22 julho 2008

Aposta

Querem apostar como esta besta aqui da foto é mais um que vai aparecer morto (por doença súbita) na sua cela!?...

16 julho 2008

bem vindo ao mundo do bem estar

Macio e resistente e de longa duração, garante-lhe elevada rentabilidade. Com a sua maior quantidade de folhas, oferece-lhe uma super duração, que o torna no produto mais rentável. Os efeitos de Fiber Swelling potenciam elevada resistência e maciez, estimulando sensações de bem estar. Construiu uma reputação de excelência graças à constante investigação de novas soluções que têm permitido uma melhoria contínua das suas performances. Garante assim a preferência de milhões de pessoas, permitindo-lhe ostentar o estatuto de lider de mercado. Uma parte do seu mundo privado de bem estar.
Sentado e bem na retrete, por urgência não trago qualquer literatura (gorda, meia-gorda ou magra)... e por isso socorro-me daquilo que está nas imediações... é então que percebo como em Portugal e Espanha se vende... papel higiénico.

13 julho 2008

Pós Modernos

Mesmo considerando que sempre vivi na modernidade, há coisas que nos conseguem surpreender, de tão modernas que são. Desde (o meu) sempre, lembro-me de pagarmos e às vezes bem, por peças de roupa impecavelmente acabadas e devidamente engomadas. Esse era o tempo das peças únicas e irrepetíveis, obra e arte dos ofícios de então: alfaiates e costureiras, engomadeiras e bordadeiras, que com esmero marcavam, pregavam, vincavam e alinhavavam.
Depois, a modernidade encarregou-se de ostracizar tais artes e substituí-las por monstruosos outlets onde se compra ao kilo e em série, obrigando-nos a todos a vestir e a calçar de igual. Foi neste tempo que começamos a pagar e sempre bem, por peças inacabadas, construidas com materiais gastos e com feitios esquivos. Roupa rasgada e de cores duvidosas instituiram-se como padrão de moda e de gosto.
Agora, naquilo a que podemos chamar neo-modernismo, querem que paguemos e estupidamente bem, por peças (se é que assim as podemos chamar...) que nos são apresentadas e entregues num novelo, torcidas e completamente engelhadas. Estamos nós prestes a pagar e a menina que simpaticamente nos atende, agarra-se à peça escolhida e, com empenho e dedicação, a torce e retorce, afirmando que é assim para manter a aparência original...
Como o tempo corre e passa. E nós com ele.

11 julho 2008

A Felicidade

...pois só um louco ou um filósofo faria considerações tão superficiais e generalistas acerca da natureza da felicidade. Não sou filósofo, por isso aqui vai: o dinheiro é importante, mas menos do que pensamos e não da maneira como pensamos. A família é importante. Assim como os amigos. A inveja é tóxica. Tal como pensar excessivamente. As praias são opcionais. A confiança não. Nem a gratidão.
(Eric Weiner, in A Geografia da Felicidade - Revista LER nº 71)

10 julho 2008

Em Trás-os-Montes e Alto Douro, na casa de lisboa





entre alguns novos amigos e outros, velhos e de sempre

09 julho 2008

Foi o meu amigo Sarmento que, através do MSN, me deu a conhecer este monstruoso sítio. Foi de uma forma estranha e em jeito de nota de rodapé que esse amigo me disse: - Vê lá este link www.books.google.com , vais-te passar!... - confesso que na altura nem dei muita importância ao que vi (pouco ou nada), mas depois e com um pouco mais de tempo... bem, meus senhores e minhas senhoras... eu não sei o que aí vem nos próximos tempos, mas isto é inacreditável. Nunca mais acaba... eu não consegui ainda, mas experimentem procurar um título ou um autor que não exista nesta base!?... é um bom desafio. Entretanto, para todos aqueles que fazem investigação, estudam e pesquisam (nas diferentes e várias áreas do saber), por favor experimentem. Acho que vão gostar, muito.

02 julho 2008

01 julho 2008

O que é isto!?...

A partir desta terça-feira, se passar por Amesterdão e quiser ser romano, não se esqueça de tirar o tabaco do “charro”, que continua a ser legalmente permitido fumar.
A peculiaridade da lei holandesa anti-tabaco, que entra em vigor neste dia, proíbe o consumo de cigarros, mesmo nos cerca de 750 “coffee-shops” holandeses, onde se pode continuar a consumir drogas como haxixe e marijuana.
(veja aqui toda a notícia do Jornal de Notícias)

Virtuais Diálogos (circunstância segunda)

Nicolau diz: O amor não se manifesta através do desejo de fazer amor (desejo que se aplica a um número incontável de mulheres), mas através do desejo de partilhar o sono (desejo que só se sente por uma única mulher).
Desidério diz: Sabes o que para mim é a intimidade!?... A cumplicidade!?...
Nicolau diz: Sei!
Desidério diz: Diz-me então o que é!?...
Nicolau diz: Faz-me alguma confusão perguntar a uma mulher… queres!?...
Nicolau diz: …E ela responde... quero!
Desidério diz: Não tens que perguntar...
Nicolau diz: E eu pergunto... estás bem?
Nicolau diz: E ela responde... não sei.
Desidério diz: Ela diz não!?...
Desidério diz: …mas estás a falar de sexo, ou de chamadas de valor acrescentado (gratuitas)?
Nicolau diz: Não percebi!?...
Desidério diz: Estás lerdo.... Já avançaste para o sensorial ou ainda é...
Nicolau diz: Não, não!... Não se passou nada.
Nicolau diz: Nem se passa.
Desidério diz: O fim-de-semana está já aí....
Nicolau diz: A mim sempre me ensinaram a ir andando, caindo, levantando e...andando outra vez…
Desidério diz: Como diz o autor: "Não importa. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor."
Nicolau diz: Não sei de quem é o reflexo que vejo quando acordo.
Nicolau diz: Mas não sei mesmo!
Desidério diz: Meu amigo, isso fica para ti…
Nicolau diz: Posso estar perto... mas sinto-me longe.
Nicolau diz: E se do outro lado não me empurrarem não sei se caio.
Desidério diz: A partir daqui só respondes ou comentas se quiseres e o que quiseres. Ok?
Nicolau diz: Certo.

Super Bock




Não conheço esta menina de lado nenhum, mas hoje ouvi isto na rádio e fui logo à sua procura... ainda por cima, algo que desconhecia, dá voz à nossa Super Bock...

