Tal como disse aquando do regresso desta viagem, aqui ficam alguns momentos das deambulações pelas ruas da fantástica Disney e pelas ruas da reluzente Paris.
---------"Viajar, ou mesmo viver, sem tirar notas é uma irresponsabilidade..." Franz Kafka (1911)--------- Ouvir, ler e escrever. Falar, contar e descrever. O prazer de viver. Assim partilho minha visão do mundo. [blogue escrito, propositadamente, sem abrigo e contra, declaradamente, o novo Acordo Ortográfico]
06 dezembro 2008
03 dezembro 2008
arquivo pessoa
Mais um hiper-lugar especial. Informação retirada da Revista Ler online. A magnífica colecção de Fernando Pessoa agora disponível na internet. Eu já acrescentei o seu link aos meus atalhos que quero partilhados.
de regresso...
Depois de uns dias no mundo da fantasia e das luzes, o regresso. Em breve ilustrarei aqui esses momentos.
26 novembro 2008
dernières notes
Quando faltam apenas algumas horas para embarcar rumo às alturas, estou calmo, estranhamente calmo e ainda poderei descansar algumas horas. Entretanto, venho aqui partilhar algumas das expectativas para estes dias em Paris. Sem querer desvirtuar o principal objectivo desta viagem - levar a Emília à Disney no seu 7º aniversário, tentarei cumprir alguns objectivos pessoais, nomeadamente, visitar o Louvre e conhecer pessoalmente a ilustre Lisa; revisitar a gastronomia grega (famosa em Paris); fazer uma (a primeira) visita à morada de Jim Morrison; conhecer a Sourbonne e, se possível, experimentar o Moulin Rouge...
Durante os próximos dias andaremos por terras gaulesas, dando a conhecer à (cada vez menos) pequena Emília o mundo fantástico da Disney. Se for possível durante esses dias, passarei por aqui.
Jusqu'à là, à notre retour, restent bien...
25 novembro 2008
nervoso miudinho de vésperas
Nem era preciso ler esta notícia para começar a sentir um nervoso miudinho cá nas miudezas entranhas. Custa-me sofrer por antecipação, mas é mais forte do que a minha razão e por isso, cá estou eu em plena crise de ansiedade. Tudo porque vou ter que levantar voo e retirar os pés do chão. Por mais que tente não consigo estar confortável lá cima, algures numa qualquer esfera... Esforço-me por estar ausente dessa inevitabilidade que acontecerá apenas daqui a 48 horas, mas toda a parafernália dos familiares preparativos (bem ilustrados na notícia) impede essa manifesta vontade, diria mesmo, manifesta necessidade. 24 novembro 2008
19 novembro 2008
Verborreias
Já desde o noticiário das 8 da manhã que sei que a Dra. Manuela Ferreira Leite disse, a propósito do sistema judicial, que deveríamos suspender a democracia. Mas só agora conseguir ter tempo para ir ler na íntegra o discurso da lider do PSD. Magnífica ideia, como é que ainda ninguém se tinha lembrado disto... suspender a democracia. Mas como se fará uma coisa dessas!?.... entretanto, e para o caso de não terem tido a oportunidade, aqui ficam algumas das tiradas da cólica verbal de Manuela Ferreira Leite: (retiradas completa e propositadamente do contexto)
«Eu não acredito em reformas, quando se está em democracia…»
«Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se»
«E até não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia»
«Fizeram-se umas coisitas, mas não é a reforma»
Direito a Resposta
Tal como previa, António Pires reagiu ao texto que escrevi no passado dia 3 de Novembro. Como não podia deixar de ser, dou aqui espaço para que todos possam conhecer a sua argumentação e resposta ao meu texto (reler aqui) que, por sua vez, fora uma reacção a um texto da sua autoria (reler aqui) publicado no Jornal Nordeste, no passado dia 21 de Outubro.
17 novembro 2008
into the wild
Não percebo porque o traduziram para português assim!?... o título original, que dá nome a este post, não significa "lado selvagem" e para além do mais, desvirtua o significado e o sentido. Mas enfim, também não é por isso que escrevo.
Algures durante a semana passada, a caminho da tertúlia, dei com esta capa na prateleira dos destaques da FNAC. Logo me chamou a atenção este autocarro que reconheci de imediato e não foi preciso mais do que ler a informação contida nesta capa para perceber que sim, de facto já conhecia este autocarro de um filme que víra durante o último Verão e que gostara imenso. O título desse filme era homónimo, ou seja, "into the wild", com argumento e realização de Sean Penn e conta o trágico percurso de Christopher McCandless, jovem americano do final do século XX.
Depois do filme encontrara, agora, o livro e sem reflectir muito, desde logo, peguei num exemplar, só que ao contrário do que seria normal, não o comprei. Dirigi-me com ele para o espaço café da FNAC onde ávido o comecei a ler. Como os minutos voaram e tendo que ir embora, a custo, lá o devolvi ao seu lugar. Desde então e até hoje, quase diariamente, repito o ritual e, de capítulo a capítulo, lá vou eu lendo o livro, relegando para segundo plano a tertúlia e os parceiros da mesma.
Hoje, tal como no último dia, lá apareço eu na referida reunião já com o livro pronto e, pelos vistos, com vontade manifesta de o ler. O amigo Paulo intrigado pelo súbito interesse neste livro, ainda me questionou porque não o comprava (!?). A resposta foi pronta, apesar de meio alheado da realidade, disse que não queria gastar dinheiro com este livro (a lista daqueles que eu quero ir buscar é tão extensa...) e, para além disto, até estava a achar piada ler assim o livro, todos os dias e ali aos poucos...
Um pouco depois, continuando eu absorvido pela narrativa, o Paulo levantou-se e diz-me que vai a qualquer lado e que regressaria para se despedir. Muito bem, eu, no entretanto, continuaria ali, um pouco mais de tempo. Passados mais não sei quantos minutos, lá regressa ele e com um pequeno saco na mão. Ao estender-me essa mesma mão para se despedir, pousa o pequeno saco em cima do livro aberto que lia. Meio atrapalhado e surpreso, pude perceber, mesmo através do saco, que dentro estava um livro igual ao que eu lia.
Enquanto o Paulo se afastava, eu aparvalhado, fui incapaz de emitir qualquer som, para além de uma estúpida gargalhada. Apesar de tarde, Obrigado Amigo.
11 novembro 2008
Hoje no Campo Pequeno
Porque a vida é, obrigatoriamente, feita de escolhas, prioridades, impossibilidades, eu, com imensa pena, não vou poder estar mais logo no Campo Pequeno em Lisboa a assistir ao concerto dos magníficos Sigur Rós. Com paciência aguardarei novo regresso.
10 novembro 2008
Ana e Sofia
Memória de um momento breve num passado recente.
Bem perto, sentadas de olhos nos olhos, a conversar sobre não importa o quê. A intensidade dos olhares trocados e dos intermitentes toques (eu diria carícias) arrebataram-me os sentidos e durante alguns minutos fiquei retido nesta desconhecida imagem. Quem eram e o que as relacionava não sei, nunca o saberei. Certa foi a agradabilidade para os meus sentidos e imaginação. Não consegui perceber uma palavra do que diziam, mas também não importava. O exercício passou, obrigatoriamente, por lhes dar um nome, pois tinham que ter um e próprio. Durante esse curto espaço de tempo, nada mais aconteceu ou importou. Toda a existência se reduziu aquela mesa e sem resistir deixei-me ficar absorto, apenas com a ligeira preocupação de não ser percebido (concerteza perceberam-me…). Nunca como ali um guardanapeiro foi alvo de tamanha sensualidade e carinho. O tempo que demorou aquele momento desconheço, pois a determinada altura, mesmo sentindo que poderia ficar assim eternamente, num lúcido sobressalto forcei a minha saída.
Esta narrativa resultou da perturbação que Ana e Sofia e a beleza e força da sua intimidade causaram em mim.
