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25 janeiro 2016

"não somos capazes de mudar"


Foi esta a confissão final de Jerónimo de Sousa, ontem, no rescaldo do péssimo e humilhante resultado que o candidato comunista, Edgar Silva, obteve. Mas o pior da sua intervenção, que acabou por se transformar na pior intervenção da noite, foi quando, paternalista, se referiu à candidata do Bloco de Esquerda, nos seguintes termos:
"Podíamos arranjar uma candidata mais engraçadinha e com um discurso ajeitadamente populista..."
Inadmissível este tratamento sexista e paternalista, principalmente vindo de um partido de esquerda e que se gaba de ser um defensor dos direitos das mulheres e da igualdade de género. Também não se percebe a indiferença da comunicação social perante tal afirmação. Fosse outro dirigente partidário a falar assim e seria um pé de vento. Não pode ser. Seria bom para todos que a atávica ortodoxia comunista pudesse mudar...

22 janeiro 2016

presidenciais 2016


Aproveitando o último dia da campanha eleitoral para a presidência da República, mesmo numa perspectiva de relativo afastamento ao processo, apesar de comprometido, não posso deixar de manifestar a minha opinião, em jeito de balanço, sobre aquilo que fui percebendo ao longo desta campanha eleitoral.
Tal como referi anteriormente nada tenho contra as iniciativas individuais de qualquer cidadão se candidatar à presidência da República, considero até que, em teoria, quantos mais candidatos houver, melhor será o debate e mais enriquecida sairá a nossa democracia republicana. Infelizmente não foi nada disso que aconteceu nesta campanha. Muito pelo contrário, não só o debate foi paupérrimo, como o nível dos candidatos mediu-se, regra geral, pela mediocridade, transformando um acto da maior importância para a nossa vida colectiva, em algo desprestigiante e caricaturável. Se não, vejamos:
a) ao nível do ridículo e da vergonha alheia:
Vitorino Silva ("Tino") - o seu ego do tamanho do mundo e a sua sede por notoriedade e reconhecimento, não lhe permitem conhecer o seu Complexo de Peter, ou seja, não lhe permite reconhecer as fortes limitações e como é baixo o seu tecto de competências. Pertencerá sempre ao burlesco nacional, conseguindo satisfazer o seu propósito de notoriedade ao aparecer nas TV's e nas revistas da especialidade. Qualquer coisa sirva para evitar o seu posto de trabalho e, com certeza, irá regressar, mais tarde ou mais cedo, num outro papel, num outro formato;
Jorge Sequeira - não se percebendo minimamente qual o seu propósito, este arauto da parafernália motivacional e das auto-ajudas metafísicas, nunca foi além das trocas e baldrocas semânticas, parecendo que o seu propósito era ter os seus 5, 10 ou mesmo 15 minutos de alguma notoriedade. O triste, nem isso conseguiu;
b) ao nível do populismo e da falta de vergonha:
Cândido Ferreira - o que terá motivado este senhor a candidatar-se a Presidente da República? É que projecto, ideias e políticas não apresentou nenhuma. Limitou-se a barafustar, reclamar e a dizer mal de toda a gente. Pelos vistos tem dinheiro, deve-lhe é faltar reconhecimento e prestígio, por isso, mal, veio aqui à procura dele;
Paulo Morais - na minha opinião, o mais triste dos candidatos, porque sempre tentando dar de si uma imagem de pessoa séria e rigorosa, nunca conseguiu transmitir uma ideia, um pensamento para o país, enredando-se exclusivamente na ladainha da corrupção, sem nunca apresentar um facto ou um nome concreto, acabou por se enquadrar ao nível dos ridículos desta campanha;
c) ao nível da intriga político-partidária:
Maria de Belém - como ficou bem explícito no caso das subvenções vitalícias, esta candidata sob a manta da seriedade e da experiência política, apresentou-se aos portugueses ao serviço da facção segurista e numa lógica de contra-poder interno no PS. Muitos dos que a apoiaram pertencem aos escorraçados da direcção socialista, protagonizada por António Costa. Demonstrou que não trazia uma única ideia para a campanha, que não tem qualquer carisma, nem capacidade agregadora. Prestou-se a uma figura muito triste e humilhante;
d) ao nível da fidelização do voto:
Edgar Silva - o candidato proposto e apoiado pelo PCP revelou-se uma aposta fraca e sem perfil para este papel de candidato à Presidência da República. O seu mérito político e a sua luta na região autónoma da Madeira, não foram suficientes para catalizar a sua mensagem no resto do país, para além da gente e das estruturas do PCP . Em teoria, esta fraqueza do candidato e do PCP seria uma vantagem para a candidata do BE. Veremos;
Marisa Matias - tenho para mim que tanto esta candidatura, como a de Edgar Silva só existiram porque surgiu a candidatura de Maria de Belém. Caso contrário, Sampaio da Nova seria o candidato dos vários partidas da esquerda. Para além de um ou dois equívocos e gafes, Marisa Matias fez uma boa campanha, percebeu e aproveitou-se das fragilidades de outras candidaturas, nomeadamente da de Edgar Silva e Maria de Belém. É, por mera aritmética partidária a minha candidata;
e) ao nível da disputa final:
Marcelo Rebelo de Sousa - passeou a sua "beleza" pelo país, quase sozinho, sem máquina partidária e sem espalhafato. Muito pragmático, percebeu há muito que o modelo tradicional de campanhas eleitorais em Portugal estava esgotado. Passou os dias e os momentos a beber, a comer, a brindar e a conversar com as pessoas. Foram os quinze dias da sua consagração. Campanha fê-la durante todos os anos que esteve nas televisões, sem contraditório, a educar e mentalizar os portugueses;
Sampaio da Nóvoa - desde o primeiro momento o meu candidato. De ilustre desconhecido, passou a única alternativa à candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa. Sem o apoio de qualquer partido (se excluirmos o moribundo LIVRE), e apesar de lhe terem sido garantidos apoios do PS, fez o percurso e chegou ao fim sem esse apoio. Bem organizada e estruturada e agregadora, esta candidatura foi crescendo e juntando cada vez mais apoios. Teria sido o meu candidato, caso Maria de Belém não tivesse aparecido. Assim, sê-lo-á na segunda volta.

