22 fevereiro 2008

Inépcia Literária

Muita gente, se calhar eu também, acredita que há uma idade própria para cada "coisa". Admito que nunca dei muita importância a essa máxima popular, mas do alto da minha sapiência, dou comigo a ponderar determinados resultados, face a prováveis causas e a concluir que, presumivelmente, o factor idade e/ou maturidade também influência esses mesmos resultados.
Tudo isto virá a propósito da minha mais recente constatação: não consigo ler António Lobo Antunes (como me feriu o ser e me derrotou). Já por diversas vezes tentara: "Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura", "Tratado das Paixões da Alma", mas não, nunca consegui. Nesta última experiência, tentei ler o livro "Boa Tarde às Coisas Aqui Em Baixo", mas o que é certo é que li cerca de 70 páginas e não percebi nada... absolutamente nada! Por isso, a decisão final... de não mais tentar ler este autor até uma outra idade maior, muito maior. Tenho pena... mas não é a primeira vez que tal me acontece, pois sucedeu o mesmo com Virgínia Woolf, que em tempos decidi experimentar e o resultado foi o mesmo. Na altura, e enquanto recolocava o livro "As Ondas" na prateleira, disse para mim próprio que um dia o recuperaria.
Derrotado, porque poderei estar perante os meus limites, naquilo que ficou mundialmente conhecido por COMPLEXO de PETER, que afirma que todos os individuos evoluem e são eficientes até determinado patamar, a partir do qual, não conseguem mais ser competentes, ou seja, todos nós atingimos o nosso nível de incompetência.
Entretanto, e por outro lado, até na leitura podemos aplicar essa máxima das idades, pois a minha experiência diz-me que existirão livros e autores, mas principalmente, linguagens e formas de escrever para cada idade. Quando jovem, lembro-me de ter descoberto a literatura de Miguel Esteves Cardoso e de ter devorado títulos como: "Viver todos os dias cansa", "O Amor é fodido", "A Causa das Coisas", entre outros. No entanto, hoje, e apesar de gostar das suas crónicas que aqui e acolá vamos encontrando na imprensa, não me cativa minimamente qualquer dos seus livros.
No fundo e na verdade, esta constatação pessoal e intransmissível é de menor importância, pois mesmo para a minha inépcia literária, haverá mais do que literatura suficiente para eu nunca conseguir ler tudo...

20 fevereiro 2008

Avulsas

(a propósito da ASAE)
...andam para aí obcecados com os critérios e normas de higiene e salubridade e, ao mesmo tempo, deixam-nos andar nos autocarros, amassados uns contra os outros, e quando um qualquer espirra (e uma tonelada de micróbios, bactérias e virus se libertam e invadem os poros dos demais), estes docilmente agradecem com um simpático "santinho(a)".... !?

(a propósito da pedofilia)
...como os tempos são diferentes!?... diz o meu pai e com razão: no meu tempo de Professor, quando nos calhava a 1ª classe, tínhamos que dedicar muito tempo a cada um dos miudos. Muitas vezes, àqueles que sentia mais carentes, de forma a cativá-los motivá-los, sentava-os ao colo e explicava-lhes individualmente, e com calma, a lição. Qual é o docente ou professor que, nos dias de agora, se atreve a tamanha intimidade!?...

18 fevereiro 2008

O Novo Eterno Retorno

Quase me apetecia não escrever o que fosse acerca desta imagem, mas vou escrever e só isto. Afinal, os (eco)sistemas ainda funcionam...

bem perto de Bragança

14 fevereiro 2008

Feliz Coincidência

No dia em que se festeja o dia do Valentim, esse estranho e anônimo que muitos consideram santo, a Europa assinala, também, o dia da disfunção eréctil. Feliz coincidência, sem dúvida... profiláctica e pedagógica metáfora que avisa a todas aquilo que são os perigos do uso do eréctil.

08 fevereiro 2008

O Som que Ouço

Digamos que motivado pela leitura e audição do mais recente post do Homem Moderno no seu blog, faço um exercício que muitos (e eu incluo-me nesse grupo) consideram injusto e pouco autêntico: o eleger o som que mais me agrada. Muitos foram já aqueles que conseguiram seleccionar a sua elite musical e fizeram questão de que o (resto do seu) mundo o soubesse. Embora já tenha pensado muitas vezes nisso, nunca como hoje, reflecti sobre quem são, de facto, aqueles(as) que comparticipam para a minha existência.
Eis a questão: Que som eu ouço?...
Pode ser que, comparado com alguns (muitos), eu seja um ignorante ou um desconhecedor do muito que se vai fazendo por esse mundo fora. Contudo, e mesmo tendo acesso a muita, variada e boa produção, que me chega através de meus irmãos, não consigo eleger mais do que um punhado de exemplares, que na minha escala de qualidade estão no top... e desconfio que por lá ficarão.
Antes de mais, a referência obrigatória, por respeito à minha história e ao meu crescimento, aos DOORS, esse mito da eterna juventude e que, ainda hoje, apesar de conjunturalmente ignorado pelas novas gerações, continua a ser sinónimo da excelência poética e musical.
São quatro, aqueles que, na verdade, estão lá, no meu cimo musical:
- Leonard Cohen, pelo veludo, pela luxúria dos ambientes criados e pela tez das suas palavras - que pena tenho eu saber que tudo isto findará...
- Beck, pela loucura e irreverência sonora;
- Nick Cave, pela complexa e arrogante maturidade - lá estaremos, na cidade também minha e no Abril;
- Tindersticks, pela harmonia, pela simbiose e pela simplicidade - sentidamente, a companhia perfeita para os fios de horas sós... noite ou dia, ténua ou ruidosamente;
Sei a extrema subjectividade e relatividade destes juízos de valor, mas o meu veredicto, idóneo e honesto, assim é.

Entrudo

06 fevereiro 2008

I'm Fucking Matt Damon

Esta maluca, a Sarah Silverman, foi ao programa de Jimmy Kimmel, na realidade seu namorado, e fez isto...

04 fevereiro 2008

Primeiro Telefonema

Numa tarde de Sábado de um Outono longínquo, em que nada se predispunha para ficar registado na história, um toque remoto, nada presente, que me atormenta a paz. Lentamente, o som torna-se mais próximo, mais intenso e irritante, até que de vez me desperta de um torpor febril. Estranho ninguém atender e a letargia própria destes estados alterados de consciência impede-me de o fazer de imediato. A insistência é tal que me obriga a agir.
Enquanto vou descendo as escadas, mantenho a esperança de que, seja quem for, entretanto desista e o telefone se cale… Mas não, ainda fui a tempo de atender. Sentado no antepenúltimo degrau das escadas, desnudado e completamente alheado da existência, atendo com um soturno Estou!?... Do outro lado, uma voz trémula e quase desconhecida pergunta-me se sou eu (!?)… Um forte tremor pelo corpo, talvez da febre, talvez do frio, concerteza por reconhecer aquela voz, faz-me finalmente avivar e apurar os sentidos.
Depois de um intervalo no tempo em que nada aconteceu e as distâncias impuseram as suas forças, num sotaque estranho, um sussurro doce, que me diz a falta, que me diz a saudade e a vontade de ver e estar. Num delírio, que não recordo bem, trocamos algumas simples e ambíguas palavras.
Despeço-me com a promessa (incerta) de um encontro breve, pouso o auscultador do telefone e regresso ao aconchego dos lençóis, num estado de espírito eufórico com a corajosa atitude e, com o mel da sua voz, adormeço na febre daquela tarde de Outono.

31 janeiro 2008

Agora Escolha

Figura 1



Figura 2


Para capa do próximo grande sucesso editorial, em breve nas melhores livrarias (e mercearias) do país e arredores, estou indeciso entre estas duas ilustrações. Sem poder dizer muito mais acerca das mesmas, agradeço doutos pareceres...

29 janeiro 2008

Não o Amor

Não o amor, mas os arredores é que vale a pena...
A repressão do amor ilumina os fenómenos dele com muito mais clareza que a mesma experiência. Há virgindades de grande entendimento. Agir compensa mas confunde. Possuir é ser possuído, e portanto perder-se. Só a ideia atinge, sem se estragar, o conhecimento da realidade.
Bernardo Soares in Livro do Desassossego

25 janeiro 2008

Reais Achados Virtuais

Como terão já verificado (ou não!?... cá estou com a mania de que estou a escrever para resmas de pessoas... e imagino eu, todas inteligentes e bonitas e, principalmente, com pinta... seja isso o que for...), ao longo destes fragmentos de tempo em que vou partilhando aquilo que me dói, aquilo que me irrita, ou também, aquilo que me apraz e aquilo que me surpreende, usei, fundamentalmente, o texto, depois e com alguma frequência a imagem, que para mim, funciona sempre como uma hipérbole da condição humana, ou como exaltação do espaço e do tempo que nos rodeia. Ao longo desses tantos fragmentos expostos, foram raras as vezes que usei o video (talvez umas três ou quatro). Quando assim aconteceu, foram, de facto, momentos excepcionais que tinham por objectivo enfatizar a qualidade desses fragmentos.
Ainda na noite de ontem aconteceu uma desses raros momentos. Foi uma noite que, apesar de mal, muito mal dormida, se passou muito bem... foram horas a fio no Youtube à procura dos tais momentos únicos, que de tanto valor terem, a prosa não os consegue adjectivar. Por assim o considerar, vou reincidir...

24 janeiro 2008

Because all growing up

Assinalo, hoje, os 365 dias deste meu espaço de partilha.