Bem perto, sentadas de olhos nos olhos, a conversar sobre não importa o quê. A intensidade dos olhares trocados e dos intermitentes toques (eu diria carícias) arrebataram-me os sentidos e durante alguns minutos fiquei retido nesta desconhecida imagem. Quem eram e o que as relacionava não sei, nunca o saberei. Certa foi a agradabilidade para os meus sentidos e imaginação. Não consegui perceber uma palavra do que diziam, mas também não importava. O exercício passou, obrigatoriamente, por lhes dar um nome, pois tinham que ter um e próprio. Durante esse curto espaço de tempo, nada mais aconteceu ou importou. Toda a existência se reduziu aquela mesa e sem resistir deixei-me ficar absorto, apenas com a ligeira preocupação de não ser percebido (concerteza perceberam-me…). Nunca como ali um guardanapeiro foi alvo de tamanha sensualidade e carinho. O tempo que demorou aquele momento desconheço, pois a determinada altura, mesmo sentindo que poderia ficar assim eternamente, num lúcido sobressalto forcei a minha saída.
Esta narrativa resultou da perturbação que Ana e Sofia e a beleza e força da sua intimidade causaram em mim.
09 novembro 2008
05 novembro 2008
04 novembro 2008
a ler pela septuagésima quarta vez

No próprio dia da compra, fresca portanto. Sem tempo ainda para perceber o seu conteúdo, apenas os títulos e as letras gordas. Claro é que temos o MEC (feio como sempre) brilhante e desinibido:
LER: Escreve melhor de noite ou de dia?
MEC: É igual.
LER: Tranquilo ou sob stresse?
MEC: Escrever é sempre um stresse. Não é o escrever, é o antes de escrever. A Dorothy Parker dizia que ter escrito é a melhor sensação do mundo. Ter escrito.
LER: Sóbrio ou com um grão na asa?
MEC: Durante muitos anos, sempre com um grão na asa. Sempre. Durante dois anos, também com coca. Ajuda. Porque a coca corta o álcool. Mas o que acontece quando estás a escrever é que tens o uísque ao lado - ou a vodca, ou seja o que for - mas se estás a escrever, o gelo derrete. Quer dizer, ou bebes ou escreves. Não dá para fazer as duas coisas.
(...)
LER: O Miguel começou por tentar ser poeta, também.
MEC: Claro. Toda a gente. Poemas em barda.
LER: Escreveu muita poesia?
MEC: Sim. Muita. Foda-se. Centenas de milhares de poemas...
LER: O que o desencorajou de continuar a escrever poesia?
MEC: Ser uma merda.
(excertos da entrevista de Miguel Esteves Cardoso a Carlos Vaz Marques)
One day to change the world
O dia em que a América poderá mudar é hoje. O dia em que o mundo poderá mudar(!?) é hoje. Eu, como não posso votar, pelo menos escolhi o meu candidato. Sem qualquer dúvida, o melhor para todos seria que Barack Obama fosse eleito Presidente. E hoje, será o dia último da espatafurdia presidência do ignóbil George W Bush. Até que enfim.
Go vote and make history
29 outubro 2008
Série Culturas Juvenis
Surgiram em Inglaterra, nos meados do anos setenta, como radicalização extremista da ideologia hippie. Conjunção entre sua estética e a música rock dura, ou seja, metal pesado - notória referência ao gosto pelos intensos sons metálicos (eléctricos) produzidos pelos grupos musicais.
Sendo uma das sub-culturas juvenis com maior tradição, é também a mais intergeracional das que se conhecem. Estão muito presentes nas sociedades ocidentais, nomeadamente, nas cidades europeias e em especial nas cidades da provincia e nas classes populares.
Vestindo-se, caracteristicamente, com jeans justos, t-shirts estampadas com idolos musicais e/ou símbolos de morte e casacos de couro com metais cravados, têm por actividades de eleição as saídas de fim-de-semana, os concertos musicais e a cannabis. Por ideologia são anti-militaristas e anti-autoritaristas, sobretudo mais como forma de resistência e insubmissão do que como uma actividade politica. Não apresentam os conceitos claramente desenvolvidos e, para a maioria, trata-se mais de uma utopia ou ideal estético do que uma prática quotidiana.
28 outubro 2008
A Questão Hetero: da normalidade ao fundamentalismo
Ao ler o texto de António Pires(AP), publicado por este jornal na semana passada, para além do assombro e do sobressalto, ficamos a conhecer um pouco melhor o cidadão António Pires, ilustre colaborador do Jornal Nordeste. Não que esteja aqui em questão a liberdade de opinião ou o direito a juízo outro. Facto este, aliás, não contemplado por AP no seu pedaço de prosa. O que importa, neste caso, é a atitude manifesta e declaradamente indigna, preconceituosa e homofóbica com que o autor se refere a concidadãos seus.
Por considerar que este assunto, o do direito ao casamento homossexual, é, actualmente e ainda, uma questão socialmente fracturante e que, também por isso, merece uma atenção maior e carece de uma discussão séria e calma, não tinha ainda (até 21 de Outubro) suscitado o meu interesse enquanto activista. Contudo, depois da leitura do pedaço de prosa de AP não posso ficar quedo e mudo. A melhor forma que encontrei para manifestar a minha indignação foi enviar este texto ao Director desta digníssima publicação, solicitando a sua publicação nem que seja em jeito de “direito de resposta”.
Exmo. António Pires de facto fica bem fazer citações (como tal, irei fazer algumas suas), tal como importa saber que não quer ser excluído da comunidade à qual pertence, mas ao escrever da forma que escreve, está a excluir todos(as) aqueles(as) que não partilham dos seus valores de crença, de cidadania e de civilidade. Estranha forma esta de... Depois, ficamos também a saber que para AP esta questão é, tal qual, uma guerra, na qual os homossexuais (maus, vilões, bandidos, depravados, insultuosos da moral e dos bons costumes – pelo menos de AP, enfim, cidadãos de 2ª ou 3ª categoria), são “opositores” dos heterossexuais (essa superior casta de defensores do Ethos e do Pathos nacional - cidadãos bem formados e educados (aos quais AP faz questão em manifestar a sua pertença e fidelidade) para o fim último da espécie humana que é a sua continuidade.
Felizmente hoje os homossexuais não vivem clandestinamente, mas o estigma social, económico e cultural permanece bem vivo e bem presente na sociedade portuguesa e o contributo de AP não passa disso mesmo, de um reforço dessas estigmatizações. Por outro lado e ao contrário do que parece ser o pensamento de AP, todos os princípios consagrados na Constituição da República Portuguesa, incluindo o da diferença, são para levar à letra e para serem respeitados. A sua condição de heterossexual não é mais do que isso, não lhe confere nenhum estatuto de superioridade, autoridade, soberania ou outro, relativamente aos demais e por isso não lhe fica bem o ar altivo com que se afirma como tal, nem tão pouco se percebe a necessidade de tal afirmação (…poderá ser difícil saber o que é ser homossexual ou heterossexual sem entendermos as nossas ideias e a interligação das imagens que representam essas realidades. As identidades são construídas – como este texto, pelos sistemas representacionais, como por exemplo a linguagem).
Também seria importante que AP revisse o conceito de casamento, pois parece haver alguma confusão quanto ao conceito… porque na República dos(as) portugueses(as) o casamento não é mais do que um contrato social. Para além disto, há também e para aqueles(as) que professam uma qualquer religião, melhor dizendo, para aqueles(as) que professam algumas religiões, a possibilidade de assumirem perante a lei da sua igreja essa pretensão. Da leitura da sua prosa surgem, igualmente, dúvidas quanto à representação pretendida, por exemplo quando diz que “os casais propriamente ditos” (…) “casais normais” – conhece outra forma de expressão de casal!?... Talvez casais não propriamente ditos, ou talvez casais propriamente não ditos!?... Talvez casais anormais!?... Casais são aos pares!
