (1911)--------- Ouvir, ler e escrever. Falar, contar e descrever. O prazer de viver. Assim partilho minha visão do mundo. [blogue escrito, propositadamente, sem abrigo e contra, declaradamente, o novo Acordo Ortográfico]
14 agosto 2026
12 agosto 2026
eclipse, expectativa e incredulidade
Então foi isto?!...
Sim, já foi, já aconteceu. Podemos todos regressar ao tédio das nossas rotinas quotidianas.
Não é má vontade minha, garanto que não é, mas não compreendo como é possível esta excitação generalizada com a aproximação de um eclipse!... milhares e milhares de cidadãos se interessarem por epifenómenos episódicos como este. Pois é, um fenómeno da natureza efémera, em muitos lugares quase imperceptível, conseguiu movimentar, agitar, excitar, milhares de cidadãos. De facto, vivemos tempos peculiares e muito interessantes do ponto de vista do comportamento humano. Foram dias, semanas de intensa e repetitiva anunciação e publicidade ao fenómeno deste dia. À medida que a data se aproximava, foi crescente essa divulgação e a comunicação social foi caixa de ressonância irreflectida dessa atitude, com entrevistas a especialistas e a curiosos, com directos televisivos de diversos pontos do país, criando expectativas, alimentando negócios, deslocando milhares de pessoas, para um clímax ridiculamente breve, numa espécie de orgasmo colectivo precoce. Sei, claro, que sendo um fenómeno natural raro, tem interesse e relevância científica e académica, que desperta a curiosidade das populações, mas não entendo o frenesim que se gerou por quase nada. Pior, quase aposto que se ligar a TV durante esta noite, não vai haver mais nada a não ser eclipse.
Eu, na região do país em que me encontro, dentro de casa e ao olhar para a janela, sem olhar directamente para o Sol, não percebi qualquer alteração a não ser um ligeiro nublado à sua frente. Enfim, verdadeira elegia do efémero.
09 agosto 2026
estupidez em duas rodas
Coincidiu a nossa ida a Bragança neste fim-de-semana, 8 e 9 de Agosto, com a concentração motard na cidade. Eu bem sei que ela já acontece há muitos anos e que vai continuar a acontecer, mas como já há muitos anos que não coincidia com a minha presença, fiquei deveras incomodado com o ruído e poluição que um evento destes produz. Se eu mandasse na autarquia jamais permitiria a realização de um evento deste género. E não me venham dizer que é uma questão de gosto, ou má vontade minha. Não! Trata-se uma manifestação pública, que invade a cidade e incomoda os demais - moradores e transeuntes, que nada podem fazer contra a excepcionalidade no cumprimentos das regras de trânsito e exageros de comportamentos que, ano após ano, são testemunhados. Tal como referi, se eu mandasse, não autorizaria este evento, pelo menos, nestes moldes. Pois, também será por isso, e mais, que eu jamais serei eleito, ou sequer candidato, a presidente de uma câmara municipal ou mesmo junta de freguesia.
03 agosto 2026
eu, máscara
Depois de cinco décadas de existência e de convivência "intima" com os máscaras de Vila Boa, finalmente vesti-me e participei numa actuação do grupo em Coimbra. Foi no passado Sábado, dia 1 de Agosto, ao final da tarde e inserido no espectáculo da final da Super Taça Cândido Oliveira, promovido pela Federação Portuguesa de Futebol. Se eu já sabia que é difícil vestir estes fatos no Inverno, num dia de Agosto é insuportável. Ainda que hesitante quanto à minha capacidade para cumprir a performance delineada, voluntariei-me para compor o grupo, que se apresentou em Coimbra com número reduzido de elementos e, assim, sermos mais. Mascarei-me eu e a Andreia, ambos pela primeira vez, e não me doeu.
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