---------"Viajar, ou mesmo viver, sem tirar notas é uma irresponsabilidade..." Franz Kafka (1911)--------- Ouvir, ler e escrever. Falar, contar e descrever. O prazer de viver. Assim partilho minha visão do mundo. [blogue escrito, propositadamente, sem abrigo e contra, declaradamente, o novo Acordo Ortográfico]
02 abril 2009
atentado à democracia
30 março 2009
ecos e egos
Vamos receber inscrições para intervenções no Período de Antes da Ordem do Dia.
Senhor Membro da Assembleia, Júlio de Carvalho, tem a palavra, faz favor.
Júlio de Carvalho – Excelentíssimo Senhor Presidente da Assembleia Municipal e Senhores Secretários, Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara Municipal e Excelentíssimos Senhores Vereadores, Excelentíssimos membros da Comunicação Social, Senhores Presidentes dos Grupos Municipais e caros companheiros e Membros desta Assembleia.
O momento que nós vivemos actualmente, não nos pode obviamente deixar escondidos perante ele, não obstante saber que é um assunto bem complexo o momento que vivemos de crise reconhecida a nível nacional e internacional, não podia o PSD, embora sabendo da tarefa difícil que lhe cabe, aproveitar esta oportunidade para dele dar uma visão e leitura como é exigível de todos nós que queremos no futuro de Bragança, de Trás-os-Montes e de Portugal.
Embora conscientes de que a nossa voz … do cimo de Portugal, como dizia Miguel Torga, ou usando uma terminologia bem bonita, de um Membro desta Assembleia, Dr. Luís Vale, “bem perto do céu “ que foi titulo de uma das obras mais completas, uma das obras mais perfeitas, das obras mais curiosas que tenho visto publicadas em Bragança nos últimos anos e de interesse não só de Rebordãos, porque o tema é Nossa Senhora da Serra, como também para todos nós que veneramos e que sentimos a presença e a protecção de Nossa Senhora da Serra ou da Nossa Senhora das Neves. Parabéns ao Dr. Luís Vale.
E aproveitei e não queria deixar passar esta oportunidade, de facto, publicamente fazer em meu nome pessoal, obviamente, uma apreciação crítica, positiva e boa, desta grande obra que publicou para interesse de todos nós. E mesmo que chegasse, creio, que a nossa voz, a Lisboa, sempre haveria, como nós sabemos, algumas vozes, normalmente os costumeiros é que habitualmente, medíocres, as gostam de abafar."
(subtraído da acta da reunião ordinária da Assembleia Municipal de Bragança do dia 23 de Fevereiro de 2009)
29 março 2009
26 março 2009
instantes urbanos II
25 março 2009
português correcto
novos e velhos, mas só agora adquiridos
23 março 2009
21 março 2009
massagem e intimidade

Aquilo que podem aqui encontrar é uma amostra do catálogo completo que só está disponível na internet. Avisado por uma amiga resolvi visitar o site - desfolhem aqui - e constatar pessoalmente o vasto leque daquilo que um amigo terá chamado de brikàbreke da parafernália doméstica.