27 junho 2008

Sim Pois

Chegou com um sorriso rasgado, trazido dos trópicos. Silhueta esguia e esfingica de tez escura, cabelo farto, negro e comprido, ondulado e suspenso num repuxo que lhe libertava as feições. O olhar, brilhante e intenso, trazia consigo uma mistura de calor brasileiro e sabor magrebino.
Simples nos modos e simpática nas traduções dos encontros, por breves momentos, apenas os suficientes para afirmar sua presença, deambulou o seu ser, aparentemente calmo e tranquilo.
Tal como chegara, logo partiu, estranha e desconhecida, deixando apenas de si uma exótica lembrança de um mundo outro.

25 junho 2008

Virtuais Diálogos (circunstância primeira)

Nicolau diz: - Então carpinteiro?
Desidério diz: - Então pá....
Nicolau diz: - Vai ser uma noite de whisky e…
Desidério diz: - É!?... something special?
Nicolau diz: - Tudo o que se passa dentro de mim é especial... para mim.
Desidério diz: - Ora bem...
Nicolau diz: - Marquei o Gerês...
Desidério diz: - Bem!
Nicolau diz: - Um package romântico…
Nicolau diz: - Pequeno almoço no quarto…
Nicolau diz: - Fondue de frutas e chocolate de madrugada…
Nicolau diz: - Champagne…
Desidério diz: - Assim os 350 euros da bwin não te chegam.....
Nicolau diz: - É na boa...
Nicolau diz: - O problema não é esse...
Desidério diz: - Então!?
Nicolau diz: - Não te digo,
Nicolau diz: - Chamas-me maluco!...
Nicolau diz: - E deixas de falar comigo,
Nicolau diz: - E não quero isso!...
Desidério diz: - Então?????
Desidério diz: - Agora dá-te para isso!?...
Nicolau diz: - É um programa extraordinário para se fazer com alguém com quem tenhas cumplicidade e intimidade...
Nicolau diz: - Isto pode parecer redutor.
Nicolau diz: - Mas há algo que me faz pensar que com ela a cena vai ser estranha...
Desidério diz: - Às tantas ninguém lhe fez NUNCA uma cena destas.... vai adorar....
Nicolau diz: - E para mim tem sido sempre mais fácil pôr o problema nela... (sorriso)
Desidério diz: - Pois... assim sim... já estamos a comunicar...

Pedido de Ajuda

Exmos.(as)
Preciso de uma base de dados para livros. As centenas deles já começam a ser muitas e o espaço disponível nem por isso. Já há muito que sinto essa necessidade para organizar a minha privada biblioteca, mas até à data nada consegui. Portanto, caso alguém que por aqui passe tenha ou conheça a solução para este meu problema, agradeço a informação e/ou ajuda.
(bem sei que existe um programa chamado Acess que permite a criação de todo o tipo de base de dados, mas não sei nem tenho tempo para aprender a trabalhar com; também já fiz inúmeras buscas no google por freewares e nada de jeito encontrei...)

19 junho 2008

Acervo Histórico

Através do espaço virtual da Revista LER conheci este magnífico acervo fotográfico que testemunha esse terrível período da história espanhola. O Archivo Rojo reúne mais de 3000 fotografias e está agora disponível.


De Elevador

Sem nos apercebermos entramos e saímos deles vezes sem conta. Muito provavelmente já nem conseguiríamos viver sem eles. Serão poucos os que lhe conseguem resistir e mesmo esses só por manifestas fobias os evitam.
A verdade é que no abismo dos corredores e avenidas de fluxos em que vemos as nossas vidas transformadas e por onde fluímos, uns alienados, outros inconscientes e outros ainda eufóricos, o uso dessa magnífica obra de engenharia, permite-nos alcançar a 3ª dimensão da cidade, ou seja, para além da largura e comprimento, agora vivemos a altura...
Assim acontece dia após dia e eu, só quando me sinto dentro de um e em plena viagem vertical, porque me parece sempre longa e interminável, com algumas ou várias paragens, me apercebo do hiato de tempo, do silêncio, do vazio, do abstrato e incómodo que é viajar assim, fechado e acompanhado por outros estranhos que nos violam o nosso espaço mínimo de sobrevivência. Porque desconhecidos são não temos nada em comum, nada a partilhar, a não ser o efémero tempo e espaço de cada uma dessas viagens. Mas será que deveria acontecer algo!?... é que para mim o incómodo é manifesto... a insegurança do olhar, do respirar, do cheirar, dos movimentos. Tudo é terrivelmente sentido e por isso é que tranquilo e muito satisfeito fico quando o faço em exclusividade e não tenho que partilhar esse espaço e tempo com estranhos. Para uma viagem directa e segura... meu e só meu.

12 junho 2008

O nosso futuro

Não sei da consciência colectiva da importância do dia de hoje para o nosso futuro, que é como quem diz da europa. Mas uma coisa é certa, ao contrário dos restantes cidadãos desta europa, hoje os irlandeses podem expressar-se e com isso não só exprimem a sua vontade, como também a vontade de todos nós. Independentemente do resultado final deste referendo (muitos eurocrátas e burocrátas estarão hoje a rezar aos seus santinhos todos...) a posição da Irlanda significa uma afirmação da sua soberania enquanto Estado democrático e membro da União.
Porque consciente estou da importância de tal acto e porque também gostaria de ter podido exprimir a minha opinião, espero que o amanhã seja diferente para bem do que é "nosso" e para o bem do que há-de porvir.

07 junho 2008

O quê Dona!?...

- O quê!?... dar o meu sangue!?... Óh Dona!... anda aqui um gajo a trabalhar... se eu soubesse que alguém precisava, eu na hora ia lá e dava o sangue que fosse preciso, nem que fizessem a transfusão directa... Agora, Dona... deixar que me tirem o sangue, que o ponham num saco plástico, que o congelem e depois vendam para outros países e ganhem com isso!... anda um homem a trabalhar tanto para comer e fazer sangue e agora ia dar o meu... quem me dá de comer!?... eles a mim não me dão nada.
(monólogo em jeito de conversa de pão quente, entre a padeira e um cliente, hoje pelas 7:30 am)

04 junho 2008

Father, again!

A notícia chegou até mim via mensagem , pois o ruído ambiental impediu-me de ouvir o som da esperada chamada. Finalmente, e digo-o sem grande ansiedade, mas apenas pela consciência do delay temporal entre a primeira gestação e esta... grávidos estamos.

Combustíveis e Concorrência

A Autoridade da Concorrência conclui, em relatório tornado público no dia de ontém, que em Portugal não houve/não há cartelização dos preços dos combustíveis, mas refere um paralelismo de preços. Curioso!?... então pergunto eu: Mas como é que esta autoridade poderia concluir que há ou houve cartelização dos preços!?... isso seria admitir e reconhecer a sua inocuidade, que de facto não servem para nada enquanto organismo regulador...

