05 setembro 2026

bizarria

Servindo-me da visão periférica, apercebi-me de um vulto que se aproximava de mim. Sentado numa esplanada e concentrado na leitura que fazia, só quando esse vulto estava já muito próximo é que levantei o olhar e percebi, no rosto do senhor que me abordava, alguma hesitação. Pediu-me desculpa por estar a incomodar, apresentou-se e disse-me que não poderia ter deixado de me abordar, pois já me tinha visto ali mais vezes, sempre sozinho e muito alheado do que me rodeava, em leituras e escrita. Que hoje em dia é muito raro, algo bizarro até, ver uma pessoa a ler e escrever em cafés e esplanadas, que toda a gente prefere estar agarrado ao telemóvel. Queria saber quem eu era e o que fazia na vida... e logo aproveitou para se apresentar como bancário aposentado e que desde então tem escrito muito e sobre diversos temas, tendo alguns livros publicados. Aqui conseguiu cativar a minha atenção e curiosidade, tendo-lhe logo questionado sobre essa obra publicada, ao que ele, pronto, me foi dizendo que os seus livros são impressos em pequenas quantidades e só para "amigos", mas estão à venda nas livrarias e papelarias da cidade. Entretanto, já me tinha pedido licença para se sentar e ficámos ali a conversar um bom naco de tempo, sobre variados temas e interesses de cada um de nós. Só arretamos a conversa porque a hora de almoço se aproximou num ápice e ambos tínhamos compromissos. Ainda assim, pediu-me os meus contactos e convidou-me para almoçar. Agradeci, trocámos os contactos e despedimo-nos. Tenho certo que nos encontraremos por ali um dia destes.

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