---------"Viajar, ou mesmo viver, sem tirar notas é uma irresponsabilidade..." Franz Kafka (1911)--------- Ouvir, ler e escrever. Falar, contar e descrever. O prazer de viver. Assim partilho minha visão do mundo. [blogue escrito, propositadamente, sem abrigo e contra, declaradamente, o novo Acordo Ortográfico]
31 dezembro 2022
29 dezembro 2022
transitando
Terminar o ano com tranquilidade e concentrado naquilo que pretendo realizar e organizar já no início de 2023 será, no meu entendimento, uma boa e optimista atitude, não só porque me mantém ocupado e vigilante, como também porque significa que o ano que agora finda foi um bom ano. Sim, 2022 foi, no plano pessoal e "profissional", um excelente ano e isso permite-me perspectivar o ano seguinte com renovada vontade e resiliência. Venha 2023.
28 dezembro 2022
tento ser
"A reciclagem é uma formatação que a sociedade de consumo nos impôs para resolver um problema que ela própria criou e para continuarmos a consumir. São estratégias que nos querem convencer de que somos o que somos, quando muitas vezes somos o quem nos mandaram ser. Tento ser o que quero ser. Daí que passe muito tempo em luta com o mundo. Mas só sei viver assim."
Isabela Figueiredo, in Jornal de Letras nº 1362 - Dezembro 2022.
27 dezembro 2022
24 dezembro 2022
orgulhoso estou
Já tinha pensado escrever isto antes, mas achei mais seguro só o fazer hoje.
Então não é que este ano, finalmente, ninguém se lembrou das decorações de Natal cá em casa. Estamos a ficar crescidinhos... e a trabalheira que se poupou... e o lixo que não se fez... LINDO!
Hoje, à hora de almoço e à mesa comentei com o resto da gente. Riram-se do meu orgulho, mas não ficaram convencidos, o que deverá significar que ainda não será em definitivo, mas é um princípio. Orgulhoso estou de nós.
22 dezembro 2022
a Ibéria esvaziada
Ontem à noite fui ao Gato Vadio, na Invicta, assistir a um debate sobre a escassez da água e a crise ambiental. Debate que acabou por se transformar numa mesa redonda de conversa sobre o presente e o futuro da nossa casa comum. Entretanto, e enquanto deambulava pela livraria encontrei este livro, edição recente e que ainda não conhecia. Excelente, passa a prioridade de leitura para os poucos dias de "retiro" que se aproximam.
da mesa
"das relações infinitas possíveis numa mesa. [...] A mesa como <espaço operatório> lembra Didi-huberman; em cima da mesa fazem-se coisas, muitas. Demasiadas até para o entendimento humano. Acima de tudo, a mesa é um espaço de encontros lógicos ou absurdos, azarados ou felizes."
Gonçalo M. Tavares, in Jornal de Letras nº 1362 - Dezembro 2022.
18 dezembro 2022
sessão lançamento "enclausurados"
17 de Dezembro de 2022, pelas 18 horas, no Abstrato Café, em Valadares. Com velhos e novos amigos, num ambiente tranquilo e intimista. Que bem estivemos. Obrigado.
mais um rebento
Lançado ontem, dia 17 de Dezembro de 2022, pelas 18 horas, no Abstrato Café em Valadares, entre amigos que fizeram o favor de me vir abraçar. Em breve colocarei aqui algumas fotografias desse momento.
14 dezembro 2022
insofismável
Escreveu assim, por estes dias, J. Rentes de Carvalho na sua barca: Tempo Contado...
Os citadinos que desconhecem este viver idealizam famílias harmoniosas em volta da lareira, falam de “achas e toros a crepitar alegremente”, alheiras assadas, risos, copos de bom vinho, histórias de antigamente.
Se o acaso os trouxesse hoje para estas bandas, pronto lhes passaria o romantismo, e de certeza deitavam a fugir. Eu próprio, se me apetecesse, poderia encontrar outro poiso. Mas não é isso que conta. Conta o invisível, temeroso cárcere em que as aldeias moribundas se tornam, a tragédia dos que nelas aguardam que, sem mais dor, a morte os liberte da pena perpétua.
Ventania, chuva, frio polar. A noite vai cair. Se neste momento a filmassem, a única rua da aldeia valeria como imagem de um mundo que acabou. Nem cães se vêem."
13 dezembro 2022
11 dezembro 2022
regresso ao terreno
Hoje foi um dia bom. Depois de largos meses sem ir para o terreno, realizar trabalho de campo, hoje regressei e logo indo a lugar bonito da raia transmontana. Varge, pequena e bonita aldeia, perto de Rio de Onor, ao encontro de um antigo guarda-fiscal que privou, na década de 50, com o Padre Alípio de Freitas, cuja vida, espero, será objecto de investigação nos próximos meses/anos.
Como gosto desta vida de terrenos, diversificados e heterogéneos. É sempre um prazer regressar.
