No passado Sábado, dia 21 de Março de 2026, na sua coluna semanal do jornal Público, José Pacheco Pereira, escreveu sobre as bibliotecas pessoais um texto muito sentido, de verdadeiro e bonito. Poderia digitalizá-lo e colá-lo aqui, seria mais fácil, mas prefiro relê-lo e ir partilhando aquilo que me parece mais interessante.
"AS BIBLIOTECAS PESSOAIS COMO RETRATO"
"Há muito que se pode aprender no mundo das bibliotecas pessoais e sem ele tudo fica mais pobre, mas nos nossos tempos isso é a regra"
"Estamos numa época de desvalorização do livro, logo, das bibliotecas pessoais. Não adianta vir com estatísticas de leitura, nem de vendas nas livrarias [...] sem ter em conta o outro lado, que é o da desaparição das bibliotecas pessoais como extensão identitária de uma vida, seja intelectual ou académica, seja apenas dos livros que se leram, [...]. Refiro-me a bibliotecas que não são de bibliófilos, não têm raridades, apenas livros comuns."
"As bibliotecas pessoais suportam mal a sua transmissão por morte do seu criador, e a maioria acaba mal. Hoje é infelizmente comum a desaparição das bibliotecas pessoais, que as bibliotecas públicas não aceitam receber, [...] que filhos e netos não querem, também muitas vezes por [...] escassez de espaço nas novas casas, e que são vendidas ao desbarato, algumas vezes ao peso, deitadas ao lixo ou destruídas."
"Uma ideia perniciosa é de que muita biblioteca pessoal "não tem interesse", são "refugo" de repetidos que ninguém quer, e isso ajuda a uma desvalorização objectiva de livros que podem e têm função. Uma dessas funções é ajudar o mundo dos excluídos dos livros e das bibliotecas. [...] Mas há muito que se pode aprender nas bibliotecas pessoais mais comuns, precisamente por serem pessoais. [...] As bibliotecas pessoais são um retrato muito fidedigno do seu criador."
"Há muitas, mas naquilo que é a "voz" das bibliotecas pessoais, muitas vezes com surpresas, dedicatórias, sublinhados, papéis metidos no interior dos livros. Um mundo."
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