06 maio 2018

Sérgio Conceição


Depois de um interregno de quatro anos sem poder festejar o campeonato nacional, é com natural euforia que todos celebramos esta vitória. Quero sempre que o meu, o nosso, Porto ganhe e seja campeão, mas já há muitos anos que não se sentia esta necessidade, esta vontade, esta força e este querer na equipa e, não menos significativo, no apoio e entusiasmo dos adeptos do Porto. É que foi mesmo importante ser campeão este ano e essa importância jamais será compreendida por quem não seja portista... e nem adianta tentar explicar.
Não tenho qualquer dúvida, também, para identificar o principal responsável deste sucesso desportivo. O seu nome é Sérgio Conceição e a sua atitude, a sua dedicação, a sua garra, cativou-me desde os seus primeiros momentos enquanto treinador do Porto. Aliás, sempre gostei dele enquanto jogador, tal como noutros jogadores seus contemporâneos, dos quais recordo em particular o Paulinho Santos, admirava a sua entrega ao jogo, o seu sofrimento em campo e a sua dedicação ao clube.
No Porto, no meu Porto, gosto de ter e de ver jogadores assim, com raça e com sentido de pertença ao clube, que se entregam e lutam em campo contra tudo e contra todos. No meu Porto gosto de ter e de ver treinadores assim, com raça e que lutam contra tudo e contra todos. O Sérgio Conceição é assim e, por isso, é ele o grande, eu diria mesmo, o único Campeão. Obrigado.

03 maio 2018

solilóquio

Não sei se já alguém o disse, ou, principalmente, o escreveu, mas a palavra que irei escrever a seguir, estará, para sempre, condicionada por aquela que acabei de escrever.

Afonso Dhlakama


Acabo de saber, através da RTP3, da morte de Afonso Dhlakama, líder histórico da Renamo - Resistência Nacional Moçambicana - aos 65 anos, alegadamente, vítima de complicações associadas aos diabetes. Pouco ou nada me atrai nesta personagem, mas isso não me impede de perceber a sua importância no período pós-independência, em concreto, no período da guerra civil, enquanto figura máxima do contra-poder, e depois, no processo de pacificação do país, enquanto representante maior do principal partido da oposição.
O problema que se apresenta com o seu desaparecimento, é o vazio imediato de poder, pelo menos simbólico, na Renamo e essa situação pode propiciar um conjunto de consequências, por hora, não alcançáveis ou impossíveis de adivinhar. Esperemos que o bom senso e a razoabilidade impere neste momento dramático para a frágil democracia moçambicana. Esperemos que o desaparecimento de Afonso Dhlakama não signifique, tal como em Angola, a hegemonia totalitária de um único partido.

Adenda: Em 1994, participei nas primeiras eleições livres e democráticas em Moçambique, enquanto membro da equipa (empresa) que deu apoio político - sondagens políticas, marketing, imagem e comunição, sob patrocínio da ONU.

01 maio 2018

nem de propósito

Dia feriado, almoço demorado, com conversa amena até para lá da hora da (desejada) sesta. Sem que nada o fizesse prever, o desafio para uma suecada que foi prontamente aceite. Problema inesperado: baralho de cartas que não se encontra. Solução: ir à loja dos Chineses comprar um. A caminho encontro uma papelaria (portuguesa) aberta e resolvo entrar. Surpresa total ao dar de caras com a funcionária a jogar calmamente às cartas com um idoso, cada um do seu lado do balcão, e que me recebeu de sorriso nos lábios. Eu, surpreendido, apenas atirei: - Nem de propósito! Também quero… dois baralhos de cartas.
Saí e depressa regressei a casa, onde me aguardava uma rica e soalheira tarde de sueca. Há tanto tempo que isto não me acontecia.

18 abril 2018

a escrever


Nem imaginam o trabalho que me tem dado, e o prazer também. Depois de mais de trinta anos sem praticar, ter que entrar no ritmo, decorar acordes e não me enganar nas melodias, tem sido um desafio. As horas que passam e eu, absorvido, a (re)ganhar o gosto e o entusiasmo.