Perfume... ou o rasto da Lesma

Estão a ver, neste fotografia, o rasto de baba ou nhanha que a Lesma deixa atrás de si!?... Pois é esta a imagem que me ocorre sempre que me cruzo com alguém que deixa, atrás de si, um rasto odorífico que nos obriga a inalar tais odores.
Vão-me desculpar os amantes desta prática poluente, mas se eu mandasse, fazia, tal e qual, como o actual governo da nação fez com a lei do tabaco. Se é verdade que é extremamente desagradável, quando frequentamos lugares e transportes públicos, sentir os odores corporais, também não é menos desagradável levar com os cheiros, que de tão intensos, se entranham e, depois, passamos a estar todos perfumados, naquilo a que se pode chamar de perfumados passivos…
Desconfio que esta gente que se encharca, diariamente, nestas fragrâncias se viciou e está completamente dependente dessas substâncias. Os seus organismos estão infectados: células, órgãos, sangue e cérebro cheirarão a essas substâncias(!?).
Depois, pergunto-me, também, porquê é que existe tal necessidade!?... Se não é vicio, só pode ser para ocultar, ou disfarçar algo… aliás, segundo reza a história, a generalização do uso de “cheiros” ocorreu na corte francesa, a partir do século XVIII, para disfarçar a falta de higiene pessoal, a corte banhava-se em fragrâncias.
Quando experimento um momento rasto da lesma, imagino também um cenário de maior intimidade, em que dois ou mais seres se descobrem, se tocam e se provam. Considerem, agora, o que os especialistas da temática, conhecidos mundialmente por “Narizes” ou, no original francês “Nez”, dizem: ao aplicar-se o perfume sobre a pele, o calor do corpo evapora o álcool (ou ingere-o) rapidamente, deixando as substâncias aromáticas, que se dissipam gradualmente durante várias horas e, por isso, o perfume deve ser aplicado nas partes mais quentes do corpo, como nos pulsos, na nuca, entre os seios ou atrás dos joelhos, todos eles locais onde existem veias de bom calibre.
Já podem antever onde este meio devaneio nos levará!?... Pois é!...
Beijar um pescoço com sabor ácido a Âmbar Gris, que não é mais do que uma secreção rejeitada pelo Cachalote, ou então, trincar um mamilo com odor a Musk (almíscar) que provém de uma cabra do Tibete, ou ainda, lamber uma barriguinha light que saiba a Civete que é, pura e simplesmente, algo que é extraído do gato selvagem da Abissínia, não são para mim sensações agradáveis e estimulantes, tal como seria suposto para estes momentos de tal intimidade.
Não conseguindo esquecer a imagem do rasto da lesma, considero imperativa a criação de um movimento nacional contra o perfume e demais derivados. É que perfumar mata e, como tal, o Estado deveria obrigar os produtores a indicarem, nas próprias embalagens, os riscos e as consequências negativas para a saúde individual e, principalmente, para a saúde pública, que o uso frequente e abusivo destes produtos, potencia.

Nota: Recuso-me a dissertar sobre todos e todas as Patchouli’s que diariamente infestam as nossas avenidas.

22 janeiro 2008

Trás do Maninho

Nome de rua
Rua de dois, de todos os sentidos
Sentido nome de lugar
Lugar prenhe de memórias
Memórias de um outro tempo
Tempo de berço para a minha meninice
Meninice naqueles descuidados espaços
Espaços das alegrias e mil alegorias
Alegorias como assombrosas recordações
Recordações que trouxe e bem comigo

Não tivesse havido o recente entusiasmo com a possibilidade de uma nova amizade, que para alguém muito próximo, se transformou em excitação e paixão, e este exercício de regressão ficaria guardado para o indeterminado momento em que tenciono dar início à minha autobiografia.
Foi este novo “achamento” que motivou esta turbulência de recordações desse tempo já ido, dos velhos rostos de infância, dos prédios e recônditos pátios, das brincadeiras de rua e de vão-de-escadas. O pinhal sempre ali perto, com o seu Pomar, onde nunca vi um fruto maduro. O campo da bola, onde dia sim, dia sim, jogávamos entre nós ou contra equipas de outras ruas/lugares (Aguim, Oliveiras, Ilha, Costa, Rego d’Água, entre outros), o poço da nora e o monte onde toda a rua se sentava, ritualmente de dia ou de noite, assim que o tempo e o ofício o permitissem.
Durante muito tempo, assim que passei a ser dono de um volante, não havia viagem ou deslocação que não incluísse a passagem por tal rua. Sem parar e sem falar com ninguém, lá subia a rua, num movimento lento e atento, com todos os sentidos na busca de um qualquer pormenor que me alimentasse alma e apaziguasse a saudade.
Concerteza, um tempo e uma vivência que me determinaram a personalidade e jamais esquecerei. Os recantos, os nomes e apelidos associados aos rostos de crianças, jovens e menos jovens. Desse meu mundo faziam parte: no mesmo vão-de-escadas, os irmãos Jorge e Nuno Camacho; os irmãos Paulo, Sónia e Sílvia e o Tiago, então filho único… bem perto, mas num outro vão-de-escadas, os irmãos Rui Pedro e Miguel que tinham os brinquedos mais espectaculares, porque mais evoluídos, que eu e o meu irmão já víramos, o Beto, a Fátima e a Rosário; o Nuno e as suas irmãs mais velhas, a Paula e a Fatinha; mais miúda, a Evinha, filha dos donos deste prédio. Em frente, o Juca e suas irmãs, a Paula e a Elsa, e ao lado destes, o Zé Manel, mais tarde conhecido por Guede… e já agora, jogador de bola (o Zé Manel já tinha, naquele tempo, um computador e, por isso, passava horas e dias enfiado em casa dele a jogar); por baixo deste era a casa do Quim e do irmão puto, o Ricardo… onde muita lata de atum e sardinha comemos. Aqui, os prédios foram construídos, cronologicamente, de baixo para cima, sendo o mais novo, aquele que está mais perto do cimo da rua, onde moravam o Roger e a Susana, a Isabel e seu irmão, o Rui (doente sportinguista, que entretanto foi morar para a Trofa), as irmãs Carla e Xana; em frente a esta última construção várias pequenas habitações, onde morava o Xico e, mais acima, em género de ilha, o Rui (Futre), o Nani e o Serginho (todos primos). Para além destes, ainda tenho na lembrança outros e outras, mas de quem já esqueci a graça.
Curiosa era a atracção por uma pequena parede de pedra, então existente entre o prédio maior e o nº 115, onde todos confluíam e ficavam… nós também, pelo menos até que os candeeiros da iluminação pública se acendessem, uma vez que essa era a hora concertada, com os pais, para o nosso recolher obrigatório… senão, era mais que certo ouvirmos ecoar, por todo o espaço, uma voz grave que nos punha em sentido (de casa).
Foi, é e será uma referência para mim.
Digamos que, por criteriosas razões, dedico este momento à paixão da sedução. Esse primoroso jogo das incertezas para aqueles a quem as pernas fraquejam e os lábios tremem e para aqueles outros, esses que vivem na ânsia do momento e, depois, chegada a hora, ele passa sem se alcançar. A vós.

Declarada Delapidação

Na sociedade de hoje e em Portugal sabemos das inúmeras tentativas do Estado para nos reduzirem ao mínimo da existência e da dignidade. Também porque são direitos sociais adquiridos e há "coisas" em que o Estado não deve tocar...

Decorrem duas petições online que combatem essa insaciável voracidade da máquina do Estado. Assinem, sem favor, e por todos nós.



Obrigado.

21 janeiro 2008

pelo prazer de conviver

sinónimo de bem ser

Escano e Soalheira

Mais uma tarde de conversas, de procura de histórias de outro tempo. Agora que se esgota o tempo (o meu...) para acabar o trabalho, aproveito as minhas passagens pela aldeia para algum trabalho de campo.

16 janeiro 2008

O Paradigma Socialista de Saúde Pública - um exemplo

Tem sido notícia recorrente e assídua nos noticiários, o encerramento de várias valências hospitalares, aqui e acolá, de modo metodicamente aleatório, por todo o país, principalmente nos espaços mais rurais e interiores do território nacional.
Facto paradigmático desta política e estratégia para o sector, deste governo socialista é o caso, agora conhecido, de Chaves. Em tempos (uns 2 ou 3 meses atrás... talvez mais, talvez menos), encerrou a maternidade existente nesse hospital e, agora, ficamos a saber que vai abrir, em breve, uma nova unidade hospitalar privada, com todas as valências, condições, equipamentos e pessoal, capazes de dar respostas às necessidades das populações da região. Ficamos ainda a saber, através das declarações de um dos responsáveis desta nova unidade hospitalar, que o objectivo futuro é que a população contratualize um plano de saúde privado e, então aí, todos terão acesso aos melhores cuidados de saúde... (!?!) então e o Serviço Nacional de Saúde!?... que (sem) futuro!?...
A este propósito leiam, p.f., o artigo de José Victor Malheiros, no jornal Público do dia 15 de Janeiro. Aposto que a eminência, o Sr. Ministro da Saúde, teve acesso ao mesmo e terá gostado da subtileza com que o autor nos chama a todos de ESTÚPIDOS.

In Causa Nossa

"Jardim estará com madeirenses quando povo quiser independência."

E não podem antecipar o grande momento?