Não deveria adjectivar a pretensão dos homossexuais como uma “exigência”, mas sim socorrer-se da ideia do direito à diferença. A imagem demagogicamente apresentada de uma união heterossexual como garantia de procriação e de continuidade da espécie, aliada ao elemento religioso – a dádiva, traz para esta discussão não a naturalidade da origem da vida de cada indivíduo (cientificamente demonstrada e humanamente por demais experimentada), mas sim o princípio prodigioso e dogmático desses momentos primeiros. Depois, a recorrência a personagens míticas ou bíblicas – que nos remetem obrigatoriamente para um mundo fantástico e metafísico ao qual nem todos aderem, só servirá para radicalizar o discurso e extremar posições.
No que à adopção diz respeito, apenas direi o seguinte: Desvirtuar o milenar conceito de família é não perceber que as sociedades evoluem, a ciência evolui, a civilização evolui, logo a família, enquanto instituição social, evolui. Não adianta ficar agarrado àquilo que já não é, porque trata-se de um processo dinâmico, sem data e tempo de origem definidos. Se afirma que a natureza humana dita as suas próprias leis, entenderá como aberração da natureza, por exemplo, os métodos alternativos de procriação, ou de inseminação artificial, ou os métodos de contracepção com que a ciência, e não o prodigioso, nos presenteou… Aquilo que, ao fim e ao cabo, importaria era que este fosse tema de conversa, de reflexão e de discussão, através de uma abordagem séria e positiva (leia-se construtiva), que fosse capaz de se centrar no essencial e desprezasse todo o acessório. Estamos perante uma questão de grande melindre e de grande pertinência social que justifica, sem qualquer dúvida, a existência de legítimas reservas, que são perceptíveis na sociedade portuguesa. Mas isso não pode invalidar, nem prejudicar a reflexão e a discussão.
Curiosa é também a sua perspectiva sexista dos papéis sociais esperados dos géneros feminino e masculino. A sua verdade sobre a intrínseca condição humana remete-o para o desígnio animalesco da maternalidade feminina e do viril cobrimento machista.
Quanto ao demais apresentado nesta prosa parece-me inócuo e sem sentido. Confundem-se alhos com bugalhos sem qualquer nexo ou senso, chegando ao ponto de verbalizar que os seus concidadãos transmontanos vivem num “recatado pudor provinciano”. Peremptoriamente, este texto representa, para mim, uma atitude tremendamente misantropa e irracional, geracionalmente perigosa e anti-pedagógica, religiosamente dogmática e fundamentalista e socialmente injusta e discriminatória.
Este pedaço de prosa parece produto não das Novas, mas das Velhas Oportunidades que povoam, ainda, o consciente e o inconsciente de muitos dos nossos cidadãos. Exmo. António Pires, nada contra a sua opinião, que será tão válida quanto a minha e a de qualquer outro cidadão. No entanto, não posso deixar passar este insulto à dignidade de cidadãos que em nada diferem de si e de mim. Iguais em direitos, deveres e obrigações. A forma homofóbica, eu diria mesmo, provocatória como se dirigiu aos cidadãos homossexuais foi injuriosa ao designá-los por “estranhas parelhas” e “parelhas homossexuais”. Se se dá ao direito de se sentir “profundamente ofendido”, “não o defenda em vão, nem o use apenas em proveito próprio”!...
Por fim, uma palavra para as minhas palavras, naquilo que o meu escrever quer dizer: Retrate-se.
Por considerar que este assunto, o do direito ao casamento homossexual, é, actualmente e ainda, uma questão socialmente fracturante e que, também por isso, merece uma atenção maior e carece de uma discussão séria e calma, não tinha ainda (até 21 de Outubro) suscitado o meu interesse enquanto activista. Contudo, depois da leitura do pedaço de prosa de AP não posso ficar quedo e mudo. A melhor forma que encontrei para manifestar a minha indignação foi enviar este texto ao Director desta digníssima publicação, solicitando a sua publicação nem que seja em jeito de “direito de resposta”.
Exmo. António Pires de facto fica bem fazer citações (como tal, irei fazer algumas suas), tal como importa saber que não quer ser excluído da comunidade à qual pertence, mas ao escrever da forma que escreve, está a excluir todos(as) aqueles(as) que não partilham dos seus valores de crença, de cidadania e de civilidade. Estranha forma esta de... Depois, ficamos também a saber que para AP esta questão é, tal qual, uma guerra, na qual os homossexuais (maus, vilões, bandidos, depravados, insultuosos da moral e dos bons costumes – pelo menos de AP, enfim, cidadãos de 2ª ou 3ª categoria), são “opositores” dos heterossexuais (essa superior casta de defensores do Ethos e do Pathos nacional - cidadãos bem formados e educados (aos quais AP faz questão em manifestar a sua pertença e fidelidade) para o fim último da espécie humana que é a sua continuidade.
Felizmente hoje os homossexuais não vivem clandestinamente, mas o estigma social, económico e cultural permanece bem vivo e bem presente na sociedade portuguesa e o contributo de AP não passa disso mesmo, de um reforço dessas estigmatizações. Por outro lado e ao contrário do que parece ser o pensamento de AP, todos os princípios consagrados na Constituição da República Portuguesa, incluindo o da diferença, são para levar à letra e para serem respeitados. A sua condição de heterossexual não é mais do que isso, não lhe confere nenhum estatuto de superioridade, autoridade, soberania ou outro, relativamente aos demais e por isso não lhe fica bem o ar altivo com que se afirma como tal, nem tão pouco se percebe a necessidade de tal afirmação (…poderá ser difícil saber o que é ser homossexual ou heterossexual sem entendermos as nossas ideias e a interligação das imagens que representam essas realidades. As identidades são construídas – como este texto, pelos sistemas representacionais, como por exemplo a linguagem).
Também seria importante que AP revisse o conceito de casamento, pois parece haver alguma confusão quanto ao conceito… porque na República dos(as) portugueses(as) o casamento não é mais do que um contrato social. Para além disto, há também e para aqueles(as) que professam uma qualquer religião, melhor dizendo, para aqueles(as) que professam algumas religiões, a possibilidade de assumirem perante a lei da sua igreja essa pretensão. Da leitura da sua prosa surgem, igualmente, dúvidas quanto à representação pretendida, por exemplo quando diz que “os casais propriamente ditos” (…) “casais normais” – conhece outra forma de expressão de casal!?... Talvez casais não propriamente ditos, ou talvez casais propriamente não ditos!?... Talvez casais anormais!?... Casais são aos pares!
Não deveria adjectivar a pretensão dos homossexuais como uma “exigência”, mas sim socorrer-se da ideia do direito à diferença. A imagem demagogicamente apresentada de uma união heterossexual como garantia de procriação e de continuidade da espécie, aliada ao elemento religioso – a dádiva, traz para esta discussão não a naturalidade da origem da vida de cada indivíduo (cientificamente demonstrada e humanamente por demais experimentada), mas sim o princípio prodigioso e dogmático desses momentos primeiros. Depois, a recorrência a personagens míticas ou bíblicas – que nos remetem obrigatoriamente para um mundo fantástico e metafísico ao qual nem todos aderem, só servirá para radicalizar o discurso e extremar posições.
No que à adopção diz respeito, apenas direi o seguinte: Desvirtuar o milenar conceito de família é não perceber que as sociedades evoluem, a ciência evolui, a civilização evolui, logo a família, enquanto instituição social, evolui. Não adianta ficar agarrado àquilo que já não é, porque trata-se de um processo dinâmico, sem data e tempo de origem definidos. Se afirma que a natureza humana dita as suas próprias leis, entenderá como aberração da natureza, por exemplo, os métodos alternativos de procriação, ou de inseminação artificial, ou os métodos de contracepção com que a ciência, e não o prodigioso, nos presenteou… Aquilo que, ao fim e ao cabo, importaria era que este fosse tema de conversa, de reflexão e de discussão, através de uma abordagem séria e positiva (leia-se construtiva), que fosse capaz de se centrar no essencial e desprezasse todo o acessório. Estamos perante uma questão de grande melindre e de grande pertinência social que justifica, sem qualquer dúvida, a existência de legítimas reservas, que são perceptíveis na sociedade portuguesa. Mas isso não pode invalidar, nem prejudicar a reflexão e a discussão.
