27 setembro 2007

Dignidade e Respeito

Para alguns uma atitude desmedida e desproporcionada, mas para mim um momento digno, só para alguns... em directo na SICNotícias, ontém à noite, este Senhor, que por acaso é ex-Primeiro Ministro, não gostou de ser interrompido pelo directo da chegada do Mister Mourinho ao Aeroporto da Portela. Tal como disse, antes de sair do estúdio "...anda tudo doido!..."

22 setembro 2007

Candidatura ao (des)emprego

Mais uma triste notícia. Que de tão triste dá mesmo vontade de rir. Não é que a TAP exige indemnizações aos candidatos a hospedeiros de bordo!?... Diz hoje a edição do Jornal Público que a empresa quer que os seleccionados se comprometam a pagar de 50 a 700 euros, se faltarem a uma das quatro fases de recrutamento.

Violentam-nos na Carteira

Mais um momento digno de registo e proveniente da mais alta tecnologia de ponta, existente na iluminada mente de quem, actualmente, nos governa e tem como ambição suprema a simplificação do país. (aconteceu ontem e hoje é notícia) Em plena Assembleia da República, o Primeiro Ministro, no debate quinzenal, segundo as novas regras, anunciou a abertura de mais um serviço nas Lojas do Cidadão: O Balcão Perdi a Carteira - onde será possivel recuperar os documentos pessoais num mesmo local e ao mesmo tempo. Brilhante! Como é que ainda ninguém se tinha lembrado disso... agora, já poderemos perder a carteira com tranquilidade, pois como dinheiro não temos, a preocupação é, na realidade, o valor intransmissível dos nossos documentos, que nos identificam. Mas então nas Lojas do Cidadão não existem já os vários balcões que nos permitem resolver essas situações!?... Passaportes, Bilhetes de Identidade, Certidões, Nº Contribuinte, Nº Beneficiário da Segurança Social, entre outros, já são uma realidade nesses espaços. A não ser que queiram acabar com os diferentes serviços já existentes, desculpem mas parece não um "simplex", mas sim um "complex".
Para além de também, simbolicamente, e a partir de agora, ser o próprio estado a prever e a aceitar que, de facto, os Portugueses e as Portuguesas são violentamente agredidos na carteira.

17 setembro 2007

o tempo da terra

Refresh de Aquisições

- Loução, Paulo Alexandre, 2006, Portugal, Terra de Mistérios (7ª edição), Lisboa, Ésquilo Edições;

- Urtigão, Ramalho, 2007, As Farpas - vol. 5, Lisboa, Círculo de Leitores;

- Coelho, Adolfo, 1993, Obra Etnográfica - vol. I - Festas, Costumes e outros materiais..., Lisboa, Publicações Dom Quixote;

- Coelho, Adolfo, 1993, Obra Etnográfica - vol. II - Cultura Popular e Educação, Lisboa, Publicações Dom Quixote;

- Parafita, Alexandre, 2002, Antologia de Contos Populares - vol. 2, Lisboa, Plátano Editora;

- Parafita, Alexandre, 2007, Os Provérbios e a Cultura Popular, Vila Nova de Gaia, Edições Gaialivro;

- Moutinho, José Viale, 2007, Lendas de Trás-os-Montes e Alto Douro, Lisboa, Esfera do Caos;

12 setembro 2007

Livraria Leitura

Agora que penso nisso, bem me lembro de ter lido, num qualquer jornal, que a Leitura tinha sido vendida. Mas que desilusão, mas que tristeza senti hoje, quando dei de caras com a loja fechada e com todas as suas vitrinas cobertas com papel.
A Leitura foi sempre a minha livraria. Não estarei a exagerar se disser que 90% dos meus livros foram lá adquiridos. Como está localizada no centro da cidade do Porto e dada a minha preguicite congénita e crónica, nunca fui um visitante ou cliente assíduo, preferi sempre reunir em lista as compras necessárias e, depois então, uma ou duas vezes por ano, fazer a minha demorada visita.
O que sempre mais me agradou neste espaço foi a grande variedade e qualidade de títulos e obras, assim como a grande disponibilidade dos funcionários para nos auxiliar, orientar e sugerir. Também, o facto de podermos encomendar qualquer obra, em qualquer idioma, era apreciado e vantajoso.
Enfim, fica aqui esta nota de tristeza e de desconforto, sentida pelo desaparecimento da única livraria técnica das sociais ciências e afins da Invicta.