Vital Moreira

15 janeiro 2008

O Nosso Potlatch

Vivemos, sem dúvida, um tempo de eternos retornos. Estamos já num novo ano, mas de alguma forma, ainda não esquecemos o velho... e no findar de cada ano, velho, participamos obrigatoriamente naquilo a que alguém chamou de quadra natalícia, que implica também a capacidade individual para a assumpção de um "espírito" natalício. Coisa que, por maior esforço, não consigo entender e, cada vez mais, rejeito, porque o que sinto em cada retorno, pelo que vejo e ouço, é repulsa (estarei eu em negação!?...).
Este eterno retorno, que ano após ano nos persegue e nos atormenta, e a mim em particular. Vemo-nos enredados na teia de "obrigações" de retribuir aquilo que nos ofertam, numa lógica economicista e consumista. Não sei se esta versão liberal do Pai Natal é, ou não, uma invenção da Coca-Cola, nem sei quem inventou o Pinheirinho, ícones por excelência do tal espírito dos hiper-consumos.
No retorno anual, digo sempre que assim não quero mais... que gostava de algo diferente e novo, alternativo. Porque não!?... É dificil, lúcido estou... sou. Vejo-me cercado por pessoas de quem gosto e, por isso, obrigado estou a manifestar esse amor, carinho e amizade através da dádiva de uma merdice qualquer. Senão, o cenário é o da incompreensão, do estigma e até, quem sabe, o da ostracização social...
Neste angustiante exercício anual, o que mais irrita a derme, é a contra-dádiva, ou seja, damos e recebemos, porque sabemos que recebemos e damos, fazendo-me lembrar o POTLATCH, ritual dos Tlingit e dos Haida, duas tribos do Noroeste americano, dado a conhecer ao mundo por Marcel Mauss no seu Ensaio sobre a Dádiva (1950). O étimo significa, essencialmente, alimentar; consumir. Considerado pelo autor, o POTLATCH é um sistema de prestações totais onde estas duas tribos, muito ricas, que vivem nas ilhas ou na costa do Pacífico, passam o seu Inverno numa festa perpétua: banquetes, feiras e mercados, que funcionam também como assembleias solenes das tribos. O POTLATCH consiste num festejo religioso de homenagem, geralmente envolvendo um banquete de carne de foca ou salmão, seguido por uma renúncia a todos os bens materiais acumulados pelo homenageado – bens que devem ser entregues a parentes e amigos. O ritual caracteriza-se como de oferta de bens e de redistribuição da riqueza. A expectativa do homenageado é receber presentes também daqueles para os quais deu os seus bens, quando foi a hora do POTLATCH destes.
O valor e a qualidade dos bens dados como presente são um sinal do prestígio do homenageado. Originalmente o POTLATCH acontecia somente em certas ocasiões da vida dos indígenas, como o nascimento de um filho; mas com a interferência dos negociantes europeus, os POTLATCHS passaram a ser mais frequentes (pois havia bens comprados para serem presenteados) e nalgumas tribos surgiu uma verdadeira guerra de forças baseada no POTLATCH. Nalguns casos, os bens eram, simplesmente, destruídos após a cerimónia.
Os governos do Canadá e dos EUA proibiram o POTLATCH nos finais do século XIX, por considerar o ritual uma perda "irracional" de recursos. Com a compreensão do significado do POTLATCH, a proibição desapareceu em 1934 nos EUA e em 1954 no Canadá. Algumas tribos praticam a cerimónia ainda hoje, e os presentes incluem dinheiro, taças, copos, mantas, etc.
Caso não alteremos o nosso comportamento acabaremos como estas tribos... a destruir aquilo que acabamos de receber.
à parte 1 - Natal é, por exemplo, o magnifico filme/concerto/documentário dos Sigur Rós, que me acompanha nestas palavras, oferecido por um irmão e que, de certeza, não vou destruir.
à parte 2 - Sigur Rós que nos transportam sensorialmente, no espaço e no tempo, para uma outra realidade.
à parte 3 - Ouvir os Sigur Rós é, nada mais que conhecer o ethos do povo Islandês.

14 janeiro 2008

299 kms

Em género de tentativa (fase pré-desespero), temos olhado para todos os lados, na esperança de que alguma alma caridosa olhe para os nossos lindos olhos e nos "arrange" algo para ocupação, para que, também nós, possámos contribuir positivamente para o sucesso e desenvolvimento da nação. É assim que percorremos diariamente, entre outros, o digital Diário da República e, muito de vez em quando, lá surge algo ao qual poderemos dar resposta.
Neste caso calhou Idanha-a-Nova (para muitos algo de estranho e para lá do seu mundo), pequeno concelho raiano do distrito de Castelo Branco. Sem saber muito bem por onde ir, lá aceitámos as indicações do GPS, que nos indicou como caminho mais curto: Gaia, Ovar, Estarreja, Aveiro, Viseu, Mangualde, Celorico da Beira, Guarda, Covilhã, Fundão até Idanha-a-Nova. Como nunca lá estiveramos e tinhamos que estar lá às 9 a.m., saímos cedo de casa, por volta das 5 a.m. Muita chuva e nevoeiro acompanharam a viagem, realizada praticamente toda de noite. Pequena e simpática vila, muito bem arrumada e limpa, com pouca população, mas com vários equipamentos colectivos: piscinas, biblioteca, hoteis, Cyber Espaço, Espaço 3ª idade, vários jardins, Mercado, entre outros.
Tendo em conta a prática comum em Portugal, sabiamos que este processo não passaria de um proform e que tudo estaria já decidido. Contudo, nem que fosse por teimosia, teriamos que lá ir... é nestas circunstâncias que gostaríamos que aparecesse alguém que desse cabo do esquema montado. É dificil, mas a ideia soa muito bem aos nossos ouvidos.
Aquilo que, de certeza, ficará é o restaurante "O Portão Velho"... muito bom e económico. Se por perto passarem não hesitem, mesmo no centro da vila... basta perguntar a um qualquer indígena.
Agora regressados a casa, reflectindo, concluímos que era verdade a sensação que existia ainda antes mesmo de sair de casa, de que nada vale o esforço da deslocação... ainda que estejámos, sinceramente, pré-disponíveis para esse sacrifício maior que é o de "abandonar" o lar e passarmos a viver a centenas de kms. Porcaria de sistema...
Porque ainda não o fizemos, aqui (já nos registámos em tantos sites e lugares que supostamente resolvem este tipo de situação), aproveitamos para perguntar à comunidade se não precisam de um indivíduo... para o que for, como for e quando for... estarei lá!

09 janeiro 2008

Calem-se o mais silenciosamente possível. Porque há só duas maneiras de se ter razão. Uma é calar-se, que é a que convém aos novos. A outra é contradizer-se, mas só alguém de mais idade a pode cometer.
Tudo o mais é uma grande maçada para quem está presente por acaso. E a sociedade em que nascemos é o lugar onde mais por acaso estamos presentes.
1923, Fernando Pessoa na Europa.

(des)assisados

O esperado aconteceu! Não vamos ter referendo sobre o Tratado de Lisboa. Uma vez mais, Sócrates falta com a sua palavra... e não adianta agora vir com retóricas interpretativas, culpabilizando os portugueses por má leitura das suas promessas eleitorais.
Bem nos avisava, ainda ontem, Pacheco Pereira no seu Abrupto, dizendo: "Começou a gigantesca máquica do consenso para negar o referendo." (...) "Hoje é o dia de uma grande operação de desinformação sobre o referendo."
Pode estar descansado o nosso primeiro ministro, pois os portugueses e as portuguesas, não estão nem aí... face aos inúmeros problemas e dificuldades que sentem para sobreviverem, querem lá saber da Europa e de Tratados. Que faça Sócrates aquilo que bem entender: que omita, que minta, que engane. Os Portugueses hão-de ser chamados a pronunciar-se e, aí, veremos se somos ou não assisados.

31 dezembro 2007

26 dezembro 2007

A História de uma Abelha

Aproveitando o sossego e o retiro destes dias do bacalhau, para sair de casa e distrair a criança, fomos ao cinema. Pela primeira vez em Bragança, com a companhia da Emília, assistí ao último sucesso de animação, na sua versão portuguesa. Aconselho, vivamente, todos os miúdos e graúdos.

“A História de Uma Abelha” (BEE MOVIE) é a romântica história de Barry Bee Benson (Jerry Seinfeld), uma abelha recém saída da universidade desiludida com a perspectiva de ter apenas uma saída profissional – fabricar Mel.
Numa inesperada oportunidade de sair da colmeia, a vida de Barry é salva por Vanessa, uma florista de Nova Iorque. À medida que a sua relação floresce, os olhos de Barry abrem-se para o mundo dos humanos e ele rapidamente descobre que as pessoas têm uma papel decisivo no consumo de mel em larga escala. Armado com esta informação, Barry apercebe-se da sua verdadeira missão na vida e decide processar a raça humana por roubar o mel às abelhas. Como resultado, as comunidades de humanos e abelhas envolvem-se como nunca antes, cada uma apontando o dedo à outra. Barry é apanhado no meio e dá consigo com problemas bastante invulgares para resolver…
(aproveita-se o parêntesis para, num discurso socialmente correcto, desejar a todos, um rico futuro...)

17 dezembro 2007

(des)Concertação Social

Dia do acordar, em sede de concertação social, do aumento do salário mínimo nacional para o ano de 2008. As reacções públicas já conhecidas são unânimes no elogio deste acordo e o mais folclórico, como não poderia deixar de ser, foi o do Governo, nomeadamente, do 1º Ministro que, visivelmente satisfeito, não se conteve nos auto-elogios.
A verdade é que este aumento, na ordem dos 5,7%, é o maior aumento conseguido nos últimos 10 anos e, objectivamente, signficará que o salário nacional passará de cerca 403 para 426 euros. Se isto é positivo?... não me parece. É pouco... será, por algum tempo mais, pouco. Muito pouco. No entanto, esta é uma daquelas contra-producências recorrentes na governação do país, uma vez que, ano após ano, assistimos, por esta mesma razão, ao encerramento de inúmeras empresas, fazendo com que o pouco passe a nada. Esperemos que este ano possa ser diferente.

