---------"Viajar, ou mesmo viver, sem tirar notas é uma irresponsabilidade..." Franz Kafka (1911)--------- Ouvir, ler e escrever. Falar, contar e descrever. O prazer de viver. Assim partilho minha visão do mundo. [blogue escrito, propositadamente, sem abrigo e contra, declaradamente, o novo Acordo Ortográfico]
01 março 2022
receosos e desajeitados
25 fevereiro 2022
enquanto esperava
21 fevereiro 2022
coitados dos turistas
17 fevereiro 2022
práticas culturais
10 fevereiro 2022
é cego
diz-se por aí
08 fevereiro 2022
sem ilusão, apenas desilusão
06 fevereiro 2022
não fazia ideia
04 fevereiro 2022
maioria absoluta
Não foi preciso esperar muitos dias depois das eleições e delas ter resultado uma maioria absoluta, para o PS começar a governar o Estado a seu bel-prazer, sem se preocupar com o que seja, sem olhar para o lado e sem, reparem bem no preciosismo, se preocupar com aquilo que estava anteriormente negociado com o PC e o BE.
31 janeiro 2022
idiotas úteis *
29 janeiro 2022
procrastinar
28 janeiro 2022
ainda assim espero estar enganado
24 janeiro 2022
15 anos
15 janeiro 2022
10 janeiro 2022
09 janeiro 2022
primeira vez
05 janeiro 2022
recomeço
02 janeiro 2022
trabalho de campo
Durante quase dois anos de pandemia e dos seus confinamentos, cuidados e afastamentos, as minhas viagens para Trás-os-Montes ficaram reduzidas às visitas inevitáveis à família. Para estas quase três semanas que vim passar na região, tinha planeado aproveitar para realizar algum trabalho de campo, relacionado com alguns dos textos (artigos) que estou a escrever e com investigações em curso, e por isso vim carregado com toda a parafernália tecnológica (som, vídeo e fotografia) e analógica (bibliografia, papel e canetas). Contudo, uma vez mais o bicho, agora chamado Omicron, impede-me de sair para o(s) terreno(s), visitar lugares e contactar pessoas. Aqui estou eu, abrigado e em segurança, mas chateado porque sei tão cedo não regressarei a Trás-os-Montes. Vamos ver se durante os próximos dias conseguirei pôr os pés na rua e deambular pelas bonitas estradas que me levarão às aldeias que quero visitar.
01 janeiro 2022
dia introspectivo, sempre
pellets
25 dezembro 2021
trago-vos de longe
23 dezembro 2021
quinze anos depois
22 dezembro 2021
de variante em variante
02 dezembro 2021
30 novembro 2021
esquecer
27 novembro 2021
nostalgias
16 novembro 2021
ao espelho
banha da cobra
08 novembro 2021
06 novembro 2021
01 novembro 2021
leitura das últimas horas
28 outubro 2021
one day like this
25 outubro 2021
uma colmeia sem saída
19 outubro 2021
há cem anos, a Seara Nova
osso buco
até que enfim!
08 outubro 2021
05 outubro 2021
intervenção de apresentação das actas das XXIII Jornadas Culturais de Balsamão
01 outubro 2021
ao espelho
29 setembro 2021
fórum ecossocialismo
02 setembro 2021
o regresso à luta
01 setembro 2021
fim de Verão
14 agosto 2021
programa do fórum
02 agosto 2021
01 agosto 2021
consciência de si
29 julho 2021
Porto: património mundial da UNESCO
28 julho 2021
a quem possa interessar...
27 julho 2021
apelidos
23 julho 2021
o incrédulo entre nós
o livro e a sede de leitura
21 julho 2021
mediascape: desordenamento e delapidação
acionar o impossível
19 julho 2021
ilhíada, ou as ilhas do Porto em poesia
As ilhas em que se habita, como são as da cidade do Porto, não são um tema bizarro (...); percebo só que a destruição das ilhas em favor de asilos e guettos, e a construção de torres, onde os moradores dos vários andares se incomodam uns com os outros com ruídos e outra música, e sujam os de baixo com restos não só de cigarros (...); e o que as ilhas ansiavam, e por isso foram feitas, convivência fechada aos pares de botas que atacam; para isso eles mesmos com tábuas e pedra as ergueram, saber feito de experiência, sem luxo nem ornatos feitos para ficarem na história! (...) Sim, conheci muitas ilhas por dentro, até por dentro das casas; doutras, mesmo com a entrada sempre aberta, sei aquele pouco que se vê de fora; o que acontece é que não há talvez olhos que vejam igual, até os nascidos e criados lá não vêem igual, e ainda bem; (...) eu nalguns casos até fiquei a saber pedaços da vida de um ou dois moradores das ilhas, no total foram duas dúzias, vinte e quatro é a forma que se usa, que duma ou doutra maneira vi ou entrevi, e andei até por lá. (in Átrio, 5-10)
ao fim de umas dez ou doze casas, era das
que não tinham portas para a rua, e dentro
as portas eram raras; mas não era ousadia,
que ousadia? à polícia assim nem apetecia
entrar, para quê? ali não entrava ninguém,
nem mesmo clientes do sapateiro; esses,
cá de fora assobiavam, ele à porta de casa
largava as solas que estava a compor, ia a
esfregar as mãos entre as nódoas de graxa
do seu eternamente usado pano de lustro:
ia falar na rua com os que o procuravam!
não era medo de nada, era o à-vontade da rua,
e apesar de estar lá o capacho, havia quem
com chuva não quisesse entrar com lama;
não era como o padeiro, que entrava e sujava,
até que o Peidolas, filho do sapateiro, lançou
com outros o refrão como nas ilhas se fazia:
"ó freguês, ó freguês, entras, esfrega aqui os pés!"




























