29 dezembro 2025

sem enfeites também é Natal

Até às vésperas do Natal mantive uma atitude passiva, sem qualquer pronunciamento ou referência ao assunto, não fosse eu e assim despertar qualquer vontade. Agora, que a época já vai a caminho do seu fim, posso partilhar aqui o orgulho e satisfação pelo sucedido. Pela primeira vez, desde que habitamos casa própria, não se montou o pinheiro de Natal e demais parafernália relativa à quadra agora vivida. Nunca me opus à sua presença e colaborei sempre naquilo que me foi solicitado. Finalmente somos adultos.
Há alguns anos que eu comentava com quem vive comigo, que não fazia sentido estar com esse trabalho e que ninguém ligava ou queria saber da árvore enfeitada, pois para além do entusiasmo do dia primeiro, o da montagem, ela permanecia num canto da sala, abandonada e com as luzes apagadas, até ao dia, sempre depois do dia de Reis, em que a desmontavam.
Eu gosto do Natal e dos convívios que ele proporciona, mas detesto o consumismo incontinente e irracional que todos nós alimentamos. Não faz sentido.
Enquanto houve crianças cá em casa, muito bem, havia motivos para esse encantamento, mas agora que já são adultos ou quase, deixou de haver propósito. Espero e quero que um dia possa haver razão para a presença do pinheiro de Natal e bem iluminado, mas acima de tudo desejo poder partilhar o nosso tempo e o nosso espaço com as crianças que hão-de vir.

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