Terminado mais um mês de Agosto e quando o Inverno já se aproxima, reflicto sobre algo que me incomoda a amígdala há muito, muito tempo. O Algarve permanece como destino nacional privilegiado para quem gosta e quer ir para a praia, logo, durante os meses de Verão "meio país" despeja-se para o litoral algarvio. Eu, com a família, faço parte dessa imensidão de gente que para lá vai. Temos ido nos últimos anos e, com quase toda a certeza, continuaremos a ir. Dito isto, quero dizer, questionando quem me possa ler, qual é a beleza do Algarve? Se exceptuarmos as praias, que raio de beleza ou encanto tem aquele território? Nenhum, muito pelo contrário, urbanisticamente falando é uma anarquia, o trânsito é um caos, ir às compras é uma autêntica aventura, imprópria para cardíacos e gajos impacientes como eu, ir aos restaurantes é, na maioria das vezes, aceitar esperar muito e pagar caro para comer pouco e mal. Enfim, o Algarve transformou-se numa autêntica selva humana, desestruturada e sem qualidade de vida para o comum dos cidadãos. E isso aconteceu porque se permitiu, sem reservas ou limites, que se turistificasse e passasse a depender exclusivamente do turismo. Turistificou-se, isto é, alterou-se e adaptou-se inteiramente para dar resposta e satisfazer os turistas e viajantes, prejudicando e muito a vida, as necessidades, as pretensões e ambições da sua população - nativos e residentes. Depois, as praias. Ora bem, não faz qualquer sentido. Desculpem-me aqueles que gostam ou adoram ir para a praia, mas qual é a lógica de, estando um calor desgraçado com temperaturas entre os trinta e os quarenta graus centígrados, pegar numa toalha e estenderem-se, durante horas, ao Sol? É um contra-senso em si... quando está calor procuramos a sombra e o fresco, quando está frio procuramos o calor. Sempre assim foi. Este é o meu ponto e daqui não sairei, mas regressarei ao Algarve sempre que for possível e os meus filhos o desejem.
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