Curiosa é também a sua perspectiva sexista dos papéis sociais esperados dos géneros feminino e masculino. A sua verdade sobre a intrínseca condição humana remete-o para o desígnio animalesco da maternalidade feminina e do viril cobrimento machista.
Quanto ao demais apresentado nesta prosa parece-me inócuo e sem sentido. Confundem-se alhos com bugalhos sem qualquer nexo ou senso, chegando ao ponto de verbalizar que os seus concidadãos transmontanos vivem num “recatado pudor provinciano”. Peremptoriamente, este texto representa, para mim, uma atitude tremendamente misantropa e irracional, geracionalmente perigosa e anti-pedagógica, religiosamente dogmática e fundamentalista e socialmente injusta e discriminatória.
Este pedaço de prosa parece produto não das Novas, mas das Velhas Oportunidades que povoam, ainda, o consciente e o inconsciente de muitos dos nossos cidadãos. Exmo. António Pires, nada contra a sua opinião, que será tão válida quanto a minha e a de qualquer outro cidadão. No entanto, não posso deixar passar este insulto à dignidade de cidadãos que em nada diferem de si e de mim. Iguais em direitos, deveres e obrigações. A forma homofóbica, eu diria mesmo, provocatória como se dirigiu aos cidadãos homossexuais foi injuriosa ao designá-los por “estranhas parelhas” e “parelhas homossexuais”. Se se dá ao direito de se sentir “profundamente ofendido”, “não o defenda em vão, nem o use apenas em proveito próprio”!...
Por fim, uma palavra para as minhas palavras, naquilo que o meu escrever quer dizer: Retrate-se.
(texto publicado no Jornal Nordeste de Hoje (28 de Outubro de 2008 - consequência do post "Homofobias Transmontanas" de 24 de Outubro de 2008)
27 outubro 2008
dimensão oculta
(texto 3 D - obriga, para uma leitura correcta e completa, clicar no play aqui do lado direito para ouvir o som. obrigado.)
Não sei muito bem porque é que escrevo este texto!?... Não sei mesmo!... às tantas, talvez, por uma sentida necessidade fisiológica qualquer. Talvez mais à frente se perceba...
A primeira vez que ouvi este som, num pretérito muito presente, estava no carro, algures num final de tarde do trânsito urbano. Passados apenas alguns segundos, dei comigo a abanar completamente algumas das minhas queridas artroses e num ritmo que até a mim me surpreendeu... (talvez tenha surpreendido, também, os demais e angustiados condutores).
Os meus sentidos foram, inequivocamente, surpreendidos por este som e a minha mente remeteu-se, julgo que insconscientemente, a uma dimensão outra, a dos vários tempos da minha meninice e adolescência. E foram diferentes os momentos aos quais a música me levou:
Desde as longas tardes de fim-de-semana, junto da bicharada e/ou dos carroceis do Palácio de Cristal; aos cabeçudos e aos poços da morte das festas de Delães e arredores (Famalicão); ao algodão doce da Feira Popular de Lisboa; às tardes de Domingo junto ao mar de Gaia a comer gelados de máquina (preferência da Mãe Ia) enquanto o Pai António ouvia o relato de futebol pelo som pífio do velho "pilhinhas"; a esses tempos de férias e afins de menino, repletos de inocente alegria e lúdico prazer, na companhia de primos e primas; Depois e menos infantil, revejo-me nas festas do Sr. dos Aflitos e nas suas pistas de carrinhos de choque, onde manhuços de jovens, propositadamente vestidos(as) para a ocasião, se apinhavam para verem e serem vistos. O som estridente debitado pelas colunas destes hetero-espaços permitia aos diferentes sentidos perceber o característico perfume patcholi, a graxa dos sapatos gastos e enlameados, os besuntados cabelos e ornamentais cabeleiras, a bijuteira prata e ouro que, ritmadamente, se agitava, suspensa numa qualquer extremidade dos corpos; mais tarde ainda e já com variados interesses e com outros motivos distrativos, passei pelas festas dos santos da aldeia, com as suas típicas, grandiosas e ecléticas aparelhagens sonoras. Sem esquecer o "Locomotion" da apetecível Kelie Minogue...
Esta é uma dimensão pessoal oculta à qual muito raramente acedo ou recorro, mas que acompanha latente o meu presente e sobrará para o meu eminente futuro. A virtude do som é o seu poder de atracção, que não conseguirei explicar, mas que entendo como simples, alegre, festivo e, aparentemente, descompremetido. Pouco percebo de música. É verdade. Poucos perceberão aquilo que vivi e identifiquei. Também será verdade. Certo é que tenho ouvido incessantemente este som da rainha da pop. Hei-de fartar, mas no entretanto "Give it 2 me".
26 outubro 2008
Placelessness
Segundo Edward Relph (1976) placelessness significa a "erradicação casual de lugares distintivos e a feitura de paisagens estandardizadas que resulta de uma insensibilidade para a significância do lugar". Nunca como hoje revejo este conceito como adequado ao nosso "mundo". Sempre me senti confortável com a noção de lugar, enquanto espaço vivido e sentido, pejado de significados e significantes. Depois e mais tarde, a heterotopia de Foucault permitiu perceber como os lugares permitem a contra-acção para os sentidos e significados, permitindo sobrepor, num só espaço, vários espaços, vários lugares que por si só seriam incompatíveis. Agora, esse leque aberto de perspectivas permite-nos, também, percorrer o caminho inverso e começar a perceber como é, actualmente, comum e vulgar destituir ou despojar de significados qualquer lugar. O desconforto com o "place" leva-me a aceitar a dinâmica e a fluidez do "placelessness" - without boundaries and no limits.
25 outubro 2008
the question
A British Humanist Association representa os interesses de grande parte (e crescente) da população com preocupações éticas, mas não-religiosas, no Reino Unido. A sua visão é de um mundo sem privilégios e sem descriminações religiosas, onde as pessoas são livres de viver boas vidas, com bases na razão, na experiência e na partilha dos valores humanos.
Reportagem no P2 do jornal Público de hoje. Aqui fica o slogan da próxima campanha - "o autocarro ateu".
24 outubro 2008
20 outubro 2008
ecos...
"Luís Vale apresentou na Casa do Livro no Porto os seus últimos livros Bem Perto do Céu e Histórias de Escano e Soalheira , perante uma plateia atenta e que foi absorvendo as estórias de Trás-os-Montes, num ambiente de passagem da oralidade à escrita, sempre numa perspectiva antropológica e de saber acumulado pelas vivências de quem quis que a memória não se perca e para isso calcorreou montes e vales ouvindo narrativas de por os cabelos em pé aos menos avisados.
As lendas, as orações o crer e o querer das gentes que ainda hoje habitam lugares quase inacessíveis e que torna a vida do ser humano quase igual à vida dos seus animais."
As lendas, as orações o crer e o querer das gentes que ainda hoje habitam lugares quase inacessíveis e que torna a vida do ser humano quase igual à vida dos seus animais."
18 outubro 2008
17 outubro 2008
16 outubro 2008
15 outubro 2008
14 outubro 2008
agendamento
Para que possam registar nas vossas ocupadíssimas agendas, relembro que no próximo Sábado, dia 18, pelas 18:30 horas, irei apresentar as Histórias de Escano e Soalheira no bar A Casa do Livro, sito na Rua Galeria de Paris, no Porto. Espero por vós.
