José Eduardo Agualusa, escritor angolano, afirmou recentemente que a designação "língua portuguesa" deveria ser substituída por "língua geral". Declaração proferida no Rio de Janeiro, fundamentada pelo facto de já não existir uma adequação à realidade plural e descolonizada do idioma e que a nova designação seria "expressão de um território de encontros e de afectos".
Pois bem, estamos aqui perante mais uma provocação simbólica e até reaccionária relativa à suposta propriedade da língua. De facto, a língua portuguesa nasceu em Portugal e evoluiu até hoje com os contributos da variedade cultural dos países que se expressam na mesma língua. Isto não é ser etnocêntrico, ou defensor de uma propriedade exclusiva da língua, numa atitude colonialista, pois a língua é de todos quantos a utilizam.
Depois, a proposta de Agualusa parece-me mais uma tentativa de revisionismo histórico, bem característico das narrativas pós-colonialistas que, de alguma forma, procuram a deslegitimação cultural. Mas atentemos à nova designação proposta: "geral", ou seja, "realidade plural" de uso em vários países e comunidades. Certo, mas isso não acontece com outras línguas como o Castelhano, o Inglês e o Francês?!... Todas estas outras línguas são veículos de comunicação de diferentes comunidades e países, em diferentes latitudes, e nem por isso, sentem a necessidade de alteração as suas designações. Todas elas, assim como o português, são planetárias e são já "territórios de encontros e de afectos". Não faz qualquer sentido esta ideia de José Eduardo Agualusa.
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