20 março 2009
19 março 2009
dia do pai - também o meu dia

18 março 2009
despojamentos
A distância que nos separa desse outro Portugal faz com que sejamos vistos como algo que está a definhar e que em breve desaparecerá e, como tal, é desperdício nacional investir nestas geografias marginais. Aquilo que temos assistido nas últimas décadas – curiosamente, ditas democráticas, e em particular mais recentemente, sob o (des)governo socialista é um incessante e continuo desinvestimento na região transmontana, despojando as comunidades dos parcos bens e serviços que ainda sobravam. E não adianta os eleitos locais e nacionais pelo partido socialista virem a terreiro dizer que nada foi retirado ou subtraído aos transmontanos, pois estes bem sentem na sua vivência quotidiana as crescentes dificuldades. Mas esta reflexão teria que ir mais além e numa viagem sem sair do lugar, percorro os trilhos dessa áspera realidade:
- Centralizam-se serviços administrativos, impondo uma racionalidade financeira e consequentemente afastando-os dos cidadãos;
- As infra-estruturas básicas, em pleno século XXI, continuam por cumprir. Na região ainda há comunidades sem direito à água, em qualidade e quantidade mínimas e suficientes. Ainda há muitas comunidades sem direito a um saneamento básico salubre e higiénico;
- As vias de comunicação regionais e locais encontram-se num estado lastimoso e, por isso, situações como a da aldeia de Macedo do Mato, que recentemente foi notícia nacional pelo caricato e pela evidência dos interesses pequeninos da gestão autárquica em Portugal;
- Transportes públicos deficientes, sendo negócio para um mercado privado que não respeita nem defende os interesses dos utentes;
- Transformam-se aldeias em centros de dia e/ou lares de 3ª e 4ª idade – essas instituições totais entendidas pela sociedade em geral como uma antecâmara da morte e dos cemitérios;
- Abandona-se ostensivamente a agricultura e a agro-pecuária, sobrando por todo o distrito a pequena agricultura que não mais serve do que para alimentar os próprios e afins;
- Indústria não há;
- Um sector terciário minimalista, reduzido que está (salvo raras excepções, dos franchisados…) ao próprio negociante atrás do balcão;
- Trocam-se valências hospitalares por helicópteros (que por acaso e só, ainda não chegaram!?...);
- Trocam-se SAPs por VMERs;
- Prometem-nos ICs e auto-estradas como eu prometo rebuçados à minha criança, mas só se ela se portar bem… (seja lá o que isso for!?)
E a tudo isto assistimos nós e assistem, impávidos e serenos, os senhores investidos nas nossas autarquias pelos cidadãos da região, lavando da culpa as suas mãos e focando a sua atenção e o seu esforço nas amarras dos seus quintais, preocupados com a eminente hipótese sacrílega de uma invasão de vacas ou gados dos vizinhos às suas propriedades – quais guardadores de quintais… E assim somos (des)governados. Haverá alguma evolução positiva para a nossa região nos últimos anos!?... Não creio e, inclusive, temo que esta situação não só se mantenha como se degrade até ao dia do despojamento final.
Por tudo isto, este ano de 2009 é um excelente ano para nós, transmontanos, demonstrarmos através do voto, o nosso descontentamento e a nossa revolta pela imensa e manifesta incompetência daqueles que têm exercido o poder local e nacional. O Bloco de Esquerda ao reunir agora e assim também em Bragança percebe o reforço, a legitimação e o ânimo, simbólicos e efectivos, que a sociedade portuguesa deposita na sua capacidade e no seu projecto político. Sim, porque o BE não ambiciona uma sociedade imaginada, mas sim uma sociedade realizada e, em todos os momentos, procura transmiti-la aos portugues@s, se quiserem teimosamente, mas sempre dizendo no que acredita e ao que vem. O desafio do BE em Bragança é enorme, pois se há quatro anos éramos vistos como “aves raras” ou “despenteados mentais”, hoje percebemos a enorme expectativa na nossa acção de esquerda, a enorme expectativa em relação às nossas propostas socialistas. Porque é Esquerda, porque é Bloco, é Bloco de Esquerda.
17 março 2009
andrajoso
16 março 2009
obra-prima vitima de banalização
11 março 2009
reflexos tardios na imprensa regional
10 março 2009
nem Jesus Cristo teria soluções
08 março 2009
dia mundial da mulher
07 março 2009
as novas tecnologias e António Barreto
aquisições
06 março 2009
Ler, com prazer
Deste número 78 da revista Ler quero destacar a entrevista de Carlos Vaz Marques a António Barreto, agora presidente da nova fundação Francisco Manuel dos Santos, na qual reflecte sobre o papel da Escola na educação e na leitura. Depois, a questão "Privacidade e Bom Senso" parece-me interessante. Terei um fim-de-semana bem recheado!interesses, hipócritas e vice-versa
05 março 2009
mistifória jactância
Na prossecução de e-mail anterior (abaixo transcrito) e que desde já agradecemos o seu envio, compelimo-nos a solicitar o favor de nos enviarem a documentação, que entretanto foi remetida, mas com a alteração atinente ao cabeçalho, ou seja, que daí conste inserção física do nome do fornecedor de serviços. Obrigado.