12 outubro 2008
Série Culturas Juvenis
Com origem nos E.U.A. e nas grandes cidades europeias (Londres, Berlim e Amesterdão) no início dos anos oitenta. Como a própria palavra indica, esta sub-cultura adora as sensações fortes e básicas, como reacção homeopática à dureza da existência metropolitana. A sua principal referência é a música, nomeadamente e como não poderia deixar de ser, o hardcore (uma mistura de heavy metal rápido e punk).
Vestem-se de forma pouco rígida e pouco específica, com prevalência da camisa e da bermuda e botas paramilitares. Contraste entre uma imagem limpa e ordenada e uma actitude e actuação energética e desenfreada.
Este grupo tem por interesses e actividades, os concertos musicais e a informática. São, ideologicamente, apolíticos, individualistas, tendencialmente radicais, ainda que mais em espírito do que na prática. Têm tendências violentas defensivas e adaptáveis, manifestadas sobretudo por acasiões da excitação musical ou das acções nocturnas.
É propício à fragmentação em pequenos grupos, que se reunem apenas por ocasião de acontecimentos especiais.
10 outubro 2008
septuagésima terceira vez a ler
Num final da semana, nos momentos últimos antes de viagem familiar, como sabe bem encontrar na banca a nova Ler. Satisfeito a retiro da prateleira e enfio no saco. Que belo fim-de-semana de leitura passarei lá para o meu nordeste. De uma olhada fugidia pelo índice não posso ignorar o texto de José Mattoso "A origem das Nações" e o trabalho fotográfico de João Francisco Vilhena com José Cardoso Pires. No meio de um escaparate com dezenas, talvez centenas de capas, logo me chamou a atenção esta... digam, ou não, o que quiserem, está do caraças!... sendo que o caraças, neste caso, é excelso.dilemas da actualidade (... que não meus obrigatoriamente)
Hoje, dia 10 de Outubro, uma sexta-feira à tarde, dou comigo preocupado com o que, potencialmente, será amanhã um grande problema para resolver. Quantos acreditam que hoje é o dia (mais um...) da sua sorte e mais logo a sua chave do Euromilhões será a chave certa!?... pelo menos todos aqueles que jogaram! Sim, porque concerteza haverá alguns outros que mesmo não tendo apostado acham que lhes vai sair... acham sempre!...
Bem, mas a minha grande preocupação é que, acreditando eu que posso ser o próximo excêntrico, onde vou eu pôr tanto dinheiro!?... sim porque nos bancos, actualmente, não me parece muito boa ideia, nem muito seguro, nem tão pouco higiénico. Assim, terei já pouco tempo para pensar seriamente nesta questão e, por isso, vou acabar dizendo: tomara eu que esse problema fosse o meu.
09 outubro 2008
A minha ileteracia
Mais um ano, mais um premiado com o Nobel da Literatura. Acabei agora de saber que o Comité da Sueca Academia atribuiu ao escritor e ensaísta francês, Jean-Marie Gustave Le Clézio a tão ambicionada distinção. Le Clézio nasceu em 1940, em Nice, sendo originário de uma família com ascendência inglesa e bretã. Vive actualmente no Novo México. O Comité Nobel considerou o escritor merecedor do prémio pela sua narrativa de «aventura poética» e de «êxtase sensual», «explorador de uma humanidade para além (...) da civilização reinante». Ora aqui está mais um ilustre desconhecido para a minha humilde condição de ileterado.
07 outubro 2008
Portugal, a Islândia e a crise
Enquanto o próprio Primeiro Ministro deste pequeno, mas riquíssimo país do norte da Europa admitia, ainda hoje, que o seu país está muito perto do abismo da falência económica e, num lacónico discurso à nação, admitia que a única solução para tentar ultrapassar esta grave situação era pedir ajuda internacional (à vizinha Rússia), por cá os nossos governantes e altos representantes teimam em garantir que Portugal está a salvo desta hecatombe geral.
Como pode haver tanta diferença entre a atitude e entre as culturas nacionais dos diferentes países!?... É, também, nestes momentos que se percebe a grandeza e a pequenez dos políticos e dos próprios Estados. Se vemos o Primeiro Ministro da Islândia admitir que a crise está instalada no seu país e, ao mesmo tempo (no mesmo espaço informativo), o nosso Primeiro Ministro a garantir aos portugueses que está tudo tranquilo e que Portugal não sofrerá o mesmo que outros, alguma coisa estará errada, muito errada... pelo menos será isto que o senso, pelo menos o bom senso, exigirá do comum dos portugueses. (Reparem como um admite e o outro garante...)
Mas não. Talvez o nosso Primeiro Ministro e demais governantes tenham razão. A grande diferença está no ethos nacional de um e de outro país, ou seja, na diferença entre o que é ser português e o que é ser Islandês. Enquanto que este é um ser exigente e não está disponível para grandes veleidades, exigindo de si mesmo um rigor e uma qualidade de vida - colectiva e individual, excelente; por cá, o português está habituado a sofrer e apresenta-se sempre disponível para mais e mais sacrifícios individuais na expectativa de um amanhã sempre melhor. Este fado que nos persegue e que nos condena à pobreza - colectiva e individual. Este estado mental crónico do sonho de ser, de estar e de conquistar os amanhãs, tolhe o raciocínio do português presente e, por isso, iremos andar iludidos mais uns tempos, com a sensação que somos diferentes e, para alguns, melhores que os demais...
Quando nos acordarem vai doer e o Engenheiro Sócrates já sabe que sim, mas não o diz.
04 outubro 2008
Novos Registos
Porque, felizmente, não param de chegar, aqui se registam mais alguns magnificos espécimes:
- HERR, Richard, 1989, Iberian Identity, Berkeley, Institute of International Studies;
- MORAIS, J.A. David de, 1996, Ditos e Apodos Colectivos, Lisboa, Edições Colibri;
- GONÇALVES, António Maximino, 2008, Histórias de Mofreita, Vinhais, Câmara Municipal de Vinhais;
- BOURDIEU, Pierre, 2003, Questões de Sociologia, Lisboa, Fim de Século;
- PAIS, José Machado, 2003, Culturas Juvenis, Lisboa, INCM;
Série Culturas Juvenis
B-Boys
Com origem espacial nos guetos negros de New York em 1976. O "B" é de Break associado ao Break Dance, uma música que rompia com as melodias anteriores, recompondo-se como fragmento de outras. A dança rompe, também, com o movimento contínuo no espaço, tipico das danças clássicas. Esta ruptura diz respeito, em sentido figurado, à paisagem urbana, cuja marca distintiva são as paredes grafitadas. Vestem-se informalmente, calças e camisa ou bermudas, sapatos desportivos (tipo basket), cabeças rapadas dos lados. Ouvem rap (negro), música ritmada e sintetizada, sons urbanos. Como ideologia, são realistas, preocupam-se com o quotidiano. Actuam de forma territorializada, em grupos muito pequenos e em zonas específicas do território urbano onde pretendem marcar a sua presença. São, normalmente, muito jovens, podendo ter idades desde os 12 a 13 anos.
Tribos Urbanas
O fenómeno das tribos urbanas merece, hoje em dia, uma valorização muito variada, na qual cabem definições tão díspares como jovens violentos, ou conformistas, ou rebeldes românticos, entre outros. Além dos juízos de valor, este texto é o primeiro estudo exaustivo publicado sobre o tema. Tenta dar respostas ao interesse generalizado que a sociedade demonstrou. Quem são?... O que pensam e como vivem esses milhares de jovens que se juntam em grupos, cujo lema é sempre, a provocação, o excesso e, com frequência, a violência e a auto-destruição?... Que caldo de cultura socio-cultural permite o surgimento e a difusão desses comportamentos e estilos existênciais, que numerosos estudiosos não duvidam em defini-los como neo-tribais? Há ou não precedentes ou semelhanças históricas? Estamos perante um fenómeno em ascensão ou em queda?...