25 março 2018

cidade luz

Há cerca de dez anos que não visitava Paris. Estive agora lá, entre a Disney, o centro de Paris e subúrbios - Poissy, St. Germain e Versailles - durante a última semana. Entre 2008 e 2018 muito aconteceu na e à capital francesa. Aquilo que mais se nota é a preocupação com a segurança, que está bem visível nas ruas, instituições e recintos. De forma declarada e assumida, os militares e polícias passeiam-se pelas ruas e avenidas da cidade e há um controle apertado (eu diria, quase paranóico) em tudo o que é local turístico, monumento ou concentração de pessoas. O medo do terrorismo, real e perceptível, instalou-se definitivamente na vida quotidiana de Paris, dos parisienses e dos seus visitantes, sendo o acesso à Torre Eiffel o exemplo paradigmático desse receio. Aquilo que era um espaço amplo, enquadrado pelos grandes e bonitos jardins a Sul e o Trocadero a Norte, passou a ser um estaleiro de obras, cercado por alta cerca de chapa e com acessos diferenciados de entrada e saída, protegidos por sofisticados sistemas de vigilância e onde nada é negligenciado. Percebo e compreendo a necessidade de tal aparato, mas a verdade é que a experiência turística, ou a do visitante, ou ainda a do próprio habitante é fortemente transtornada por esta paranóica necessidade. É pena.

(na foto é visível a cerca metálica que circunda toda a torre)

19 março 2018

eu também...

Pela primeira vez escrito pela sua mão. Acredito que tenha sido sincero. Obrigado.




15 março 2018

terceiro mundismo

A notícia da execução da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, na noite passada, no centro da cidade, com quatro tiros na cabeça, é um assassinato político numa cidade policiada por militares e será mais um, apenas mais um, sintoma da grave doença que o Brasil sempre sofreu e que, nem com toda a cosmética de modernidade urbanizada, cosmopolita e global, se consegue disfarçar. O Brasil pertence ao terceiro mundo, pelo menos naquilo que é o seu ethos social, naquilo que são as suas instituições, organizações e estruturas. Como temos vendo a assistir o próprio poder de Estado e dos diferentes níveis de Administração Pública está refém dessas lógicas de poder - da normalização, e até banalização, da corrupção, do culto de personalidade, da lei do mais forte, da subjugação ao poder económico, da subtração dos direitos sociais e da transformação da democracia em algo que poderá ser tudo menos democracia. Lamento muito, mas assim é o Brasil que sempre me deram a conhecer.

desaparecimento de um génio maior

Por falta de tempo, ontem não pude assinalar, com a devida vénia, o desaparecimento de Stephen Hawking, matemático, físico e cosmologista, que faleceu com 76 anos. Nome grande da ciência, a sua vida foi uma inspiração para milhares e milhares de pessoas, não só pelo seu trabalho, pelo seu génio, mas também, e acima de tudo, pela sobrevivência durante mais de cinquenta anos a uma grave doença degenerativa, diagnosticada aos vinte e poucos anos e que lhe foi tolhendo o físico. Mente brilhante, a ele devemos grandes descobertas e teorias no campo da física e da cosmologia. Sem dúvida, uma referência maior que o universo.

13 março 2018

finalmente

Ontem fui ao quiosque para comprar o Le Monde e, para surpresa minha, encontrei a LER. O seu número de Inverno acaba por chegar até nós no seu fim. Portanto, poderemos aguardar pela de Primavera lá para meados de Junho. Paciência. 

