16 janeiro 2026

presidenciais e o voto útil

Hoje que é o último dia da campanha eleitoral para as presidenciais, naquilo que se prevê ser apenas a primeira volta dessa eleição para a presidência da República, já decidi em quem vou votar. Desde muito antes desta campanha que, importa referir, não acompanhei, nem gastei tempo a ver/ouvir qualquer candidato, tinha decidido que o meu candidato seria o António Filipe. Não só pelo facto de ser uma candidatura de esquerda, mas porque reconheço nele a qualidade e a competência para exercer a função de Presidente da nossa República. Mas também porque o considero ser uma pessoa honesta e íntegra, sem mácula no seu carácter, e isto não significa ausência de defeitos ou indefectibilidade, mas a percepção de que é um indivíduo sério, conhecedor, competente e sem esqueletos nos armários de incompatibilidades éticas ou morais para com o exercício da mais alta magistratura nacional.
Contudo, e no entretanto, sensível ao facto de haver a forte possibilidade de não haver nenhum candidato de esquerda na mais que provável segunda volta, eu, que nunca votei num candidato vencedor e que jamais fui influenciado e sempre critiquei o paradigma do voto útil, vejo-me na iminência de assim proceder e votar "útil" em António José Seguro, pessoa pela qual não nutro qualquer simpatia, pessoal ou política, mas que também não me levanta qualquer dúvida sobre a sua honorabilidade e seriedade. Será a única forma de podermos vir a ter um Presidente da República que não seja de direita e isso, nestes tempos, é importantíssimo para a saúde democrática do nosso país. Vou votar em António José Seguro.

15 janeiro 2026

quem diria

"Quem diria que o castigo contemporâneo da era dos computadores e da velocidade fosse este: esperar. Esperar, sofrer, telefonar, adormecer, repetir: não há fado mais moderno, ou mais triste."
Miguel Esteves Cardoso, in jornal Público - 15/01/2026.

06 janeiro 2026

como um vício

O jornal Público entrevista hoje Greg Clark, para mim um ilustre desconhecido, mas que pelos vistos é um especialista em urbanismo, planeamento e cidades. Ao referir-se ao turismo urbano, diz-nos que, antes de mais, as cidades têm de saber o que querem fazer com o turismo... "Criar um plano para o turismo que a cidade quer ter. É preciso ter um plano: que turistas realmente queremos?" Porque "o turismo é como um vício", e "há uma grande descoordenação entre o que a cidade quer e o que a indústria das viagens e do turismo querem. Para a indústria do turismo, mais é só mais lucro. Para a cidade, as consequências são negativas. O excesso de turismo não é bom".
Mas desta entrevista aquilo que mais me chamou a atenção, foi quando Greg Clark se refere às vantagens da mistura de classes sociais nas ruas e nos bairros das cidades: "Sabemos que em bairros com mistura social aumenta a esperança de vida, aumenta o capital social, aumenta a rede de transportes públicos, reduz a dependência dos carros, aumenta a qualidade das escolas. Sabemos que isto é bom. Mas há muito poucas cidades que conseguiram isto".

03 janeiro 2026

a lei do mais forte

Hoje acordei com o eco das notícias da Venezuela. Não sendo propriamente uma surpresa, o incómodo foi imediato e senti-me num mundo mais do que estranho, estúpido. Não nutria, nem nutro, qualquer simpatia para com Maduro e o seu regime autocrático e mafioso, mas também não suporto atitudes imperialistas, de quem tem poder económico e militar, para se impor impune, desta forma ilegítima, perante Estados que, concordemos ou não com os seus regimes, são independentes e têm as suas instituições a funcionar. Aquilo que aconteceu agora na Venezuela é gravíssimo e só possível num mundo que eu prefiro ler como uma distopia da qual iremos, um dia, despertar. Aqui e agora, que é como quem diz, no mundo e em 2026, impera a lei do mais forte. Um sistema-mundo assim, não interessa a ninguém e, a mim, deixa-me prostrado e sem qualquer vontade de reagir. Desligar do mundo é cada vez mais o meu caminho, a minha vontade.

01 janeiro 2026

curiosidade

É um lugar comum, dia 1 de Janeiro de cada ano ser considerado um dia aborrecido, preguiceiro e pachorrento, em que nada acontece, nada se faz, nada apetece. Sendo um lugar comum, todos ou muitos de nós assim o entendem e vivem. A minha vivência deste dia não difere, mas o que me espanta é, chegados a esta idade, termos esse conhecimento e nada fazermos para alterar essa modorra. Deixarmo-nos ficar no tédio deste dia será, afinal, um curioso prazer.