02 junho 2008

À conversa com...

Na inauguração da Feira do Livro da Escola de Vinhais, com os alunos e professores do 12º ano. Um pedaço bem disposto e interessante da tarde de hoje. Estivemos bem.

30 maio 2008

Implicações e Estranhamentos

Andamos todos literalmente desnorteados e às cabeçadas uns aos outros neste abismo em que passámos a viver. É o regresso ao caos e à confusão de outros tempos que a minha memória não alcança. A nossa realidade social, económica e política arrasta-se, agora sim e depressa, para o pantanal da pobreza e das dificuldades mil, incondicionais, indiferentes e irreversíveis. Num cenário que habitualmente, numa atitude etnocentrica associamos a outras culturas, xenefobamente associamos a outras geografias e sobranceiramente associamos a estados e nações de uma condição inferior. Sim, esta é a nossa mundivisão, a noção do "outro" (distante e diferente) que a nossa civilização moderna, civilizada, capitalista e ocidental cultivou nas últimas décadas.
Esses arautos do modernismo, ideologia acente num sistema de valores como o individualismo (cujo exemplo máximo e pragmático actual se concretiza na economia), que durante a 2ª metade do século vinte promoveram, numa atitude fundamentalista e radical, todas as práticas do mais violento capitalismo e liberalismo, como único caminho para a salvação da humanidade. Estarão eles hoje satisfeitos!?... Para que lhes serviu a sua divina sapiência e superior presciência!?... (eu até sei, mas o pudor, o nojo e, principalmente, a vergonha tolhem-me os juizos valorativos).
Estamos bem perto, muito perto de algo importante. Não restam dúvidas. Algo significativo e novo que substituirá o paradigma vigente. Desconheço o que virá, mas por favor façam barulho... substituições, inversões, aniquilações, evoluções, inquirições, revoluções, sei lá... promovam o estranhamento deste nosso mundo.
Este capitalismo fascista, xenefobo e sectário dará lugar a...

28 maio 2008

our path

The growth of interest in home or native anthropology represents a questioning of the dominant thinking in anthropology that you must leave home to do good ethnography. (Reed-Danahay, 1997:123-4)

26 maio 2008

Inocente e Brilhante

O dia começou cedo, como de costume pouco passava das sete da manhã e já éramos todos a fazer barulho. A Emília, consciente da data que se assinala, desde logo começa a segredar com a mãe acerca da surpresa que me queria fazer, presenteando-me com algo que ainda não sabia muito bem o quê... não vendo outra alternativa e muito directamente dirige-se a mim e pergunta-me quais os livros que eu tenho, como se chamam(!?). Não percebi logo, mas num segundo momento lá entendi, que a inocente criança sabia que eu gosto de livros e para saber qual me haveria de dar, resolve perguntar-me os nomes daqueles que já tenho... para não correr o risco de me dar algum repetido. Brilhante ideia ela teve... num terceiro momento dei comigo a tentar enumerar todos os títulos que já me acompanham: não, não consegui... e assim não dei resposta à minha filha, mas também não lhe consegui explicar porque é que não conseguia dizer-lhe todos os nomes... num quarto momento e último, ela lá desistiu e em segredo lá combinou com a mãe como fazer...
No final do dia, ao entrar em casa, a alegria contagiante de quem sabe que é bom receber presentes, mas não faz a mínima ideia do que está a fazer (dar).
Esta obra de Arendt, filosofa do século XX, publicada pela primeira vez em 1958, traduz uma visão da história contemporânea e que importa conhecer. Apesar de pouco ou nada conhecer desta autora, prevejo uma relação intensa nos próximos tempos e lugares.

Obrigado!

Vitor Guedes, Alexandre, Daniel, Rui, João Silva, Andreia Ramos, Ângela, Lourenço, Camy, Nuno Alexandre, Zé Vale, Ricardo, Jorge Sarmento, Elza e Américo, Maria, Margarida, Liliana, Paulo, Augusta e Tó, Goreti, Carla, Fátima, Carlos, Tozé.
(...em actualização permanente até às 24 horas...)
Aquilo que em tempos, já longínquos, foi uma alegria, aguardado sempre com grande expectativa e ansiedade, deu lugar a uma outra sensação. Receio não a conseguir expressar. No entanto, não deixa de ser um referente temporal, mas a sua cíclica chegada é anunciada por um sentimento estranho, nostálgico talvez... ou, sintoma de uma qualquer crise existêncial... ou, negação da vertigem do tempo que o corpo e o ser sentem e denunciam.
Porque é a caminhar que se faz o caminho, sem pressa lá seguirei eu o meu.

25 maio 2008

LER um livro é ler um livro

Foi com redobrado prazer que encontrei na minha caixa do correio a "nova" Revista LER, de cara lavada, com nova periodicidade (mensal) e que assinala o regresso de Francisco José Viegas à sua Direcção.
É que a decisão, passada, da Fundação Círculo de Leitores de editar um único número anual, feriu de morte o projecto. Felizmente, em boa hora arrepiou caminho e esqueceu essa ideia. Agora e onze vezes por ano terei, teremos, o prazer de degostar as pequenas e as grandes palavras que preenchem as páginas da LER.
Não sou muito dado a colecções (um dia terei sido) mas tenho guardados e bem perto de mim cerca de 20 números desta revista. Vou continuar a coleccioná-los e quero, assim que a minha condição económica o permita, tentar comprar os números anteriores e que ainda não tenho.

...muitos de nós fomos optimistas em demasia quando se tentava conciliar "o mundo do livro" com "o novo mundo digital"; jogava a nosso favor a ideia de que éramos a civilização do livro. A verdade é que nem é necessário consultar estatísticas para perceber que as campanhas do optimismo tecnológico devem ser lidas com ponderação; mas pelos melhores motivos - ou seja, porque o livro continua a ser a plataforma do livro. Simplificando ainda mais: os meios tecnológicos são bons pela sua própria natureza; mas o livro não é redutível a um painel de plasma comparável ao leitor de mp3, ao leitor de DVD ou ao ecrã de telefone celular, como acabou por confessar Steve Jobs (CEO da Apple). Talvez no futuro se possa - com ponderação, com ponderação - distinguir o livro da indústria do entretenimento. Ler um livro é ler um livro.
Francisco José Viegas in Editorial do nº 69.