10 março 2018

leitura interminável

Acabei por estes dias a leitura dos Diários - diários de viagem, de Franz Kafka, numa edição da Relógio d'Água. Face àquilo que já conhecia deste autor e face à qualidade da sua escrita, confesso que a leitura destes Diários foi uma tarefa penosa e demorada. Apesar de se perceber o génio da sua escrita, a descrição dos seus dias e diferentes momentos pareceram-me entediantes, depressivos e sem grandes motivos de interesse. Kafka, às páginas tantas, afirma: uma vantagem de escrever um diário consiste em ganharmos consciência, com uma clareza apaziguadora, das mudanças a que estamos constantemente submetidos...
Acredito nas suas palavras, mas a leitura do seu diário nem sequer me deixou perceber essas mudanças da sua vida e apenas e só por teimosia mantive a sua leitura.

terapias, energias e fantasias

A Fundação Francisco Manuel dos Santos lançou mais três reportagens da série retratos da fundação. Com eles a colecção chega às trinta unidades. Destes três últimos volumes, quero destacar o trabalho de João Villalobos acerca do poder da energia, quando aplicada sob a designação de terapia alternativa e através das mais variadas promessas de sucesso, de fortuna, de amor e, principalmente, de saúde. Mal o comprei li-o de uma só vez e num ápice, pois veio mesmo a calhar com o início de mais um semestre de Epistemologia. Vou levá-lo para a sala de aulas.
Curioso como nos últimos tempos - e falo de meses ou até anos - assistimos a uma necessidade de salvaguardar a ciência, naquilo que são a sua prática e o seu discurso, do assédio, do engano e da pseudo-ciência que, hegemónica, invadiu o espaço social e mediático. Há muitas décadas que vivemos rodeados, no quotidiano das nossas vidas, de ciência, vertida em tecnologia, gadgets, medicamentos e utilitários, mas nesses últimos tempos, passámos a viver atolados em discursos - marketing e publicidade, e em práticas - diversidade de terapias/métodos/ferramentas, tais como o Reiki e outras que tais...
Mas voltemos a João Villalobos que nos apresenta este seu pequeno texto assim:
As terapias alternativas têm milhões de seguidores, mas de onde veio esta onda avassaladora da energia que promete curar sem tocar? Saber quem são os defensores, os críticos e que argumentos têm é talvez a melhor forma de começar a responder à pergunta. Da Bíblia ao anúncio do cabeleireiro holístico, passando pelo Reiki, e sem deixar de fora o cardápio de anjos e guias espirituais, este é o retrato do fenómeno de que muitos falam mas sobre o qual ainda há muito para contar.

27 fevereiro 2018

mediascape: sistema eléctrico

Jorge Costa, deputado do BE na Assembleia da República, escreve no Jornal Le Monde Diplomatique - edição portuguesa deste mês de Fevereiro, um grande e excelente, porque claro, factual e fundamentado, artigo sobre a privatização do sistema eléctrico, sobre o rentismo garantido associado a essa privatização e sobre os consequentes prejuízos para o estado português e, principalmente, sobre o abuso permanente sobre os consumidores nacionais. A minha vontade seria transcrever todo o artigo, mas é mesmo extenso e tornaria a sua leitura mais difícil, por isso, opto por transcrever apenas as passagens que me parecem mais importantes e pertinentes.