14 dezembro 2007

O Rei irá nú!?

Mesmo no findar deste dia, histórico para quem manda nesta europa, registo aqui aquilo que me atormenta o ser. Entretanto, quero que saibam que hoje nada ví, lí ou ouví acerca deste passeio milionário de eléctrico.
Porque será que esta europa foi pensada, construída e, agora, acordada, ao revés dos cidadãos!?... Porque será que a europa agora negociada e contratualizada só acontece porque os cidadãos europeus não foram tidos nem achados!?....
Pois é, tal como diz a história, o rei vai nú, mas não sabe de tal condição. Estes reis, os europeus, vão nús e também não o sabem, mas vão saber e não tardará.

10 dezembro 2007

TMN

Sou fidelizado à TMN desde sempre, ou seja, desde o primeiro momento (MIMO) em que tive acesso a esse advento das comunicações móveis. Foram já vários os aparelhos e os tarifários adoptados. Recentemente, adoptei por uma solução empresarial, o que me permitiu, desde logo, adquirir sem custos equipamento superior e de (suposta) excelente qualidade, depois e também, algo que muitos amigos meus já faziam há anos, pude começar a amealhar pontos (por cada euro gasto recebo 1 ponto), e por fim, passei de carregamentos pré-pagos, para facturação "pós-paga". Muito bem e genericamente satisfeito com o serviço, fui amealhando os preciosos pontos, na esperança de um dia os poder utilizar na aquisição de um qualquer novo modelo. Até hoje, dia em que resolvi visitar a loja TMN mais perto e, confiante e acertivo, disse ao "menino" que me atendeu, que pretendia trocar os meus pontos (hoje cerca de 2000) por um novo equipamento. Na resposta, calma e simpática, encontrei o rápido caminho para a hesitação, depois para o desconforto e, por fim, para a revolta e a irritação. Então não é que o meu contrato não me permite trocar os pontos por equipamentos!?... Aliás, segundo percebi, no meu caso, só posso trocar os pontos por vales de desconto, vejam bem, na FNAC! Merda.
Agradeci e acabou.

Assim estão os meus joelhos

Cada vez mais admiro e respeito a ciência médica e aqueles(as) que a executam e interpretam. É, de facto, necessária uma condição superior.
Todos aqueles, poucos, que por aqui vão passando saberão do problema mecânico que apresento e que se tem prolongado ao longo do tempo, sem que nenhum desses "especialistas" o consigam diagnosticar.
A inicial declaração ganha força com o mais recente relatório médico, resultante de uma TAC realizada aos dois joelhos e que, julgo eu, é ilegível para o comum dos mortais. Por isso, só por isso, aqui o transcrevo. O documento actualiza o estado destas duas peças mecânicas, essenciais para o bom funcionamento da "máquina".
Digam lá se não é do caraças!?... e, já agora, se percebem alguma coisa!?...
Joelho Direito:
Não se observa descontinuidade dos arcos meniscais que indiquem laceração meniscal com tradução tomodensitométrica.
Não há também sinais de roturas dos ligamentos cruzados e dos complexos ligamentares colaterais.
O tendão quadricipital não mostra alterações.
Derrame articular com distensão do recesso supra-rotuliano sem que se identifiquem corpos livres calcificados intra-articulares.
Coexiste fina lamina de liquido na bursa do gastrocnémio/semi-membranoso formando uma discreta bursite de Baker.
Remodelação osteofitária mínima no corno femoral medial por osteoartrose incipiente no compartimento femuro-tibial medial sem lesões císticas geódicas subcondrais. Nota-se uma discreta esclerose subcondral na faceta lateral da rotula admitindo-se patologia degenerativa incipiente fmuro-rotuliana, constatando-se no entanto normal o alinhamento da rotula da troclea femoral na posição do estudo.
Joelho Esquerdo:
Aspecto atenuado de ambos os meniscos não se notando no entanto lesões e continuidade evidente do tipo fractura meniscal.
Não há sinais de rotura dos ligamentos cruzados e dos complexos ligamentares colaterais. O tendão rotuliano não mostra também alterações.
Derrame articular de médio volume com distensão do recesso supra-rotuliano também sem imagens atribuíveis a corpos livres calcificados intra-articulares. Nota-se no entanto marcada distensão da bursa do gastrocnémio/semi-membranoso formando um volumoso quisto de Baker que se estende longitudinalmnte por cerca de 8 cm e medindo um diâmetro transverso máximo de 4 cm, com um diâmetro antero-posterior que não excede os 2 cm; não se definem corpos livres calcificados intra-bursais nem há alteração da gordura adjacente que indique inflamação ou rotura do quisto de Baker.
Alterações degenerativas mínimas no compartimento femuro-tibial medial com uma discreta remodelação osteofitária marginal do respectivo condilo femoral sem áreas de esclerose ou transformação cística geódica sub-condral. Tal como no joelho direito questionam-se alterações degenerativas mínimas no compartimento femuro-rotuliano com uma ligeira esclerose subcondral da vertente lateral da rotula, sem evidente báscula ou subluxação lateral mas de avaliação limitada pelo derrame articular.

04 dezembro 2007

Apreensivo!

Porque há dias foi notícia, mas eu não tive tempo para aqui o referir, e porque, desde então, vivo angustiado, partilho com todos a minha apreensão com o recente reavivar do espatafurdio acordo ortográfico com o Brasil. Não consigo perceber a necessidade de tal "coisa". Afinal, daquilo que conheço, o Português do Brasil é Brasileiro e é algo estranho ao Português, portanto, o caminho deveria ser o contrário. Mas esta é a minha opinião... se houver quem me possa ajudar a perceber tal, só agradeço. Obrigado!

Gerundio de Ler

O mais recente livro de VPV (só para os amigos, que no seu caso, são todos os que gastam dinheiro com os seus livros). Acabado de adquirir e, logo, lido... pouco mais de 100 páginas dedicadas a esse "lugar" cujos sinónimos me abstenho de inumerar...

"Louis Henri Loison, o general maneta que participou nas primeiras invasões sob o comando de Junot, e que aterrorizou o Portugal criando a expressão popular «ir pró maneta»"

Mascararte - 3ª Bienal da Máscara

Com esta fotografia (que tirei algures na década de 1990) ganhei o segundo prémio do concurso de fotografia da 3ª Bienal da Máscara em Bragança. O esforço foi mínimo, apenas tive que ir ao "báu" e escolher. O que se manifestou um grande problema, pois hesitei muito... a selecção foi difícil. Só podia enviar três trabalhos. Parece que afinal escolhi bem. Os prémios serão entregues dia 15 de Dezembro no Teatro Municipal de Bragança, a partir das 23 horas. Lá estarei.

25 novembro 2007

De Pavia a Valadares

Ao volante deste clássico das quatro rodas viajei do Alto Alentejo até Gaia durante longas e silenciosas cinco horas. A uma velocidade média de 80 kms por hora, sem rádio, sem vidros abertos e com direito a ar forçado, revivi algumas sensações de tempos já idos, das primeiras aventuras ao volante da velha Renault 12 de meu pai (sempre, ou quase, com o consentimento de minha mãe e respectivo desconhecimento do pai...). A nudez dos interiores, a resistência da direcção, os elevadores manuais dos vidros, a caixa de velocidades tipo tractor, a mão que de vez em quando tem que desembacear o vidro, as paragens periódicas para o carro arrefecer, o conjunto de chaves (uma para a ignição, uma outra para as portas e ainda outra para o depósito de gasolina), os cheiros, o volante de material degradável, a buzina fora do volante (no manipulo dos piscas), e mais, por exemplo, a uma velocidade de cruzeiro de 100 kms por hora, não consegui ultrapassar um único veiculo, ligeiro ou pesado... o que indica desde logo que, por este país de IPs e ICs "ninguém" viaja abaixo dessa velocidade. De resto, confesso também que, ao contrário do que acontece no dia-a-dia, foi uma condução com emoção e prazer.

24 novembro 2007

Natalidade, Interioridade e o Presidente

"Eu não acredito que tenha desaparecido dos portugueses o entusiasmo de trazer vidas novas ao mundo" (Presidente da República Anibal Cavaco Silva, hoje na Guarda)
Sr. Presidente, cá por mim é sempre um prazer e só de pensar no assunto já estou a ficar entusiasmado…
Em visita por terras da Guarda, o Presidente da República resolveu abordar o problema da baixa natalidade. Até aqui tudo bem, mas a abordagem não podia ter sido pior. Para além de responsabilizar todos os cidadãos portugueses por não cuidarem do futuro e continuidade da nossa nacionalidade, pateticamente ingénuo pergunta:
- Porque é que nascem tão poucas crianças em Portugal?
- O que é preciso fazer para que nasçam mais crianças em Portugal?
Não sei como é que a plateia que o ouvia não desatou à gargalhada!?.....