Sem mais de momento e ficando a aguardar o prezado envio de V.Exas., subscrevemo-nos com a mais elevada estima e consideração.
Atentamente,
poesia urbana
Já ninguém parte do Tejo
Para dobrar bojadores
Agora olho e só vejo
Contentores contentores.
E do Martinho Pessoa
Já não veria o vapor
Veria a sua Lisboa
Fechada num contentor.
Por mais que busques defronte
Nem ilhas praias ou flores
Não há mar nem horizonte
Só contentores contentores.
Lisboa não tem paisagem
Já não há navegadores
Nem sol nem sul nem viagem
Só contentores contentores.
Entre o passado e o futuro
Em Lisboa de mil cores
O sonho bate num muro
De contentores contentores.
Por isso vamos cantar
O fado das nossas dores
E com ele derrubar
O muro dos contentores.
Manuel Alegre, 04.03.2009
03 março 2009
um bom dia
os meus livros todos
27 fevereiro 2009
26 fevereiro 2009
origem do mundo
Da Antropologia ao Direito, passando pela literatura e a arte, todas as lógicas sociais tentaram reduzir o sexo feminino a estigmas originários, a ritos de sociedade, a cânones, moralidades, estéticas, ficções literárias ou metáforas derivadas do seu nome próprio. Toda esta encenação confunde e visa distrair da mais intensa forma repressiva, matriz de todas as violentações: o domínio do homem sobre a mulher. Para a ordem masculina, o homem é cultura, não passando a mulher de um trânsito entre a natureza e cultura, sempre se justificando o domínio do homem sobre a mulher pela necessidade de regular a parte irredutível de natureza inata da mulher - a parte animal quintessenciada na cona. Pródigo no seu desconhecimento do sexo feminino, o homem pretendeu que o convexo dos seus órgãos genitais é superior ao côncavo do sexo da mulher, argumentando que este seria uma bainha daqueles ou um complemento, mas nunca um sexo específico. Ignorância esta, convém notar, decorrente de temores inconfessados. De facto, não se desprende qualquer ameaça real da natureza da cona que justifique toda a virulenta repressão de que é alvo. O deus ex machina que provoca a violência e a perseguição contra a cona é o medo masculino resultante da precariedade do seu próprio sexo face ao feminino. Medo esse traduzido em misoginias ou exarcebado em machismos, mas sempre inseparável do fascínio que ao mesmo tempo a cona suscita. (HERNANDO, 1998)
25 fevereiro 2009
23 fevereiro 2009
altar de esterco e a colecção ignomínia
esgoto a céu aberto
20 fevereiro 2009
blogue seguinte»
1º - the greatest sports
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exercício b
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redes sociais
escadas (rolantes) que não rolam
18 fevereiro 2009
aspereza nua da crise
Mensagem original-----
De: !!!!!!!!!!@sapo.pt [mailto:!!!!!!!!!!!!!@sapo.pt]
Enviada: quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009 16:54
Para: ???????@inconsulting.pt
Assunto: Presença no estágio amanha.
Boa tarde antes de mais.
Escrevo este e-mail para informar que apartir de amanha talves não
compareça mais ao estágio, visto que, tive que desistir da escola, a
situação aqui em
casa esta muito complicada, a minha mae está com uma depressão enorme
e o que ela ganha já nao chega para pagar todas as dividas.
Ontem já me inscrevi no centro de emprego, tenho a cabeça um pouco
confusa, mas tenho que arranjar trabalho, no entanto depois vou
completar o 12º no curso noturno que a escola tem.
Agradeço desde já o carinho e avontade com que me receberam, a
confiança que colucaram em mim, são todos pessoas excelentes, muito
bem dispostas e com uma forma de ver a vida espantosa.
Admirevos imenso.
Peço então que se por acaso conhecer algum local que esteja a oferecer
emprego que me comunique.