Metade dos agregados com carência económica não consegue ter a casa adequadamente aquecida no Inverno. A principal explicação são os elevados preços da electricidade e do gás, os mais altos da Europa em paridade de poder de compra. Em 2013, no pico da crise, Portugal foi o país europeu com maior número de cortes de electricidade por falta de pagamento, acima da Grécia.
(...)
O que distingue a factura portuguesa é o peso dos encargos administrativos - que o Eurostat também contabiliza nas taxas e impostos. Esses encargos somam um terço da factura doméstica - são os chamados Custos de Interesse Económico Geral (CIEG) - e incluem os subsídios excessivos pagos pelos consumidores às grandes eléctricas.
(...)
Ao longo dos últimos dez anos, os Custos de Manutenção do Equilíbrio Contratual (CMEC) representaram 2500 milhões de euros a cargo dos consumidores de electricidade (300 milhões em 2017). Segundo a Autoridade da Concorrência, os CMEC garantiram um terço dos lucros da EDP antes dos impostos, entre 2009 e 2012. E nada de substancial mudou depois disso.
(...)
O corte dos CMEC esteve previsto pela Troika no Memorando de Entendimento assinado em 2011. O então secretário de Estado da Energia, Henrique Gomes, chegou a encomendar um estudo sobre as rendas excessivas no sector eléctrico. Elaborado pela Cambridge Economic Policy Associates, esse estudo situou o valor total da renda excessiva em 2133 milhões de euros, cobrados aos consumidores só entre 2007 e 2020.
Ante a oposição do ministro das Finanças, Vítor Gaspar - que preparava a privatização da EDP a favor da China Three Gorges e não queria desvalorizar a empresa eliminando estas receitas garantidas - Henrique Gomes não resistiu muito tempo no governo. O seu ministro da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira, fez saber mais tarde que a demissão foi festejada com champanhe nas sedes das produtoras eléctricas.
(...)
O peso das rendas pagas à produção renovável aumentou muito com decisões do governo PSD/CDS. Nos anos da austeridade, a tutela continuava a outorgar licenças altamente subsidiadas em processos obscuros, alguns dos quais estão hoje nas mãos do Ministério Público. Mas o escândalo maior ocorreu em 2013, quando o ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Jorge Moreira da Silva, adiou o fim da subsidiação das eólicas de 2020 para 2027, fixando novas tarifas garantidas para este período adicional. O negócio consistiu numa ruinosa antecipação de receitas.
(...)
O próprio ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, admitiu que este regime transformou a renda das renováveis em "renda e meia".
(...)
Só o controlo público e corte das rendas excessivas pagas às grandes eléctricas será possível obter os meios para impulsionar novos avanços tecnológicos ou o desenvolvimento da produção solar descentralizada e da eficiência energética.
A estratégia privatizadora resultou sempre em custos crescentes para os consumidores. Desde 2006, os aumentos acumulados da factura eléctrica perfazem quase 50%.
(...)
Quanto aos novos donos, em apenas cinco anos de dividendos já recuperaram um terço do que aplicaram na EDP. Nas palavras de Cao Guanjing, presidente da estatal China Three Gorges, "a EDP foi barata".
Do início da privatização até ao domínio chinês, a porta giratória com a política não parou de rodar. Um ex-ministro das Finanças, Joaquim Pina Moura, presidiu à Iberdrola Portugal, a Endesa tem sido representada por um secretário de Estado da Energia dos tempos de Anibal Cavaco Silva e mesmo António Mexia, presidente executivo da EDP, não dispensou uma passagem pelo governo de Santana Lopes, apesar das suas já vastas ligações políticas. Tem hoje ao seu lado, como presidente não executivo, o ex-ministro das Finanças, Eduardo Catroga, ligado ao grupo Mello e representante do PSD nas negociações do Memorando com a Troika, onde ficou decidida a privatização final da EDP. (...) Além destes casos, outros 24 membros de governos passaram por órgãos sociais da EDP. Conhecer esta promiscuidade ajuda a compreender a força que permite manter no sector eléctrico uma pilhagem tão sistemática e permanente contra a maioria da população.
(...)
A dependência do acesso à energia torna-nos vulneráveis à concentração de riqueza através do sector eléctrico. Nenhuma regulação tem sido capaz de travar esse processo. O poder oligopólio da energia torna-o central no regime liberal, nas orientações da União Europeia, na composição da elite política, nas crónicas mediáticas da "livre concorrência". Ora, a energia não é uma mercadoria como as outras. Para não geral novas formas de injustiça e pobreza, como hoje sucede em Portugal, o sistema eléctrico deve ser tratado como bem comum, recurso estratégico e serviço público.