23 novembro 2007

Tabuada do Tempo *

Esta será também uma homenagem ao meu tempo e a todos aqueles que ao longo dele tiveram por missão ensinar-me e explicar-me a "tabuada". Segundo me fazem saber os meus primeiros e últimos mestres, ainda por cima, em acumulação com o fardo da progenitura, nunca terei sido bom aprendiz, nunca tendo saído da maior e anónima mediocridade escolar.
De facto, todos os anos que passaram neste intervalo de tempo até hoje, serão o resultado de uma qualquer tabuada produzida por alguém; e até podem ter escolhido várias conjugações, pois 2x10=20, como 5x4=20 ou então, 3x7=21, ou ainda, 6x3=18, etc, etc...desconheço qual a escolhida, mas também é-me indiferente. Sei que todo o tempo é passível da tabuada.
O tempo este, o de agora e presente, é o de reproduzir tudo aquilo que um dia produziram em relação a nós. Agora, é a nossa prole que tem que apreender, muitas vezes contrariada, pois a brincadeira é sempre melhor e a responsabilidade ainda não é um conceito esclarecido. Cá por casa, está mais do que percebido que a criança, agora que chegou a sua vez de aprender essa arte de ler e escrever, não acha grande piada às letras, principalmente quando se vê obrigada a juntar, na escrita e na leitura, duas ou mais espécies... o esforço tem sido no sentido de a fazer compreender a necessidade dessa construção, porque na realidade, no seu entendimento, um B e um A é BA (como 1+1=2), mas BA + TA já não tem que ser BATA.
Embuido neste esforço pedagógico familiar, dou comigo a reflectir sobre esta "coisa" básica e elementar que é o alfabeto e o seu domínio. Algo que damos como certo e universal e, por isso, o desvalorizamos. O que é um erro, pois, por incrivel que possa parecer, ainda hoje, há quem não o conheça (analfabetismo), quem não o saiba utilizar (apedeutismo) e também quem não o compreenda (iliteracia). Também, constato que este é o grande primeiro momento, será a primeira alavanca, que permitirá à criança desenvolver o seu individualismo e a sua personalidade. Por fim, estes serão os últimos momentos em que conseguimos enganá-las, ou pelo menos, omitir, ao ler o que nos apetece, como aconteceu até aqui quando questionados...
Acima de tudo interessa-me saber que neste processo ontogenético tudo possa acontecer naturalmente e sem grandes expectativas e/ou exigências. Ser criança, foi, é e quero que continue a ser, sinónimo de ingenuidade, de irresponsabilidade, de liberdade e de criatividade. A seu tempo, depois de muita tabuada conjugada, as responsabilidades chegarão.. Sem pressa.

* - Título de um livro de Cristovão de Aguiar, com o qual me cruzei, um destes dias, nos corredores de uma FNAC.

19 novembro 2007

Arrastões Bancários

Vivemos um tempo em que, a cada dia que passa, chegam até nós, mediaticamente, notícias de assaltos, ou pelo menos tentativas de assaltos, por vezes mais, por vezes menos violentas e dramáticas, a instituições e/ou equipamentos bancários. Custa-me saber que a prática tem vindo a aumentar, mas mais me custa o mediatismo e o sensacionalismo adoptado por aqueles que tem por função informar, aquando do tratamento deste tipo de notícias; é que de nada nos serve, e principalmente, de nada serve às polícias e demais entidades, os testemunhos ignorantes daqueles que assim, e só assim, conseguem os seus 5 segundos de "fama" e "notoriedade".
Hoje, a propósito de mais uma tentativa frustrada de assalto a uma dependência bancária, houve quem, numa tentativa de justificar esta prática e o seu registo frequente, a associasse à recente alteração do código penal, nomeadamente no que diz respeito à nova lei da prisão preventiva. Dizem estes que, esta onda de assaltos está relacionada com a libertação de vários presos preventivos, consequência da entrada em vigor dessa nova lei.
Isto para além de ser extemporâneo, é especulativo e procura, sem dúvida, retirar proveitos políticos.
Sem conseguir alcançar toda a problemática, dado o desconhecimento em pormenor, podemos, contudo, fazer uma leitura "sensorial" da realidade da sociedade e dizer que, às tantas, esta escalada de acções violentas, cujo propósito é conseguir dinheiro, não é estranha ao deterioramento, também em escalada, da situação social e, principalmente, financeira dos indivíduos e das famílias portuguesas, assim como não será estranha ao permanente aumento do desemprego. Desta hipotética relação não ouvi eu, ainda, os "experts" do quinto poder. Aliás, seria interessante, para além de necessário, estudar este fenómeno social, procurando as reais causas e razões, para depois então encontrar as soluções certas e apropriadas.

17 novembro 2007

15 novembro 2007

Que grande entrevista

Com o pc portátil em cima dos joelhos estou a ver o programa semanal de Júdite de Sousa "Grande Entrevista", que hoje entrevista a Dra. Joaquina Madeira, actual Provedora da Casa Pia. Tudo isto acontece depois das primeiras denúncias da Dra. Catalina Pestana que aqui há umas semanas, ao semanário SOL, afirmou que as agressões e as violentações continuam a existir na Casa Pia.
Esta senhora, responsável máxima desta instituição que (des)cuida de cerca de 500 crianças e jovens em regime de internato, passa ao lado de todas as questões. Por mais que a entrevistadora a questione, ela simplesmente não diz nada de relevante. A razão de ser desta entrevista supostamente era saber da própria provedora da instituição o seu conhecimento da realidade, mas ela persistentemente diz que não tem conhecimento de nada...
Aqui está mais um exemplo de um espaço, supostamente, nobre, porque em prime-time, que acaba por ser um flop.
Frase da noite: (a proposito das declarações da antiga provedora) "talvez não tenha sido a melhor forma e a altura para as fazer.... sabe, a casa precisa de tranquilidade!" - eu pergunto: tranquilidade para os porcos dos pedófilos poderem continuar a sua pérfida rotina!?... até quando!?... o verdadeiro problema é que são os próprios donos do sistema que dominam os meios que lhes permitem manter o status actual e só assim se percebe a indignação desta senhora pelas permanentes denúncias relativas à sua instituição.

13 novembro 2007

Reforma da Europa

Passados alguns dias do famoso acordo do Conselho Europeu, em Lisboa, sobre o Tratado Reformador, houve já tempo para conhecer o documento, perceber as lógicas e as tendências e perscrutar as diferentes reacções e opiniões acerca do mesmo.
De facto, o agora acabado e fechado Tratado (de Lisboa) não serve os interesses da Europa, uma vez que assenta em fundamentos neo-liberais e preconiza uma agenda militarista.
Por agora, e após 6 anos de problemas internos, a União Europeia deveria regressar aos seus verdadeiros deveres. Mas não, as alterações acordadas no Tratado apenas abordam os problemas nalguns aspectos e os próximos desafios de forma superficial. E mais, as futuras competências da União Europeia permanecem em aberto. Por outro lado, confirma o poder autoritário do Banco Central Europeu e o seu único objectivo – o controlo dos preços; consagra as políticas do Pacto de Estabilidade, que atingem a Despesa social e o investimento públicos, fazendo recair sobre os mais pobres as consequências das políticas orçamentais restritivas; e insiste no princípio da “concorrência livre e não falseada”, ao abrigo da qual explodiu a precariedade dos vínculos laborais, a diminuição de direitos e a compressão salarial.
Ao mesmo tempo, é, erradamente, apresentado como um acordo, um diagnóstico sobre os mercados de Trabalho na Europa, que na verdade abre caminho à extensão do conceito de flexi-segurança ao conjunto da União. A coberto deste slogan – “flexi-segurança”, o patronato e a Comissão Europeia apostam na desarticulação da Contratação Colectiva, na liberalização dos despedimentos individuais e na precariedade dos vínculos. A sua preocupação não é a segurança mas a flexibilidade, o que desvirtua e descentraliza o valor do Trabalho na construção do projecto europeu. Assistimos a uma regressão de natureza civilizacional. A Europa não precisa de mais flexibilidade porque já tem precariedade a mais. Precisa é de um novo Contrato para a Solidariedade que alargue aos imigrantes, às mulheres e aos jovens, os direitos e regalias sociais como condição para resolver a diferença entre ricos e pobres, povos e regiões.
Apesar de este Tratado reconhecer a Carta dos Direitos Fundamentais, o que, em si, é positivo, não podemos esquecer as insuficiências e as limitações dessa mesma Carta. Assim como, o facto de o novo Tratado aceitar a sua não universalidade no espaço europeu, ao dar à Polónia e ao Reino Unido o direito de optout.
Sendo um filho do Tratado Constitucional, em matéria de Política Externa reafirmam-se todos os objectivos e procedimentos que impedem a União Europeia de ter, no plano mundial, uma política independente dos Estados Unidos. O Tratado consagra a subordinação da defesa europeia à Nato, uma organização militar ofensiva quando, pelo contrário, deveria sustentar a sua dissolução em nome de um sistema de segurança colectiva sob a égide das Nações Unidas; recomenda o aumento das despesas militares, quando deveria fazer precisamente o contrário; e admite o envolvimento de forças multinacionais europeias nas missões militares em nome da defesa dos “valores”(!?) e “interesses”(!?) da União. É esta a dimensão militarista do novo Tratado e a sua subordinação à lógica imperial num momento em que aumentam exponencialmente os riscos de novas guerras. Não aceito esta lógica e defendo o desarmamento da União Europeia, a redução dos orçamentos da Defesa nos Estados-membros e o abandono deste ambiente belicista, que mesmo sob a ameaça do terrorismo global, só tem servido para atacar e coagir os direitos fundamentais dos cidadãos e dos estados ou nações.
O projecto europeu deveria envolver, cada vez mais, os cidadãos de toda a União, através da informação, do esclarecimento e do conhecimento da realidade agora proposta e, depois, a realização de referendos nacionais como garantia de legitimidade e como condição da ratificação parlamentar. Todo o incómodo e mal-estar que se sente junto dos responsáveis e decisores políticos europeus, quando se adianta a hipótese de referendar o Tratado tem fundamento, pois esses senhores (todo-poderosos) não esqueceram aquilo que os holandeses e os franceses, responsável e democraticamente, decidiram ao enterrar o Tratado Constitucional. Com esta fuga estratégica, deixam perceber a sua consciência do real e efectivo afastamento das populações em relação às políticas e à própria ideia de Europa. Assim, por temerem reacções adversas evitam a todo o custo os referendos nacionais.
É assim que, cada vez mais estou certo de ser já o tempo de aposentar esta União, que ao longo da sua já longa existência nunca foi, minimamente, compreendida e que, provavelmente, nunca convenceu os cidadãos. Apenas essa elite que é a classe política e dirigente, nos centros de decisão e de poder, foram assumindo e acreditando, em nome de todos e ao longo destas décadas, no compromisso da construção europeia.
A seu tempo, acontecerá! … O que a Europa precisa, para além das nomenclaturas, é um novo Tratado refundador dos valores, dos deveres, dos direitos e das regalias sociais que fundaram a diferença do nosso continente no mundo.Por acreditar numa Europa aberta a todos e a todas que nela vivem, considero indispensável a realização, em Portugal, de um referendo que questione os portugueses se aceitam ou não esta solução. Ainda por cima, o actual Primeiro-Ministro português, quando candidato ao lugar, garantiu (evito o termo “prometeu”) que os portugueses seriam chamados a pronunciar-se acerca desta matéria e seriam democraticamente responsabilizados pela decisão política. Aguardemos.
(publicado no Jornal Nordeste no dia 06/11/07)