22 maio 2008

imaginação, simplicidade e bom gosto


Concerteza haverá algures, nesse universo incomensorável que é a internet algo mais, melhor e maior. Mas na minha humilde e limitada mundivisão virtual e como até hoje nunca vira nada semelhante. Esta é uma daquelas situações merecedora de dizer nada... de contemplação. Ainda que virtual merece-me a maior das contemplações. Porque gostei mesmo: http://www.treesolves.com/

21 maio 2008

Amortizado

O exemplo de um bom começo de dia...
- Luís... gostas destes bonecos que comprei para a minha filha?...
- Desculpa mas estou sem óculos e daqui não consigo ver bem o que tens na mão. Vejo que tens algo colorido, mas não dá para perceber...
- Óh rapaz tás mesmo obsoleto!... que mal te falta!?... Tás mesmo acabado!
- Que queres, tás longe! (5 metros)
- Olha lá... tu já estás amortizado ou ainda estás em vencimento!?... tu vê lá!...

17 maio 2008

O Escano e a Soalheira em Vinhais


Hoje às 15 horas na Casa da Música de Vinhais, localizada no coração da Vila.

07 maio 2008

afinal houve quem

Lisboa, 07 Maio (Lusa) - Mais de 15.000 assinaturas constam já do Manifesto/Petição Contra o Acordo Ortográfico, documento que quinta-feira será entregue ao presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, por uma delegação dos signatários do documento.
A delegação, composta por Maria Alzira Seixo, António Emiliano, José Nunes e Vasco Graça Moura, fará a entrega das primeiras 15.000 assinaturas recolhidas e pedirá que a matéria seja tida em consideração no debate parlamentar agendado para 15 de Maio.

Impressionante

Segundo a Comissão organizadora dos Jogos Olímpicos de Pequim, todos os bilhetes para os diferentes eventos desportivos, postos à venda na passada 2ª feira, esgotaram hoje. Por outras palavras... 1 milhão e muitos mil bilhetes vendidos em apenas 48 horas. Impressionante.

01 maio 2008

30 abril 2008

subir por subir

Como é possivel!?... Permitir que se aumente 3 cêntimos o litro dos combustíveis em Portugal!?... Ninguém diz nada!?... Ninguém faz nada!?.... Que desgoverno é este!?.... Mas o que aconteceu nos últimos dias que tenha motivado tamanha inflação!?...
Tal como aqui disse no Abril, 25:
"Governos que liberalizam os preços finais dos combustíveis, em actos muito reflectidos e ponderados, com a segurança e certeza de reais descidas dos preços da venda ao consumidor, só que, e desde então, essa liberalização só resultou na mais desenfreada das libertinagens…"
O que deveríamos fazer, sem hesitar e como forma de protesto, era durante 24 horas, apenas 24 horas, greve aos combustíveis. Bastaria que nenhum português abastecesse os seus automóveis durante um dia e, certamente, as consequências de tal atitude reflectiriam-se nos cofres destes senhores... que nos sodomizam brutalmente as carteiras.

25 abril 2008

Abril, 25

Quando Portugal celebra, uma vez mais, o 25 de Abril, aquilo que me apetece dizer é que não há mais nada a dizer, a não ser repetir aquilo que tem vindo a ser dito e redito ao longo destes últimos mais de trinta anos, numa espécie de perpétuo retorno, qual Primavera que nos visita ano após ano sem qualquer alteração substancial e digna de registo. Este é, tem sido, um registo monocórdico e apático, comatoso e sem sabor, no qual já poucos acreditam. É que ano após ano as referências, os valores, os ideais, as promessas de um amanhã sempre melhor e maior são reproduzidas sem haver, no entanto e na vida real dos portugueses, daqueles que não comemoram coisíssima nenhuma, uma correspondência entre a doutrina e a práxis, ou como se costuma dizer, sem bater a cara com a careta, ou ainda, se preferirem, a bota com a perdigota.
Por outro lado, toda a teoria elaborada e produzida em torno desses tais valores, não encontra na sociedade do hoje uma consequência ou um resultado directo e lógico desse acto primeiro e refundador de uma sociedade, mas sim algo de estranho, desvitalizado e degenerado de uma coisa qualquer.
Aquilo que deveríamos todos fazer era reflectir verdadeiramente sobre a tradução cultural e social que foi e é o facto de 1974, ocorrido num dia 25 de Abril. Oportunidade de transformação, de rejuvenescimento, de inovação e de valorização da sociedade, da economia, da cultura, dos indivíduos e da civilização. Passados todos estes dias, teremos conseguido!?... Terão as elites políticas e sociais conseguido transformar o nosso país!?... Uns dirão que sim, outros que não, outros ainda dirão que vamos indo… Pois vamos, mas esse é o nosso grande problema… vamos por onde e para onde!?... Que perspectivas poderemos ter quando toda a nossa experiência sensorial nos alerta:
- Enquanto o comum dos portugueses se reduz à sua insignificância económica, a banca, esse Olimpo dos lucros divinos, dá-se ao luxo de doar empréstimos a uns poucos…
- Governos que alteram sem roque a lei penal e passado não muito tempo as ruas do dia-a-dia ressentem-se… não adianta virem aos holofotes da comunicação social com a verborreia das estatísticas oficiais, pois a rua que esses mesmos não frequentam, vive sobressaltada com a extrema violência de uma criminalidade crescente…
- O estado investe incontáveis milhões em paraísos fiscais e depois, não sabendo o que fazer com os lucros de tais operações secretas, garante financeiramente a participação de um tal piloto português, importará aqui repetir português, no circo da fórmula 1…
- Dia após dia, somos obrigados a saber que os despedimentos são às centenas de cada vez… tantas e muitas são as vezes. Talvez aqui também se possa aplicar o termo que alguns tanto gostam: escala. De facto o desemprego em Portugal adquiriu escala e assim podemos afirmar com verdade que o desemprego é hoje um sucesso nacional…
- Governos que liberalizam os preços finais dos combustíveis, em actos muito reflectidos e ponderados, com a segurança e certeza de reais descidas dos preços da venda ao consumidor, só que, e desde então, essa liberalização só resultou na mais desenfreada das libertinagens…
- Governos cujos ministros dizem e depois desdizem sem qualquer reserva de pudor ou de respeito pela inteligência dos demais, ou então, ministros que passam a ex-ministros e logo depois ingressam numa promissora e ambiciosa carreira de administradores públicos e/ou privados…
- Governos cuja estratégia para a saúde nacional é trocar médicos e hospitais por helicópteros, mas que deixa morrer cidadãos contribuintes que moram a poucos metros de um hospital… cuja estratégia para a educação é o facilitismo que leva directa e rapidamente à iliteracia e à incompetência, mas permite esse objectivo supremo que é alinhar as estatísticas nacionais da educação com as congéneres europeias… cuja estratégia é a aposta nos serviços públicos mínimos…cuja estratégia nacional é, enfim, um fado!...
Estes são apenas alguns exemplos, que sei consideram demagógicos, mas há mais e mais e vocês todos sabem-no. Tenho para mim que para alguns, a culpa de tudo isto é dos órgãos de comunicação social que teimam em impor à sociedade esse incómodo que é a informação e o conhecimento. Uma sociedade constituída por indivíduos que, passiva e acriticamente, aceitam estas circunstâncias não fez, não faz e não fará um 25 de Abril.
Bem gostaria de poder estar aqui a projectar um futuro novo traduzido de um presente ambicioso, mas não estou e, aproveitando as palavras de Ervin Goffman, eu diria para terminar, que os momentos são dos seus homens, mas estes homens permitiram que o momento, este momento, se transformasse num não-momento.