Fonte: SELECTRA

22 fevereiro 2018

opúsculo

Tendo estado até madrugada às voltas com as Nomeadas Transmontanas, apercebi-me da necessidade de consultar os dois volumes da obra de A.M. Pires Cabral "A Língua Charra - regionalismos de Trás-os-Montes e Alto Douro", publicado pela Âncora Editora em 2013. Depois de uma consulta rápida na internet e de ter verificado o seu preço algo exagerado (porque dois volumes), logo pensei e fiz planos para esta manhã ir à Biblioteca Pública Municipal do Porto para a consultar. Assim fiz, só que nenhum dos volumes, apesar de referênciados, existe no depósito local. Desapontado, saí directo para a FNAC da Santa Catarina, mas também não tive sorte, pois não está disponível em nenhuma loja do país. Frustrado, resolvi tentar a Bertrand no Via Catarina, mas esbarrei na mesma ausência. Porra, nem a querer gastar dinheiro se consegue arranjar os livros. Não desisti. Uma vez na Invicta, resolvi ligar directamente para a editora, em Lisboa, que também não me conseguiu, de imediato, dizer em que livrarias do Porto poderia encontrar esses livros. Disseram-me que iriam averiguar e depois me ligariam. Aguardei, mas entretanto pus-me a caminho da Livraria Académica, do meu quase conterrâneo Nuno Canavez. Foi já quando estava à conversa com ele que me ligaram da Âncora, informando-me que aqui perto só a Livraria Traga-Mundos, em Vila Real, é que tinha esses livros à venda. Muito bem, agradeci a disponibilidade e desliguei. Foi a sorrir que comentei o sucedido com o meu interlocutor e ele, também a sorrir, disse-me para não estranhar, pois esta coisa dos livros é muito esquisita... Ele também não tem os livros que procuro, mas ao ouvir o nome do poeta e autor A. M. Pires Cabral, lembrou-se logo de algo que teria para ali guardado e que lhe tinha sido enviado. Um pequeno opúsculo de quatro faces, formato A5, em papel de qualidade amarelado e cuidado, com um pequeno texto e do qual ele me deu esta cópia, dizendo:
- Este é o texto sobre Trás-os-Montes com o qual me identifico mais. Nem o Reino Maravilhoso me satisfaz tanto. Muito bonito, muito bem escrito. Esta é a minha terra.

Vou ler.

por falar em estupidez humana...

Só podia estar a referir-me a Donald Trump!
Quando tudo aconselhava a uma reflexão, a uma ponderação e a uma decisão cautelosa, mas acertiva, o Presidente dos EUA, a propósito dos tiroteios nas escolas americanas que, normalmente, redundam em autênticos massacres e na chacina de inúmeros inocentes, pronunciou-se favorável a que os professores andem armados nas escolas e suas salas de aula, para proteger os alunos em caso de ataques similares ao sucedido nos últimos dias.
Lindo! Professores a dar aulas, ostentando à cintura o seu revolver, ou com a sua carabina de canos cerrados pousada em cima da secretária.
Espectacular! Como é que nunca ninguém se lembrou desta solução?! Agora é que vai ser!

21 fevereiro 2018

mediascape: o bandido


Este é o Ruben Semedo, jogador de futebol português, actualmente a jogar no campeonato espanhol, ao serviço do Vilarreal. Foi detido, se não estou em erro, sob a acusação de agressão, sequestro e roubo. E pelos vistos, já não é a primeira vez que tem problemas com a justiça, sendo já bem conhecido pelas autoridades espanholas, que só nos últimos quatro meses já o detiveram por três vezes. Sendo alguém que teve e tem acesso ao fantástico mundo do futebol, em que nada lhes falta, estranha-se este comportamento desviante, reincidente e assíduo, com ligações a personagens do mundo do crime e do banditismo. Estranho, estúpido, incompreensível. Enfim, um bandido.

20 fevereiro 2018

mediascape: antes de ser, já não era

Não foi preciso chegar ao 37º Congresso do PPD/PSD para termos percebido a forte resistência e o enorme mal-estar no seio das suas elites da metrópole, por Rui Rio ter vencido as eleições directas e vir a ser o novo presidente do partido. Agora que o Congresso da sua tomada de posse aconteceu, o país inteiro percebeu aquilo que está a acontecer no PSD, percebeu a má vontade, o boicote e as ameaças que o novo líder já enfrenta. Ainda não teve tempo para apresentar uma só ideia e já é questionado, coagido e intimidado pelos seus pares com o cadafalso de 2019, e tudo isto com o beneplácito das televisões, rádios e jornais, quais megafones dessa contestação.
Não que me diga respeito, nem que admire particularmente Rui Rio. Conheci-o bem enquanto presidente da Invicta e detestei o seu desempenho. O Porto, ao contrário do que consta pelo país, não beneficiou com os seus mandatos na presidência da autarquia. Aquilo que me admira é a má vontade declarada de grande parte dos ilustres deste partido - deputados, senadores, opinadores e afins - para com o seu novo presidente. Espero estar enganado, mas ser do Porto vai aniquilar-lhe qualquer possibilidade de sucesso.  Cá estaremos para o verificar, ou não.