Sem mais nada de momento e pedindo desculpa por vos deixar na mão e
com muita pena por nao poder continuar convosco.
Melhores cumprimentos.
!!!!!! (assinatura)
16 fevereiro 2009
dia no parque natural de montesinho



fotos de Jorge Morais Sarmento12 fevereiro 2009
11 fevereiro 2009
amor com amor se paga
10 fevereiro 2009
desassombro da memória
05 fevereiro 2009
uma vez mais vou LER
03 fevereiro 2009
Ai Portugal, Portugal! Do que é que tu estás à espera!?...
02 fevereiro 2009
Mercado do Livro
30 janeiro 2009
acordo ortográfico.... (uma vez mais)
29 janeiro 2009
educação musical
o meu gadget
27 janeiro 2009
primeiro beijo
Por breves que fossem estes encontros, ele sentia-os imensamente e mesmo antes de cada um deles findar, João só já ansiava por uma próxima vez. Com o passar do tempo e à medida que se iam conhecendo, ele sentia-se cada vez mais preso a ela e, a partir de determinada altura, sentiu que a empatia e a vontade eram recíprocas. Ana também gostava de ali estar.
Uma outra atitude se impunha agora a João, que num gesto improvisado e quando, uma vez mais, Ana sorrindo chega perto de si, lhe diz que a adora desde sempre, desde o primeiro momento que a sua memória a consegue recordar e que é já doloroso para si continuar a conviver com Ana sem poder ir mais além… O lindo sorriso de Ana deu lugar a uma expressão grave e preocupada, o que assustou João, mas Ana sem dizer o que fosse, respondeu-lhe com um beijo, um leve mas longo toque de lábios, no fim do qual segredou: - Que bom meu amor!
Hoje, já bem longe, João recorda esse primeiro momento, conseguindo ainda sentir, na boca de Ana, o sabor desse primeiro beijo e no seu olhar, encontrar a memória desses alegres e bonitos dias.
24 janeiro 2009
um ano mais... Apurriar
Para mim o ser Blogger não é mais do que ter um espaço - género livro aberto, organizado e arrumado, onde sei que não perderei qualquer informação. É, sem dúvidas, um excelente arquivo. Pessoalmente, continuo a gostar muito do cheiro do papel e de poder escrever, corrigir, riscar, reescrever, borratar, ler e reler aquilo que poderia ter sido mas não foi, aquilo que pensei um dia, mas que por qualquer razão não vingou. Apesar de toda a tecnologia disponível e de todas as novas possibilidades que gosto de conhecer e experimentar, vou continuar a gastar papel e canetas pretas, tentando sempre manter o gosto, a vontade e a arte para aqui ir depositando parte daquilo que vou fazendo.
19 janeiro 2009
João Aguardela
16 janeiro 2009
a LER
15 janeiro 2009
igual a nada
14 janeiro 2009
politicamente correcto e ecuménico...
«Pensem duas vezes em casar com um muçulmano, pensem muito seriamente, é meter-se num monte de sarilhos que nem Ala sabe onde acabam»
09 janeiro 2009
Leituras do Pessoa
Somos hoje um pingo de tinta seca da mão que escreveu Império da esquerda à direita da geografia. É difícil distinguir se o nosso passado é que é o nosso futuro, ou se o nosso futuro é que é o nosso passado. Cantamos o fado a sério no intervalo indefinido. O lirismo, diz-se, é a qualidade máxima da raça. Cada vez cantamos mais um fado.
O Atlântico continua no seu lugar, até simbolicamente. E há sempre Império desde que haja Imperador.