Acima de tudo, importante é que todos e todas as portuguesas vão votar no próximo Domingo. Essa será sempre a melhor resposta a dar ao desencanto que se pressente na sociedade portuguesa. Até lá.

odioso e sem populismo

Mesmo consciente de todos os aproveitamentos partidários e políticos que a decisão do Tribunal Constitucional sobre as subvenções vitalícias proporcionou, considero uma cobardia aquilo que os referidos deputados fizeram. Não estará em causa a justiça ou legalidade da medida e desta decisão do TC, para mim o mais importante é o próprio procedimento, numa época em que a todos os portugueses foi exigido sacrifício e empobrecimento, estes deputados, quais casta superior, privilegiados, não quer, não aceita ser sacrificada tal como os demais portugueses. Relembro que este procedimento de fiscalização é um poder vedado ao comum dos portugueses e entregue aos seus representantes na Assembleia da República. Para mim o odioso (sem populismo ou demagogia) é esse, pois os mesmos ilustres deputados não se lembraram de pedir ao TC a fiscalização de todos os cortes de rendimentos e pensões que os portugueses sofreram nos últimos anos.
Maria de Belém foi apanhada no meio desta tempestade. Propositadamente ou não, não sei, a verdade é que acabou por ser reveladora do seu carácter e, acima de tudo, do seu pathos. As consequências na sua candidatura só podiam ser estas, e ainda bem, fez-se justiça, pois a sua razão de existir era, única e exclusivamente, o rancor intestino e a sede de vingança dos espoliados seguristas. Toda a gente percebeu isso e a candidata termina a campanha a falar sozinha.