10 novembro 2007

a moderna mania da classe média ocidental de que percebe de vinhos. Basta ver certas cenas em restaurantes com reputação de "Boa Garrafeira" - saloios conferenciando gravemente com o escantão e provando o que lhes põem à frente com fervor de peritos.
(Vasco Pulido Valente, hoje no Público)

Da máfia

Os 10 mandamentos para mafiosos e aspirantes a, devidamente anotados (a azul).
Extraídos de papelinhos, conhecidos por "pizzini" encontrados nos bolsos de Salvatore Lo Piccolo, chefe da máfia siciliana, recentemente detido.
1 - Ninguém se pode apresentar por si mesmo a outro dos nossos amigos. Terá de ser uma terceira pessoa a fazê-lo; (quando o eu passa a ele e o ele passa a eu...)
2 - Não cobiçar as mulheres dos amigos; (só a daqueles que não são amigos)
3 - Nunca ser visto com polícias; (senão morre!)
4 - Não frequentar bares; (apenas a Igreja e as casas da família e amigos - leia-se mafiosos)
5 - Estar sempre disponível para a Cosa Nostra; (claro, haverá outra hipótese!?...)
6 - As nomeações devem ser absolutamente respeitadas; (afinal quem manda é o mister... quem joga ou não joga... quem vive ou não vive... quem morre ou não morre...)
7 - As mulheres devem ser tratadas com respeito; (ora aqui está um exemplo vivo do maior dos discursos machistas e chauvinistas)
8 - Quando interrogados, responder sempre com a verdade; (estranho.... então e se for a polícia a interrogar!?... dizem a verdade?)
9 - O dinheiro não pode ser apropriado se pertencer a outros ou a outras famílias; (então a máfia não é uma actividade ilícita de extorsão e de coação!?)
10 - Não é possível ter relações com a polícia; (se tiver bigode e cheire mal dos sovacos...)

06 novembro 2007

José Socrates versus Santana Lopes III

Das restantes intervenções registo as seguintes expressões:
"Tudo sobe acima da inflação" (Jerónimo de Sousa)
"Os Srs. (PCP) nunca querem mudar nada!..." (José Socrates)
"Acabou por ser um momento do canal memória!... Sr. 1º Ministro mude de canal!" (Paulo Portas)
"O Sr. Deputado (Paulo Portas) já merecia que alguém lhe dissesse isto!" (José Socrates)
"Tanta expectativa e afinal... é altura de devolver os bilhetes! Pois afinal só tivemos direito à velha direita." (Francisco Louçã)

José Socrates versus Santana Lopes II

A primeira intervensão de Santana Lopes pareceu-me mais direccionada para a sua própria bancada do que para o 1º Ministro e Governo. Não questiona sequer o orçamento e já depois de o Presidente da AM o ter avisado do fim do seu tempo, lá puxou pelo IVA e IRS... pouco ou nada. José Socrates agradeceu e não perdeu nova oportunidade para fazer comparações.

José Socrates versus Santana Lopes I

Em directo, através da Antena 1, acompanho o debate quinzenal com o 1º ministro. Nesta primeira intervenção introdutória, de realçar a permanente necessidade que o nosso 1º ministro tem de fazer comparações com os 3 anos anteriores ao seu mandato... ou seja, partiu desde logo para o ataque, defendendo assim o seu mandato (sempre se disse que a melhor defesa é o ataque). Segundo dizem, Santana Lopes permanece impávido e sereno, enquanto Paulo Portas não para de escrever...

05 novembro 2007

Feriados, Pontes, Fins-de-Semana e Afins

Lugares por onde andámos nestes últimos sete dias, em género de férias...


02 novembro 2007

Palco

A não perder hoje, bem tarde, no Palco da RTP2 (anunciado para as 2 da manhã), PJ Harvey "On Tour" e Rufus Wainwright "Live at Filmore.

31 outubro 2007

Qualidade

Miguel Vale de Almeida apresentou à poucos dias a sua página de internet, associada ao seu blog "Os Tempos que Correm". Foi a minha mais recente descoberta. Muito bom visual e graficamente. O conteúdo, tal como não poderia deixar de ser, é excelente e reafirma a qualidade do autor. Há muito acompanho a obra do Miguel, mas desconhecia o seu blog e, agora, o seu lugar. Aconselho, fundamentalmente, por uma questão de bom gosto.

29 outubro 2007

Gerundio de Ler

Mesmo antes de chegar a público, já eu o procurava. Acabou por vir até mim através do meu amigo Lourenço. Preciso-o pelo contraditório...

26 outubro 2007

Pensamentos de George

Numa breve sessão de perguntas e respostas, depois de uma palestra na Fundação Gulbenkian, Jeorge Steiner vai pensando em voz alta...

Morrem diariamente pessoas à fome e, embora existam meios para o evitar, ninguém faz nada.

Espanta-me que os pobres não se revoltem.

Não percebo como é que ainda não foi assassinado nenhum desses empresários que encerram fábricas e depois se metem nos seus jactos privados para ir passar férias a Barbados.

(na China com a preparação dos Jogos Olímpicos de Pequim) Estão a limpar ruas inteiras e a despejar as pessoas das suas casas.

Se vier a surgir um novo Platão ou um novo Mozart, ele será indiano...

A cultura ocidental está muito, muito cansada. (....) tivemos uns óptimos dois mil anos, agora devemos dar a vez a outros.

(o que vai substituir a religião!?...) Dará com certeza origem a outra coisa qualquer, porque a maior parte das pessoas não conseguiria suportar o vazio.
- Ideias soltas retiradas do P2 do Jornal Público desta Sexta-feira -

22 outubro 2007

O que nos sobrevive?

Sem grandes preocupações mas embalado pela grandiosidade do som da Antena 2, medito sobre esta questão existencial, que os humanos transportam e que perdura no tempo, de geração em geração, como uma verdade absoluta e universal.
Falo, num primeiro momento, da morte, esse derradeiro momento que todos e todas, os vivos, podem encarar como certo. Mais tarde ou mais cedo, através de diferentes processos, mais ou menos dolorosos e penosos, acontece a todos e a cada um. Independentemente da percepção e da atitude perante esse abrupto momento único e intransmissível, pessoalmente, não me assusta ou inquieta a alma. Custa-me antecipar ou antever o sofrimento inerente a tantos e tantos momentos que precedem a morte. O resto, em consciência, não importa... para onde vamos, como vamos, porque vamos?... serão sempre questões menores.
A esta distância, que nunca sabemos se curta ou longa, pergunto-me sobre o que restará de nós!?... Bem sabendo que o mundo e a vida prosseguirão naturalmente o seu percurso e o tempo não parará, tenho para mim que, por muito que vivámos, a nossa existência será sempre pequena e insignificante relativamente ao que há-de vir.
É neste tipo de raciocínio que parto para a segunda parte, motivação deste texto. A questão é aterradoramente simples e, muito provavemente, cada humano, um dia, a colocou... o que irá sobreviver de nós, à nossa morte? Se a pergunta é simples, a resposta de simples nada tem, até porque nunca ninguém o pode afirmar ou confirmar.
O Homem religioso responderia, sem qualquer dúvida, que a mente sobrevive num outro plano e num outro estado. O Homem místico garantíria que haveria algo mais, não precisando, afirmaria outras experiências. O Homem da ciência, tipicamente agnóstico e racional, provaria que tudo não passa de matéria, logo e consequentemente, tudo se transforma em algo.
Para mim, e num esforço eclético, aceito e respeito todas as hipóteses ou possibilidades. No entanto, prefiro a célebre e sábia frase que diz que a missão de cada indivíduo estará completa quando a sua obra contempla: um filho, uma árvore e um livro. Contudo, parece-me que este raciocínio é húmilde e pouco ambicioso, assumindo uma atitude economicista. Acredito que podemos e devemos produzir mais... muito mais somos capazes de atingir e, isso sim, concerteza, perdurará ao nosso tempo.

