Posso estar a esquecer-me de outras frases, alertas ou avisos, que foram mote para a prevenção rodoviária em Portugal, mas não me recordo de uma frase tão adequada e eficaz para relembrar a quem vai na estrada para os perigos da velocidade, do álcool e dos telemóveis. Espalhada e repetida pelas auto-estradas de todo o país. Simples e pragmática. Muito bem.
---------"Viajar, ou mesmo viver, sem tirar notas é uma irresponsabilidade..." Franz Kafka (1911)--------- Ouvir, ler e escrever. Falar, contar e descrever. O prazer de viver. Assim partilho minha visão do mundo. [blogue escrito, propositadamente, sem abrigo e contra, declaradamente, o novo Acordo Ortográfico]
09 agosto 2022
prevenir, prevenir, prevenir
04 agosto 2022
os livros que vão de férias comigo
Ainda faltam uma dezena de dias para rumar para a Terra Fria Transmontana, mas agora que me preparo para esses dias de férias fora de casa, momento importante é sempre a escolha dos livros que vão comigo. O primeiro critério para essa escolha é a vontade de os ler e o facto de, por alguma razão, ainda não o ter conseguido fazer. Depois, leituras atrasadas ou em falta, como este ano é caso do livro "ouvir o galo cantar duas vezes" de Paula Godinho. Claro que esta vontade inicial de ler todos os eleitos dificilmente será concretizada, até porque os elementos dissuasores serão muitos e há muitas outras formas interessantes de ocupar as horas desses dias... (quero também realizar algum trabalho de campo). Assim, viajarão comigo livros para ler e livros para ter por perto. Aqui está a pequena selecção de leitura para as próximas 3/4 semanas.
01 agosto 2022
05 julho 2022
escrever fotografias
A fotografia é muito mais do que um documento; ela é uma genuína inspiração para a mente, para as ideias e, depois, para o esforço da escrita; enquanto documento pode ser seminal, mas é enquanto inspiração que alcança a sua sublimação.
04 julho 2022
01 julho 2022
29 junho 2022
lugar do fim do mundo
Nos últimos dias tive a oportunidade de conhecer o lugar que os antigos (antes da viagem de Colombo, em 1492) consideravam o fim do mundo. Pensavam eles ser o lugar mais a oeste do mundo até então conhecido. Falo do Cabo de Finisterra, ou em galego, Fisterra.
Para além de todo o misticismo anímico deste lugar, da fé e da perseverança dos peregrinos caminhantes que consideram que só aqui termina a sua peregrinação a Santiago de Compostela, Fisterra é um pequeno e sossegado lugar, plantado à beira mar, protegido a Norte por um monte e com uma bonita enseada. Tem um pequeno porto piscatório e vive essencialmente do cluster do turismo religioso. Tem uma praça junto ao porto com um anfiteatro de restaurantes e esplanadas que servem as dezenas, centenas ou milhares de turistas/peregrinos/caminheiros que por aí passam todos, ou quase todos os dias.
Gostei de lá estar, do sossego e do ritmo mais lento e tranquilo que pude perceber na vida dos locais. Gostava de viver e pertencer a uma comunidade assim. Vou regressar com mais tempo.
26 junho 2022
a aposta
A transição para o ecossocialismo requer um planeamento democrático, orientado por dois critérios: a satisfação das necessidades reais e o respeito ao equilíbrio ecológico do planeta. São as próprias pessoas - uma vez livres da propaganda e da obsessão consumista fabricadas pelo mercado capitalista - que decidirão, democraticamente, quais são as verdadeiras necessidades. O ecossocialismo é uma aposta na racionalidade democrática das classes populares.
Michael Lowy, in Revista Ecossocialismo nº 1 - Maio a Agosto 2022, página 49.
25 junho 2022
as horas do dia
Cada vez que viajo e que visito a Galiza mais convencido fico de que, deste lado da fronteira, fazem melhor uso das horas dos seus dias do que nós, portugueses. Estes finais de tarde, apesar do clima instável, ocupando demoradamente as esplanadas, os bancos de jardim, os bares e cafés, transmitem-me civilidade e tranquilidade. Claro que muitos serão turistas e veraneantes, mas há nisto muito de ethos, talvez até de identidade galega e eu gosto muito de aqui estar.