Tribos Urbanas representa um extraordinário esforço de sintese e clarificação acerca dos (pré)conceitos e estereótipos existentes. Desconheço se está já traduzido para português. A versão que me chegou é em Castelhano (original de 1996) e é muito interessante. Servirá de base para a série de postagens sobre culturas juvenis que publicarei.
01 outubro 2008
internacional dia do idoso
Aqui está um facto por demais importante e por demais menosprezado pela nossa sociedade, que importa salientar e importa assinalar. Em condições normais todos lá chegarão e por isso convém cuidar daqueles que já lá estão. Não gosto nada do termo "velho", gosto pouco do termo "idoso", acho que os espanhóis são mais felizes quando utilizam o termo "maior". A verdade é que esta condição humana não só deixou de ser valorizada, como foi completamente marginalizada para um estado de ante-câmara do fim. Um tempo no qual os seres humanos já não contam e apenas poderão esperar a morte. Já repararam como a sociedade de hoje encara essa idade!?... é o próprio Estado que incentiva a arrumação dos nossos séniores nas instituições totais que são os Lares de 3ª Idade e Centros de Dia, que outrora eram instituições de apoio social e hoje são autênticos negócios, naquilo que poderemos designar a privatização da idade sénior. Vejam como essas instituições proliferam pelo país!?... bem sei que é uma consequência lógica do envelhecimento da população portuguesa, mas a atitude não é a correcta...
Não há terra que não tenha o seu depósito de velhinhos... aliás, a especulação é tal que chega a haver leilões para conseguir um lugar em tais instituições (quem der mais fica com a cama (!?)).
Deveríamos retornar a uma sociedade na qual a idade maior era considerada e era sinónimo de conhecimento, experiência e sapiência. Importava uma atitude de respeito pela maior das idades.
mundial dia da música
Assinalando a comemoração deste dia, não deixo de manifestar a minha estranheza pela necessidade de tal dedicação, uma vez que a música será, provavelmente, a linguagem universal (planetária...) por excelência e, por isso todos os dias são dias da música no mundo. Entretanto, partilho isto, apesar de ser uma infima parte, é uma magnifica manifestação dessa grandiosa linguagem:
30 setembro 2008
nostalgias de olfato
Ontem à noite visitei um amigo. Dei comigo a percorrer velhas, gastas, abandonadas e escuras ruas de sua aldeia situada no território do Parque Natural de Montesinho. Esse facto por si não significaria nada de novo ou extraordinário, nem sequer a visita a essa aldeia foi novidade. Contudo, esse passear pela aldeia permitiu-me experimentar sensações que há muito não me era possível sentir. O cheiro a feno, a palha, a bosta e a vacas, numa mistura odorífica que, de imediato, me recordou tempos idos, de infância e juventude, nos quais a cada visita à aldeia de sempre experimentava. Tal como comentei com o meu parceiro de passeio nocturno e natural dessa aldeia, que sentimento nostálgico me atingiu e como me soube bem inspirar profundamente aquele ambiente, que espero nunca esquecer.
26 setembro 2008
Protesto
Boicote DECO às gasolineiras! Contra os abusos das petrolíferas, não abasteças amanhã (Sábado). Divulga e depois adere. Agradeceremos todos.
24 setembro 2008
23 setembro 2008
amontoados
O pó dos livros é o tempo da sua existência e o pó do nosso tempo
Foram mais ou menos estas as palavras de Eduardo Lourenço, recolhidas na última edição da revista Ler, que me levaram para pensamentos e reflexões várias, algumas delas bem presentes e bem sentidas na existência do eu na vida dos dias. Para além das questões ou da verdade técnica e de todas as consequências fisiológicas - renites, sinusites, alergias, entre outras, que poderão contradizer aquilo que vou afirmar, sei que gosto do pó que se acumula nos livros. Não me lembro de algum dia ter limpo os meus livros e, lá em casa, é sabido que o pó dos meus livros, normalmente arrumados e localizáveis, não é para limpar, aspirar ou varrer... quando muito, a senhora que lá vai tratar dessas questões higiénicas tem autorização para limpar a mesa, que serve de secretária e as estantes, mas sem tocar nos livros. (Bastaria dizer para os limpar e ela logo passaria não só um pano, como também um qualquer produto para lhes dar mais brilho...)
Os livros, os meus, são-me necessários e bem por perto. Relação que poderia denominar de proximidade, na medida em que preciso da sua presença continuadamente. Tipo experiência sensorial, na qual os sentidos todos, ou quase todos, são chamados a intervir.
Tal como para os demais, o pó dos meus livros é o meu pó. O pó que acumulei ao longo da minha vida, por isso não gosto que apaguem esse depósito de memórias várias e tantas. É nos meus livros, peças únicas em que fui depositando o dinheiro que tive e, por vezes, o dinheiro que não tive. Que está parte do meu tempo, que não é muito nem pouco, não será melhor nem pior, que foi bom e que foi mau. Enfim, tem sido a minha viva experiência.
22 setembro 2008
adenda ao post anterior
Ainda a propósito da actual situação mundial, hoje no Público e na sua crónica de dia sim dia não, Rui Tavares fala-nos da CRISE... Ainda tentei entrar no Público online para poder colocar aqui apenas um link, mas a visualização dos artigos é exclusiva para os assinantes (porque raio teimo eu em gostar e em ler este jornal diariamente!?...). Assim, a única hipótese para poder partilhar convosco esta crónica de Rui Tavares, que teima em escrever bem demais, foi digitalizar a versão impressa e colá-la aqui... e fi-lo porque, para além do mais, gosto da escrita deste historiador e sou leitor atento da sua "Crónica sem Dor". Muito bom, ampliem e provem!
21 setembro 2008
esgrimas e paliativos
Nestes últimos dias não conseguimos fugir do tema. Foi impossivel evitar o drama da economia mundial. Muito se disse e comentou, viu e escutou. Tem sido interessante (para mim) perceber as várias opiniões e o esgrimar dos argumentos em confronto: de um lado os acérrimos libeirais, nos seus mais variados formatos - neo, ultra, dogmáticos ou ortodoxos, que apesar de abalados, lá vão lambendo as feridas na esperança de não haver mais infeccões ou complicações. Do outro lado, um tipo de socialistas, adormecidos e já quase obsoletos, que encontraram nesta situação a oportunidade para sacudir o pó da sua indumentária verbal e reajustar a sua inabilidade face à actual conjuntura.
Concerteza que o capitalismo não acabará amanhã, nem ruirá depois de amanhã e, para além disso, convirá relembrar que foi sob o paradigma capitalista que o mundo conheceu, provavelmente, o seu maior salto civilizacional, no sentido de que tirou milhões de indivíduos de um estado crónico de pobreza e miséria.
Agora e perante o sucedido gostava de ver, ouvir e ler o que têm a dizer todos aqueles e aquelas que durante estas últimas décadas defenderam a mão invisivel do Mercado, daqueles que transformaram esse Mercado no ser omnipresente, omnisciente e capaz de tudo e mais...
Também não deixa de ser interessante verificar a diferença das reacções dos tais liberais perante as nacionalizações (de lucros) na Bolívia e arredores e, agora, perante a nacionalização dos prejuízos americanos...
Depois de tanto ostracizarem e relegarem os Estados para posições meramente residuais e dispensáveis, não deixa de ser metafórico, eu diria mesmo, iconográfico, ver os Estados e, neste caso, o Estado Americano a salvar um dos pilares dessa lógica liberal e expoente máximo dos discursos e sistemas actuais, idealizados, pensados, construídos e liderados por essa espécie de iluminados, que vivem bem longe da realidade mundial e das vidas das pessoas, e cujo único conhecimento é o termo lucro. Por esta ignorante e pobre visão de meia-dúzia abrigados pelo esquema de roda-livre neo-liberal, vemos agora o Estado com o dinheiro que é de todos os contribuintes (muitos dos quais nunca beneficiaram um dolar com estas empresas) pagar essa incompetência... estranha e pouco justa situação!...