11 setembro 2007

Study Case

A propósito da triste história de Madeleine, que agora acompanho de muito longe, através dos ecos, reparo no despropósito dos órgãos de comunicação social, que nos últimos dias, obrigaram o mundo, pelo menos, o nosso, a um "tilt" psicológico com esta história. Independentemente do que vier, do seu epílogo, é interessante verificar como os "entendidos" e os "opinion makers" deambulam ao sabor das tendências e do conta-gotas informativo. Irresistível para muitos, para mim estúpida e irracional, a apetência canibal das objectivas e dos microfones, empurrados por frenéticos editores informativos e directores comerciais, que hávidos de scores de audiências, nos dão o objecto do mais pérfido dos voyeurismos. Concerteza, haverá quem esteja a beneficiar com isto. Concerteza, este será um caso, para mais tarde (vamos ver quando), constar nos manuais da escola jornalística. Em relação aos média, ainda nos falam da auto-regulação... vejam bem como eles se têm regulado...

08 setembro 2007

05 setembro 2007

Serviço Público

A RTP, arauta da prestação de serviços públicos, na sua página de internet, disponibiliza a localização das suas delegações regionais, agora através de um mapa de Portugal. Conheça agora e aqui (visitem também o original), o novo e revolucionário mapa do nosso pequeno país. Resultado da mais cabal e estúpida ignorância, que afinal desconhece o país e, incrivelmente, não sabe onde estão localizadas as suas delegações... ou seja, gasta o nosso dinheiro, mas não sabe onde!

O Regresso

Sem comentários, partilho os retratos de alguns lugares por onde andei neste intervalo do tempo.




26 agosto 2007

Homenagem

De longe, no dia em que desce à terra, o meu pesar pelo desaparecimento de Eduardo Prado Coelho. Personalidade incontornável na cultura portuguesa e ponto de referência e influência para mim, enquanto homem de esquerda, que previligiava a polémica e a ironia. Desde sempre o acompanhava no "O Fio do Horizonte", coluna diária no seu e no meu Público. A sua morte, sem ser uma surpresa, deixará concerta uma lacuna dificil de colmatar.

20 agosto 2007

Agosto, mês dos portugueses todos

Convidado para um baptizado de uma pequena prima, emigrante em Paris, sou "coagido" a estar presente, o que faço sem grande vontade, mas minimamente incomodado. Continuo a não aceitar esta imposição da igreja, e depois reforçada pela pressão social e do grupo/família, para com os indefesos e inocentes recém-nascidos... Mas isso será outro assunto, que poderemos, sempre que assim o entenderem, trazer à discussão.

Sentado numa cadeira de escola, em Vila Flor, enquanto os demais comensais devoram as recorrentes mesas de aperitivos, numa tentativa de observação distanciada, reparo nos comportamentos e apetites vorazes que, de uma só acentada, devoram tudo e mais.

Depois, mal o anfitrião convida para o almoço, lá vai o rebanho todo, ao primeiro toque, todos respondem... Entretanto, e porque era preciso dar tempo para que as iguarias ficassem prontas, o mesmo anfitrião, também músico, resolveu dar alguma música ao "pessoal".

E isso sim, foi o momento. A razão destas palavras, pois que não restem dúvidas de que o português está aqui. Isto é Portugal, e nós os de cá gostamos é disto, alegria, bem dançada e, se possível, bem bebida.

Tudo está ainda bem, neste momento em que acabo estas palavras... Talvez mais logo outra música se sinta.

07 agosto 2007

Les Veilles des Vacances

Quand je me dispose à laisser à l'environnement des jours toute les année, parmi le mouvement des preparativeses et de la méfiance pour oublier quelque chose de indispensable, j'organise les jours de summering mentalement. Puisque la famille n'a pas choisi la destination avant, nous irons passer aux jours un le Bragança et Vila Boa et plus tard, en principe, nous voyagerons jusqu'aux Crêtes de L'Europe, c'est-à-dire, du nord de l'Espagne (Astúrias célèbre). Cependant, je vais choisir les lectures pour de nos jours… rien dans spécial, mais très en béton, donc la bibliographie à lire pour le prochain travail est substantielle.
Par rapport aux moments dans Trás-os-Montes deux ou trois de certains choses: beaucoup de repos, beaucoup de visites aux archives de zone - placer par excellence pour lire et étudier, et quelques après-midis et nuits en Vila Boa, centre de mon monde et où pour ces tailles, cycliquement d'année pendant l'année, je vais en trouver de cela que je sais depuis toujours, mais des forces plus grandes et des circonstances de la vie, suis obligé de vivre bien loin. Le village rétablit… est asse'à marcher un minute pour ses rues, pour percevoir que c'est mois d'août… cependant, et année après année, je démontre cela chaque fois que je suis ignorant de plus de personnes, principalement nouveau.
Il est temps de trouver vieux connu, des parents et des enfants, des familles, voisin et des amis. Celui est la période de sa réintégration dans le groupe qui, obstinément et l'eternum d'annonce, veut appartenir. Moi aussi et sans doutes… bien qu'à plus apprécier le calme et la tranquilité que le village me fournit en mois restants de l'année.
Pour savoir et percevoir la motivation et la volonté de ces autres, au Portugal, connu pour des avecs, que nous elles sommes égaux, bien que les différences relatives, elles je consacrent ces mots, ainsi écrit dans le Français.
Jusqu'à déjà et toujours.