(na rua, ocupando o tempo até ser hora de jantar)
24 junho 2022
por terras da Galiza
Aproveitando o fim-de-semana maior do que o habitual, viajámos quase directamente da festa do S. João no Porto para Santiago de Compostela. Viagem tranquila, com paragem em Valença para visitar o forte e almoçar, seguimos para Norte até à cidade dos peregrinos caminheiros. Encontrámos uma cidade quase sem trânsito e com pouco movimento de pessoas nas ruas. Sem sabermos chegamos no dia de San Xoan, também aqui celebrado e também aqui feriado. É verdade que está a chover, quer dizer, a cair uma morrinha certinha que parece que nos atinge vinda de todas as direcções. Estamos instalados num pequeno hotel no centro histórico, o carro estacionado na garagem e a pé podemos percorrer todas as ruas e ruelas pedonais deste casco urbano. De facto, percebe-se a cada instante, a cidade dedica-se ao turismo religioso globalizado e esses peregrinos invadem todos os recantos destas ruas. Para o bem e para o mal, está a chover, o que liberta alguma densidade de pedestres e nós pudemos deambular mais à vontade. Esperemos que amanhã o dia esteja melhor para podermos passear, sem chuva e sem os seus guardas.
23 junho 2022
dia de S. João, outra vez
O dia amanheceu com o céu a verter-se completamente sobre a Invicta e arredores, mas à medida que as horas foram passando o céu foi secando e clareando, deixando apenas o nublado necessário para deixar em suspenso aqueles que se preparam para festejar o santo tão popular.
Deambulei pela baixa da cidade, nomeadamente, pelas ruas entre os Aliados e as Fontaínhas e pude constatar a agitação e o burburinho que a cada passo se percebe para montar os espaços do arraial: restaurantes, cafés, esplanadas, bairros, ruelas, ilhas, casas, prédios. A azáfama generalizada por estas bandas e, com certeza, pelo resto da cidade, percebe-se no rosto das pessoas com quem me cruzo. Depois, reparo nos turistas que, por contraste, calmamente observam e absorvem toda esta parafernália e agitação, talvez, sem perceberem muito bem o que se passa ou vai passar.
Depois deste grande hiato de tempo sem poderem festejar o seu santo, a festa de hoje será memorável, ainda que o céu resolva voltar a despejar-se sobre a cidade. Viva o S. João!
21 junho 2022
meio enchido
(aos olhos do meu filho, com um português muito mal tratado e pejado de inverdades)
(excerto do teste de Português, dia 26 de Maio de 2022)
a quem possa interessar...
Mais logo, pelas 18 horas, no salão nobre da Junta de Freguesia do Bonfim, amigos e colegas vão apresentar estes dois livros. Lá estarei.
16 junho 2022
epitáfio por antecipação
O meu filho teria 7 ou 8 anos quando proferiu uma declaração, clara, acertiva e pragmática, que lhe poderá servir um dia, espero, muito mais tarde e bem depois da minha existência. Em modo sugestivo e para memória futura, registo duas variações possíveis desse momento maior e de afirmação da sua ontogenia.
Aqui jaz quem
desde tenra idade
teve por ambição
ser reformado
...como os avós!
Aqui jaz em paz
quem, desde menino,
teve por vontade
ser jubilado
...tal qual os avós!
01 junho 2022
trinta anos
Recordo bem o dia, os momentos e a conquista que significou para mim. Foi nos primeiros dias de Maio de 1992 que consegui, sim consegui, tirar a carta. Bem sei que por estes dias e neste mundo de vésperas de cataclismos que nos ameaçam extinguir, esta ambição, esta vontade, é um absoluto crime anacrónico, mas à época era mais do que um rito de passagem. Eu já conduzia desde, talvez os meus 15 ou 16 anos. A minha mãe deixava-me conduzir a velhinha R12 rua acima, rua abaixo e, por vezes, sem o conhecimento deles, dava a volta ao bairro e arredores. Um certo dia, uma colega professora do meu pai, na escola, perguntou-lhe se eu já tinha a carta, pois cruzara-se comigo algures em Valadares. Escusado será referir o espanto do meu pai...
Enfim, habilitado a conduzir há trinta anos e continua a ser um prazer entrar num automóvel e conduzi-lo. Se há prazer na vida é conduzir e aquilo que espero são mais, muitos mais, quilómetros de estrada e de caminho na vida. Como gosto de encruzilhadas que me levam a um lugar, a uma paisagem, a um recanto, desconhecidos e deslumbrantes.
A imagem de mim na carta de condução, que aqui reproduzo, tem bem mais de trinta anos. Imberbe e sonhador, o mundo seria meu. Erro e ignorância pura. Não foi. Aquilo que entretanto já vivi e, porque estou a falar de condução, já conduzi... os milhares de quilómetros percorridos. Conheci o país e um pouco mais além. E quase sempre que viajei de avião para longe, não deixei de conduzir. Aliás, onde puder ir de carro, resisto às alternativas.
Por aqui estar a registar isto, a vontade é sair e ir dar uma volta, mas o combustível está muito caro e devo refrear estes instintos prejudiciais ao bem comum.
Adeus.