08 janeiro 2009
curiosidade
- Da reforma do sistema capitalista = 35%
praças de aquecimento
06 janeiro 2009
04 janeiro 2009
Guarda Livros
02 janeiro 2009
imagem que nos liga

Esta é a imagem que podemos encontrar em vários outdoors espalhados pela cidade de Bragança e, presumo eu, em todas as cidades entre Vila Real e Bragança. Ainda não consegui perceber muito bem a lógica desta imagem, que nos enormes outdoors tem mais informação e onde o rapaz é associado a Vila Real e a jovem associada a Bragança. Desculpem-me os "mágicos" da publicidade e do marketing mas parece-me uma imagem e uma mensagem difusas, que permite inúmeras leituras e que vão muito além da propaganda do regime... de todas, aquela que vou realçar porque perversa é a de que, de facto, muitos casais vivem o suficientemente afastados para precisarem deste esparguete. É verdade... esta imagem é utilizada para anunciar a auto-estrada transmontana!...
dois mil e nove
29 dezembro 2008
2008
É assim que a dois dias do final deste ano de 2008 aproveitando o aconchego que o moderno aquecimento central me proporciona, protegendo-me da permanente geada que sinto lá fora, medito e exteriorizo alto, através destas palavras, a minha perspectiva deste ano. O que farei em duas diferentes dimensões: a primeira é acerca do EU no seu sentido mais lato e a segunda dirá respeito ao NÓS enquanto espaço e tempo partilhado, numa visão holística na qual os EU’s não serão mais do que uma ínfima parte desse NÓS.
EU, bem no inicio do ano de 2008 ou ainda mesmo nos últimos instantes de 2007 exteriorizei perante um reduzido número de amigos que perspectivando o ano que aí nascia, tinha três grandes objectivos que gostaria de ver concretizados durante o decorrer desse ano: a) resolver ou definir a minha situação profissional; b) criar e dar espaço a uma nova vida fazendo crescer o agregado familiar; c) tratar com eficácia e se possível definitivamente o problema de saúde que me afectava. Assim, com optimismo, entusiasmo e “ganas” parti para este grande ano oito depois de 2000.
EU, agora e olhando para todo este tempo que decorreu desde então, posso dizer que o ano terá tido duas grandes fases distintas. Uma primeira correspondente aos primeiros quatro a cinco meses do ano nos quais o esforço, o empenho, o investimento e talvez a sorte, me permitiram acreditar que tudo corria bem e os tais pressupostos pessoais seriam alcançáveis. O investimento num novo projecto empresarial, o prazer na tão desejada e adiada gravidez, a procura incessante e sistemática até ao diagnóstico correcto acerca do meu mal-estar fisiológico e, no entretanto, o esforço no iniciar do mestrado e a edição de um novo livro, completavam os meus dias, substituindo a monocórdica rotina de tempos anteriores.
Depois, e quando chegámos mais ou menos ao meio do ano esse sentimento mais optimista deu lugar a alguma frustração e desalento. O momento primeiro que terá motivado essa altercação do estado de espírito terá sido o abortamento dessa nova vida que estava a caminho. Sem que tenha sido traumático, obrigou a um novo adiamento sem data, de algo que EU considerava já por demais atrasado. Depois e até hoje, numa velocidade atroz, quase como se tropeçássemos numa pedra e desatássemos aos trambolhões pela encosta do tempo abaixo. Pelo caminho e já bem perto deste lugar onde hoje EU me encontro, a percepção de que o investimento e o esforço no novo projecto empresarial não vingou e por isso a minha situação profissional não está diferente daquilo que estava há precisamente doze meses. Também, aquilo que se apresentava como solução para o meu problema físico, apesar de ter conseguido restituir-me algum conforto e qualidade de vida, não se perspectiva como resolução definitiva, mas sim como paliativo ao qual terei que recorrer periodicamente para poder manter a dor e o desconforto distantes. Para além disto, esta mesma solução química que me permite andar razoavelmente bem estraga-me os genes, o que leva o doutorado Professor que me acompanha e cuida dos males a sugerir um adiamento “sine die” do ansiado momento de nova fecundação familiar…
EU, verdadeiramente, não posso dizer que o ano me correu mal. Espero, como o comum dos mortais, por mais e melhor, senão nunca pior, mas também posso afirmar com a certeza de quem o experimentou que anos houve bem melhores para o EU. É verdade, foi também o ano em que um profissional da saúde me perguntou se eu conseguiria transformar-me em vegetariano, pois parte da solução para os meus problemas poderia estar nessa transformação… ainda não lhe respondi.