23 abril 2008

Dia mundial do livro e dos direitos de autor que se assinala hoje em todo o mundo, pelo menos naquela parte dele que está às claras... porque a outra (parte) não entra na estatística. Até quando!?...

20 abril 2008

pelo esforço daquilo que também somos nós

- 17 horas do dia 19 de Abril de 2008 -



19 abril 2008

Ignomínia

Um dia que aguardava com alguma ansiedade e que até começou bem, perspectivando-se assim agradável e de boas sensações, não foi preciso esperar pela noite para tudo parecer bastante desagradável e desconfortável.
A crítica e a opinião contrária nunca me amedontraram ou desagradaram, nem tão pouco evito um debate de ideias, uma altercação, uma controvérsia ou uma discussão. Quem me conhece sabe que até todas estas circunstâncias me atraem e me despertam os sentidos e mais.
Aquilo que me derrota, sinceramente, é a difamação e a infámia, principalmente quando, por mais que tentemos, instropectiva e racionalmente, não a compreendemos por não corresponder à verdade. Essa que, sabemos, terá sempre mais do que uma verdade, mas neste caso em particular, uma única e verdadeira.
A consciência tranquila daquilo que sempre fiz e faço, permitirão o esquecimento do sucedido, num dia qualquer destes. No entretanto conseguiram apurriar-me e eu não estou a gostar.
Talvez estas palavras sirvam de catarze para aquilo que aconteceu hoje, no tal dia que eu previra bom. Engano meu e, agora que o dia é quase outro, continuo sem perceber muito bem porquê.
Sempre pensei que hoje esta entrada fosse dedicada a algo com mais "cor" e mais "sabor", mas por razões várias, nomeadamente, por causa deste azedume biliar, essas boas vibrações ficam para amanhã ou depois.

09 abril 2008

07 abril 2008

E assim o dia fica ganho

Sabe sempre bem. Sei que sim. Quem não gosta de um bom comentário ou elogio!?... Fará sempre comichão ao ego e à auto-estima sermos apreciados. Hoje, o meu dia ficou ganho logo pela hora de almoço... então não é que uma amiga, num cumprimento de quem não se vê há uns dias, enquanto descolava a sua face da minha, diz-me: "- Tás mais magro!". Eu queria acreditar na verdade das suas palavras, mas a crua realidade do espelho e da balança (lugar que visito uma ou duas vezes por ano) dizem que afinal a simpatia da amiga foi uma hipérbole. Para tristeza minha. Mas isso não diminuiu a satisfação do momento, que para mim foi tanto ou mais do que me segredarem: "- Tás tão bonito!"

04 abril 2008

Estranhezas

Viajo para Lisboa de comboio logo bem de manhã. Chego à estação do Oriente às 8.30 am, o que me permite chegar a horas e com calma ao meu destino. Colóquio Inaugural da Associação Portuguesa para o Estudo das Religiões (APERLG) que acontece hoje e amanhã no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. A manhã passou-se deambulando de sala em sala consoante os assuntos abordados me interessavam ou não. O almoço estava combinado com o cunhado, que entretanto já me trouxera da estação até ao ISCTE. Às 13 horas recebo via SMS: "Vou almoçar com o contabilista."
Com o calhau do portátil mais livros e dossiers às costas lá saio à procura de um tasco para comer alguma coisa. O ICS fica perto de Entrecampos (não que interesse muito), mas é uma zona de Lisboa bastante movimentada e com muitos serviços e empresas. Mesmo antes de entrar no restaurante self-service procuro um quiosque para comprar o Público. Quando me aproximo da rotunda principal, apercebo-me que de cada lado da rotunda há um quiosque. Ao primeiro que vou, o mais próximo, não tem jornais... só Ginas, livros usados e consporcados... atravesso a avenida em direcção ao segundo quiosque, que fica mesmo em e de frente para a porta do Pingo Doce Supermercado. Reparei logo que tinha o jornal pretendido. A Senhora (reparem que a trato dignamente) que estava dentro do quiosque a atender, nem sequer me dirigiu o olhar. Estranhando tal atitude, pedi o jornal Público e, acto contínuo estico-lhe uma nota de 10 euros, que no momento era a unidade monetária mais pequena que possuía. Para conseguirem visualizar o que se passou de seguida, será necessário terem em mente a arquitectura dos quiosques de Lisboa (pelo menos grande parte deles) que são bem diferentes dos que temos no País. O vendedor está dentro e entre ele e os clientes estão todos os artigos expostos numa extensão superior ao comprimento do braço de uma pessoa normal, do meu. Alí estava então eu de braço esticado com a tal nota de 10 euros para pagar 1,40 euros do jornal. A Senhora olhou para mim, reagindo à minha solicitação, olhou para a nota que lhe apresentava, olhou para a caixa do dinheiro... e vejam lá... ignorou-me!... começou a atender outros clientes como se eu não estivesse ali. Não me vendeu o jornal, não me quis vender um jornal. A Senhora nem se dignou a dizer-me uma palavra... fiquei completamente sem reacção, de braço aberto com a nota estendida... até que me apercebi e afastei-me. Atravessei mais uma avenida (já estou no lado oposto da rotunda) e vou ao terceiro quiosque, que educadamente me informou que já não tinha o Público. Atravesso mais uma avenida e, finalmente, lá consigo comprar o jornal. Nem sei como não desisti, ainda por cima sabia que a edição seria a de Lisboa, mas como já dera a volta à rotunda...
Entro no tal restaurante, pego num tabuleiro, num prato, nos talheres, coloco-me na fila atrás de outras pessoas que vão escolhendo os diferentes alimentos. Coloco 3 pedaços de tomate, 1 fatia de queijo fresco e... não havia mais comida!... apenas ananás assado e ovos estrelados... e noutro tabuleiro um, apenas um peixe manhoso, frito ou assado inteiro e com uns grandes olhos esbugalhados... nojento. Pousei o tabuleiro, encostei-me ao balcão e almocei um croquete com um copo de coca-cola.
O resto do dia até correu bem.