17 maio 2022
no melhor pano cai a imbecilidade
Maria Luísa Ribeiro Ferreira, filósofa, escreveu um texto muito interessante no actual número (1346) do Jornal de Letras acerca da diferença entre homens e mulheres na filosofia. Para tal socorre-se dos conceitos de estupidez e de imbecilidade, que recentemente encontrou na leitura de dois livros de dois filósofos italianos contemporâneos. Na impossibilidade de o transcrever na íntegra, deixo algumas passagens que, de uma ou outra forma, representam a ideia do texto.
Onde quer que haja um estúpido há que renunciar a uma comunicação tipo clássico. E a burocracia reinante agrava e amplia o fenómeno da estupidez.
(...)
Os estúpidos fazem parte do nosso sistema e tendem a multiplicar-se, sendo a internet e as redes sociais grandemente responsáveis por esta difusão maciça. (...) A nossa inclinação para inércia bem como o incremento cada vez maior da estupidez humana.
(...)
A estupidez é cegueira, indiferença e hostilidade aos valores cognitivos, (...) todas as épocas têm os seus imbecis e estes encontram-se mesmo entre os filósofos.
(...)
A técnica não nos tornou mais estúpidos mas, pelo contrário, as potencialidades que actualmente nos oferece revelam melhor a imbecilidade humana bem como a possibilidade de transformar o mundo.
(...)
Distingue-se a imbecilidade simples e a pretensiosa, considerando que esta é perigosíssima pois os estúpidos sentem-se mais espertos do que todos os outros.
(...)
A imbecilidade é o fardo da civilização, pondo-nos directamente em contacto com o mal, pois, mais do que a ignorância, é a imbecilidade que está na sua origem.
(...)
No seu livro El Hombre y la Gente, Ortega Y Gasset fala da mulher e da sua feminilidade que se manifesta em três aspectos essenciais:
1º é mais confusa do que o homem e entende-o como uma graça, em contraste com a rigidez masculina onde clareza é rigidez. A mulher vive num perpétuo crepúsculo, nunca sabendo se quer ou se não quer...;
2º apresenta o corpo feminino como "uma forma de humanidade inferior ao varonil" e (...) há que ter coragem de falar da mulher como pertencendo ao sexo débil;
3º a diferente relação que a mulher tem com o seu corpo: em contraste com o homem, cujo eu é puramente psíquico, ela é constantemente solicitada pelas suas sensações intracorporais, sentindo o seu corpo a todas as horas.
(...)
E o livro termina com a consideração da atracção erótica que a mulher exerce sobre os homens, considerando que "desejamos a mulher porque o corpo de Ela é uma alma".
(...)
Confesso que foi para mim uma desagradável surpresa [encontrar esta ideia] num grande pensador do nosso tempo, pensador esse que foi determinante para a minha conversão à filosofia. Mas, como diz o aforismo, há que aceitar que "no melhor pano cai a nódoa".
14 maio 2022
05 maio 2022
Congresso Internacional Festas, Culturas e Comunidades: Património e Sustentabilidade
A decorrer na Universidade do Minho, entre 4 e 6 de Maio, participo com uma comunicação intitulada: "A Senhora entre perros e cabrões", na qual apresento a santa e padroeira de Carção como mediadora social e cultural entre as duas comunidades existentes na aldeia. Tema não tratado no trabalho que então realizei e publiquei, mas que acabou por ser a característica mais marcante do meu trabalho de campo e à qual tenciono regressar com maior cuidado e melhor atenção. Umlocuspeculiar e riquíssimo.
Etiquetas:
antropologia,
etnografia,
trabalho de campo
02 maio 2022
à terceira foi de vez
No passado Sábado, dia 30 de Abril de 2022, fui com a minha criança ao estádio do Dragão assistir ao jogo do FCP com o Vizela. Esta foi a terceira vez que o levei ao Dragão e estava algo apreensivo porque as duas primeiras experiências não foram nada agradáveis. Na primeira vez, num jogo contra o Sporting, saí ao intervalo, pois ele desde o início perguntava se ainda faltava muito para terminar e esteve o tempo todo com as mãos nos ouvidos por causa do ruído das claques (o FCP ao intervalo já perdia por 0-2). Na segunda vez, talvez na época 2018/19, levei-o a ver o jogo contra o B SAD e, apesar de ter aguentado o jogo todo, ainda o senti muito intimidado e desconfortável. Desta vez sim, o Rodrigo participou activamente durante todo o jogo: cantou, gritou pelos nomes dos jogadores, obedeceu às coreografias e cânticos do speaker, festejou os golos, reclamou com o árbitro e quis estar até ao último momento nas bancadas, para assistir à roda dos jogadores do Porto e a volta de agradecimento.
Mais do que interessado no jogo, eu estive a apreciá-lo e fui-lhe tirando fotografias. Foi um final de tarde divertido para ele. Penso que neste momento já não haverá mais hesitações. Tenho um filho tripeiro e portista. Fico feliz por isso.
01 maio 2022
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