06 agosto 2007

Um dia heróis, depois e agora, hediondos assassinos

"Neste reino ou numa província da Nova Espanha, indo certo espanhol com seus cães à caça de veados ou de coelhos, um dia, não achando caça, pareceu-lhe terem fome os cães, e tomando um rapazinho a sua mãe com um punhal lhe corta aos bocados braços e pernas, dando a cada cão sua parte, e depois de comidos aqueles bocados da criança, a todos eles atira o corpito para o chão." (pág. 97)

Reza a história dos manuais escolares acerca das epopeias dos descobrimentos, assim como cantamos, todos nós, aos heróis do mar e ao nobre povo, que por marcos assinaláveis perpétuaram o nome de Portugal.
O problema é que essa nossa verdade esconde uma outra, horrenda verdade, que é história dos povos achados (sim, porque agora designa-se "achamento"). Assim como quem espreita para o ouro lado da medalha para realmente a conhecer, nós também deveríamos conhecer a história confrontando as diferentes perspectivas e versões de uma mesma história que é comum a tantos e tantos povos. A isto dá-se o nome de relativismo.
Embuído deste espírito (missionário), leio a Brevíssima Relação da Destruição das Índias, de Bartolomé de Las Casas, dada a conhecer em Sevilha no ano de 1552 e editada pela primeira em Portugal em 1990 (!?). Este texto foi durante séculos um livro maldito. O autor descreve o inferno e a infâmia criados na América pelos tão celebrados descobridores quinhentistas. Relata de uma forma, por vezes, escabrosa e snuff, a conquista militar dos povos indigenas, levada a cabo a sangue e fogo e que veio a representar um dos maiores etnocícios da História, cujas repercussões ainda não puderam ser varridas da vida real.
Continuamos a enganar as nossas criancinhas e eu não sei porquê!?....

03 agosto 2007

Canhoto e esquizofrénico

Finalmente uma resposta científica para uma das minhas questões existênciais. Mas porque raio eu, ao contrário de 90% do resto da humanidade, sou canhoto!?... a resposta, encontrei-a no Jornal Público de ontém, dia 2 de Agosto, num artigo que afirma que foi descoberto o gene associado à habilidade na mão esquerda e que tem por nome LRRTM1. Segundo o coordenador da equipa de investigadores, Clyde Francks, este gene é comum a toda a humanidade, mas apresenta-se em diferentes formas: quando uma das versões deste gene é herdada do lado paterno aumenta a probabilidade de nascer canhoto.
Mas como não há bela sem o senão... ficamos também a saber que esse mesmo estudo indica a probabilidade de haver uma relação entre esta assimetria cerebral e algumas doenças mentais - a esquizofrenia, por exemplo. Enfim, sendo o LRRTM1 responsável também pelas funções da fala e a emoção, emocionalmente digo que espero que estes meus genes não se cansem e entrem em ruptura...

29 julho 2007

Boa Sorte

Pela primeira vez partilho um video plasmado do YouTube. Visito alguns blogues que usam e abusam deste portal para partilharem os seus (maus) gostos com o resto da comunidade. Para mim é um experiência nova e que, por isso, não foi fácil de executar... digámos que só hoje consigo publicar aquilo que queria fazer na passada 5ª feira. Em relação ao video e à música em si, não vou fazer grandes comentários ou grandes elogios. Comecei a ouvir esta música esta semana na Antena 3 e gostei.
No contraditório, afirmo aqui que não gosto de brasileiros(as) a cantar, nem gosto particularmente deste senhor Harper, mas esta "cantiga" soa bem e por isso aqui vai.