Por outro lado, também convirá referir que seria uma completa irresponsabilidade o Estado Americano não ter feito o que fez, mas como muitos têm dito, chega a ser engraçado ver o velho paradigma estadista socialista intervir e assim resgatar de uma morte certa a seguradora AIG (que nos EUA funciona mais ou menos como a Segurança Social portuguesa, na medida em que é depositária e milhões de PPRs e outros planos de poupança e reforma, substituindo essa função do Estado). Como nos sentiríamos nós portugueses se tudo isto acontecesse em Portugal e se, de um dia para outro, grande parte dos nossos cidadãos ficassem na eminência de perderem as suas poupanças e as suas reformas!?...
Sem qualquer piada, admito que não deixo de estar satisfeito com este tropecção da libertinagem neo-liberal. Já aqui o disse e vou repetir, porque acredito: tudo isto está a levar-nos, e rapidamente, para o fim e sem saber o que aí virá , importante é que venha algo novo, diferente e, já agora, melhor.
14 setembro 2008
As Histórias na sua Casa
Venho por este meio informar/convidar todos(as) para a apresentação do meu trabalho "Histórias de Escano e Soalheira" que terá lugar no próximo dia 18 de Outubro pelas 18:30 horas na Casa do Livro, sito na Rua Galeria de Paris, 85 (perto da praça dos Leões e da Torre dos Clérigos) da cidade do Porto.
12 setembro 2008
Actualidades
- Num presente em que sabemos, toda a gente sabe, que o preço do barril de petróleo está em queda livre, estando já abaixo dos 100 dólares, as gasolineiras não acompanham essa descida. Só timidamente vão retirando um ou dois cêntimos a cada litro. Uma vergonha, um roubo público e descarado e nem por isso as entidades competentes reagem... porquê!?...
- E a senhora que pretende ser a vice-presidente dos EUA, na sua primeira grande entrevista espalhou-se a todo o comprimento!... para tal bastou dizer que põe a hipótese de declarar guerra à Russia caso esta volte a invadir a Georgia. Assim se conhece a mentalidade da América profunda...
10 setembro 2008
Destaque na LER
Aí está mais um número da Revista LER. Desde Sábado nas bancas e desde 2ª feira na minha mala. Desta edição, que agora leio, gostaria de referir dois momentos. O primeiro, como poderão desde logo perceber pela capa, a conversa pensada de Eduardo Lourenço acerca de tudo e mais, mas principalmente acerca de livros e de Fernando Pessoa, a quem chama de "o nosso Pessoa" e cujo trabalho enaltece afirmando que ...não há questão nenhuma , ainda hoje, que nos interesse, que de uma maneira ou de outra não esteja na obra do Pessoa.O 2º momento é a rubrica Cuidados Extensivos assinada por Francisco Belard e o texto "Escravos" onde nos fala acerca dos diferentes discursos sobre a escravatura.
E assim, muito depressa, depressa demais, se lê... aguardemos pelo mês seguinte.
À procura de Higgs
Mas quem será esse tal de Higgs, que leve a tamanho investimento mundial!?... Então não é que supostamento hoje o mundo poderia ter sido engolido por um buraco negro e ninguém me avisou!?... então e tudo aquilo que eu tinha para finalizar!?... Só agora o soube, agora que o dia chega ao fim e o perigo já passou.
Fiquei fascinado com o relato do início da experiência LHC (Large Hadron Collider), utilizando uma gigantesca máquina aceleradora de particulas, levado a cabo pelo CERN (Laboratório Europeu de Física de Partículas) que poderá permitir recriar o momento do Big Bang. Consegui perceber, como em tantos outros momentos, muito ruído, muita especulação pífia, muita teoria da conspiração construida (e desconstruida) e até tentativas jurídicas de anulação desta experiência. Mas ela aconteceu mesmo e ainda bem. É sem dúvida um grande momento para a ciência e para a compreensão do nosso (e outros) universo(s). Para além do mais, e como alguém escreveu na esfera dos blogues, estará aqui a janela para o reforço da ideia de dimensões extras, de universos paralelos e logo para a imortalidade da alma, ainda que em outras dimensões, seja o Céu ou o Inferno.
Por fim uma imagem que ilustra bem o pormenor e a segurança de tal realização. Podemos todos ficar descansados, pois haverá sempre antídotos para todos os males...
(talvez devesse haver mais destes sistemas de emergência por todo o mundo!.. Certo!?...)
05 setembro 2008
A ver se desta é de vez...
No dia em que ocorrem as segundas eleições livres em trinta e três anos de independência e as únicas nos últimos dezasseis anos, é com grande expectativa que se espera que os 8 milhões de eleitores angolanos possam exercer o seu direito de voto, de forma livre e independente.
02 setembro 2008
O Portugal de MEC
Nota Prévia:
Apesar de ter sido, em tempos, uma referência literária para mim, desde há muito que não consigo ler o que seja que este senhor escreva (talvez um ou outro artigo em revistas ou jornais)... mas há uns meses passou na televisão este testemunho de Miguel Esteves Cardoso. Apanhei-o a meio e não assisti a tudo, mas felizmente, hoje em dia isso não é irremediável e por isso aqui está. Para quem tiver paciência.... penso que vale a pena.
01 setembro 2008
Mudanças de Caixas de Correio
Caros(as) Amigos(as),
Por motivos maiores do que a razão poderá compreender acabei com a minha conta de email da TMN (valedovale@mail.tmn.pt), portanto agradeço que toda a correspondência passe a ser enviada, provisoriamente, para os seguintes emails:
ou
Pedindo desculpa pelo estorvo,
A todos e todas,
Obrigado.
Caixeiro Viajante
Neste dia primeiro do mês de Setembro, dia primeiro também depois do regresso da pausa estival e de volta à quase-rotina da vida, porque encontro muitas afinidades com os modos e com as itinerâncias das suas vidas, assinalo o dia (mundial [!?]) do Caixeiro Viajante.
29 agosto 2008
relato de eloquente manjar
... ou como o meu amigo João "Adeartes" costuma escrever... do sublime...
Porque gostei mesmo muito, porque me surpreendeu os sensores, porque me excitou o palato e porque me senti bem, apresento-vos o restaurante Flor de Sal em Mirandela. Um espaço que se auto-apresenta e define como dedicado ao vagar dos sabores. Repito, vagar dos sabores... é que é mesmo isso. Muitos sabores mas com vagar.
Aconteceu ontem, dia 28 de Agosto e quase por acaso. A caminho dos altos e baixos do Douro vinhateiro, resolvemos parar em Mirandela para jantarmos. Entramos na acolhedora recepção e logo percebemos que seria cedo. Sala de jantar vazia, empregados atarefados em ultimar todo o cenário. O gerente quando nos percebe, dirige-se a nós e, pedindo desculpas pelo atraso da abertura da sala, logo vai perguntando se fizemos reserva de mesa (!?), depois, convida-nos para uma bebida de aperitivo no bar, situado num espaço inferior, junto à esplanada, esta encostada ao rio Tua. Era final de tarde e a chuva teimosa e abundantemente batia nas enormes paredes e portas de vidro, acompanhada por uma vistosa e ruidosa trovoada. Para além do permanente pânico do membro mais novo face a tal envolvência, conseguimos beber um refrescante gin tónico, não sem antes sermos convidados a, assim que quisessemos, subir para a sala de jantar. O que fizemos cerca das 19:45. Apenas duas ou três mesas ocupadas, num ambiente à média luz. Fomos acompanhados até à nossa mesa. Bem perto, a um canto, um piano de meia cauda e num canto do edifício mas visível e acessível directamente da sala de jantar, um espaço para os eventuais viciados intervalos. Presença obrigatória em todas as mesas é uma garrafa de azeite regional, devidamente certificado, que poderá a qualquer momento ser necessária. Entretanto, a sala vai enchendo e sob uma atenção permanente do responsável esgota. Depois de alguma liberdade temporal para escolhermos o que iríamos comer, o gerente vem à nossa mesa para fazermos o pedido. Depois de alguma hesitação, pedimos como entrada uns camarões à óleo e alho e como prato, uma posta de vitela com torrada frita em azeite e alho, acompanhada com duas batatas a murro e dois pés de espargos. Combinação superior. Para a criança, massa à bolonhesa... Tudo isto, acompanhado por uma garrafa de maduro tinto Cistus Reserva 2003 (nada mau). No final, surpresa das surpresas (até porque normalmente o final, para mim, é aqui...) pedimos sobremesas e logo fomos aconselhados a escolher um Soufflé (não sei como se escreve) de Chocolate amargo com gelado de limão. Bem... estivemos mais de meia hora à espera, mas... divinal e, ainda por cima, o Soufflé acabadinho de fazer. Aliás, segundo nos foi dito por um dos empregados de mesa, todas as sobremesas, exceptuando os gelados, são confeccionados na hora e consoante pedido. O último momento desta única experiência (e vão já perceber o adjectivo) foi quando chegou à mesa uma agradável caixinha de madeira com o valor a pagar. Por pudor, recuso-me a dizer quanto pagámos, mas apesar disso, quero aqui e agora afirmar que, sem qualquer dúvida, este é o espaço ideal para qualquer tipo de investimento - pessoal, profissional ou outro. Eu não hesitaria um segundo em lá ir... impressiona mesmo. Foram duas horas e meia de pura fantasia e magia (e não, não estou a exagerar...).