07 dezembro 2022
05 dezembro 2022
02 dezembro 2022
28 novembro 2022
já?!
Hoje, 28 de Novembro, desejaram-me "boas festas". Nessa fracção de segundo o meu cérebro bloqueou e não processou de imediato essa informação, só depois é que o meu bom(?) senso me obrigou, já com um sorriso nos lábios, a retribuir os desejos. Caramba, já cá estamos outra vez! É mesmo um eterno retorno.
25 novembro 2022
without black friday
Porque não gosto de gastar dinheiro que não tenho em coisas que não preciso, esta moda do black friday passa-me ao largo e consigo alhear-me desse consumismo sôfrego. No entanto, aconteceu passar pela porta de uma Almedina e resolvi entrar para ver se encontrava algo a bom preço. Pois não só nada havia em promoção que me interessasse, como acabei por encontrar algo inesperado e há muito esperado, sem promoção e que, claro, trouxe para casa. A tradução para português deste clássico da Antropologia, de Ruth Benedict, "O Crisântemo e a Espada", um trabalho encomendado pelo Governo e pelos militares americanos, em plena Segunda Guerra Mundial, para conhecerem melhor o Japão, então inimigo. Interessa também para quem queira conhecer a sociedade japonesa.
dados miseráveis que até (me) irritam
A rádio Brigantia noticia hoje (ler aqui) que os resultados definitivos do Censos 2021 revelam Bragança como um distrito em extinção, pois todos os seus doze concelhos perderam população em percentagens exageradas. Não é que seja surpresa a região continuar a perder população, mas quando já estávamos com valores tão baixos, sabermos que as perdas continuam acentuadas, deixa-nos completamente desarmados e incapazes de qualquer reacção. Bem sei que o facto do país ter regiões de baixa densidade não seria uma fatalidade em si e que até, tal como acontece noutros países europeus, as populações dessas regiões poderiam ter qualidade de vida, estabilidade e até serem competitivas, mas infelizmente não é essa a nossa realidade e Lisboa não tem feito mais do que desinvestir na região. Veja-se a retirada da ferrovia do distrito (e de outras regiões interiores do país) como o exemplo mais que evidente da falta de pensamento estratégico e apenas orientado pela e para a finança e especulação.
Mas regressemos aos dados do Censos 2021. Entre 2011 e 2021 o distrito perdeu 13.448 residentes, pois tinha 136.252 em 2011 e agora só tem 122.804 residentes. Por concelho as perdas são as seguintes:
Torre de Moncorvo = -20,42%
Alfândega da Fé = -15,34%
Freixo de Espada à Cinta = -15%
Vinhais = -14,32%
Carrazeda de Ansiães = -13,86%
Miranda do Douro = -13,62%
Mogadouro = -13%
Vimioso = -11,14%
Mirandela = -10,32%
Macedo de Cavaleiros = -9,67%
Vila Flor = -9,66%
Bragança = -2,15%
Pelos vistos, apenas nos resta esperar pela morte e migração dos poucos habitantes que cá resistem.
Aliás, a percepção que tenho é que o próprio Estado português já há muito tempo que decidiu que o interior do país seria para abandonar e que seria uma questão de tempo, entre três a quatro gerações para tal acontecer. Tudo isto com o conhecimento dos responsáveis políticos da região, falo dos autarcas, dos deputados e de todas as nomeações políticas para cargos sectoriais da Administração Pública. Foram décadas e décadas de protagonismos locais e regionais, de mão estendida em Lisboa e de satisfação pelas sobras que permitiam inaugurações de betão e alcatrão, enquanto assistiam, encolhendo os ombros, ou ausentes e distraídos, ao esvaziamento de serviços do Estado e à retirada das suas tropas. Um triste espectáculo: vão-se os dedos, mas ficam os anéis, que é como quem diz, vão-se as gentes, mas ficam os auditórios, as piscinas, as ciclovias, os museus, assim como os super e hiper-mercados e as tão desejadas vias-rápidas, itinerários principais e auto-estradas e continuam a cortar fitas e a ser capitais disto e daquilo...
Talvez esteja na altura de responsabilizarmos não só o Estado, mas também de olharmos para a nossa quota-parte de responsabilidade política e de assumirmos que esta tem rostos e tem nomes. Depois, seria bom começarmos a pensar sobre o que fazer com este vasto território, despovoado e abandonado à sua sorte, em vez de perpetuarmos a ilusão ou falsa esperança que um dia a realidade será diferente. Infelizmente, não será mais do que uma agonia e morte cada vez menos lenta.
24 novembro 2022
ferramentas
Descobri recentemente esta caneta e estou admirado com a qualidade de escrita dela. Tal como eu gosto, não é escrita fina e o toque de tinta no papel é suave. Por apenas 6,80 euros, para além da caneta, ainda traz seis recargas de tinta. Foi difícil de encontrar à venda, vamos lá ver o tempo que se aguenta e se vai conseguir substituir a minha velhinha Sheaffer.
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