02 abril 2008

Baú da Memória IV

Passam hoje nove anos (2 de Abril de 1999) que faleceu D. Manuel António Pires, antigo bispo titular de Silva Porto, actual Kuito, capital da província do Bié, em Angola. Personalidade que tive o prazer de conhecer e, a espaços, conviver. Recordo com alguma nostalgia certos momentos, como aquele em que depois de um almoço de família (alargada), do alto dos seus tranquilos oitenta anos, disse:
"Pois olhai, estava tudo muito bom!... Sabeis, os antigos romanos tinham por hábito, no fim de cada dia, apanhar 1 pedrinha do chão que levavam e guardavam em casa. Se o dia tinha corrido bem, apanhavam pedrinhas brancas, se o dia correra menos bem recolhiam pedrinhas pretas. Ao longo da vida podiam ir percebendo se tinham mais dias bons ou maus. Eu hoje aqui convosco acabei de apanhar a minha pedrinha branca..."
A verdade é que tenho pena de não ter conhecido melhor este amigo. Não sei se tive oportunidade!?... talvez não.

01 abril 2008

Será em Algés

E eu que já planeara uma viagem até Sevilha para o próximo mês de Julho, fiquei muito contente com a notícia que o enorme Coehen vem nesse mesmo mês também a Lisboa, será a 19 no Passeio Marítimo de Algés. É daquelas experiências que, confesso, nunca pensei possíveis. Bastou um telefonema da cara metade, avisando o início da venda dos bilhetes, para de imediato e pela primeira vez, recorrer ao portal da TicketLine e por apenas mais 2 euros, ter em minha casa e na minha mão dois bilhetes personalizados. Admirado e surpreendido fiquei com a rapidez do serviço, não foram precisas mais de 24 horas para os receber na minha caixa do correio. Para que não haja dúvidas...

31 março 2008

Nove Anos

A certeza de uma presença, distante ou próxima, mas inequívoca. O uso de palavras é não obrigatório e a quantidade é sempre dispensável a favor da qualidade. No turbilhão diário que repele e afasta os corpos, a tranquilidade de um toque ou carícia no mais tardar dos momentos. Assim tem sido ao longo destes primeiros nove anos.

27 março 2008

Novo tempo, tempo de eleições

Apesar de ser notícia já do dia de ontem, não posso deixar de assinalar a inversão do discurso e, a ver vamos, da prática do Eng. Socrates e seu governo. Não há qualquer dúvida que o dia 26 de Março de 2008 marca o início do processo eleitoral das legislativas de 2009. Temos agora um governo a trabalhar e em esforço, para a reeleição do seu primeiro.

26 março 2008

Ofícina

Dia de decisões: tipo de letra, paginação, acabamento, capa, contra-capa, côr, e fotografias... por terras de Alpiarça o dia todo, pelo menos até ao fim do dia, porque depois outra música tocará.

22 março 2008

à descoberta...

41º 47'02" N 6º 55'14" O, a 984 de altitude.


perdido algures nesta mancha de floresta, talvez no centro desta fotografia... lá consegui descobrir o que buscava... carece confirmação.

18 março 2008

A Crédito

É conhecido o vício de consumismo que os portugueses têm, ainda agora e a propósito das férias da Páscoa, ficámos a saber que são muitos os portugas que partem para destinos vários, naquilo que considero um acto irreflectido de consumismo, principalmente para aqueles que o fazem à custa do dinheiro que hão-de ganhar durante os próximos até 60 meses. Como é fácil comprar dinheiro!... é tão fácil comprar dinheiro que até já as farmácias criaram um cartão de crédito para os utentes poderem ir às farmácias e consumirem à vontade e só pagarem até 90 dias. Até aqui se sente a voracidade da banca que, qual lobo em pele de cordeiro, serve-se da miséria social e económica dos individuos para mais tarde apresentar resultados fabulosos e ser considerada, pelo poder vigente, uma mais valia para a economia do país...
Reflectindo um pouco sobre a notícia, podemos compreender bem a boa aceitação por parte dos utentes, que só no primeiro dia da existência deste cartão, subscreveu cerca de cinco mil cartões, na medida exacta da extrema dificuldade que uma parte considerável da nossa sociedade sente para sobreviver a cada dia que passa.
Não é assim que se combate a exclusão ao direito constitucional que é a saúde.