Saímos do restaurante já passava das 22:20, ainda restavam mais de 100 kms para viajar e a vontade era nenhuma, mas lá fomos devagar.
Aconteceu ontem, dia 28 de Agosto e quase por acaso. A caminho dos altos e baixos do Douro vinhateiro, resolvemos parar em Mirandela para jantarmos. Entramos na acolhedora recepção e logo percebemos que seria cedo. Sala de jantar vazia, empregados atarefados em ultimar todo o cenário. O gerente quando nos percebe, dirige-se a nós e, pedindo desculpas pelo atraso da abertura da sala, logo vai perguntando se fizemos reserva de mesa (!?), depois, convida-nos para uma bebida de aperitivo no bar, situado num espaço inferior, junto à esplanada, esta encostada ao rio Tua. Era final de tarde e a chuva teimosa e abundantemente batia nas enormes paredes e portas de vidro, acompanhada por uma vistosa e ruidosa trovoada. Para além do permanente pânico do membro mais novo face a tal envolvência, conseguimos beber um refrescante gin tónico, não sem antes sermos convidados a, assim que quisessemos, subir para a sala de jantar. O que fizemos cerca das 19:45. Apenas duas ou três mesas ocupadas, num ambiente à média luz. Fomos acompanhados até à nossa mesa. Bem perto, a um canto, um piano de meia cauda e num canto do edifício mas visível e acessível directamente da sala de jantar, um espaço para os eventuais viciados intervalos. Presença obrigatória em todas as mesas é uma garrafa de azeite regional, devidamente certificado, que poderá a qualquer momento ser necessária. Entretanto, a sala vai enchendo e sob uma atenção permanente do responsável esgota. Depois de alguma liberdade temporal para escolhermos o que iríamos comer, o gerente vem à nossa mesa para fazermos o pedido. Depois de alguma hesitação, pedimos como entrada uns camarões à óleo e alho e como prato, uma posta de vitela com torrada frita em azeite e alho, acompanhada com duas batatas a murro e dois pés de espargos. Combinação superior. Para a criança, massa à bolonhesa... Tudo isto, acompanhado por uma garrafa de maduro tinto Cistus Reserva 2003 (nada mau). No final, surpresa das surpresas (até porque normalmente o final, para mim, é aqui...) pedimos sobremesas e logo fomos aconselhados a escolher um Soufflé (não sei como se escreve) de Chocolate amargo com gelado de limão. Bem... estivemos mais de meia hora à espera, mas... divinal e, ainda por cima, o Soufflé acabadinho de fazer. Aliás, segundo nos foi dito por um dos empregados de mesa, todas as sobremesas, exceptuando os gelados, são confeccionados na hora e consoante pedido. O último momento desta única experiência (e vão já perceber o adjectivo) foi quando chegou à mesa uma agradável caixinha de madeira com o valor a pagar. Por pudor, recuso-me a dizer quanto pagámos, mas apesar disso, quero aqui e agora afirmar que, sem qualquer dúvida, este é o espaço ideal para qualquer tipo de investimento - pessoal, profissional ou outro. Eu não hesitaria um segundo em lá ir... impressiona mesmo. Foram duas horas e meia de pura fantasia e magia (e não, não estou a exagerar...).
Saímos do restaurante já passava das 22:20, ainda restavam mais de 100 kms para viajar e a vontade era nenhuma, mas lá fomos devagar.
26 agosto 2008
Inversões Pedagógicas
Completamente absorvida pela televisão, num serão deste Verão, a família assiste passivamente ao desenrolar de uma qualquer telenovela da TVI. Num momento de maior "stress" narrativo, a criança de 7 anos, que também já conhece e reconhece as histórias, dirige-se à sua progenitora dizendo:
- Mãe, não chores. Não vês que é a fingir!... Ela não morreu!.... é um boneco que está ali. Não percebes!?...
22 agosto 2008
Estranhas Coincidências
Pois é. Triste dia este. Mais um grave acidente na linha do Tua e, principalmente, mais uma machadada (esta, talvez a final) para a manutenção da mesma, enquanto via de comunicação.
Em mais de 100 anos de existência desta linha, em tempos importante ligação para o "mundo", nunca houve qualquer acidente grave, agora no último ano e meio já existiram quatro, dois dos quais com gravidade.
Estranho!?... talvez não! Coincidência!?... talvez sim!
É que os acidentes só ocorreram depois de se ouvir falar na construção da Barragem Foz–Tua que, a ser construída e segundo o projecto, inviabilizará grande parte do actual traçado, de grande valor patrimonial.
Esta situação de grande instabilidade quanto à segurança desta linha será razão e motivo mais do que suficientes para que outros interesses, os do ferro e do betão, se imponham definitivamente (ainda aqui há dias foi notícia o facto da empresa responsável pelo projecto da barragem ter adiado os estudos arqueológicos para que estes não adiem o inicio das obras).
Às tantas, e uma vez mais, as responsabilidades serão de uma qualquer falha mecânica, humana ou granítica, mas no meu entendimento, por respeito pelas vítimas e, depois, pela importância histórica, actual e de futuro para a região transmontana, exige-se que a verdade seja conhecida. De preferência sem descarrilamentos mentais e sem insultos à inteligência das pessoas. Aqueles que hoje festejam e dão pulos de contentamento, têm nome e são muito fortes, por isso, temo que hoje, ao colocarem mais um calhão na linha a tenham tirado do seu caminho e assim tenham conseguido atingir os seus objectivos.
20 agosto 2008
16 agosto 2008
14 agosto 2008
Julgamento e Morte do III Duque de Bragança
Amanhã, pelas 21 horas, no magnífico castelo de Bragança, será apresentada a dramatização do julgamento e morte do III Duque de Bragança, de autoria de António Afonso. Apesar do secundário (eu diria mesmo, terciário) papel, lá estarei, na pele de Rui de Pina, nobre da corte da casa de Bragança. A não perder.
05 agosto 2008
estado incompetente
E anda o estado e mais quem o representa preocupado com acordos ortográficos com outros que dizem falar e escrever o português, quando entre nós teima-se em permanecer num estado analfabético!?...E anda o estado e mais quem o representa preocupado com os 180 milhões que dizem falar e escrever português, quando os insignificantes e residuais quase 10 milhões de "Tonis", que precisam da sua lingua para viver, não sabem o que dizem nem como o escrevem!?...
POR FAVOR!!!
Subscrever:
Mensagens (Atom)