19 outubro 2007

Como pode ser!?...

Há doentes a aguardar cinco meses por uma consulta no Sistema Nacional de Saúde. (Jornal Público)

17 outubro 2007

Desarranjo

Nunca gostei de fazer os outros esperar por mim, nem nunca gostei de saber que estou a incomodar ou desestabilizar a vida de terceiros. Muito pelo contrário. Ao pôr a hipótese que poderei estar a ser inconveniente e transtornar a vida a alguém, abstenho-me, sequer, de incomodar.
Poderia dar inúmeros exemplos ou situações em que tal sucedeu. Mas que importa!?...
Sei que, sempre que tenho um compromisso, faço os possíveis, e mais, para estar, não a horas, mas sim uns minutos antes, para não fazer esperar quem quer que seja. Esta minha obsessão, sei, irrita e enerva aqueles que me rodeiam, pois estou permanentemente preocupado com os horários a cumprir.
Não gosto das pessoas que abusam da boa vontade dos outros, neste caso de mim. Principalmente quando esse abuso causa evidentes transtornos e nos desarranja o normal desenrolar do quotidiano. Desculpem o desarranjo.

16 outubro 2007

Perdoa-me !?

O BCP terá perdoado 15 milhões de euros de juros a empresas controladas por José Goes Ferreira, accionista do BCP. O mesmo banco terá também perdoado uma dívida a Filipe Jardim Gonçalves, filho do presidente do conselho geral do BCP Jardim Gonçalves, no valor de 12 milhões de euros. Dois dos maiores accionistas, Pedro Teixeira Duarte e Joe Berardo, pediram explicações ao presidente da comissão de auditoria do banco. O Banco de Portugal disse que não tem comentários a fazer.
Eu também sou cliente do BCP.
Eu também sou um devedor ao BCP.
Eu também não quero pagar a minha dívida.
Eu também quero ser perdoado.

12 outubro 2007

Prémio Nobel

Foi ontém conhecido o vencedor, neste caso vencedora, do Nobel da Literatura 2007. Trata-se de Doris Lessing, romancista nascida na antiga Pérsia e desde há muitos anos a residir em Londres.
Não me posso pronunciar quanto ao mérito ou justiça desta distinção, pois para mim, esta senhora é uma perfeita desconhecida, assim como o seu trabalho e a sua obra o são e serão.
O que julgo pertinente e interessante, do ponto de vista da observação e análise, é o facto de, a partir de hoje e durante os próximos meses, os seus livros passarem a grandes éxitos comerciais. Curioso comportamento este dos leitores mundiais... afinal em que ficamos!?... É-se distinguido e galardoado com o Nobel da Literatura porque o trabalho produzido tem qualidade superior e é reconhecido, ou só se é reconhecido e passa a ser bom porque se ganhou o Nobel!?...

11 outubro 2007

Fight Club

Nas horas tardias dos serões destes últimos tempos, e porque nada ou pouco me atrai e me prende à televisão, numa atitude que entendo ansiosa, utilizando o comando, vou alternando de canal, consecutivamente e a uma velocidade considerável, na expectativa de encontrar algo bom.
Dos pacotes standartizados que os operadores da televisão por cabo disponibilizam aos clientes, que podem ser até dezenas de canais, eu usufruo de apenas alguns, talvez uns dez. A propósito, gostaria de por à consideração a possibilidade de cada um dos clientes puderem escolher e criarem uma lista personalizada de canais, que seriam pagos individualmente e, assim, ajustar as grelhas às necessidades e aos gostos de cada cliente.
Mas regressando às noites dos tais dias, em que vou saltando de canal em canal, por vezes consigo suster tal ímpeto e movimento no canal EuroSport, que na sua programação, por volta das 22 ou 23 horas, emite torneios de Fight Club. A verdade é que dou comigo perfeitamente hipnotizado pela pré-disposição daqueles individuos para a violência e, principalmente, a disponibilidade para serem violentamente agredidos.
Chegados aqui e depois desta surpreendente revelação (para mim próprio), interessa fazer uma declaração de interesses, pois considero-me um individuo estupidamente pacífico, que recrimina qualquer expressão de violência e que, ao longo do tempo, o meu tempo, se tem esquivado à mais insignificante manifestação de força.
Num esforço introspectivo e, fundamentalmente, retrospectivo até às idades de menino ou petiz, apenas guardo na memória um episódio no qual assumi o papel de protagonista lutador: algures na década de 80, agredi cobardemente (porque de costas), um outro miudo, vizinho e companheiro de brincadeiras. E tudo durante um partida de damas... sei que a dada altura agarrei no tabuleiro das damas, de madeira, e dei-lhe com toda a força nas costas com esse pedaço de madeira, que acabou por se partir em pedaços. Quim era o seu nome.
Para além deste momento, nada mais digno de registo. Portanto, acabou por ser uma descoberta, o facto de conseguir tolerar estas actividades... que alguns consideram desporto. De facto, e apesar da efectiva violência, entre os participantes há lealdade e correcção. Agrada-me, quando comparado com outros desportos, a rapidez dos combates - 3 rounds de 3 minutos cada, o que obriga a uma intensa acção.
Lembro também, agora e aqui, até porque desconfio que quem aqui chegou, quando se deparou com o título adoptado, teve no pensamento o filme homónimo protagonizado pelo grande Edward Norton. Na verdade e por fim, um título para se ter e rever.

10 outubro 2007

Antropomorfização do Território

A propósito do Plano de Ordenamento do Parque Natural de Montesinho, que se encontra, até ao próximo dia 17 de Outubro, em período de discussão pública, na qual participei enquanto membro da Assembleia Municipal de Bragança, mas acima de tudo, participante enquanto cidadão atento e preocupado com a realidade local e regional, permito-me agora, informado e conhecedor do documento em questão, tecer algumas considerações e criticar aquilo que considero ser um perfeito disparate que em nada beneficiará a região e, principalmente, as populações locais.
Sou um defensor da existência das áreas, das reservas e dos parques naturais, e neste caso concreto, quero que o Parque Natural de Montesinho (PNM) exista, que seja uma reserva da natureza e que a marca respectiva seja reconhecida e com sucesso. Valorizo a preocupação, a realização e a existência de um plano que estruture e enquadre administrativamente o território do Parque. Acredito também, na competência e na honestidade intelectual da equipa de técnicos responsáveis pela elaboração deste documento, pois sendo elementos pertencentes a uma organização, o ICNB, que promove a conservação da natureza e a biodiversidade, será legitimo que de uma forma evidente, declarada e inequívoca, privilegiem todos os elementos e caracteres naturais, endógenos e autóctones em detrimento da maximização da exploração dos recursos por parte do Homem e das Comunidades. Aliás, estranho seria que a atitude do ICNB fosse outra ou díspar.
Para além dos pormenores mais técnicos e específicos, interessa-me referir aquilo que considero ser o pecado original deste Plano de Ordenamento. O seu total distanciamento do HOMEM e das suas Comunidades.
Há um conjunto de práticas, um corpus habilitis e um modus faciendi, que têm permitido a permanência dessas comunidades neste habitat natural que é o território do PNM e que este Plano de Ordenamento poderá, a curto, a médio ou longo prazo, pôr em causa.
O Homem necessita de se identificar com o espaço que o rodeia. Pertencemos a um grupo com o qual partilhamos uma experiência temporal num determinado território, enquanto espaço produzido, entendido e organizado. Ocupamos caminhos, frequentamos lugares, como os cafés ou tabernas, cultivamos as terras, vamos à missa, etc., sempre tendo em conta a identidade partilhada com o grupo a que pertencemos. Viver é isto...
Estas práticas e representações estão intrinsecamente ligadas à paisagem e à vivência quotidiana, relacionando as necessidades mais vitais com o entrosamento dos habitantes de uma comunidade. Assim, poderemos compreender as fortes raízes que nos prendem ao território e como ele é importante e omnipresente, na estrutura lógica das representações e significados.
Por exemplo, os campos e as bouças que formam estrutura com a casa. Estes espaços possuídos e trabalhados por uma família e pela comunidade não são homogéneos e têm valores diferentes, pois a natureza dos terrenos predispõem-nos para diferentes cultivos e, por questões de prestígio, algumas parcelas podem ter cultivos mais cuidados. Assim, os diversos campos adquirem intimas relações com os trabalhos, as estações do ano e os produtos. Assistimos, então, à antropomorfização dos territórios, pois não há comunidade rural – freguesia, aldeia ou lugar, que não reconheça por um determinado nome cada recanto do seu território. Nomes como veiga, teixo, portela, fraga longa, lama, ribeira ou couto são frequentes nos termos e indicam um eterno sentido de pertença que tem, no entanto, um duplo sentido, uma vez que os indivíduos moldam o espaço, ao mesmo tempo que se deixam moldar por ele, pois o espaço é uma realidade duradoura e é através dela que podemos perpetuar no tempo a nossa memória individual, mas principalmente, a colectiva. Não conseguiríamos rever o passado se ele não se conservasse no meio que nos envolve.
É por isto que considero que este documento, mais do que um conjunto de artigos e alíneas, está pejado de significado e pode, deve ter uma leitura genérica e abrangente, no que concerne à perspectiva humana e sua presença neste território. É também por isto que desconfio que este documento é a demonstração de que o conhecimento deste território, por parte dos técnicos responsáveis, não será assim tão efectivo, deixando, igualmente, transbordar a ideia que os seus mentores e redactores estão bem longe do território em questão. Uma vez mais, vemos a região esquartejada e mapeada, de bem longe, através de controlos-remotos… e por isso, eles, não conseguem perceber que existe aqui, tal como em todos os territórios, uma forte simbiose entre o Homem e o espaço que habita.A equipa multidisciplinar do ICNB, afinal, não será assim tão “multi”, pois em nenhum momento manifestam qualquer preocupação social. Pena é que, na sua defesa intransigente da preservação dos valores e das espécies vegetais e animais, não seja também contemplada a espécie HOMO SAPIENS.
(publicado no Jornal Nordeste do dia 09/10/2007)

05 outubro 2007

Sim..., pois é... eu também!...