Acordo Ortográfico

Se há assunto que me tem remexido as entranhas é este putativo acordo ortográfico que a comunidade de países que se expressam através da língua portuguesa se preparam para ratificar. Nos últimos dias, a comunicação social e a blogosfera têm relançado este problema (de identidade) o que demonstra, para além das diferentes sensibilidades, diversas indisposições acerca do mesmo. Por aqui, eu, já dei alguns sinais dessa indisposição, mas consciente das minhas limitações para abordar o assunto, dado o meu desconhecimento técnico, não terei sido muito afirmativo.
Contudo, a entrevista dada por Vasco Graça Moura no Programa "Diga Lá Excelência" do último fim-de-semana, deu-me alento para retornar a esta discussão, uma vez que, de uma forma simples mas fundamentada, diz aquilo que eu considero serem as verdadeiras razões para esta pantomina, ou seja, os interesses da actividade livreira e editorial brasileira, que acabam por ser os grandes beneficiados com a introdução deste acordo e a sua não existência é um travão à penetração do livro brasileiro. Mas isso é ou não do interesse geoestratégico português? Vasco Graça Moura põe a hipótese de requerer a inconstitucionalidade desta proposta de acordo, na medida em que a a grafia transporta consigo uma carga de informação histórica, cultural e etimológica.
Mesmo leigo e desconhecedor do texto deste acordo, importa fazer algumas considerações, para as quais me socorri do artigo na wikipédia, indicado no blog Causa Nossa por Vital Moreira, diga-se, apoiante do acordo em apreço.
Apesar de ser publicitado como um acordo de toda a CPLP, toda as questões conhecidas, se resumem aos caracteres diferentes entre Portugal e Brasil. Para além disto, a verdade é que até à data só o Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe ratificaram o acordo.
Depois, o Vocabulário Ortográfico Comum, objecto e objectivo último deste acordo, pretendia-se o tão completo quanto desejável e tão normalizador quanto possível, no que se refere às terminologias científicas e técnicas. Só que ainda pouco está feito neste sentido e, por isso, sem vocabulário comum é impossível haver uma língua em comum.
São vários os argumentos a favor deste acordo:
- As ortografias oficiais diferentes levam a grandes custos de produção e edição de livros e dicionários e, consequentemente, a uma maior demora de edição, o que contribui para a fraca difusão da lingua portuguesa, apesar de ser uma das mais faladas do mundo;
- O esforço de cooperação de Portugal e Brasil com os restantes PALOP em acções de difusão e fortelecimento da língua;
- Condição essencial para a definição de uma política linguística de bases comuns na CPLP;
Como críticas ao mesmo acordo são enumerados os seguintes argumentos:
- Alguns linguístas defendem a ortografia etimológica em detrimento da ortografia puramente fonética das palavras. Como as reformas ortográficas tendem a suprimir consoantes mudas e a padronizar a correspondência entre grafemas e fonemas, esses linguístas opõem-se a ela;
- Portugal tem hesitado na introdução do Acordo, nomeadamente, alguns editores têm alertado para os elevados custos para a adaptação de dicionários e outros livros às novas regras. O Acordo mexe muito na maneira de escrever, mas também nos interesses nacionais da cultura, literatura e educação.
- É, de facto, uma facilidade para as editoras brasileiras conquistarem novos mercados, nomeadamente em países africanos;
- Alguns linguistas portugueses têm afirmado que a adopção deste acordo seria uma "abrasileiração" da escrita e que a variante lusitana da língua saíria afectada;
Independentemente dos argumentos esgrimados, não percebo a necessidade, a oportunidade, a validade e o interesse desta intenção dos nossos governos. O que é que Portugal e, principalmente, a língua portuguesa beneficiará com este acordo!?... Digo mais, não entendo como mais valia para a língua portuguesa o facto de os brasileiros se exprimirem naquilo que dizem ser português... se é que é português!? Chamem-lhe o que quiserem. Assim, o movimento deveria ser o inverso e o Brasil deveria impor e instituir uma língua independente, o brasileiro. Aliás, o argumento da normalização não colhe, pois a compreensão da oralidade e da escrita nunca esteve em dúvida. Particularmente, por motivações académicas, já contactei com inúmeros textos e documentos traduzidos em português do Brasil e nunca isso foi impeditivo da compreensão desses mesmos textos. Querer impor normas e formas de expressão a realidades tão distintas é um erro e a gramática do português não o merece. Sem fundamentalismos ou puritarismos exarcebados, gostaria de sentir mais inconformismo e mais discussão pública sobre esta importante questão. Declaro-me contra esta intenção e, por isso, militantemente assinei a petição online e convido a todos a repetir o gesto. Basta seguir a etiqueta desta mensagem.

16 março 2008

Em água e rela

e depois de um periodo sem disposição para "alimentar" este nosso lugar, nada melhor do que um original para reiniciar uma nova fase. Da Ia...

27 fevereiro 2008

Presente Atrasado

(proposta de alteração em sede de revisão gramatical)

Hoje, o tempo existêncial, aquele que vivemos, convencionou-se designar por presente e a noção que desde sempre existiu sobre o tempo, é o fatal e o pragmático agora. Este agora, presente, é quem permite que possámos ter a noção de temporalidade, daquilo que é, daquilo que foi e daquilo que será.
Hoje, nos dias de, essa existência temporal não obedece aos mesmos critérios de antanho. Vemo-nos enredados num precipitado cronómetro que nos obriga a estar e a não estar, a partir e a chegar, a ir e a vir, daqui para alí, dacolá para aqui, e nem damos conta do frenesim e da velocidade em que subsistimos.
Rodeados estamos de avisadores do tempo. Nunca como hoje houve tanto relógio per cápita... para além do tradicional relógio de pulso (que apesar de tudo, apesar da quase inutilidade, reduzido a mero adereço estético, ainda se usa...), temos acesso ao tempo a cada instante. Não há equipamento ou ferramenta que não exiba, em 1º plano, o seu contador de horas: telemóveis, televisores, aparelhagens sonoras, veículos, micro-ondas, fogões, fornos, frigoríficos, computadores, impressoras, banheiras, etc., etc. Todos eles contribuindo para conseguirmos viver a horas e cumprir "our schedule"... mesmo assim, não conseguimos, andamos em crónico atraso. A vida é um eterno atraso!...
Por isso proponho que se faça uma revisão gramatical (bem mais oportuna que o ignóbil acordo ortográfico) e se crie um novo tempo verbal: O Presente Atrasado, que passaria a ser a forma verbal a utilizar quando nos referimos à nossa condição quotidiana, de eminentemente atrasados.
Ilustração: Reunião marcada para as 17.30 no Porto. Chego às 17.15 ao local combinado. São 17.45 e continuo no local combinado à espera. Aproveito este tempo Presente Atrasado para colocar este ponto final.

26 fevereiro 2008

Last Note

Dearest, I feel certain I am going mad again. I feel we can't go through another of those terrible times. And I shan't recover this time. I begin to hear voices, and I can't concentrate. So I am doing what seems the best thing to do. You have given me the greatest possible happiness. You have been in every way all that anyone could be. I don't think two people could have been happier till this terrible disease came. I can't fight any longer. I know that I am spoiling your life, that without me you could work. And you will I know. You see I can't even write this properly. I can't read. What I want to say is I owe all the happiness of my life to you. You have been entirely patient with me and incredibly good. I want to say that - everybody knows it. If anybody could have saved me it would have been you. Everything has gone from me but the certainty of your goodness. I can't go on spoiling your life any longer.I don't think two people could have been happier than we have been.
V.
(Virginia Woolf's suicide note to her husband Leonard - March 1941)