mediascape: o despudor

É mesmo à descarada e sem perder a face que Pedro Ferraz da Costa, Presidente do Fórum para a Competitividade, numa entrevista ao jornal i, afirma que face ao crescimento do PIB de 2,7% em 2017, a economia teve uma "performance fraquinha" e que se quiséssemos poderíamos crescer acima de 4%. Mais, a propósito da competitividade das empresas nacionais, teve o descaramento de dizer que as empresas não conseguem contratar porque as pessoas não querem trabalhar. Isto, assim e sem mais. Faltou-lhe dizer que as pessoas não querem trabalhar sem receber a respectiva e merecida remuneração e que os seus pares, seres privilegiados e imunes a qualquer crise, procuram trabalho escravo e sem qualquer direito ou garantia. Assim, ainda bem que não conseguem trabalhadores. Ele deveria era sugerir ao seu clã oferecerem um salário digno às pessoas, com garantias e sem precariedades. Talvez aí houvesse quem quisesse trabalhar. Talvez aí as "pessoas" seriam mais produtivas e todos beneficiariam.

Nota pessoal: não fui mal educado com o senhor, apesar da grande vontade. Ainda assim, quando soube deste dislate, muitos nomes feios lhe chamei. Porque o despudor desta gente, que se julga merecedora de todas as benesses e privilégios, tem que ser combatido com tenacidade e vigor.

que mal pergunte

O que se passa com a revista LER? Está a terminar o Inverno e o seu respectivo número ainda não saiu... Vai sair? Ou o projecto findou? Só para saber, desenganar-me e deixar de andar atrás dela...

08 fevereiro 2018

mediascape: sexo, o dogma

D. Manuel Clemente publicou um documento com algumas normas para regular o acesso aos sacramentos católicos de pessoas em situação irregular, isto é, divorciados e recasados, das quais se destaca, a proposta para uma vida de continência, ou seja, uma vida sem sexo, sem relações sexuais. Espanto?! Nem por isso. Uma Igreja conservadora como a Católica não é capaz, às tantas nem era suposto ser, de acompanhar a evolução das sociedades - o seu modo de vida, as dinâmicas sociais, os desafios dos indivíduos e famílias, etc., etc. - da contemporaneidade, mesmo quando está pejada de indivíduos doentes, tarados sexuais, abusadores, criminosos, que viveram e vivem impunes e sem serem incomodados, beneficiando do silêncio cúmplice da hierarquia religiosa. Hipocrisia é o termo apropriado - "façam o que eu digo e não o que eu faço". Por outro lado, só mentes perversas, bolorentas e completamente ausentes da realidade da vida das pessoas, podem acreditar num dogma chamado sexo e que uma existência celibatária é, em si, uma felicidade, uma condição humana superior, ou o atingir de um nirvana qualquer.
Alguns estarão já a dizer: lá está este a implicar com a Igreja. Não, não estou. Mas o facto noticiado é de tal forma ridículo que me era impossível ficar quedo e mudo sobre o assunto. Tal como o teólogo Anselmo Borges, citado pela mesma notícia, afirma: Não faz sentido admitir que estão casados, por um lado, e pedir-lhes que não tenham vida sexual, por outro. É contra a natureza humana. Ao impossível ninguém é obrigado.
Resta-me uma dúvida: qual será a percentagem de fiéis católicos praticantes que aceitam para as suas vidas os preceitos sexuais da sua religião? Gostava de saber, apesar de ter uma ideia muito clara sobre os valores residuais dessa percentagem.
Depois admiram-se do esvaziamento das igrejas, do afastamento dos jovens e menos jovens, da diminuição do número de baptizados, casamentos e até celebrações fúnebres religiosas. Como não?!