Num dia dedicado ao descanso, à família e à leitura dos diários e, também, semanários, encontro no jornal Expresso algo que me faz aqui vir e, numa atitude de reconhecimento, registar a franqueza, a verdade e o oportunismo do comentário. Então, diz assim João Pereira Coutinho, na sua coluna de opinião semanal:
Anjos Caídos
O País já falou sobre a espantosa ressurreição de Santana Lopes na Sic-Notícias. E, pelos vistos, falou bem: não se interrompe um ex-primeiro-ministro por causa de um treinador de futebol, certo? Talvez, se considerarmos o problema em teoria. Mas, como diriam os brasileiros, na prática a teoria é outra. Sobretudo quando do outro lado está a jornaista Ana Lourenço. Se Santana tivesse abandonado, sei lá, um Mário Crespo, uma pessoa até perdoava. Digo isto com todo o respeito pelo Mário Crespo. Mas com a Ana Lourenço, não há perdão: abandoná-la em directo é abandonar a encarnação mais próxima que temos de um anjo (SIM...). Aliás, ainda ninguém me convenceu de que a Ana não é um anjo (POIS É...), deixado cair pelo faro político do diabólico Dr. Santana.
É perante esta heresia que deixo aqui o meu recado: para a próxima, quando o assunto meter política, convida-me a mim, doce Ana. E, já agora, interrompe-me as vezes que quiseres. Eu, por ti, fico sempre (EU TAMBÉM!...).

02 outubro 2007

Bem Vindo à Família

Este é o Torga, o mais recente membro da família. Aos 3 meses de idade, apresenta-se algo tímido e trapalhão... começa a reagir ao nome e ensaia já um curto e rouco ladrar. Puro exemplar de uma das raças tipicamente portuguesas - Cão de Gado Transmontano.

01 outubro 2007

Mundial Dia da Música

Essa linguagem universal que em toda a parte, por todo o mundo, dos confins às capitais, por entre minúsculos sons e estridentes ruídos, num movimento perene, se ouve e se faz sentir.

when de music's over, turn of the lights,
turn of the lights for the music is your special friend.
dance on fire as it intends,
music is your only friend until the end.
cancel my subscription to the ressurrection,
send my credentials to the house of detention,
i got some friends inside,
the face in the mirror won't stop,
the girl in the window won't stop.
a feas of friends alive she cried,
waiting for me inside.
before i sink into the big sleep,
i want to hear
the scream of the butterfly.
come back, baby, back into my arms.
we're getting tired of hangin' around,
waiting around with our heads to the ground.
i hear a very gentle sound,
very near yet very far, very softly, very clear,
come today, come today.
what have they done to the earth?
what have they done to our fair sister?
ravaged and plundered and ripped her and bit her,
stuck her with knives in the side of the dawn
and tied her with fences and dragged her down.
i hear a very gentle sound...
with your ear down to the ground...
we want the world and we want it... now!
persian night! see the light!
save us! jesus! save us!
when de music's over, turn of the lights,
turn of the lights for the music is your special friend.
dance on fire as it intends,

music is your only friend until the end... until the end!
(Jim Morrison, 1968)

27 setembro 2007

Dignidade e Respeito

Para alguns uma atitude desmedida e desproporcionada, mas para mim um momento digno, só para alguns... em directo na SICNotícias, ontém à noite, este Senhor, que por acaso é ex-Primeiro Ministro, não gostou de ser interrompido pelo directo da chegada do Mister Mourinho ao Aeroporto da Portela. Tal como disse, antes de sair do estúdio "...anda tudo doido!..."

22 setembro 2007

Candidatura ao (des)emprego

Mais uma triste notícia. Que de tão triste dá mesmo vontade de rir. Não é que a TAP exige indemnizações aos candidatos a hospedeiros de bordo!?... Diz hoje a edição do Jornal Público que a empresa quer que os seleccionados se comprometam a pagar de 50 a 700 euros, se faltarem a uma das quatro fases de recrutamento.

Violentam-nos na Carteira

Mais um momento digno de registo e proveniente da mais alta tecnologia de ponta, existente na iluminada mente de quem, actualmente, nos governa e tem como ambição suprema a simplificação do país. (aconteceu ontem e hoje é notícia) Em plena Assembleia da República, o Primeiro Ministro, no debate quinzenal, segundo as novas regras, anunciou a abertura de mais um serviço nas Lojas do Cidadão: O Balcão Perdi a Carteira - onde será possivel recuperar os documentos pessoais num mesmo local e ao mesmo tempo. Brilhante! Como é que ainda ninguém se tinha lembrado disso... agora, já poderemos perder a carteira com tranquilidade, pois como dinheiro não temos, a preocupação é, na realidade, o valor intransmissível dos nossos documentos, que nos identificam. Mas então nas Lojas do Cidadão não existem já os vários balcões que nos permitem resolver essas situações!?... Passaportes, Bilhetes de Identidade, Certidões, Nº Contribuinte, Nº Beneficiário da Segurança Social, entre outros, já são uma realidade nesses espaços. A não ser que queiram acabar com os diferentes serviços já existentes, desculpem mas parece não um "simplex", mas sim um "complex".
Para além de também, simbolicamente, e a partir de agora, ser o próprio estado a prever e a aceitar que, de facto, os Portugueses e as Portuguesas são violentamente agredidos na carteira.

17 setembro 2007

o tempo da terra

Refresh de Aquisições

- Loução, Paulo Alexandre, 2006, Portugal, Terra de Mistérios (7ª edição), Lisboa, Ésquilo Edições;

- Urtigão, Ramalho, 2007, As Farpas - vol. 5, Lisboa, Círculo de Leitores;

- Coelho, Adolfo, 1993, Obra Etnográfica - vol. I - Festas, Costumes e outros materiais..., Lisboa, Publicações Dom Quixote;

- Coelho, Adolfo, 1993, Obra Etnográfica - vol. II - Cultura Popular e Educação, Lisboa, Publicações Dom Quixote;

- Parafita, Alexandre, 2002, Antologia de Contos Populares - vol. 2, Lisboa, Plátano Editora;

- Parafita, Alexandre, 2007, Os Provérbios e a Cultura Popular, Vila Nova de Gaia, Edições Gaialivro;

- Moutinho, José Viale, 2007, Lendas de Trás-os-Montes e Alto Douro, Lisboa, Esfera do Caos;

12 setembro 2007

Livraria Leitura

Agora que penso nisso, bem me lembro de ter lido, num qualquer jornal, que a Leitura tinha sido vendida. Mas que desilusão, mas que tristeza senti hoje, quando dei de caras com a loja fechada e com todas as suas vitrinas cobertas com papel.
A Leitura foi sempre a minha livraria. Não estarei a exagerar se disser que 90% dos meus livros foram lá adquiridos. Como está localizada no centro da cidade do Porto e dada a minha preguicite congénita e crónica, nunca fui um visitante ou cliente assíduo, preferi sempre reunir em lista as compras necessárias e, depois então, uma ou duas vezes por ano, fazer a minha demorada visita.
O que sempre mais me agradou neste espaço foi a grande variedade e qualidade de títulos e obras, assim como a grande disponibilidade dos funcionários para nos auxiliar, orientar e sugerir. Também, o facto de podermos encomendar qualquer obra, em qualquer idioma, era apreciado e vantajoso.
Enfim, fica aqui esta nota de tristeza e de desconforto, sentida pelo desaparecimento da única livraria técnica das sociais ciências e afins da Invicta.

11 setembro 2007

Study Case

A propósito da triste história de Madeleine, que agora acompanho de muito longe, através dos ecos, reparo no despropósito dos órgãos de comunicação social, que nos últimos dias, obrigaram o mundo, pelo menos, o nosso, a um "tilt" psicológico com esta história. Independentemente do que vier, do seu epílogo, é interessante verificar como os "entendidos" e os "opinion makers" deambulam ao sabor das tendências e do conta-gotas informativo. Irresistível para muitos, para mim estúpida e irracional, a apetência canibal das objectivas e dos microfones, empurrados por frenéticos editores informativos e directores comerciais, que hávidos de scores de audiências, nos dão o objecto do mais pérfido dos voyeurismos. Concerteza, haverá quem esteja a beneficiar com isto. Concerteza, este será um caso, para mais tarde (vamos ver quando), constar nos manuais da escola jornalística. Em relação aos média, ainda nos falam da auto-regulação... vejam bem como eles se têm regulado...

08 setembro 2007

05 setembro 2007

Serviço Público

A RTP, arauta da prestação de serviços públicos, na sua página de internet, disponibiliza a localização das suas delegações regionais, agora através de um mapa de Portugal. Conheça agora e aqui (visitem também o original), o novo e revolucionário mapa do nosso pequeno país. Resultado da mais cabal e estúpida ignorância, que afinal desconhece o país e, incrivelmente, não sabe onde estão localizadas as suas delegações... ou seja, gasta o nosso dinheiro, mas não sabe onde!

O Regresso

Sem comentários, partilho os retratos de alguns lugares por onde andei neste intervalo do tempo.