22 fevereiro 2008

Inépcia Literária

Muita gente, se calhar eu também, acredita que há uma idade própria para cada "coisa". Admito que nunca dei muita importância a essa máxima popular, mas do alto da minha sapiência, dou comigo a ponderar determinados resultados, face a prováveis causas e a concluir que, presumivelmente, o factor idade e/ou maturidade também influência esses mesmos resultados.
Tudo isto virá a propósito da minha mais recente constatação: não consigo ler António Lobo Antunes (como me feriu o ser e me derrotou). Já por diversas vezes tentara: "Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura", "Tratado das Paixões da Alma", mas não, nunca consegui. Nesta última experiência, tentei ler o livro "Boa Tarde às Coisas Aqui Em Baixo", mas o que é certo é que li cerca de 70 páginas e não percebi nada... absolutamente nada! Por isso, a decisão final... de não mais tentar ler este autor até uma outra idade maior, muito maior. Tenho pena... mas não é a primeira vez que tal me acontece, pois sucedeu o mesmo com Virgínia Woolf, que em tempos decidi experimentar e o resultado foi o mesmo. Na altura, e enquanto recolocava o livro "As Ondas" na prateleira, disse para mim próprio que um dia o recuperaria.
Derrotado, porque poderei estar perante os meus limites, naquilo que ficou mundialmente conhecido por COMPLEXO de PETER, que afirma que todos os individuos evoluem e são eficientes até determinado patamar, a partir do qual, não conseguem mais ser competentes, ou seja, todos nós atingimos o nosso nível de incompetência.
Entretanto, e por outro lado, até na leitura podemos aplicar essa máxima das idades, pois a minha experiência diz-me que existirão livros e autores, mas principalmente, linguagens e formas de escrever para cada idade. Quando jovem, lembro-me de ter descoberto a literatura de Miguel Esteves Cardoso e de ter devorado títulos como: "Viver todos os dias cansa", "O Amor é fodido", "A Causa das Coisas", entre outros. No entanto, hoje, e apesar de gostar das suas crónicas que aqui e acolá vamos encontrando na imprensa, não me cativa minimamente qualquer dos seus livros.
No fundo e na verdade, esta constatação pessoal e intransmissível é de menor importância, pois mesmo para a minha inépcia literária, haverá mais do que literatura suficiente para eu nunca conseguir ler tudo...

20 fevereiro 2008

Avulsas

(a propósito da ASAE)
...andam para aí obcecados com os critérios e normas de higiene e salubridade e, ao mesmo tempo, deixam-nos andar nos autocarros, amassados uns contra os outros, e quando um qualquer espirra (e uma tonelada de micróbios, bactérias e virus se libertam e invadem os poros dos demais), estes docilmente agradecem com um simpático "santinho(a)".... !?

(a propósito da pedofilia)
...como os tempos são diferentes!?... diz o meu pai e com razão: no meu tempo de Professor, quando nos calhava a 1ª classe, tínhamos que dedicar muito tempo a cada um dos miudos. Muitas vezes, àqueles que sentia mais carentes, de forma a cativá-los motivá-los, sentava-os ao colo e explicava-lhes individualmente, e com calma, a lição. Qual é o docente ou professor que, nos dias de agora, se atreve a tamanha intimidade!?...

18 fevereiro 2008

O Novo Eterno Retorno

Quase me apetecia não escrever o que fosse acerca desta imagem, mas vou escrever e só isto. Afinal, os (eco)sistemas ainda funcionam...

bem perto de Bragança

14 fevereiro 2008

Feliz Coincidência

No dia em que se festeja o dia do Valentim, esse estranho e anônimo que muitos consideram santo, a Europa assinala, também, o dia da disfunção eréctil. Feliz coincidência, sem dúvida... profiláctica e pedagógica metáfora que avisa a todas aquilo que são os perigos do uso do eréctil.

08 fevereiro 2008

O Som que Ouço

Digamos que motivado pela leitura e audição do mais recente post do Homem Moderno no seu blog, faço um exercício que muitos (e eu incluo-me nesse grupo) consideram injusto e pouco autêntico: o eleger o som que mais me agrada. Muitos foram já aqueles que conseguiram seleccionar a sua elite musical e fizeram questão de que o (resto do seu) mundo o soubesse. Embora já tenha pensado muitas vezes nisso, nunca como hoje, reflecti sobre quem são, de facto, aqueles(as) que comparticipam para a minha existência.
Eis a questão: Que som eu ouço?...
Pode ser que, comparado com alguns (muitos), eu seja um ignorante ou um desconhecedor do muito que se vai fazendo por esse mundo fora. Contudo, e mesmo tendo acesso a muita, variada e boa produção, que me chega através de meus irmãos, não consigo eleger mais do que um punhado de exemplares, que na minha escala de qualidade estão no top... e desconfio que por lá ficarão.
Antes de mais, a referência obrigatória, por respeito à minha história e ao meu crescimento, aos DOORS, esse mito da eterna juventude e que, ainda hoje, apesar de conjunturalmente ignorado pelas novas gerações, continua a ser sinónimo da excelência poética e musical.
São quatro, aqueles que, na verdade, estão lá, no meu cimo musical:
- Leonard Cohen, pelo veludo, pela luxúria dos ambientes criados e pela tez das suas palavras - que pena tenho eu saber que tudo isto findará...
- Beck, pela loucura e irreverência sonora;
- Nick Cave, pela complexa e arrogante maturidade - lá estaremos, na cidade também minha e no Abril;
- Tindersticks, pela harmonia, pela simbiose e pela simplicidade - sentidamente, a companhia perfeita para os fios de horas sós... noite ou dia, ténua ou ruidosamente;
Sei a extrema subjectividade e relatividade destes juízos de valor, mas o meu veredicto, idóneo e honesto, assim é.

Entrudo

06 fevereiro 2008

I'm Fucking Matt Damon

Esta maluca, a Sarah Silverman, foi ao programa de Jimmy Kimmel, na realidade seu namorado, e fez isto...

04 fevereiro 2008

Primeiro Telefonema

Numa tarde de Sábado de um Outono longínquo, em que nada se predispunha para ficar registado na história, um toque remoto, nada presente, que me atormenta a paz. Lentamente, o som torna-se mais próximo, mais intenso e irritante, até que de vez me desperta de um torpor febril. Estranho ninguém atender e a letargia própria destes estados alterados de consciência impede-me de o fazer de imediato. A insistência é tal que me obriga a agir.
Enquanto vou descendo as escadas, mantenho a esperança de que, seja quem for, entretanto desista e o telefone se cale… Mas não, ainda fui a tempo de atender. Sentado no antepenúltimo degrau das escadas, desnudado e completamente alheado da existência, atendo com um soturno Estou!?... Do outro lado, uma voz trémula e quase desconhecida pergunta-me se sou eu (!?)… Um forte tremor pelo corpo, talvez da febre, talvez do frio, concerteza por reconhecer aquela voz, faz-me finalmente avivar e apurar os sentidos.
Depois de um intervalo no tempo em que nada aconteceu e as distâncias impuseram as suas forças, num sotaque estranho, um sussurro doce, que me diz a falta, que me diz a saudade e a vontade de ver e estar. Num delírio, que não recordo bem, trocamos algumas simples e ambíguas palavras.
Despeço-me com a promessa (incerta) de um encontro breve, pouso o auscultador do telefone e regresso ao aconchego dos lençóis, num estado de espírito eufórico com a corajosa atitude e, com o mel da sua voz, adormeço na febre daquela tarde de Outono.