A segunda dimensão sobre a qual inevitavelmente teria que reflectir diz respeito aquilo que é de todos e sobre a qual todos NÓS deveríamos reflectir. Ainda que relativizando as escalas de importância e perspectivando os sistemas de classificação, na linha do tempo aconteceram, acontecem e acontecerão momentos que pela sua unicidade nos permitem destacá-los positiva ou negativamente. Referindo-me apenas a esse pequeno segmento de tempo que foi o ano de 2008, posso e quero destacar aqueles que segundo o meu julgamento foram e são relevantes para o NÓS.
Desde logo e porque foi para mim o acontecimento do ano, talvez da década e, quiçá, do século que vivemos, a eleição do negro Barak Obama para presidente dos E.U.A. Sem euforias messiânicas, acredito sinceramente que estaremos perante o momento primeiro de algo diferente e estranho ao presente e passado recente, ou seja, de mudança de paradigma na ordem e nos valores mundiais. A esperança que isso possa vir a acontecer é grande e acarreta riscos de embriagamento dos sentidos e da razão, portanto alguma moderação e contenção nas expectativas serão aconselhadas, por hora.
Um segundo momento digno do meu registo foi a permanente e crescente sensação de insatisfação e, depois, contestação social que por todo o lado se começou a sentir, principalmente e nomeadamente em Portugal, onde um Governo com grande legitimidade não conseguiu dar as respostas minimamente suficientes e capazes para os problemas dos portugueses e por isso, pudemos assistir ao desbaratar do seu capital de legitimidade na real proporção das manifestações públicas por parte dos vários e diferentes segmentos da sociedade: saúde, forças armadas, polícias, tribunais, agricultura, universidades, professores, pensionistas, profissionais liberais, museus e agentes culturais, entre outros que não consigo recordar, vieram para a rua manifestar a sua indignação pelas opções políticas do governo de José Sócrates.
Por fim, aquilo que muitos consideravam “ad eternum”, no qual depositavam literalmente todas as suas reservas e que nem nos seus piores pesadelos imaginaram poder acontecer, afinal aconteceu… (estou com um sorriso nos lábios e um no cérebro) a lei do mercado e a força do capital não é infalível. Muito pelo contrário.
E não me peçam para ter pena daqueles que perderam os seus capitais investidos, ainda que agora passem fome. Não consigo!... A minha pena continua a dedicar-se aqueles que não conseguem sequer sobreviver: ter um ordenado mínimo, uma pensão digna, uma existência. Esses outros que perderam aquilo que nunca, realmente, foi deles, e que durante algum tempo ostentaram essa soberba e avidez, borrem a cara e o que bem entenderem com a caca à qual submeteram todos os outros durante esse tempo.
Nem os mais pessimistas dos comentadores ditos especialistas me conseguem refrear a excitação por poder estar a viver este momento. Considero-me um privilegiado por aqui estar agora. Mesmo sem saber onde tudo isto vai desembocar, estou disposto a pagar o meu preço – seja um carro ou uma casa (materialidades que não são e, provavelmente, nunca serão verdadeiramente minhas) para que tudo possa mudar, para que possamos refundar a nossa sociedade (…e não, não sou utópico, nem espero amanhãs gloriosos). Quero sim o fim desta canalhice a quem deram o nome de capitalismo, pelo menos nesta sua versão mais estupidificante e redutora: é que as pessoas não são números, por mais que o afirmem e confirmem, a verdade é que as pessoas são sentidos e sentimentos que chegam além do mísero calculismo dos cifrões. Acabou enfim.
Esta é a minha visão do mundo. Acima de tudo humanista, onde o Homem, cada um do NÓS ocupe o lugar central no mundo, com valores dignos e justos que justifiquem a sua existência. Havemos de experimentar algo diferente, isso sei e por isso não espero.
Deixando esse exercício de adivinhação, que não é mais do que saber antes de saber, acerca do futuro e do ano que aí vem, aproveito estes últimos caracteres para desejar que 2009 possa ser tudo aquilo que NÓS queremos que seja.