26 julho 2007

Idade Outra

Sempre ouvi dizer que é nos filhos que percebemos o tempo a passar. É ao constatarmos o crescimento da nossa prole, que admitimos o nosso (de)crescimento e o peso dos anos a passar. Contudo, nunca até ao dia de hoje, tinha percebido que aquilo que, normalmente, se designa a primeira idade (se aqui englobarmos a infância, a adolescência e a juventude), para mim já passou. É verdade, sim senhor a afirmação inicial, pois a minha descendência tem crescido e bem, o que significa que o tempo não para e, apesar de me considerar "jovem", de facto e na realidade, já não será aí que me encontro...
Recordo agora todos(as) aqueles(as) que já a caminho da 4ª idade, continuam a afirmar que se sentem jovens.... que o que importa é o espirito... a vontade e a disposição...
Como enganados estão, os coitados!
O "clic" que me faltava para o admitir, foi a conversa que hoje mantive com dois médicos que consultei. Por mais que continue a enganar-me, considerando que ainda não cheguei a esse outro estadio do meu processo ontogenético, que será o anterior ao último, o diagnóstico frio e racional com o qual fui confrontado, que anúncia sintomas e hipóteses para quadros clínicos que, pessoalmente, sempre associei às idades maiores, derrotou toda e qualquer atitude narcisica relativa ao mito da eterna juventude.
Entretanto e nas entrelinhas de tais cenários, fiquei também a saber que não sou considerado obeso, não sou hipertenso e tenho vantagens genéticas (seja lá isso o que for...).

23 julho 2007

Estar à Janela

Num qualquer lugar e num qualquer momento, dei comigo a pensar e a reflectir sobre o estado ou condição que é estar à janela. Estranho e, para mim, anormal, pois raramente me encontro em tal circunstância. Pelas avenidas das cidades e localidades, por onde diariamente circulo, tento, em diferentes horas e momentos do dia e noite, apanhar, em flagrante, alguém à janela. Tarefa difícil...

Até há uns anos atrás, num tempo de uma outra vivência e de uma outra mentalidade, a janela era uma instância. Nada acontecia que não fosse à janela. Era um espaço social. Por excelência, alvo de inúmeras odes, em trovadorescas cantigas de amigo e de amor, eruditos elogios e várias prosaicas considerações, a janela faz parte do nosso património imaginário e de uma simbologia nacional de uma existência de antanho. Quem não recorda as famosas estrofes de Vitorino, onde ele encontra à janela a menina com os cabelos ao vento e tem que esperar por uma prenda dela para se poder ir embora...

De facto, hoje em dia e cada vez mais, as janelas perderam a sua função social, ou seja, já não se vai para a janela e por lá se fica... Quem é que, hoje, se põe à janela!?... Ninguém ou quase ninguém...

Ainda assim, e depois de inúmeras observações que testaram esta minha teoria, para confirmar a mesma, indaguei amigos e conhecidos e, salvo (a cada vez mais rara) excepção dos fumadores, que afirmam utilizar as mesmas para não poluírem os ambientes interiores, todos os outros admitem (denotando eu nas suas expressões alguma perplexidade pela constatação) nunca ou quase, irem ou estarem à janela.

Pois é, cada vez mais, as janelas são entendidas como elementos construtivos funcionais, fundamentalmente, como meios de conseguir luz e ar. No dia em que nos apresentarem alternativas sugestivas não acredito que lhe possámos resistir. Num futuro, que desconheço se próximo ou não, concerteza outras soluções surgirão e sem grandes pejos, trocaremos as actuais e inúteis janelas por essas outras formas de vermos e sentirmos o mundo que nos envolve.

Não me lembro de estar à janela. Essa predisposição para ver "quem passa" indicará também um conjunto de atitudes ou estados mentais, tais como: passividade, conformismo, indiferença ou alienação.

Eu prefiro continuar a ser quem passa...

20 julho 2007

Nunca fui para a cama com nenhuma mulher sem lhe pagar, e convenci as poucas que não eram da profissão pela razão ou pela força a que recebessem o dinheiro nem que fosse para o deitar no lixo. Por volta dos meus vinte anos comecei a fazer um registo com o nome, a idade, o lugar, e uma breve memória das circunstâncias e do estilos. Até aos cinquenta anos eram quinhentas e catorze mulheres com as quais tinha estado pelo menos uma vez. Interrompi a lista quando já o corpo não me deu para tantas e podia continuar as contas sem papel. Tinha a minha ética própria.
Gabriel Garcia Márquez in "...das minhas putas tristes"